Marinette precisou respirar fundo algumas vezes antes de começar a falar. Seria a primeira vez que faria aquilo e dentre todas as pessoas jamais imaginou que falaria aquilo logo para Adrien uma vez que nem Alya sabia. Mas ela se sentia bem com ele de uma maneira que nunca se sentiu com outra pessoa. Ela fechou os olhos e respirou fundo uma última vez.

"Quando eu tinha uns cinco anos de idade descobri que tinha uma grande paixão por artes marciais. Nunca entendi bem o porquê mas eu lembro que se pudesse passaria horas em frente a TV assistindo as lutas e apresentações. Então meus pais decidiram colocar aquela paixão a prova e me matricularam em algumas aulas. Eu fiz um pouco de tudo: jiu jitso, karatê e até um pouco de boxe. Eu me empenhava ao todo para provar que merecia aquelas aulas e por isso todos os professores por qual passei diziam que eu era a melhor."

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"Comecei a participar de competições, concursos e apresentações mas por mais que eu amasse aquilo ainda sentia que faltava algo. Meus pais, pelo contrário, começaram a assumir aquele sonho por mim. Se animavam mais que eu e pareciam tão orgulhosos que eu morria de medo de contar a eles o que sentia."

"Aos meus doze anos, descobri que sabia desenhar. Melhor. Descobri que amava mais aquilo do que lutar. Então meus sonhos começaram a se distorcer e de lutadora comecei a querer ser designe. Era aquilo que eu realmente queria. Era aquilo que me deixava feliz. Só que... Eu nunca tive coragem de contar a eles. Não queria decepciona los."

Marinette fez uma pausa sentindo o coração se apertar ao que falaria agora. Ela respirou fundo novamente e sentiu Adrien segurar sua mão novamente. Aquele pequeno toque pareceu relaxa-la por um momento.

"Não precisa fazer isso se não estiver pronta. Não quero força-la a nada." murmurou preocupado.

"Não" negou de prontidão "eu preciso fazer isso." murmurou decidida "um dia meus pais tiveram que fazer uma grande entrega..." continuou enquanto as lembranças voltavam com tudo em sua mente.

***

Marinette caiu sentada no banco ao escutar as palavras do médico.
Nãopodiaserverdade. Dias?!
"Sinto muito" o homemmurmurouaoverareaçãodagarota.

As lagrimas ameaçaram cair. Tudo estava tão bem. Era para ser apenas uma entrega. Ela estava os esperando em casa ansiosa para vê los depois de três dias, quando o hospital ligou.

Eles haviam sofrido um acidente.

Marinette foi o mais rápido possível para o hospital e havia esperado horas para saber sobre o estado de seus pais. Mas agora a espera não parecia ter valido a pena.

Ela levantou os olhos para o médico
"Posso vê-lo" ela perguntou e ele confirmou levemente com a cabeça
"Apenas por pouco tempo"
Marinette confirmou levemente com a cabeça eentãofoi guiada atéaUTIondeseupaiestava internado. Quandooviu, sentadosobreumamacaenquantoserecuperavadeoutroataquedetosse, sentiuaslágrimasescaparemecorreuemsuadireçãooabraçando.

"Shi... Vai ficar tudo bem Mari. Não precisa chorar" elesussurroupraelaqueoapertouaindamais.

"Eles te deram dias pai! Eu não posso te perder... Eu n-não consigo..."
Ela nãoconseguiaterminareeleapuxouparaquepudesseverseurosto. Tomcolocouumamãonorostodafilhasecandolhealgumaslágrimasquelogoeramsubstituídasporoutras.

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"Isso é tudo culpa minha. Não fique triste ok? Eu posso não ficar com vocês fisicamente mas eu vou sempre estar aqui" eleapontouparaocoraçãodela. Marinettefechouosolhoseabraçouopainovamente.

"Eu te amo! Nunca esqueça isso disso." elasussurroupraelequeaapertoumaisforte.

"Eu também te amo meu anjo... Eu também te amo..."

***

"O que ele tinha?" Adrien perguntou interrompendo Marinette. Ela manteve os olhos na rua lá em baixo quando respondeu.

"Tuberculose" ela murmurou "antes daquele acidente meu pai tossiu durante semanas mas continou se recusando a ir pro hospital porque acreditava ser apenas uma gripe." ela respirou fundo "um dia ele começou a tossir sangue e aquilo o convenceu a ir ver um médico. Só que aquela entrega apareceu e ele adiou a consulta para quando voltassem."

"Só que eles sofreram o acidente" Adrien completou e Marinette concordou levemente com a cabeça. Ela tentava a todo custo controlar as lágrimas que lhe queimavam os olhos.

"Ele já estava com a doença muito avançada e depois do acidente aquilo seria estresse demais para ele. Os médicos disseram que iriam fazer o possível mas que era provável que ele não agüentasse mais do que alguns dias." uma lágrima escapou dos olhos da mestiça diante da lembrança " mas ele aguentou duas semanas nas quais eu e minha mãe não saímos do lado dele." ela continuou, a voz embargando levemente " e quando ele morreu minha mãe, que tinha fraturado duas costelas e um braço, entrou em depressão."

Marinette fez uma pausa diante da dor que assolou seu peito e notou Adrien prender a respiração ao seu lado. Ela o olhou e viu a clara pergunta em seu olhar. Comoelassemanteram?

"No estado em que ela estava não tinha como ela trabalhar então precisamos fechar a padaria. Só que nós precisávamos de dinheiro então eu comecei a usar a economia da família pra nos manter. Só que aquilo não duraria pra sempre. Então decidi arrumar um emprego." Ela desviou o olhar de volta a vista a sua frente.

"o único problema é que ninguém queria contratar uma garota de 14 anos..."

***

"MarinetteandoudevagarpelascalçadasdeParis, osbraçosemvoltadesimesma. Nãoporfrio. Masporpuraaflição. Outraentrevistanegada. Outravezvoltandopracasademãosvazias.
Oquefaria? Nãopodiausarofundodegarantiaprasempre. Osremédiosetratamentosdesuamãeeramcaros. Semcontarqueporprecisarservigiada 24 horas por dia Marinetteprecisoucontratarumaprofissionalparaficarcomelaenquantoaazuladaestavanaescolaouemalgumaentrevistanaprocuradeumemprego.
Precisavaagir. Erápido.

Estavatãoabsortaempensamentosquemalnotouumafiguraencapuzadaparardiantedesi.

'Passa tudo ou leva tiro!' ohomemgritoulevantandoabainha da blusamostrandoaarmapresaali. Marinettedeuumpassopra trásinvoluntariamente, apertandoaalçadabolsacomtantaforçaque a ponta deseusdedoscomeçavamaficaresbranquiçados.

Nãopodiaperderaqueledinheiro. Haviaacabadodesairdobancoparapagarascontasdecasa. Nãopodiasedaraoluxodeperdermaisdinheiro.
Suamentefoiamilbeirandoodesesperoatéqueelanotouumamarcanaarma. Nãoapenasumamarca. Umlogotipo.

Éumaarmadebrinquedo! Pensouelaficandoirritada. Seusinstintosagiramprimeiroeelaoatacou. Marinetteselembroudosgolpesqueaprenderaduranteosanosdetreinamento. Osgolpes eram meioenferrujados, pelotempoqueficarasemtreinar, massempreprecisos.

Emumcertomomentoohomemtentoudarumsoconela, quedesvioufacilmenteeentãochutouapartedetrásdeseusjoelhosfazendoocairdejoelhosnochão. Quandoeleestavaprestesaselevantarnovamenteeladeuumsocoemseurostoeviuohomemseencolhernochão, asmãosnonarizquecomeçavaasangrar.

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"Sua maluca!" elegritouantesdeselevantaresairdalicorrendo. Marinetteoencarouporalgunssegundos, arespiraçãoaceleradaenquantooalívio percorriaseucorpo.
Quandocomeçouarelaxarescutoualguémbaterpalmasatrásdeafazendosevirarrapidamenteemposiçãodedefensiva.

Eraumhomemqueseaproximavaaindabatendopalmaequeaencaravacomoseaazuladafosseumtesouroperdido. Elesorriupara ela"parece que alguém tem potencial"

***

"Espera" Adrien interrompeu Marinette a olhando com o cenho franzido "quem ele era?"

"No começo eu achei que era mais um treinador ou dono de academia interessado no meu talento. Não seria o primeiro e nem o último" ela franziu a testa aonde lembrar. "Mas ele me disse que trabalhava numa companhiadeseguranças" ao perceber Adrien ficar confuso ela explicou. "É uma empresa que contratava e treinava pessoas para serem seguranças pessoais. Quem julgasse que precisava de proteção ia até lá e contrata o serviços de alguém. Ele me indicou para ir e disse que eu poderia receber um bom salário. Confesso que aquilo me surpreendeu. Ele sequer se importou com a minha idade, mesmo sendo perigoso." Marinette suspirou e passou uma das mãos no rosto.

"Você aceitou não foi?" Adrien perguntou já sabendo a resposta. Em sua mente ele tentava relacionar a imagem daquela frágil Marinette com alguém que saía para trabalhar como segurança particular. Mas aquilo não parecia se encaixar.

A azulada mordeu o lábio inferior antes de responder.

"Não de primeira. Aquilo me pareceu uma decisão muito extrema. Só que naquele mesma noite minha mãe passou muito mal e precisou ser internada e isso custaria caro. Eu não tive outra escolha. PRECISEI aceitar aquele emprego."

Ela desviou o olhar para um ponto distante

"Lá eles me ensinaram técnicas de ataque e defesa e aprimoraram o que eu já sabia. Me ensinaram também a fazer curativos porque se eu fosse para o hospital toda vez que me machucasse, o que não seria pouco, eu iria chamar muita atenção."

"Eles tinham uma regra básica. Todos tinham que assumir um codinome durante o trabalho. Assim não arriscavamos nossa vida fora de lá. E isso realmente ajudou porque a mascara e a roupa me faziam parecer mais velha o que dava mais confiança aos 'clientes'."

"Era tudo programado e organizado. Quando minha mãe saiu do hospital eu contratei uma pessoa para que ficasse com ela enquanto eu estava na escola e no " trabalho ". Eles me ligavam apenas quando eu era contratada, o que me permitia ficar mais tempo com minha mãe."

***

Marinettejogouamochilasobreacamaassimqueadentrouquartoesuspirou. Estavaexaustaetudoquequeriaeradeitaredormirpordias. SerLadybugvinhasendocadavezmaisdifícil. Semprecansada, sempre machucadaepiorsempreemsegredo. Ninguémsabiasobreaquelasuavidadupla. Ninguémsabiasobreoqueocorreracomseupaiesobreoqueaindaaconteciacosuamãe.
Mantersegredoeraumacoisaimportante. Sabeseoquefariamsesoubessequeeraela, umagarotade 15 anos, quesustentavaacasa.

Marinettecaminhouatéseucalendáriopresoasuaparedeeentãomarcouum "x" nodiadehoje.

Faziapoucomaisdeumanoqueseupaimorreraeelaprecisouassumirasrédeasda casa. Eramuitoprasepediraumagarotaque malsetornaraadolescente. Elaestavaexaustadaquilotudo. Nãofisicamentecomotambémmentalmenteeemocionalmente. Sentiaquepodiadesmoronaraqualquermomento. Masnãopodia. Afinal não eraelaquedependiadaquilo.

Marinettefoiatéobanheiroejogouumpoucodeáguanorostoparaajudarasemanteracordada. Saiudoquartoefoiemdireçãoacozinha. Haviaacabado de dispensaraenfermeiraqueelahaviacontratadoeamesmagarantiuquesuamãeestavadormindo. Podiarelaxarumpouco.

ElacozinhoualgumascoisasrápidaseleveseentãofoiproquartoparachamarSabineparaa janta, torcendo para quehojeelaestivessemaissuscetívelaconversa.

Elaabriua porta, a cabeça baixa enquantopensavasobreomaisnovotrabalhodeescolaquereceberaequeeladefinitivamentenãoestavacomcabeçaprafazer.

Marinettelevantouoolharparaencararamãemastudoqueviufoielacaídanomeiodochão. Completamenteimóvel.

Umgritoescapoudeseuslábioseelacorreuatéamulheremcompletodesespero. Maseratarde. Poiselanãorespirava.

***

Marinette saiu de cima da grade as pressas e passou a andar de um lado pro outro, a cabeça levantada e as mãos abanando o rosto. Ela estava tentando se controlar. Não queria chorar na frente de Adrien mas era difícil pensar naquilo.

Ela parou de costas para ele, a mão no peito enquanto algumas lágrimas escapavam. Ela sentia como se um grande peso tivesse sido retirado da costas agira que tinha falado tido aquilo. Mas ainda doía. E ela duvidava que algum dia pararia de doer.

Ela sentiu uma mão ser posta delicadamente sobre seu ombro e se virou envergonhada para Adrien enquanto tentava secar as lágrimas com as mãos trêmulas. No entanto antes que pudesse dizer algo ele a abraçou a surpreendendo. Ela só notou então como precisava daquilo quando sentiu ele a apertar contra seu peito. Marinette não conseguiu mais se segurar e voltou a chorar escondendo o rosto no peito de Adrien.

Os minutos se passaram durante aquele abraço. Adrien passou a afagar os cabelos negro-azulados dela enquanto sua própria mente era inundada de lembranças.

Lembranças da época que Marinette tinha 15 anos. A época em que ele havia se mudado para aquela escola. Ele sempre a via cansada ou apressada para algo mas aquilo nunca afetou suas notas. Agora finalmente as peças se encaixavam. E tudo o que ele conseguia pensar era em como ela conseguiu manter aquilo a si mesma por tanto tempo.

Quando Marinette finalmente se acalmou ela se afastou dele levemente, sem ainda solta lo, para encara lo nos olhos. Adrien secou algumas lagrimas do rosto da garota e viu ela corar. "Obrigada por isso. Acho que eu estava precisando" sorriu para o loiro e logo foi correspondida.

"Desculpa. Eu não sabia que era tão pessoal. Deveria ter me tocado."

"Ta tudo bem! Fico feliz de finalmente por pra fora e, por algum motivo, fico feliz que tenha sido com você."

Adrien sorriu sinceramente para ela enquanto sentia seu coração falhar uma batida diante as palavras da garota. Um sensação tão familiar perto dela e ao mesmo tempo tão estranho.

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Marinette apertou levemente as laterais da camiseta de Adrien abaixando a cabeça tristemente. Adrien se lembrou das últimas palavras que ela dissera e teve certeza que ela ainda pensava naquilo.

"Ela se matou não foi?" ele perguntou hesitante e viu a mestiça concordar levemente com a cabeça.

"Ela encontrou aonde eu guardava os remédios e tomou vários deles de uma vez. Parece que ela não conseguia se ver feliz sem meu pai." ela sussurrou ainda encarando o chão. "Quando souberam da morte dela eles contataram meu tio que assumiu minha guarda. Ele não tinha ideia do que estava acontecendo porque minha mãe e ele haviam brigado."
Ela suspirou " até hoje ele acredita que eu apenas ajudava minha mãe com um emprego de meio período. Não tive coragem de dizer..."murmurou abaixando a voz.

Adrien apoiou o queixo na cabeça dela enquanto a puxava para outro abraço. "Agora eu entendo porque você me detestava tanto."

Uma leve risada escapou do lábios da mestiça. "Desculpa por isso, Adrien. Eu não deveria ter te julgado você tão precipitadamente" ela murmurou voltando a encarou lo nos olhos. Ele sorriu.

"Tudo bem. Eu também não fui um mar de rosas. E você estava certa. Meus problemas comparados ao seus são brincadeira de criança" desdenhou.

Marinette sorriu e balançou cabeça levemente.

Tãolinda.

Foi tudo o que Adrien conseguiu pensar. Ele pegou a lateral do rosto da azulada com uma das mãos. E então se aproximou ainda mais dela.

Marinette não se afastou. Por algum motivo queria aquilo desesperadamente. Ela fechou os olhos e esperou pela sensação e como era ter os lábios de Adrien sobre os seus.

Borboletas pareceram alçar vôo nos estômagos de ambos quando os lábios se encostaram causando uma sensação tão boa que ambos tinham certeza que nunca haviam sentido antes.

Longe dali Paris continuou a mesma. Pessoas andando apressadas, caminhando, passeando ou visitando. Totalmente alheia que em um terraço, a luz do por do Sol, dois jovens descobriam o amor.

"Oódiodehojepode ser o amor deamanhã"