Why Fight?
Why Fight?
Chapter 111 min read

Parte I

Nico e Thalia estavam brigando, e já nem sabiam mais o porquê. Começou sobre roupas espalhadas pela casa, depois sobre como era ele quem sempre tinha que fazer o jantar, então foi sobre como ela passava mais tempo fora do que em casa e, por fim, eles gritavam sobre tudo isso de uma vez.

— Então volta pro Luke, você passa mais tempo com ele do que comigo! — Nico se viu reclamando para a noiva, o rosto em um tom vermelho contra os cabelos negros como a noite.

— Ah, nem começa! — foi a vez de Thalia gritar. — O que diabos Luke tem a ver com isso?!

— O que ele tem a ver com isso?! — o rapaz retrucou. — Ele é apaixonado por você, Thalia! Que porra! Se ele ligar agora, sei que você vai correndo atrás dele! Igual noite passada!

— É claro: ele é meu chefe! É o meu trabalho: se surge um furo eu preciso ir atrás! — a jornalista argumentou, tirando os fios negros do rosto. — Eu achava que você poderia entender já que ama história tanta quanto eu!

— A história que eu ensino é bem diferente da que você escreve! Acha que ler sobre mais um assassinato na cidade ajuda os jovens?!

— Sim, porque te ouvir falando sobre deuses gregos mudou a vida de milhares! Adolescentes nem prestam atenção nisso, sei que suas alunazinhas prestam mais atenção no professor do que na matéria!

— Você vai ter outra crise de ciúmes com garotinhas de quinze anos, Thalia Grace?! — O professor de história questionou, erguendo a sobrancelha em desafio.

— Não é minha culpa se querem encarnar Lolita, Nico di Angelo!

Nico sentia o sangue ferver. Ele sabia como a futura esposa era ciumenta, como ela muitas vezes agia e falava sem pensar, mas não era fácil lidar com isso. Ela parecia deixá-lo louco. O rapaz se preparou para retrucar, mas foi calado pelo barulho alto do toque do celular da noiva.

Thalia o fuzilou com os olhos antes de pegar o aparelho, aveludando a voz ao atender:

— Oi, Luke.

Nico revirou os olhos dramaticamente, deixando bem evidente a carranca de decepção. É claro que tinha que ser Luke Castellan pra ligar aquela hora, e é claro que ele iria querer alguma coisa!

— Sim, estou bem. Algum problema? — Thalia continuou a falar no telefone, os olhos fixos no noivo quando calava-se para ouvir o que Luke tinha a dizer. — Cobrir a estreia do teatro?! Mas não ia ser Silena?! Essa é minha noite de folga! E Annabeth? Rachel? Não tem mais ninguém?!

O Di Angelo semicerrou os olhos, sua expressão era pura descrença e raiva. Ele não podia acreditar que Thalia realmente iria, não quando eles estavam brigando por isso!

Ela o olhou suplicante, pronunciando um “Por favor” mudo, mordendo o lábio inferior. Oh, Deuses! Ela sabia perfeitamente em como manipulá-lo e Nico se viu virando de costas, cruzando os braços emburrado, para não ceder.

— Não, tudo bem. — Thalia suspirou derrotada. — Me dê uma hora, só vou me arrumar e logo estarei aí.

O silêncio no apartamento foi pesado. Nico esperava um abraço de Thalia, um beijo de desculpas — ambos sabiam como ele se rendia fácil aos encantos dela! —, mas tudo o que ela ofereceu foi o silêncio e a ausência, os passos ecoando quanto mais subia as escadas do loft até a cama suspensa, provavelmente para pegar a toalha que — mais uma vez! — Thalia devia ter deixado do lado de Nico na cama.

— Você vai sair? — O rapaz questionou quando a via descer novamente as escadas, já jogando nos degraus as roupas que tirava, a toalha vermelha no braço. — De novo?!

— É o meu trabalho, Nico. — Thalia retrucou ao passar pelo noivo, atrevendo-se a deixar o sutiã nos braços dele, como se ele fosse um cabideiro.

— Ótimo! — Nico exclamou com raiva e vontade de jogar o sutiã de volta na dona, mas sua fixação por limpeza o fazendo enrolá-lo para colocar no devido lugar. — Aposto como Luke vai estar lá, não é?!

— Ele é o editor chefe e é um grande evento! Ele vai e mais dezenas de pessoas! — Thalia gritou, já dentro do banheiro. Ela colocou a cabeça pra fora apenas para revirar os olhos. — Pode parar de ciúmes?!

— Por que diabos Silena não vai?! — Nico exclamou, ignorando o fato de que a noiva tinha acabado de bater a porta do banheiro na cara dele.

— Charles se machucou. Ela vai cuidar do namorado.

— E você vai abandonar o seu!

— Ah, Nico, sem drama, ok?! — A Grace revidou, gritando sobre o barulho do chuveiro. — Você sabe que é meu italiano favorito, mas se reclamar do meu trabalho de novo, eu chuto a sua bunda.

Entretanto, ele não se absteve de reclamar enquanto Thalia se arrumava, escolhendo a melhor saia — com uma fenda até a coxa, deixando parte da pele macia e pálida para mexer com os pensamentos de Nico e outros caras e garotas. —, saltos altos, se maquiando. Linda, como quando se conheceram.

Mesmo a lingerie escolhida era a melhor. Além da calcinha rendada e negra, havia também um corpete com alças finas combinando, sexy, que Thalia não se deu o trabalho de tapar com muito mais do que o sobretudo azul. O conjunto havia sido um presente de Nico no último dia dos namorados, para uma ocasião especial… Que não havia acontecido porque ela desmarcou o jantar em cima da hora.

Não, espera!, Nico pensou melhor, daquela vez foi ele quem desmarcou. Era o final das estaduais de futebol, ele não podia faltar ou seus alunos ficariam chateados. Ok, talvez Nico também furasse na hora H.

— Como eu estou? — Thalia girou na sua frente, os olhos azuis, destacados com sombra negra, brilhando animados. Eles pareciam combinar perfeitamente com o colar negro com uma pedra de safira e com a aliança, que já chamava a atenção por ser da mesma pedra que o colar, fugindo dos diamantes convencionais.

Nico queria dizer quão magnífica ela estava e em como ele queria beijá-la ali mesmo, mas estava emburrado.

— Por que diabos você só se veste assim quando vai sair com ele?! — Nico resmungou, fazendo a noiva revirar os olhos e se voltar para o espelho.

— Se saíssemos para jantar mais vezes, eu poderia me vestir assim. — Thalia retrucou pegando um batom, a pedra azul da aliança no dedo anelar brilhando no espelho. — Mas, não! Quando foi a ultima vez que saimos?! E o McDonalds não conta!

— Toda vez que eu reservo o restaurante você tem algum compromisso do trabalho! — Nico fez um bico, cruzando os braços novamente.

Contudo, não adiantou muita a discussão: Thalia saiu, sem sequer dar um beijo no noivo, e Nico se viu sozinho no apartamento com vinho. Ele tomou uma garrafa e ficou de olho no relógio.

Seus olhos negros estavam pesados e os ponteiros giravam lentamente. Vinte horas, vinte uma, vinte duas… Meia noite, uma da madrugada...

Quando o ponteiro parou no três, Nico ouviu um barulho alto e percebeu que havia caído no sono. Semicerrando os olhos para tentar enxergar na luz forte do apartamento, ele se levantou do sofá, a procura da noiva. Não havia sinal dela, mas Nico notou marcas vermelha no espelho que cobria parte do guarda-roupa de Thalia. Com dificuldade, ele tropessou até o móvel e não acreditou no que seus olhos viam.

Havia o desenho de um grande coração em batom vermelho — o vermelho favorito de Thalia, tom de sangue seco — e, dentro dele, haviam palavras que não faziam sentido para Nico, ainda que a letra fosse claramente de Thalia.

“Adeus. Eu não amo você.”. Ele pronunciou as palavras com cuidado, sentindo um calafrio percorrer todo o seu corpo, mas não podia acreditar.

— Thalia… — Sussurrou como uma súplica, olhando em volta do apartamento a procura dela. E ele a encontrou, no degrau mais baixo da escada, encostada na parede negra, misturando-se as sombras.

Thalia estava com o semblante sério, os olhos azuis sombrios e Nico queria reclamar sobre como ela não havia dado notícias, como ele havia passado a madrugada toda no sofá, preocupado, ele queria gritar e xingar em italiano, mas tudo o que conseguiu foi sussurrar um “O que?”.

— Eu estou indo.— Ela disse sem um pingo de emoção. — Eu não amo você.

Outro calafrio passou pelo corpo de Nico e ele percebeu, tardiamente, que estava tremendo e havia lágrimas em seus olhos.

— Por quê? — Seus lábios sussurraram com incredulidade. Thalia suspirou e revirou os olhos, dando passos em direção a Nico.

— Não aguento mais sua carência. — A garota retrucou em um tom irritado. — Não aguento mais você ficar agindo como um bebezinho, choramingando por amor. Como posso amar um cara que pede McLanche Feliz?

E então ela riu, irônica, e Nico não conseguia respirar.

— Sério Nico, você realmente achou que isso ia durar? Como eu poderia amar você?!

Nico não conseguia responder, estava quebrado demais para raciocinar. Ela saiu gargalhando, bateu a porta. E ele caiu de joelhos, um grito saindo do seu peito, mas um grito sem voz. Nem gritar ele conseguia.

Ele tentou gritar de novo e de novo, até perceber que não passava de um sonho.

— Hey, Neeks, acorde! — Thalia pedia, balançando-o. — Você dormiu no sofá, querido.

Nico piscou os olhos sonolento, raciocinando. Thalia estava ali, na sua frente, ela não havia ido.

— Thalia?! — exclamou, sentando-se de uma vez. — É você?! Você está aqui?

— É claro, Nico! — ela exclamou, o segurando com cuidado nos ombros, mantendo-o sentado no sofá. Os olhos azuis o perscrutava com atenção, uma ruga entre as sobrancelha delineadas. — Aconteceu alguma coisa?!

Nico engoliu em seco, mas não a respondeu. Desvencilhou-se dela e correu até o guarda-roupa, a procura das palavras em batom vermelho.

Felizmente, tudo o que o espelho mostrou, foi sua expressão de desespero. Com alívio, Nico se deixou respirar fundo e se recostar de costas no móvel, repetindo a si mesmo que tudo não havia passado de um pesadelo.

— Nico? — Thalia o chamou com cuidado, se aproximando. — Tudo bem, amor?

O rapaz assentiu lentamente, deixando a noiva o tocar no rosto.

— O que aconteceu? — ela perguntou em um sussurro e Nico a puxou pela cintura, abraçando-a e escondendo o rosto na curva do pescoço dela, respirando lentamente. Thalia o envolveu em seus braços, os dedos deslizando pelos cabelos finos do noivo em um carinho lento, deixando-o tomar seu tempo para acalmar.

— Desculpe… — Nico sussurrou, ainda a abraçando. Lentamente, Thalia afastou o rosto, apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.

— O que aconteceu?

— Nada… — o rapaz sussurrou, fechando os olhos envergonhados. — Só um sonho ruim.

Sentiu os dedos da noiva o tocarem no rosto, afagando-o, tranquilizando-o. Abriu os olhos e encontrou as íris azuis o fitando. Ela estava preocupada, mas não o obrigaria falar. Thalia se colocou na ponta dos pés e o beijou na testa, e Nico se viu fechando os olhos novamente, absorvendo o carinho. Deuses, como ele a amava!

— Eu sonhei que você tinha ido. — confessou. — Você disse que não me amava mais. Disse que nunca me amou.

— Ei… — Thalia o chamou, fazendo-o abrir os olhos novamente. Ela estava séria, mas também havia ternura no semblante, e ela ainda o acariciava no rosto. — Foi só um sonho.

— Você disse que eu sou carente. Uma criança que gosta de McLanche Feliz. — Nico murmurou, e sentiu os olhos lacrimejarem. Thalia ficou em silêncio por alguns segundos inquietantes, absorvendo as palavras.

— Eu confesso que às vezes você é um pouco grudento… — Thalia começou lentamente. — Mas gosto disso, se dependesse só de mim tudo se resumiria a sexo, sabe que não sou de demonstrar sentimentos. Eu gosto quando você é todo fofo e clichê, das suas surpresas românticas e poesias em italiano, gosto desse jeito meio cavalheiro dos séculos passados. Se você não fosse assim, eu não teria me apaixonado por você.

Nico riu e sentiu o rosto esquentar, corando de vergonha. Thalia também riu divertida e pressionou os lábios nos do noivo, um pequeno beijo calmo.

— Mas… Você podia ser um pouco menos ciumento com meu trabalho… — ela sussurrou com um sorriso sapeca, ainda o beijando.

— Você faz o mesmo. — Nico retrucou rindo, interrompendo o beijo, mais ainda a abraçando pela cintura. Ele adorava sentir o corpo de Thalia contra o seu, adorava olhá-la nos olhos, ainda mais quando os saltos altos a deixavam com a mesma estatura que ele, a altura perfeita para beijá-la. O que ele estava tentando a fazer de novo.

— E sobre o McLanche Feliz… — Thalia continuou e Nico suspirou. — Essa é uma das coisas que mais amo em você.

— Por quê? — Nico franziu a testa, sem entender. Ele a observou morder o lábio inferior e sorrir maliciosa.

— É bom saber que, pelo menos parte de você, não foi totalmente corrompida por mim!

— E você odeia quando sou malicioso, não é? — o italiano deu um sorriso de lado, o que sempre criava pensamentos e desejos maliciosos em Thalia.

— Totalmente… — ela sussurrou, rouca, e Nico apenas riu, antes de beijá-la.

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