alexithymia
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Capitolo 12 min di lettura

Alexitimia

Hari Kurono chegava e ia embora com passos leves. Shin Nemoto aprendeu a reconhecer o padrão de batidas na sua porta tarde da noite, assim como também fez com os olhares trocados no silêncio das refeições, com o toque suave de seus dedos quando ousavam buscar sua mão.

Chisaki contou-lhe uma vez sobre o que aconteceu com o último amante de Hari. Narrou as palavras amargas que escutou do antigo chefe, da repulsa em sua voz e da humilhação pública que o fez ficar de joelhos e implorar por perdão como se houvesse sido lançado um anátema por algo mais imoral que os crimes que cometiam.

Hari apenas amou outro homem.

O tempo fez com que Hari ficasse arrefecido; havia medo em seu olhar quando estavam em público, quando a tentação de tirar as máscaras de pássaro era grande, quando tudo que ambos queriam era o mero privilégio de flertar e agir como um casal.

Shin não precisava usar seu poder para fazer com que Hari soltasse juras de amor. Ele sabia que era recíproco pelos breves momentos em que seus dedos se entrelaçavam quando ninguém estava olhando, pelo jeito que Hari suspirava seu nome baixinho quando se deitavam na mesma cama, pelo fato de que Hari guiava sua mão para seu cabelo conspícuo logo depois do sexo, num pedido silencioso para que Shin fizesse carinho até que ele adormecesse tranquilo.

Hari sempre cochilava e ia embora antes do nascer do sol, levando seu calor, sua voz, as flores e o grou tatuados no braço esquerdo. Nemoto ansiava pela oportunidade em que poderiam passar uma noite inteira no mesmo quarto e acordar juntos na manhã seguinte.

Homens imundos como eles não eram dignos de tais privilégios na yakuza.

Shin Nemoto não gostava de segredos, mas Hari Kurono era um que precisava manter.

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