Notas iniciais
Fanfic oneshot baseada no livro "A Fada" da escritora Carolina Munhóz.

7 anos depois.

***

– Bom dia, meu amor. – Abri os olhos e encontrei Patrick ao meu lado, sorri automaticamente, como todos os dias. Como era bom saber que sempre teria alguém ao meu lado, não importa o que acontecesse, alguém que iria seguir todos os meus passos, a qualquer lugar que eu fosse. Há dez anos eu não acreditava que isso seria possível, já havia perdido as esperanças, achava que a linhagem das fadas acabaria por eu não ter cumprido minha missão completamente, afinal, eu deveria ter achado um companheiro para voltar ao meu lado para Fairyland, o que não havia acontecido, até eu voltar à Terra e reencontrar Patrick, aquele que se tornou e sempre será meu verdadeiro amor. Hoje, sete anos depois, vejo que estava errada naquela época.

– Bom dia amor, dormiu bem? – Eu respondi, ainda sorrindo.

– Existe alguma possibilidade de não dormir bem estando ao seu lado? – Ah, como eu amava aquele homem.Depois que voltei à Fairyland, dessa vez trazendo Patrick, todos ficaram muito felizes e aliviados. Mais aliviados do que felizes, minha mãe principalmente. Ela sempre havia me dito que tinha alguém a minha espera, mas nunca dei ouvidos, até ver queela realmente estava certa. Alguns meses após o meu retorno eu finalmente estava casada, e feliz, sentia que enfim aquela missão estava completa.

Pouco tempo depois ela e a maioria das pessoas que habitavam Fairyland passaram a se perguntar quando eu e Patrick iríamos começar a ter nossos herdeiros. Muitos tinham medo de que acontecesse o mesmo que havia ocorrido anteriormente com a minha família, mas, felizmente, para a alegria de todos e principalmente minha e do Patrick isso não demorou muito a acontecer. Um ano depois a nossa pequena Claire já estava vindo ao mundo.Assim que nossa princesa completou cinco anos passei a ensinar a ela tudo o que havia aprendido com meu pai. Aquilo me deixava bastante alegre, ver que seus ensinamentos estavam sendo passados adiante, e que nunca morreriam. Patrick também estava sempre aprendendo coisas novas, o que me ajudava bastante no governo de Fairyland. Por mais que ele não pudesse realizar feitiços, ao aprender mais do que o que já sabiasobre o meu mundo,que agora era nosso, ele podia me ajudar a ensinar a Claire, assim como ajudar o nosso povo também, quanto mais ele conhecesse, melhor. Minha mãe também estava sendo um grande apoio para nós, me dando um enorme suporte. Após eu assumir o trono e toda a confusão passar, ela decidiu permanecer em Fairyland, e mesmo depois de eu me casar com Patrick ela resolveu não sair mais de perto de mim. Houve um momento em que ela passou a considerar a hipótese de voltar para Londres já que eu estava me saindo bem no governo e havia enfim encontrado meu verdadeiro amor e me casado, mas então anunciei que estava esperando um bebê e depois disso nada fez com que ela partisse Claire realmente conseguia contagiar a todos.

Nos arrumamos e fomos para o salão principal tomar o café da manhã. Ao chegarmos lá Claire já estava nos esperando sentada à mesa, muito animada e com um sorriso sapeca que ia de uma ponta da orelha até a outra.

–Bom dia mamãe, bom dia papai! — Disse Claire ao nos ver.

Era impressionante como a nossa pequena estava crescendo rápido. Estava cada vez mais parecida com a sua bisavó, seus olhos eram de uma cor que jamais havia visto antes, com uma tonalidade entre o lilás e o azul, lindos. Seus cabelos eram loiros e cacheados que nem o meu, mas a personalidade havia herdado do pai, a inteligência também, já dava para perceber que ela iria ser uma grande fada ao crescer. Mesmo com a pouca idade era perceptível que havia nascido para ter grandes realizações.

Toda aquela animação de Claire tinha um motivo. Havia prometido a ela que iriamos a Londres. Seria sua primeira vez lá. Queria que ela conhecesse a floresta para qual eu sempre ia anos antes da sua chegada, e, com tudo o que ela havia aprendido e ainda estava por aprender achei que seria o momento ideal para que ela a conhecesse. Sem falar de Olinda e Vincento. Ah! como eu estava com saudade daqueles dois. Queria lhes apresentar à minha Claire, pois eles só a viam pelas fotos que eu mandava por cartas. Eles estavam loucos para conhecê-la.

–Está ansiosa querida? -Perguntei, já imaginando a resposta.

–Sim mamãe! Muito! Mal posso esperar para sair de Fairyland pela primeira vez.

Assim que terminamos de comer partimos em direção ao portal mágico. Patrick nos acompanhou até lá.

–Tem certeza de que não quer vir conosco querido?

–Não amor, vou ficar aqui com a sua mão, ela me pediu ajuda para encontrar e entender alguns livros, vão vocês e divirtam-se.

Em poucos minutos estávamos na floresta, e ela permanecia praticamente da mesma forma, parecia do mesmo jeito de anos atrás. Aquele lugar era mesmo sagrado. Contei à Claire várias histórias que vivi ali, porém nenhuma que envolvesse Arthur, ainda não havia dito a ela nada relacionado a ele ou a minha missão, pretendia fazer isso anos mais tarde. Ela parecia deslumbrada com o novo.

–Esse lugar é mesmo incrível! Agora sim posso entender o porque ele é tão importante para a senhora. Por vezes eu esquecia que Claire tinha apenas 6 anos. Ela era mais madura que as crianças que tinham a mesma idade. Já começava a falar que nem o pai.

Depois de um tempo ali pegamos um táxi rumo ao pub de Vincento e Olinda. Durante o percurso Claire observava tudo atentamente. Quase nem piscava. Ao chegarmos no pub logo reconheci a voz de Vincento, que conversava alegremente com os clientes. O lugar havia ganhado fachada e decoração novas, mas o astral continuava o mesmo. Claire entrou na frente e continuou boquiaberta, deslumbrada com o mundo humano, nem o clima frio de Londres a incomodava.

–Vincento, veja esta garotinha que acabou de entrar. -Ouvi Olinda gritar para Vincento. Eu ainda não tinha entrado, queria observar um pouco mais o lugar. Ele me trazia várias lembranças boas.

–Qual? Aquela com a boca aberta e olhinhos arregalados? Parece que ela nunca esteve em nosso mundo!

–Exatamente! Ela não parece a filha da...

–Oi Olinda, como está? -Entrei abrindo os braços e caminhando em direção a ela para abraça-la.

–Mel! Oh meu Deus! — A italiana correu em minha direção e me abraçou forte. Como eu sentia falta daquele abraço. Ele me trazia uma paz muito grande. Ali eu me sentia segura. Logo Vincento veio em minha direção e me abraçou. Estávamos todos sorrindo, sentia a falta de momentos como aquele ao lado deles.

–Claire, venha conhecer meus grandes amigos. -Ela veio em nossa direção e os abraçou, sorrindo de um jeito que só ela conseguia sorrir.

–A mamãe me falou muito de vocês!

Logo Vincento arrumou uma mesa para nós, deu algumas instruções para os novos funcionários e sentou-se conosco. Conversamos durante horas. Era sempre muito bom estar ao lado daqueles dois. Já era quase noite quando deixamos o lugar, depois de uma longa despedida, mas prometi voltar logo, pretendia voltar a Londres com mais frequência.

Ainda tinha um lugar que eu gostaria de levar Claire, a fonte onde eu havia conhecido seu pai. Ao chegarmos nela Claire correu para sentar–se. Ver a minha filha feliz dava uma sensação inexplicável. Assim que ela se se sentou notei que uma garota se aproximou dela, tive a impressão de que já a conhecia, mas ela estava de lado e não dava para ver seu rosto muito bem, não conseguia me lembrar de onde. Ao chegar mais perto pude enfim me lembrar dela. Eu só tinha a visto uma vez, mas não tinha como eu me esquecer. Ela estava bem maior, mas a aparência continuava a mesma. Claire parecia bem animada em conhecê-la, podia ver pelo jeito que elas conversavam. Ao chegar perto delas cumprimentei.

–Olá Carolina. -Ela não parecia nem um pouco surpresa em saber que Claire estava comigo. -Quanto tempo.

–Olá Melanie! -Nos abraçamos.

–Vejo que você já conheceu minha filha.

–Sim, ela é uma menina adorável. Estava passando por aqui e não pude deixar de notá-la, ela parece muito com a sua avó, já admirei o retrato dela inúmeras vezes, ela era realmente muito bonita.

–Ah sim, todos dizem isso, estão cada vez mais parecidas. Como está o Arthur?

–Ele está ótimo, não quer ir lá em casa jantar conosco? Acho que ele ficaria muito feliz em revê-la e conhecer a pequena Claire.

–Não, já estávamos voltando para casa, mas muito obrigada pelo convite.

–Mamãe, você sabia que a Carolina escreveu um livro sobre nós Fadas?! E que o pai dela é um bruxo?!

Olhei para Carolina e ela estava contendo o riso.

–Em poucos minutos e você já descobriu tudo isso? Sei sim filha, a Carolina fez com que muito mais humanos acreditassem em nós, para que a nossa magia não se acabasse. Sou muito grata a ela.

–Eu quero ler esse livro mamãe.

–Daqui a uns anos filha.

–Carol, eu sei de outra coisa que vai fazer os humanos nunca se esquecerem de nosso mundo. Sonhei com isso.

Aquilo era novidade pra mim. Claire nunca havia me contado desse tal sonho.

–Sério Claire? Que legal! Tomara que esse seu sonho se torne realidade.

–É, eu acho que ele vai. Mas se não se tornar você podia escrever sobre ele não é?

–E que sonho foi esse filha?

–Foi com uma fada, ela tinha um cabelo roxo. E vinha pra cá realizar um sonho e ficava muito famosa, todos a conheciam e a adoravam.

–Ela vinha pra Londres Claire?

–Não, não sei o nome do lugar que ela ia, mas era bem mais cheio de gente e de luzes e de som. Não era igual a aqui Carol.

–Tudo bem então. Caso ele se realize mesmo adorarei escrever uma biografia dessa fada de cabelo roxo. Com certeza os humanos nunca se esquecerão dela.

–E eu vou amar ler sobre o meu sonho Carol!

Claire ficou ainda mais sorridente depois de encontrar com Carolina Wales.

–Vamos filha? Temos que voltar. Carolina, foi muito bom te reencontrar, mande meus cumprimentos ao seu pai.

–Tá certo Melanie, também adorei te rever. Tchau Claire, amei te conhecer, você é uma menina muito especial.

–Tchau Carol.

Abraçamos Carol e fomos pegar um táxi em direção à floresta, onde atravessaríamos o portal para a nossa dimensão. Claire, assim como eu, nunca se esqueceria daquele dia.

Notas finais
Espero que tenham gostado (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!