7 Pecados Capitais

23 Extra: Rota da morte


Notas iniciais
Nem demorei muito, hein? Agora que estamos no final da fanfic, estou tentando não perder essa linha de raciocínio. Às vezes demoro porque simplesmente fico bloqueada. Não há o que fazer! Hahha Espero que vocês entendam isso. Mas por enquanto tudo corre bem, e o próximo capítulo já está sendo escrito. Beijinhos. Boa leitura! COMENTEM. :'(

Cinco horas antes:

O Grande guerreiro observava Shikamaru. Estava sentado numa cadeira de madeira, com as pernas cruzadas de maneira feminina, protegidas por um pano fino e colado em sua pele. Seu dedo indicador repousava acima do lábio. A típica pose de quem está refletindo. Seus olhos grandes e perigosos rondando todo o perímetro, tentando investigar porque Gaara preparava seu cavalo mais rápido.Chegou a conclusão que deveria averiguar os passos do ruivo. Quaisquer que fossem os planos, desconfiava que tinham a ver com Fugaku Uchiha.

Ligando um ponto a outro, resolveu que daria tempo de tomar um banho e descansar. Se o cavalo estava sendo preparado no início da tarde, significava que o rei sairia no início da noite. Tirou a roupa e entrou na banheira, arrepiado pela temperatura morna da água. Gostava de banhos quentes.



Ao sair, dedicou-se a tarefa de arrumar os cabelos. Os fios médios estavam crescidos, escuros como nunca. Sasuke estava envelhecendo apenas por pensar. Seu coração jovem cada vez mais vagaroso, receoso. Sua terra começava a virar campo de miséria, e ele precisava aparecer. Tomar as rédeas. Ser o rei.

Suspirou longamente. Secou os cabelos devagar e cuidadosamente uma última vez, vendo pelo espelho de sua penteadeira que o sol estava mais fraco.

Vestido, deitou na cama. Não tinha pretensão de dormir, mas não foi o cansaço físico que o nocauteou, e sim o mental. Seus pensamentos pareciam cacos de vidros espalhados. Nenhum ligava em outro.



Acordou do cochilo cerca de trinta minutos depois. O sol se punha, e todas as suas armas estavam prontas para serem usadas. Alguém as trouxera da afiação. Levantou, ouvindo os sons de seu corpo quebrado. Queria ser um bom rei e substituir seu pai com sucesso, mas como consertar um reino tão deficitário? Como prosseguir se um mero pensamento o desgastava?

Bem, a resposta era simples. Eliminar o mal pela raiz. Já desconfiava desde muito que com seu pai seria matar ou morrer, e estranhamente, não sentia medo de estar frente a frente com ele. Seu maior medo era perder. Aquele medo profundo, doído. Quem tomaria o poder? Alguém tomaria? Alguém livraria seu povo da desordem, pobreza e ignorância? E Sakura? Pensou que seus amigos fariam o possível caso ele não pudesse, mas queria estar vivo pra presenciar um novo reino. Viver um novo reino.

Calçou as botinas e vestiu um casaco longo, mas não pesado. Encheu o corpo de facas, ciente de que se Gaara planejava sair com um cavalo mais bruto, era porque pra qualquer coisa não era. O rei da Areia certamente planejava algo. Saiu do quarto com o intuito de juntar-se aos outros na mesa, comer e atentar-se aos movimentos do rei.



Sakura comia pouco. Estava ao lado dele, cutucando a comida com um bico adorável. Sasuke percebeu que gostava da presença dela. Doce e transparente. Ele não gostava da Sakura que tentava se portar como uma dama ao lado de seu pai, mas que vivia chorando escondido. Nem da que tornava-se a cada dia mais amargurada pela humilhação que sofria. Gostava de vê-la simplesmente sendo uma mulher que invadia sua cabeça de maneira repentina, levando a pressão dos dias embora por alguns minutos.

Desviou o olhar, percebendo que ela não tocava nas cenouras, mas a batata cozida fora a única coisa que comeu. Bem, ele não gostava tanto assim de batatas. Colocou a sua no prato dela, passando o olhar pela mesa silenciosa. Na hora da refeição, ninguém se atrevia a falar. Até porque o rei era calado, e Sasuke podia ver que especialmente naquele dia, Gaara não queria tirar os olhos da comida.



– Fique no seu quarto lendo os livros que certamente deve roubar do rei. – Sasuke murmurou. Viu a surpresa passar pelos olhos dela. – Você pegava os do meu pai sem permissão. – Deu de ombros. – Se algo acontecer, não se esconda aqui dentro. Fuja. Entendeu?

Ela demorou-se nos olhos dele.

Quando ele deu as costas, Sakura teve que admirar seu porte físico. Sasuke era grande, ereto. Seus braços volumosos ficavam marcados no casaco de frio, e as pernas fortes eram rápidas. Os cabelos negros esvoaçavam libertinos, e o bumbum era pouco curvado. As mãos grandes balançavam ao lado do corpo, e os dedos eram adorávelmente maiores que os dela.

Suspirou alto, dando as costas também, pronta para entrar em seu quarto e dormir. A ideia de ser rainha dele começava a deixá-la ansiosa por alguma coisa.



Gaara apanhou o cavalo quando o sol já havia sumido e o céu já estava escuro. O rei parecia ter dificuldades para andar, e também parecia ligeiramente maior aos olhos de Sasuke. Franziu o cenho.

Assim que Gaara se foi, montou num pônei. Começou a segui-lo bem de longe, tomando o cuidado de usar uma rota paralela, olhando-o por entre arbustos. O Sabaku nunca parecera tão envelhecido.

Em algum momento do trajeto, um farfalhar muito perto dele começou a assustá-lo, então Sasuke virou o corpo. Neji cortava a trilha que fazia bem longe dele calmamente, galopando devagar e entrando na trilha de Sasuke.

– Acha mesmo que Gaara não percebeu? – O Hyuuga perguntou quando esteve perto. Sasuke nem teve tempo de sentir-se constrangido pelo pônei branco que o acompanhava.

– Acho.



Perderam Gaara por alguns minutos. Neji decidiu ir por um caminho, enquanto Sasuke logo invadiu a trilha do ruivo. Cada vez mais rápido, mais forte e exigindo muito do pequeno cavalo que o carregava, o moreno tinha a sensação de estar sendo massacrado pelo ar.

Rugiu. Andou devagar, alisando a crina do animal como se pedisse desculpas. Foi quando ouviu:

Permanecerei vivo!

E no mesmo instante desceu do pônei, retirando imediatamente duas adagas do corpo. Não olhou para trás, não pensou no passado. Ao ver Gaara ao longe machucado, decidiu que o fim era ali e naquele exato momento.

Sequer sentiu medo de perfurar a carne do pai. Na realidade, ao puxar a adaga do coração para cima, cortando com dificuldade todos os órgãos do progenitor, sentiu-se aliviado.

– Itachi morreu da mesma maneira. – Sussurrou, cambaleando nas pernas. E finalmente caindo em seus pés.

Sasuke foi tomado por uma estranha força. Seu corpo inteiro levou-o a enfiar uma faca no olho do pai, mas Fugaku Uchiha já estava morto.