7 Pecados Capitais
7 Breves recaídas.
Notas iniciais
Capítulos demorarão mais. (Mas fiquem tranks. A inspiração sempre vem nestes momentos, e eu escrevo minhas ideias nos tempos vagos.)
Rolará um extra, é claro. Ou mais de um.
Comentem. É importante pra mim. :/
Mas não era tão fácil assim se acalmar. Claro.
Um de seus aliados e amigos estava envolvido na morte de uma pessoa, e aquilo era assustador. Se não um deles, alguém de dentro da casa.
De sua casa.
- Era feio. – Tenten falou, enquanto engolia água com bastante vontade. Estava nervosa. Neji achou a definição do que ela viu um pouco infantil, mas levou em consideração seu susto. Viu que as mãos pequenas tremiam segurando o copo. A água dentro dele fazia suaves ondulações. – O rosto. Ou... Seja lá o que era aquilo.
- Mas passou. – O homem limitou-se a dizer, enquanto a morena assentia para ele. O choque inicial a havia abandonado. Agora se sentia melhor para falar.
- Neji, sei que não é um bom momento, mas... Precisamos ficar atentos. – Hinata ignorou o medo que sentia. Seu estômago parecia repentinamente vazio e ao mesmo tempo pesado. – Isso parece muito com uma ameaça. E ela é a mais próxima que já recebemos.
O moreno fechou os olhos, assentindo.
- Eu sei. E me preocupa. – Olhou para as duas mulheres. – Eu gostaria de pedir algo para vocês. – Sem perceber que segurava o ar, soltou-o com lentidão. — Quero que vão pro quarto.
Tenten levantou os olhos grandes e expressivos para Neji. Ele percebeu que neles havia um apelo bastante comovente. Percebeu também que eles estavam minimamente molhados, o que deixava a análise ainda mais dramática.
- Sozinha?
Ele imaginou que este seria o medo da moça. Negou com a cabeça.
- Vocês ficarão juntas. – Levantou. – Eu levarei a acompanhante de Gaara até vocês. Quando eu e meus convidados terminarmos um assunto, nos juntaremos novamente. – Olhou apenas para Hinata. – Leve-a para o meu quarto e fique lá.
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- Você já pensou na possibilidade de estar juntando o assassino com as meninas?
- Quer nos dizer que o assassino é uma delas, Naruto?
- Eu quero dizer que nós não sabemos de nada, Gaara.
O Hyuuga percebeu que Sasuke era o que menos falava. Sasori ainda menos. Mas era sempre assim. O acompanhante de sempre do Uchiha raramente se manifestava.
Aquilo colocaria sua cabeça em um nó. Estava analisando seus amigos atrás de uma evidência, e o que poderia ser pior do que aquilo? Conhecia-os há muito tempo, e não podia imaginar que seria traído tão covardemente.
Até agora.
- Estamos ficando paranoicos. – Reconheceu o Hyuuga. – De qualquer forma, é melhor que nos juntemos com as moças. Isso me foi um aviso, e eu preciso de forças para entendê-lo melhor amanhã. Já chega. – Pausou brevemente. – Não quero que mais ninguém se machuque.
- Afinal, você reconheceu o corpo?
- Ele foi lavado no rio. – Neji explicou. – Era um jardineiro sem família que eu acolhi. Morava numa das casinhas de fundo.
- Eu acho melhor ir embora. – Gaara confessou, olhando o Hyuuga de solsaio. – Não posso arriscar minha vida aqui.
- O perigo da noite pode ser ainda mais assustador. – Sasuke finalmente falou. – Talvez o assassino esteja esperando o primeiro líder sair.
- Ele não fará o mesmo comigo.
- Gaara... – Naruto ia alertá-lo para não ouvir Sasuke, mas...
- E com a sua acompanhante?
- Não me importo.
- Ok. – Neji parou-os sem realmente levantar a voz, o que sempre surpreendia o Uzumaki. – Vocês ficarão. Se querem partir, que partam com a luz do sol. Ninguém sairá deste castelo hoje.
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Sakura estava com o rosto inchado. E dolorido. Mas dos males, o menor. Aquele era realmente o menor se comparado com suas outras dores.
A mancha roxa no colo com um leve tom verde escuro ao redor era horrível, de fato. A marca de dentes no seio já se desfez fazia tempo, mas um dos caninos de Fugaku fora impiedoso. Perfurou-a. Na barriga, apenas um avermelhado, mas o mais dolorido e ardido. Sua barriga fora alvo de tapas, arranhões, socos e, para humilhar sua deficiência em ter filhos, gozo.
O meio de suas pernas, nem podia pensar muito. Doíam com o menor esforço. Suas pernas em si marcadas de unhas. As únicas partes de seu corpo livres da dor eram seus pés, mas quando concentrava-se no que estava sentindo, sentia que tudo doía.
Suas costas carregavam pesos impossíveis de se levar por mais que um passo. E foi por isso que seu estado semi inconsciente parou de tentar deixá-la acordada.
Não estava realmente dormindo quando foi jogada na chuva, nua, numa poça grande de lama. No meio do quintal. Ainda assim, não sentia nada se não ardência. Não sentia nem mesmo os pingos frios estapearem sua pele branquela. Não tinha força.
As ordens, ela conseguiu ouvir. Foram altas o suficiente para deixá-la acordada por muito tempo.
“Quem ousar ajudá-la, conhecerá o que sou capaz de fazer. Eu mato!”
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- Acendi todas as velas. – Hinata disse, sentando no chão ao lado de Naruto, que lhe ofereceu da sua coberta de lã.
- São muitas. – Ino comentou baixo, observando o fogo com o medo claramente aflorado.
Estavam sentados numa rodinha, mas grande parte deles com sono. Os meninos, com a exceção de Naruto, tentavam parecer mais alertas. Mas os olhos caídos os denunciavam, Tenten notava.
- Eu posso...? – Tenten ia perguntar.
- Deitar? – Hinata perguntou, sentindo a cabeça de Naruto cair calmamente em seu ombro.
- Cubra o chão com lençol. – Neji respondeu com a voz endurecida. Não queria ninguém deitado na cama dele.
E não era apenas por respeito, mas também porque se o assassino estivesse mesmo entre eles, Neji gostaria que estivesse por perto. Não iria dormir.
As velas, apesar de perigosas, o ajudariam a ver qualquer movimento.
Ela não era alguém que ele poderia confiar. Era?
Nenhum deles era.
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Gaara percebeu que a bruxa estava sonolenta. Não havia nada que pudesse fazer. Em respeito ao reino de Neji, deixou o castelo imediatamente quando amanheceu. Todos estavam tão cansados, que nem sequer se moveram. Ou talvez algum deles tenha notado quando saíram do quarto. Ino nem trocar o pijama de Hinata trocou. Vestiu a blusa que o guerreiro-líder Sabaku lhe ofereceu noite passada por cima e montou no cavalo.
- Espere chegarmos. – Gaara sussurrou enquanto cavalgavam. A velocidade deixava os cabelos de Ino em pé. – Você dorme depois. Eu não posso ficar com um peso morto. Vai me atrapalhar.
- Você não tem educação nenhuma. Eu não sou um estorvo! – Irritada, levantou a voz.
- Me respeite. – Grunhiu, batendo os laços no cavalo. O arranque fez a loira bater o rosto nas costas de Gaara, que por sinal, eram muito eretas.
- Você não me respeita. – Falou emburrada, soltando uma mão para massagear o nariz.
- Segure-se. – Repreendeu, recolocando desajeitadamente as mãos dela em sua cintura. – Se você cair, eu a deixo no chão.
- Se eu cair, você nunca saberá o que te espera.
O ruivo bufou, apreciando os apertos que a moça lhe dava vez ou outra. De tão entretido, deixou que sua mente o levasse para um mundo onde aquela mão delicada invadisse sua cintura nua. Pele com pele.
- Justo. – Decretou finalmente, voltando a se concentrar no que realmente importava: O caminho.
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- Eu realmente penso que tem dedo do Gaara nisso. – Sasuke comentou enquanto estavam longe. – Quero dizer... Ele é imprevisível.
Sasori assentiu.
- Mas o rei Hyuuga estava mais desconfiado de você.
- Eu percebi. – Vendo a entrada do castelo de seu pai, calou-se.
Percebeu que algo estava errado. Os guerreiros estavam lutando já cedo, e seu pai, de manta real, os assistia. Era claro que havia algo errado.
Ao estacionar dentro do gramado, desceram tão devagar o quanto puderam. O vento matinal estava cortante.
- Pai. – Cumprimentou, movimentando o corpo num breve gesto respeitoso.
- Onde estavam? – Sem desviar os olhos do treinamento de seus soldados, perguntou desinteressadamente.
- Qual o motivo disso? – Sasuke retrucou, olhando incomodado a gritaria que seguia entre os homens.
- Vontade de ver sangue. – Explicou. – E de ver uma boa luta.
- Tão somente?
- Sasori, prepare a carruagem maior. – Ignorando o filho como sempre fazia, dirigiu-se ao seu motorista e empregado. O ruivo apenas assentiu. – Sasuke, vá levar minha querida mulher para cima. Começo a sentir um pequeno peso na consciência.
- Onde ela está? – Ergueu a sobrancelha.
- Celeiro.
Antes de sair, o filho deu uma boa olhada no pai. Certamente fez algo para Sakura.
Estava bem humorado, e isso só podia significar que se satisfez com alguma coisa.
Em passos lentos e cansados por algum motivo, deixou-se levar pelo caminho levemente pastoso. Chuva e terra. Lama marrom escura.
Minutos depois, chegando ao local estranhamente escuro, entrou normalmente, preparado para encontrar a moça atolada em sujeira, dormindo confortavelmente.
O que encontrou fora, de fato, um pouco perturbador.
Sakura estava tossindo.
Mas aquilo não era muito.
Estava com os lábios completamente brancos, como se tivesse passado farinha neles. Além de brancos, estavam ressecados. Notavelmente cheios de cascas.
Os cabelos desgrenhados estavam sujos e duros. Aparentemente.
Estava encolhida.
Mas só isso não foi o que realmente o deixou profundamente incomodado.
Estava com a mão direita entre as pernas, como se pudesse proteger a região de alguma ameaça. Os seios médios estavam de fora, com os bicos escuros. A mão esquerda estava abaixo do corpo, largada. As pernas, raladas e arranhadas. O corpo... Castigado. Roxos por tantas partes que mal podia decidir qual era a pior.
O fato de estar nua o deixou doentemente aborrecido.
O estado era deplorável. Os olhos estavam fechados. A tosse soava violenta, e ele podia sentir que a garganta dela rasgaria a qualquer momento.
Balançou a cabeça, parando de fazer análises. Aproximou-se devagar, com medo de sua própria brutalidade.
Não era certo.
Aquilo que o pai dele estava fazendo era muito cruel.
Abaixou-se, já colocando as mãos grandes por partes sem manchas. Quando passou os braços pelas costas dela, a viu se retrair bruscamente, soltando um grito rouco, sem nenhuma força. Quando deu a volta e a rolou pelo chão devagar, de bruços, engoliu a seco. A pele estava totalmente machucada.
Sakura saberia, mais tarde, que o peso nas costas era na verdade um punhado de machucados juntos.
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- Tenten? – Hinata massageava os cabelos da morena. A verdade era que Tenten era uma moça muito diferente. Uma moça de um jeito gostoso de lidar. Principalmente, uma moça que capturava a atenção de Neji. Isso significava muito. – É tarde.
Com o olho semi-aberto, Arata Tenten mexeu-se na cama.
- Vá fazer companhia para o Naruto. Estou com sono.
Com a pele do rosto avermelhada, a Hyuuga sorriu.
- Naruto voltou para seu reino. E é Neji quem a chama. Para o almoço.
- Almoço? – Comida era sim algo que a fazia despertar. E a daquela casa era tão maravilhosa, que não podia desperdiçar nada. Sentou-se desajeitada. – Onde posso tomar um banho? Como vim parar na cama?
- Naruto a trouxe. – Os olhos bondosos e sorridentes da Hyuuga a acompanharam quando, graciosamente, Tenten coçou as pálpebras. – Trouxe uma troca de roupas minhas. Hoje sairemos. Compraremos roupas para você. Quer?
Um sorriso discreto preencheu os lábios de Tenten, que pareceu prestar ainda mais atenção na conversa.
- Se quero? Mas claro! Conheceremos a cidade?
- Sim. Alguns lugares. Noutros Neji irá sozinho.
- Ele irá?
- Ele é o rei, Tenten. Precisa ir.
- Preciso. – Concordou, entrando devagar no quarto. – Meu pé lateja ainda, mas meu povo precisa da minha assistência.
- Você é quem precisa de ajuda. Há pessoas matando pessoas brutalmente na sua cozinha!
Ousada. Hinata tinha de admitir.
A Hyuuga levantou, observando a inexpressão de Neji. Mudo, o rei assentiu.
Antes de sair do quarto, Hinata escutou o primo dizer:
- Tem razão. Mas eu devo satisfações ao meu povo. – Rígido, o moreno desviou o olhar do de sua hóspede para a janela. – E acho que é tempo de você partir para o seu povo. As coisas provavelmente ficarão perigosas.
O tempo pareceu parar para Tenten. Quase podia ver os grãos de pó congelados no ar, tamanha a intensidade do sentimento que a preencheu. Um eco nublou sua mente, e ela externou o que pensava com hesitação.
- Voltar? Eu não posso voltar. – Levantou da cama, andando até ele. Pôs-se frente a frente. Como num combate direto. – Serei caçada. – Procurou os olhos dele com movimentos lentos e graciosos. Como se quisesse encontrar um ângulo perfeito para enxergar as enormes bolotas lilás-esbranquiçadas. Passou seus castanhos do olho esquerdo para o direito. Por fim, focalizou toda a região do rosto.
- Você é forte. Volte para a sua família. Esconda-se.
Tenten sorriu e riu sonoramente. Para os ouvidos de Neji, soou definitivamente incrédulo. O riso de quem não acredita no que está ouvindo.
Numa atitude masculina, que na verdade Neji via Sasuke fazer muitas vezes, Tenten passou a pequena mão no rosto, alargando sua pele. Fechou o semblante repentinamente. Algumas linhas de expressões ficaram evidenciadas. E tudo começou com o piscar frenético dos olhos. Os cílios foram os primeiros a se encharcar. A voz dela ganhou um som frágil e feminino, mas baixo. Deliciosamente controlado.
- Família? – Ela assentiu, como se testasse a palavra em sua voz. Repetiu “família” para si mesma. – Eu não tenho uma família. Não tenho ninguém. Menti pra você quando cheguei.
Ele apenas a olhava.
- Você sempre soube que eu era o rei, não é?
- Sim. – Ela sorriu. A voz normalizando aos poucos. – E tinha a esperança de ser acolhida, como todo o seu povo é.
Neji sorriu sinceramente, ainda que fosse um sorriso discreto. Olhou-a nos olhos como ela havia feito com ele, procurando as palavras certas para acalmá-la. Estava minimamente perdido na conversa desde que ela permitiu-se ser frágil e exposta.
- Não se preocupe com isso. – Disse finalmente, removendo o sorriso do rosto e a fazendo sorrir.
- Agradeço. – Murmurou, aproximando-se dele perigosamente.
Neji suspirou quando foi abraçado.
Tudo caminhava para um terror sem precedentes.
Não a abraçou de volta.
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- Então é isto. Agora podemos nos dirigir para o reino do Uzumaki.
Um dos homens sorriu.
- Ele não é tão precavido. Provavelmente pensa que estamos focando no Hyuuga.
- De qualquer forma, vamos nos preparar. Levaremos dias até Naruto, mas minutos para trazer aquele reininho de merda abaixo.
O homem sentado na cadeira principal, com alguns dos cabelos cinzas nos ombros, assentiu sem mexer a expressão para sorrir.
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