7 Dias

5 Quarto Dia - O fim da aposta.


Notas iniciais
Olá!!! Depois de dias tentando ter inspiração, achando o jeito do Nyah! parar de graça com minha cara, o cap está aí. Espero que gostem.

.:Milo:.

Meu coração está estranho desde a noite passada. Camus e eu nos beijamos e voltamos para a festa juntos... Como se nada houvesse acontecido. Todas as vezes que tentei beija-lo, desviava, assim como todos os meus toques e investidas.

Ele dividiu o quarto com Mu e com isso, preferi ficar sozinho. Os dois estão conversando desde mais cedo, ao menos foi o que deu pra perceber quando passei perto do quarto. Devo admitir que aqueles dois são muito parecidos, controlados até certo ponto e quanto punham algo em mente, não paravam até conseguir.

Comecei a fazer o café da manhã para o pessoal em uma forma de relaxar, no entanto, meus pensamentos eram apenas daquele francês e tento imaginar o que ele fez comigo com aquele beijo.

Ainda sinto seus lábios nos meus, sinto o calor de seu corpo como se ficasse cravado pela eternidade. Suspirei e encostei-me à bancada, esperando que a movimentação começasse. Quando Camus desceu as escadas, fui a sua direção, mas como esperado, não vinha para a cozinha, foi para o lado de fora.

...

Assim que o contato de nossos lábios cessou, não consegui desconectar o olhar. Seus lábios e provavelmente os meus, estavam vermelhos. Ofegante, rocei meu nariz ao dele, dando-lhe mais alguns beijos bem rápidos e sendo retribuído.

Uma das minhas mãos permaneceu em sua cintura enquanto a outra acariciava seu rosto. Aquele ato era repetido por ele, que me tocava igualmente carinhoso. Naquele momento eu entendi a diferença do que sentia por Afrodite e por Camus. Soube que pelo pisciano sentia algo como uma paixão passageira e pelo aquariano, quero que essa paixão, menos fervorosa, dure o tempo que for.

— Seu beijo... – sussurrou.

— Não gostou?

— Ao contrário. Gostei muito. – deu-me um beijo um pouco demorado, mas apenas um provocador sobrepor de lábios. – Justamente por isso, não posso ter mais. – soltou-se de mim e encarou-me. – Vamos voltar.

— Sim... – tentei entender o que aconteceu, mas não consegui. Tentei segurar sua mão, mas ele a desviava e assim foi pelo resto da noite.

...

Agora ele não poderia fugir e ninguém me impediria de ter uma conversa séria com aquele francês. Ele sabia que eu o seguia e se afastava mais da casa, indo pra baixo daquela oliveira macabra que o Saga cismava em manter de pé.

Olhou pra mim e com o típico ar suspeito e tive de encarar de volta com aquela pergunta maldita em minha mente “O que eu fiz de errado dessa vez?”.

— Vai falar comigo sobre ontem, ou vai fugir? – comentei.

— Realmente quer conversar sobre ontem? – sentou-se e fiz o mesmo, de frente pra ele.

— Claro. Camus, nós nos beijamos.

— Grandes coisas. – retrucou e encarou-me com aquela expressão de “e daí” que sinceramente incomodou.

— Daí que como eu disse, não quero você só como um caso, entendeu? Não quer ao menos tentar? Tipo... Você, eu, casal. – fui direto ao que queria, mesmo que ele insistisse do contrário.

— Você? – riu sarcástico. – É mesmo capaz de ter um namoro sério, Milo? Reformulando a pergunta: Você é capaz de namorar a sério com alguém como eu?

Aquelas palavras doíam... Doíam como agulhas cravadas lentamente em meu corpo e como da última vez que me falaram isso, não tive resposta. Respirei fundo e encarei o chão e foi aí que senti suas mãos em meu rosto, puxando-me para encara-lo.

— Soou rude, eu sei. – comentou. – Mas ainda quero ouvir sua resposta.

— Doeu, Camus, mas mesmo assim eu não vou desistir de você.

— Você já me beijou Milo, já não foi suficiente para sua conquista pessoal?

— Acha mesmo que eu insistiria em uma conquista pessoal ou um caso?! Camus... Eu quero te conhecer melhor, melhor que qualquer um já tenha conhecido. Entendeu?

— Eu entendi isso. – suspirou. – Pode me dar um tempo pra pensar?

— Tem o tempo que precisar. – toquei seus braços e não pude fazer nada além disso.

— Obrigado. — Sorri em resposta e permaneci ali junto dele, incrivelmente em silêncio. – Milo...

— Sim? – segurou minhas mãos e isso me fez olha diretamente em seus olhos.

— Já pensei. Vamos terminar com essa aposta de uma vez. – levantou-se e fiz o mesmo.

Não sei que se passa naquela mente francesa, mas sei que eu faço parte de seus planos. Segurou minha mão até casa, onde o pessoal parecia ocupado com coisas banais e Aldebaran preparava algumas coisas que me indicavam indigestão pelos temperos fortes.

Camus chamou minha atenção silenciosamente, apenas puxando uma das minhas mãos para sentarmos no sofá no canto da sala. Os únicos que estavam ali eram Shaka e Mu, um com certeza prestando atenção no outro e não faria diferença alguma sentar aqui.

— Milo... – chamou-me e ao olhar para ele, percebi de fato a proximidade e também suas intenções.

— Tem certeza disso? – sussurrei, tocando seu queixo de maneira que o aproximasse de mim.

— Sim...

Foi então que eu o beijei novamente. O primeiro desde ontem, mas com uma sensação tão diferente. Talvez fosse a hora ou a circunstância... Até mesmo a razão daquele ato. Beija-lo é bom, senti algo realmente querer aquilo, mas meus instintos, incrivelmente pediam para parar. Quando o fiz, observei o rosto corado do aquariano e sorri malicioso, dando-lhe um selinho.

— Que cara é essa? – tentei não rir ao perguntar.

— Nada. – recobrava os sentidos.

Antes que voltasse ao estado normal, tomei outro beijo, bem mais intenso e lascivo. Suas mãos vieram para meus cabelos enquanto as minhas o puxavam pela cintura. Ajeitei-me, sem perder a linha do beijo, deitando-o no sofá e ficando entre suas pernas. Pausei e voltei a olha-lo.

— Está tudo bem? – sussurrei e o vi puxar o ar profundamente.

— Sim...

— Ótimo... – tomei novamente seus lábios daquela mesma maneira lasciva, deixando todos os sentimentos que tenho por ele passarem naquele beijo.

Puxava levemente meus cabelos e buscava-me a cada segundo que cessávamos o contato. Eu sou possessivo, pude demonstrar isso através desse ato, mas também sou carinhoso, nem tudo é como imaginam.

Ouvi um raspar de garganta, que fez o francês cessar de vez o contato e olhar para o lado. Tentei não rir daquela situação, mas estava difícil. Sentei novamente no sofá e vi a expressão não muito contente do Afrodite e a meio autoritária de Saga.

— Milo, lá em cima você tem um quarto, não precisa fazer isso aqui na vista de todo mundo. – o geminiano falou em um tom calmo.

— Foi só um beijo. – suspirei e levantei, sei que se eu for discutir com Saga, ficaremos cem dias conversando e não resolveremos nada.

Antes que terminássemos naquele clima estranho, fui para a cozinha ajudar Aldebaran e dar um tempo para Camus se acostumar com os cochichos e responder as perguntas dos outros. É injusto, mas se eu estiver perto, será um tanto intimidador.

.:Camus:.

Minha manhã foi muito conturbada. Aquele escorpiano fez aquilo de propósito eu tenho certeza. Minha intenção era apenas beija-lo na frente do meu primo para mostrar que perdeu a maldita aposta, mas aquilo foi além.

Seu beijo é como uma droga altamente viciante e me prendeu completamente em sua química. Não... Não é uma droga, aquilo de fato é um veneno... E eu fui uma presa que ainda está sob o efeito.

Mu, que incrivelmente está se saindo um ótimo amigo, está ao meu lado e me faz pensar ainda mais naquele momento. Ele ouviu as discussões entre o meu primo e Milo, aquilo não era mesmo da minha conta, mas eu estou envolvido até o pescoço.

— Afrodite não vai aceitar tão fácil, Camus. Conhecemo-lo muito bem, certo?! Sabemos o quanto está feliz em perder.

— Ele tem que entender que não pode e não vai ganhar sempre. – suspirei. – E que isso não foi uma declaração de que ele perdeu a aposta. Essa besteira toda acabou ontem. Hoje foi... Não sei o que foi hoje.

— Você premeditou o beijo, só não premeditou os impulsos do Milo. – falou em um tom calmo e com um sorriso. Apenas fiz que “sim” com a cabeça e vi a explosão sueca se aproximar. – Se quiser eu fico aqui, Camus, Afrodite está possesso.

— Apenas chame o Milo. – falei minimamente. – Ele também tem que ouvir isso.

— Ok. – levantou-se e passou pelo pisciano, que bufava.

Quando ele estava bem perto, cruzou os braços e ficou de costas para a piscina. Resisti à vontade de joga-lo na água e levantei-me para encara-lo de frente. Analisa-me de cima abaixo e ergui uma sobrancelha.

— Eu não acredito que você... Você se rendeu a ele. – o tom era falsamente calmo. – Depois de tudo que eu já te falei, eu alertei...

— Alertou? Não, você simplesmente falou o que queria. Dite, não confunda as coisas. – tamborilava os dedos nos próprios braços. – Parece que está com ciúme do Milo.

— Não, não estou. Só não gosto que meus parentes peguem os meus restos. – suspirou e mexeu nos cabelos. – Quer saber?! Fica mesmo com ele, só saiba que ele só ficou com você por causa de uma aposta.

E foi naquele momento que eu abri um sorriso e dei um passo a frente, vi que recuou um e estava mais próximo ainda à borda. Sei o quanto ele odeia encher o cabelo de cloro e a queda será algo, no mínimo engraçado.

— Achou mesmo que eu não sabia da aposta? Incrivelmente essa foi a primeira coisa que o Milo contou quando começamos a sair.

— E mesmo assim...

— Afrodite, eu admito, não queria continuar com isso, mas foi uma boa lição pra você. Não vai ganhar sempre, não pode também forçar as pessoas a gostarem de você.

— Não entende, não é? Ele é um vagabundo, não está no nosso nível, Camus. Olha bem pra mim e pra você. – olhava-me de cima abaixo. – Entendo que você seja do tipo careta, que não fica com ninguém a não ser que goste, mas Camus... Milo é a ralé, pobre. Não pode te bancar.

— O quê? – não consegui esconder a surpresa e a revolta daquelas palavras. – Eu ainda me recusava a acreditar que você fosse assim, sabia? – dei mais um passo e encarei bem. – Mas a pior parte é que você ainda quer a “ralé”.

— Eu não quero! Só acho inadmissível que você fique se esfregando em um cara que não vale nada. Você veio pra minha casa pra esquecer o passado e agora você está arrumando mais problemas!

— Problemas? Eu? Afrodite! Você jogou o Milo pra cima de mim, a culpa não é minha se ele se mostrou alguém muito melhor do que você pensava. – dei mais um passo e ele recuou mais um, ficando por um fio de cair na água.

— Ele é acostumado a ficar com um a cada noite, vai te trocar rapidinho.

— É... Pode ser, mas esse problema não é seu, Afrodite. – ameacei a dar mais um paço e o vi despencar.

Milo estava, assim como os outros, ainda dentro da sala, assistindo tudo pela enorme janela. Talvez aquele ato agradasse a maioria, mas para mim era estranho. Sempre fui o tipo discreto de pessoa, ao contrário do meu primo.

Quando essa situação acontecia, só havia uma coisa a fazer, caminhar lentamente até estar bem longe das vistas alheias. Com aquele sol agradável fui até a praia, lugar bom para por os pensamentos em dia. Colocar tudo em ordem e saber como seguirei daqui pra frente.

Sentia as pedrinhas pequenas brincarem entre meus dedos do pé. Olhar para a água me mostrava a desordem que tudo estava e céus! Como aquilo era irritante. Em menos de uma semana a minha rotina mudou completamente e nem tudo era tão bom quanto eu queria. Aquele grego transformou meu metodismo em algo completamente diferente.

Ouvi uma respiração pesada, que conseguia abafar os sons das ondas. Aquela sombra em meu corpo refrescava o calor que eu precisava, mas ainda era pouco. Apoiei as mãos na areia, pendendo o corpo pra trás. Encarei diretamente o escorpiano que ali estava e voltei a olha a água.

— Posso te fazer companhia? – perguntou.

— Sim. – sentou-se a meu lado... Perto... Muito perto. Passou o braço esquerdo por minhas costas e com isso, pude apoiar a cabeça em seu ombro. É triste admitir isso, mas eu me sinto estranhamente bem com ele.

— Não vai mais ter paz. – comentou.

— E a culpa é minha? – suspirou. – Milo, eu sou uma pessoa justa. Você foi sincero comigo e eu serei com você. – olhei diretamente em seus olhos e ele encarava de volta. – Se for pra você correr atrás de outra pessoa depois que sairmos daqui, é melhor me esquecer, entendeu?

— Camus...

— Milo, é sério. Eu não me envolvo apenas por ficar. Estou disposto a te dar mesmo uma chance e começarmos algo. A questão é: você é maturo o suficiente pra um namoro? – ficou em silêncio por alguns segundos e suspirou.

— Camus, eu não sou bom em namoros, ainda mais com alguém tão diferente de mim como você... De todos os modos possíveis. Mas eu já estou a cinco dias tentando me aproximar de você. Quatro dias desde que o conheci para nos beijarmos e três desde que te contei sobre a aposta. Eu não estou preparado para ter algo sério, mas eu vou tentar Camus.

— Ok, é uma tentativa. Se não der certo sofreremos, sabe disso, não é?

— Sim, porque temos muita coisa em comum também. – suspirou. – Eu estava insistindo para você me dar uma chance e prometo que não vou decepciona-lo.

— Eu só vou te dar uma chance Milo, não desperdice.

Sem falar nada, simplesmente segurou meu queixo e deu-me um selinho, mas naquele jeito dele, um selinho se transforma em algo maior. Algo bem maior.

— Então a partir de agora estamos mesmo saindo, não é? – sussurrou.

— Sim.

— Ok... Mas você tem que saber de uma coisinha ainda... – sorriu de canto. – Eu sou ciumento.

— Tudo bem, eu também sou.

Mas meu nível de ciúme é quase imperceptível. Senti os dedos de Milo percorrerem meu peito e com isso, senti um arrepio enorme. Está calor, mas ele faz querer mais contato. Aquilo seria estranho para nos adaptarmos, porque agora a aposta acabou e tudo o que enfrentaremos será por conta própria e eu estarei em um risco bem maior... Porque terei de enfrentar a fúria de Afrodite.

Notas finais
O que acharam?