Someone has to give in
Someone has to give in
Capitolo 142 min di lettura

Ódio à primeira vista

Alguém tem que ceder

Ódio à primeira vista

Um sorriso se desenhou no rosto de Daniel, o rapaz de olhos verdes andou até a namorada, uma garota linda de cabelos lisos e ruivos e olhos azuis que o esperava na porta e se chamava Anna. Ele a beijou nos lábios demoradamente. E eles pareciam o casal mais perfeito do mundo. O que não era verdade, ao menos na visão de Daniel.

O jovem era um mulherengo solteirão de 25 anos. Ele adorava mulheres bonitas, e não pretendia casar, ele nunca havia amado ninguém nem mesmo Anna, acontece que a garota era a bola da vez. Daniel Ferreira, era um fotógrafo profissional e conhecido. E isso o ajudava a ter as melhores namoradas que podia ter.

Ele tinha o corpo forte, com um dragão chinês colorido tatuado nas costas. Ele tinha um carro bonito, era um Jaguar conversível caro, que ele adorava. Era de um tom de vermelho escuro. Estava com os vidros filmados. E era um dos seus carros, ele ainda tinha um Corvette preto.

_ Está pronta meu anjo? — ele perguntou. O sorriso no rosto, ele usava costeletas, os cabelos pretos estavam penteados e bagunçados ao vento, e iam repicados até os ombros.

_ Claro Dan é só pegar as malas. — ela disse.

Usava um salto alto. E um vestido curtinho. Eles iriam passar as férias na casa de campo de Anna. E ele estava feliz por isso.Eles iriam passar um final de semana só transando. E era essa a idéia de Daniel, ele tinha comprado lubrificante, camisinha, e outros brinquedos sexuais.

Daniel nasceu de um casamento fracassado, seus pais, uma escritora famosa, e um jornalista famoso. Se odiavam até não poder mais. Talvez isso influenciasse Daniel a não querer casar.

Os lábios desenhados chamavam atenção assim como as covinhas que se formavam no canto dos lábios como ele sorria, o carro, o apartamento, e tudo o mais nele chamava atenção e o tornava um partidão para qualquer um.

Havia conhecido Anna há duas semanas, e estavam namorando a uma semana. E era claro que ele sempre exibia a garota por ai, mesmo sabendo que a trocaria logo por outra, e mais outra e assim ia, sempre por uma mais nova, mais bonita e que daria mais destaque ao seu lado.

Ele vestia um par de tênis Nike, e um jeans diesel. E uma camisa branca Armani.

_ Hum, acho que vou começar a tirar a roupa sem você. — disse sua namorada entrando na casa que ficava quase no meio do mato.

_ Você é uma delícia sabia? — ele disse sorrindo.

Eles tiveram uma boa noite e enquanto sua namorada vestia um biquíni ele foi para cozinha acender um cigarro e pegar uma garrafa de cerveja na geladeira, usando uma sunga branca.

Só que, ao contrario do que Daniel pensava, eles não estavam tão sozinhos assim. De repente a porta da cozinha foi aberta por um ser que, a princípio, não parecia ter sexo definido. Seus cabelos eram lisos e iam até o meio das costas, repicados, ou melhor, mal cortados, tendo vários fios caídos sobre o rosto pequeno e arredondado, mas ainda sim deixando a mostra os grandes olhos azuis que eram destacados pelas olheiras típicas de quem não dormia mais de cinco horas por dia. O corpo magro e pequeno, de apenas 1,68m de altura, era coberto por um Yukata, um tipo de quimono informal, que era mais leve e feito para o verão. Ele estava descalço e apesar de não parecer ter mais que 22 anos, já possuía 27. E quando notou a presença de Daniel ali, o analisou, olhando de cima a baixo, para então dizer.

_ Ah... Desculpe, não sabia que tinha gente aqui. — disse com a voz sonolenta, que, apesar de não ser nem um pouco grave, ainda sim era masculina. — Eu só... Vim pegar alguma coisa... — pelo jeito dele atordoado e confuso dele, não seria muito difícil alguém imaginar que ele estivesse drogado ou coisa parecida. Mas era apenas o resultado de dois dias seguidos sem dormir. E como se por um passe de mágica ele se lembrasse o que tinha que fazer, foi até o armário procurar algo ali.

Quando viu aquele ser ali pensou que era uma garota, e chegou a se assustar pensando que o outro podia ser uma garota. Achou que seria uma garotinha linda. E claro que ele não entendeu quem podia ser aquela garota. Mas logo que abriu a boca e começou falar ele se tocou que era um garoto. E lembrou dele na hora.

_ Oi... Oi Breno. — disse ele lembrando do outro logo que ele falou, era o irmão da sua namorada. — Você é irmão da Anna, né? Eu sou o... Namorado dela. Não sabia que você estava aqui... Não sabíamos. — disse ele se sentindo meio constrangido com aquilo. — Eu me chamo Daniel... É um prazer. — disse ele sem saber muito onde enfiar a cara. Tinha ficado meio mal humorado pelo jeito seu final de semana de sexo selvagem havia ido para o espaço.

E Breno não voltou sua atenção para o outro até que achou o que queria no armário, uma forma de fazer pudim. Precisava de pudim urgentemente ou iria surtar mais ainda.

_ Eu estou aqui a mais de uma semana. Acho que meus pais esqueceram de avisar. Ou fui eu que esqueci de avisar a eles. — disse dando de ombros, falando tudo num tom de voz de extremo desinteresse enquanto ia pegando os ingredientes. — E não sabia que a minha irmã estava namorando outro cara. Achei que ela ainda estava com o Henrique.

_ Eu terminei com o Henrique há dois meses, seu irmão desnaturado! E ainda diz que se importa comigo. — Anna falou ao aparecer na cozinha e então sorriu para o seu irmão, que correspondeu. Logo em seguida correu até ele, abraçando-o com força. — Que saudade, Breno! Você sumiu! Mal dá sinal de vida e... Eu não tinha ideia de que estava aqui... — pelo tom de voz de Anna na última frase, ela parecia meio frustrada com aquilo também. Afinal... Por mais que adorasse seu irmão mais velho, tinha planejado todo um final de semana romântico com o seu namorado ali e a presença de Breno frustrava um pouco as coisas.

_ Vim para poder trabalhar em paz. Aqui não tenho que ficar aturando cobranças de prazo, jornalista batendo na minha porta ou coisas do gênero.

Breno era escritor. Quando jovem ele escreveu uma trilogia que acabou virando um seriado de TV que fez muito sucesso e depois daquilo acabou gostando desse rumo e se tornou mais um roteirista. O problema é que ele não gostava muito de pessoas opinando em suas ideias, logo preferia escrever o seriado sozinho e com isso acabava tendo muito mais trabalho. Por isso ele dormia tão pouco. Quase não tinha vida social e não era incomum ele fica dias sem dar sinal de vida pra ninguém. Mas isso não o era só por causa do trabalho, era também por causa do seu típico mau humor e por não ser muito sociável.

_ Sei... E o fato do seu namorado morar aqui perto não influenciou na sua vinda pra cá?! — Anna disse com um sorriso meio malicioso.

_ Na verdade não. Eu até preferia que ele morasse longe daqui, ai ele me daria paz pra escrever. Acabei de voltar da casa dele e não duvido que daqui a 5 horas ele já vai estar aqui. — e aquelas falas só deixavam claro algo que a aparência de Breno tornava suspeito. Ele era gay desde que se entendia por gente.

Daniel ficou chocado quando ouviu aquilo, ele nunca teria imaginado que o garoto era gay, claro que ele não tinha nada contra. Apenas ele preferia mulher com seios grandes e bumbum redondo. Não que Breno fosse feio. Só que era homem.

Ele abraçou a namorada por trás e sorriu um pouco. Queria arrancar ela dali e levar para o quarto, talvez para a sauna, por que ai teriam um pouco de privacidade. Daniel era um fotografo bem famoso, normalmente fotografava animais e modelos. Mas seus trabalhos mais famosos eram com animais e lugares. Ele só trabalhava com modelos famosas e atrizes e por isso tinha fama internacional. Ele não era tão ligado televisão e homens e por isso não conhecia a fama de Breno ainda.

_ Bom... Acho que é melhor hum... Irmos para a sauna não é amorzinho? — disse ele beijando o rosto da namorada. — Vamos deixar seu irmão trabalhar e descansar.

_ Não... Temos que fazer um almoço. – disse Anna logo ele se sentiu meio desesperado. — Que tal uma macarronada com champignon? Melhor... Uma lasanha. Para acompanhar o pudim?

Ele respirou fundo e resolveu ficar ali tomando cerveja, sentou no lugar e ficou ali fumando enquanto pretendia ficar ouvindo a conversa dos dois e ver os dois cozinhando. Seu telefone tocou e ele atendeu.

_ Alô... — ele disse sorrindo, e desejando ser trabalho. — Claro que posso, amanha cedo? Certo então tenho que chegar logo? Entendi. Beijos. — disse ele desligando o celular. — Amor eu vou... Ter que ir embora hoje à noite, sabe como é, tenho que fotografar uma campanha contra uso de animais em roupa... Vamos fotografar em vários lugares e pego um avião amanhã.

_ Serio, amor?! — Anna ficou decepcionada. — Queria que você pudesse ficar mais, mas já que as fotos são por uma boa causa... Podemos deixar o final de semana especial pra uma próxima.

_ Arranjou um fotografo dessa vez?! — Breno falou para a irmã, como se Daniel não estivesse ali escutando. — Ao menos isso parecer mais interessante que o Henrique que era advogado e não sabia falar de outra coisa. Se bem que ele me ajudou bastante dando informações para a minha série. Eu queria que essa fosse a última temporada, mas já vi que não vão deixar. Vão ficar enchendo meu saco querendo mais. — falou com pesar e quando terminou de bater os ingredientes do pudim, colocou no formo.

_ Dan, lembra que eu te disse que o Breno é escritor?! Ele escreve roteiros de seriados e já é o terceiro seriado dele. Ele tem três livros publicados e já ganhou até mesmo um premio por causa das serie dele. — Anna explicou ao namorado.

_ Ah... Não era aquela série que chama Histórias da vida? — ele perguntou quase que por acaso.

_ Essa mesma. — disse Anna. — Você não fotografou algumas atrizes dela para aquela revista... Vogue?

_ Sim, fotografei. — disse Daniel sorrindo um pouco. — Quem sabe um dia eu não fotografe seu irmão? — disse ele sorrindo um pouco e sentando ali.

_ Claro... Você é bom nisso. — disse Anna virando para o irmão. — Sabia que ele é um fotografo mundial. Eu o conheci numa festa... Ele fez um book meu e começamos a namorar. — disse ela sorrindo.

_ Sua irmã ficou linda em todas as fotos, mandei fazer um quadro da melhor, e está no meu carro... — disse ele sorrindo.

Claro que ele queria agradar a namorada, era meio obvio, queria tentar amá-la, mas isso não era muito sua praia, ele era péssimo e ainda não tinha se apaixonado. Ele respirou fundo e apagou o cigarro. Pensando que pelo menos a noite estaria livre daquele sufoco.

E enquanto Daniel falava, Breno ficava observando-o atenciosamente. Ele era muito distraído para algumas coisas, às vezes desorganizado e bagunceiro, mas ele realmente era bom observando pessoas. E o jeito como Daniel falava com sua irmã, o jeito como a olhava... Realmente não era o jeito de alguém apaixonado. Não havia devoção em suas palavras ou no olhar. E isso foi à primeira coisa que fez com que ele não fosse com a cara de Daniel.

_ Eu não gosto de ser fotografado. — o escritor disse sério enquanto olhava fixamente pra o fotografo. — Tirei fotos para por no livro, apenas porque a editora exigiu, depois só fui fotografado na entrega do prêmio, porque não tinha como impedir isso. A Anna é melhor para esse tipo de coisa. Ela é linda e, com certeza, todo cara hetero gostaria de estar com ela.

_ Claro, eu concordo plenamente com você... — disse Daniel sorrindo. — Anna é perfeita. — disse ele e a garota ficou toda Feliz.

_ Bem, eu adoro quando ele tira fotos minhas. — disse ela indo para o lado do namorado e o beijando no rosto.

Na verdade ela também não parecia estar muito apaixonada por Daniel, era como algo sexual que provavelmente não duraria muito. Sem dúvida eles tinha se tornado muito amigos. Mas não era nada além de uma amizade com sexo que eles resolveram chamar de namoro. O que ele iria dizer do mau humor daquele garoto? Talvez o namorado dele não soubesse fazer sexo direito.

_ É uma pena que não goste... Eu adoro fotos. Não gosto muito de ser fotografado, mas adoro trabalhar com fotos, principalmente de animais, eu trabalho para o Animal Planet, o canal, e acabo viajando muito, tanto por eles quanto pela Descovery. — disse ele sorrindo um pouco.

_ Interessante. — Breno disse como se não achasse nem um pouco interessante aquilo. Na verdade ele não estava nem conseguindo pensar direito. Estava com muito sono e tinha que dormir, nem que fosse apenas por uma hora ou duas.

E quando o som do celular de Anna tocando se fez ouvir, a garota pediu licença e saiu correndo para atender, deixando seu irmão e seu namorado sozinhos. Ela só não sabia que aquilo não teria boas consequências.

_ Eu sei que você não ama a minha irmã e não ache que vou deixar um imbecil qualquer magoá-la entendeu?! — Breno falou de repente, com uma sinceridade típica de quando estava meio dopado pelo sono. — A Anna é boa demais para você e qualquer um, então nem pense em usá-la ou qualquer coisa do tipo. E a propósito... Eu vi as fotos que você tirou das atrizes do meu seriado e não gostei. Aquilo me pareceu vulgar e com um apelo sexual desnecessário. Algo que fotógrafos ruins usam para distrair o público e conseguir vender seu material. — e ele teve que colocar o cotovelo sobre a mesa e usar a mão para apoiar a cabeça. Estava quase dormindo sentado ali.

E se alguém queria irritar Daniel era só falar de suas fotos. Aquilo realmente o irritava por que se ele amava algo eram suas fotos e a defendia com unhas e dentes. Ele fechou a cara na hora, pouco se importando com a namorada ou com qualquer coisa.

_ Olha... Se seu namorado não é bom de cama e você tem que sair por ai descontado suas frustrações nos outros a culpa não é minha. Sua irmã é bem crescida e somo amigos em primeiro lugar. — disse Daniel estralando os dedos algo que fazia quando estava nervoso. — Quanto a sua opinião sobre as minhas fotos eu nem vou levar em conta. Por que afinal alguém que não consegue escrever sem interferência, deve ser realmente muito preparado. — disse ele se sentindo muito nervoso. — Não deve ser difícil para um bicha escrever uma série mela cueca e totalmente melosa, senhor \"eu adoro borboletas rosas\".

Ouvir aquelas coisas fez com que Breno esquecesse um pouco do sono. Ele realmente não gostava de lidar com pessoas. Ainda mais com tipinhos como Daniel. Acabou levantando-se de vez, fazendo a cadeira cair, mas não se importou muito com isso. Até mesmo ignorou a tontura que sentiu.

_ Se irritou bastante com o meu comentário, não é senhor \"prefiro imagens porque textos são complexos demais para eu entender\". Deve estar tão ocupado com a cabeça de baixo e pensando em... — Breno não estava se sentindo bem, mas respirou fundo par continuar. — ... Comer a minha irmã que... Esqueceu que o mundo não gira em torno do seu pinto. Eu vi as suas fotos e por isso posso falar. Mas duvido que você tenha... Assistido a minha serie para ter sequer uma base, para... — e Breno não terminou de falar. Simplesmente apagou, caindo inconsciente no chão. Mas aquilo não era bem um desmaio. Era apenas seu corpo exigindo descanso.

E claro que Daniel pensou em mil coisas para revidar. Mas o outro simplesmente apagou, e ele acabou se achando um idiota por correr para pegar Breno antes que se machucasse. Era claro que ele não tinha visto todas as suas fotos, ele não tirava só fotos sensuais. Tirava bonitas também, como de animais ou lugares.

_ Ei, seu... Cretino acorda. – Daniel disse e levantou o garoto no colo.

_ Ai... O que aconteceu? Ele se machucou? — perguntou Anna Entrando, ela correu quando escutou algo cair no chão.

_ Não, acho que ele desmaiou. — disse ele. — Parece que dormiu. — disse ele com sérias vontades de atirar Breno na piscina. — Seu irmão é um pé no saco.

_ Amor, leva ele para o quarto então? — pediu ela.

Claro que ele sabia que Anna não aguentaria levar o garoto para o quarto. Mas ele o levou só que quando chegou no meio do corredor bateu em algo, um vaso, que caiu no seu pé e a dor foi grande. Ele quase caiu com Breno no colo. Mas apenas abaixou colocando o garoto no chão. Estava doendo muito o seu pé.

_ Merda... Acho que quebrei o pé. – disse Daniel. — Leva seu irmão para o quarto.

Anna não aguentaria, ela correu para o irmão e começou a sacudir ele.

_ Breno acorda. — ela gritava.

Só que Breno não acordou, ele apenas afastou a irmã e deitou de lado no chão, apenas querendo dormir. Ele realmente estava exausto e não acordaria em menos de 12 horas. E, como se fosse uma intervenção divina, a porta da sala foi aberta por um rapaz de cabelos castanhos claros e olhos cor de mel. Ele tinha 26 anos e estava trazendo o óculos que o namorado havia esquecido na sua casa.

_ Ei, Breno... — Pablo chamou, mas assim que viu a cena que se desenrolava ali, ficou preocupado. Deixou o óculos em um canto qualquer e, obviamente, correu primeiro até Breno. Ele e Anna já se conheciam. — Anna, o que foi que aconteceu?! Quando foi que você chegou aqui? — ele tentou entender a situação, olhando de Breno para Daniel.

Daniel estava morrendo de dor. E Anna adorou que aquele garoto chegasse ali, no momento certo.

_ Pablo, meu irmão dormiu... Daniel é meu namorado estava levando ele para o quarto mas acho que ele quebrou o pé. Preciso que ponha meu irmão na cama e me ajude a levar Daniel até o carro.

_ Não consigo levantar. — ele disse quase chorando ele tentou tocar o pé e ai esqueceu que era hetero e muito macho e começou a chorar mesmo. — Eu estourei o tendão. Ta doendo... — ele começou a quase gemer.

_ Olha me ajuda tá. — disse Anna se desesperando. Daniel estava quase desmaiando de dor.

_ Eu falei para o Breno não ficar tanto tempo sem dormir! — Pablo disse enquanto pegava o namorado no colo e o deitou no sofá mesmo, que era grande e confortável. Felizmente Breno era bem leve, então não teve problemas com isso. Depois ele voltou até Daniel e aí sim teve dificuldade. Afinal, eles tinham mais ou menos da mesma altura e massa corpórea. — Anna, pega a chave do carro, temos que levá-lo logo ao hospital. O Breno vai dormir por horas e vai ficar bem. — ele disse, mesmo que ainda estivesse um pouco preocupado com o namorado. Então começou a levar Daniel para o carro para irem ao hospital.

_ Claro... — disse Anna.

Os dois levaram o Daniel para o carro, ele estava sentindo muita dor. E foi direto para a cirurgia para arrumar o nervo. Saiu de lá de maca, e claro que era complicado, ele só poderia sair da cama, após um tempo, por causa da cirurgia, e ficaria de gesso sem poder colocar o pé fora da cama. Ele voltou irritado para casa, e era de madrugada, voltou de ambulância com Anna que estava ao seu lado sempre.

_ Olha, pelo menos vai tirar férias. — disse ela sorrindo. — Vou contratar uma enfermeira para cuidar de você, e peço para o meu irmão ficar.

_ Nem pensar. — disse ele enquanto era levado para cima pelos caras da ambulância. E por Pablo.

_ Isso é justo... Eu posso ajudar também. — disse Pablo.

_ Não quero, vou dar um jeito. — disse Daniel sendo deixado na cama.

_ Mas meu amor... Eu tenho que trabalhar e você não pode sair da cama. — nisso eram quase 6 horas da manhã.

E só por causa de toda aquela movimentação na casa é que Breno foi acordar. Ele ainda estava com sono, mas tinha que trabalhar e já tinha perdido muito tempo dormindo. Mas antes de ir escrever, foi seguindo o som das vozes, até chegar no quarto de sua irmã.

_ O que foi que aconteceu? – Breno perguntou com uma voz sonolenta, esfregando os olhos.

_ Breno! — Pablo correu até o namorado e o abraçou, deixando o menor encolhido contra seu peito e aproveitou para afagar o cabelo dele, algo que Breno adorava. — Você desmaiou de sono e quando o Daniel foi te leva para o quarto acabou se acidentando e rompendo o tendão. Agora vai ter que ficar um tempo de cama e não vai poder sair daqui.

E olhando para Daniel na cama, Breno tentou se lembrar de alguma coisa, mas sua memória só ia até a discussão que tinham tido. Ele nem se lembrava da resposta que havia dado ao fotografo. Mas... Ao pensar sobre os fatos, se sentiu meio culpado pelo acidente.

_ Pelo visto vai ter que adiar sua viagem... – Breno disse num tom ameno, enquanto permanecia entre os braços de Pablo. Ele nem parecia mais o escritor mal humorado daquele jeito. Sua expressão ficava quase infantil. — Eu... Vou ficar mais um tempo aqui, para escrever e... Posso te ajudar se quiser. A culpa foi minha, em parte, mesmo...

Por um momento ele estava tão irritado que sua vontade era dizer que não queria. Que devia ter derrubado ele no chão para se livrar do vaso ou que devia te-lo deixado dormir no chão da cozinha. Breno o irritava profundamente.

_ Anna... Não pode mesmo ficar? — Daniel perguntou.

_ Não querido... Me perdoa. — disse ela sentando do seu lado. — Mas o Breno é legal e vai te ajudar.

_ Legal? Você diz isso por que ele é seu irmão. — disse Daniel quase emburrado.

_ Ué, por que não chama o Douglas para vir ficar com você, acho que ele viria. — disse Anna.

_ Você está maluca? — Daniel quase gritou. — Desculpe... É... Obrigado Breno. — disse de mau gosto. Parecia que algo em Douglas era pior que em Breno e o fazia querer a ajuda dele.

Douglas era seu irmão, e a última vez que eles se viram, Douglas saiu com o nariz quebrado e Daniel com o supercílio cortado, os dois não se falavam desde esse dia. E eram irmãos gêmeos. Era claro que o único que guardava a mágoa era Daniel, Douglas era um doce de pessoa e só havia se defendido da fúria do irmão.

E a ideia de ter que ficar ali cuidando de Daniel não agradava muito a Breno, ainda mais porque tinha muito trabalho, mas sua consciência não o deixaria em paz se não fizesse aquilo.

_ Bem... Eu contratei uma diarista para o tempo em que estivesse aqui, então acho que ela pode ajudar também. Posso pedir pra ela vir todo dia. — o garoto ruivo disse e então bocejou — E Pablo... Pare com isso ou eu vou acabar dormindo. — disse se referindo aos carinhos em seu cabelo e então afastou o loiro.

A noite chegou logo, por causa do remédio Daniel dormiu quase a tarde toda. Antes de ir embora, Anna ajudou o namorado a ir tomar um bom banho. Ele tinha que usar uma muleta para ir até o banheiro por não poder colocar o pé no chão e estava com dificuldades para mexer o pé.

De noite ele estava absurdamente cansado de ficar na cama, para alguém que sempre estava metido em alguma atividade física era complicado, ele usava uma camiseta regata e uma samba canção, estava bem confortável. Ele ligou o computador e bufou quando viu que havia alguém online, alguém que ele não queria falar. Ele ficou de mau humor quando abriu a janela.

E logo um garoto apareceu na imagem, ele tinha longos cabelos lisos e pretos, os olhos redondos e verdes, e era uma versão mais magra e muito mais delicada de Daniel.

_ Como conseguiu o endereço? — ele perguntou logo de cara.

_ Anna me passou, eu liguei para ela para perguntar de você e ela disse que você rompeu o tendão. — disse o garoto à voz era suave e bonita. — Para com essa cara vai, eu só queria saber de você e você não me atende.

_ Não quero papo com você Douglas. — Daniel disse com uma cara fechada.

_ Ah... Desculpa. Eu... Tem certeza que não quer que eu te ajude... Posso ir ai ficar com você. — ele disse meio hesitante.

_ Não quero. Não quero nem falar com você se possível. — Daniel disse.

_ Olha eu te amo viu... Mesmo você sendo um cretino, desgraçado e sem coração. — disse magoado e desligou a conexão.

Daniel apenas ficou olhando para o computador decidindo editar algumas fotos ele abriu uma pasta e começou a mexer nas fotos da última viagem a áfrica.

E naquele dia, Breno ficou o tempo todo escrevendo. Ele havia dormido por horas graças ao desmaio e com a mente devidamente descansada, estava até produzindo bem. Escreveu por doze horas, fazendo apenas duas pausas para ir ao banheiro e nada mais. E provavelmente ele continuaria escrevendo, se não fosse pelo som do alarme do celular. Ele não se lembrava de ter programado o alarme, mas após dar uma rápida olhada no aparelho, ele entendeu... Sua Irma havia colocado para tocar, todos os dias, o alarme nas horas das refeições, assim ele não esqueceria de comer e nem de levar a jantar de Daniel.

_ Como imaginei... Isso vai me trazer problemas.- Breno resmungou e salvou o arquivo e desligou o notebook. Iria parar por uma hora. Nenhum minuto a mais. Então foi até a cozinha e esquentou o yakisoba que Anna havia feito antes de ir, fez suco e foi para o quarto de Daniel, que era ao lado do seu. — Com licença. — ele disse entrando ali e colocou a bandeja sobre o colo do outro. — A Anna deixou Yakisoba. Não sei se você gosta. Acho que ainda tem lasanha se você preferir... — disse dando de ombros.

_ Claro eu gosto sim... — Daniel disse e agradeceu. Colocou o notebook de lado para poder comer. Nele havia agora aberto uma foto de um pátio no Japão. Era uma fileira de cerejeiras grandes com muitas flores no chão. E entre elas tinha alguns filhotes de Panda que pareciam estar brincando. — Na verdade eu adoro Yakisoba. Mas que milagre você lembrar que tem que comer. — disse ele quase rindo. — Sua irmã disse que em época de trabalho você nem sai do computador e que já teve infecção de urina por segurar o xixi. — ele disse rindo um pouco.

Era claro que ele estava tentando puxar assunto, era meio chato não ter amigos, e ninguém para conversar no momento, se bem que editar e arrumar as fotos que ele tinha tirado ajudava, a maioria tinha sido tirada de forma manual e tinha dado um trabalho enorme para fazer. Ele passou os dedos nos cabelos e começou a comer.

_ Na verdade eu só lembrei de comer porque a Anna colocou o alarme no meu celular para tocar todos os dias às 9 da manhã, meio dia e 7 da noite. — Breno disse enquanto enrolava o cabelo e prendia-o em um coque frouxo, que deixou vários fios soltos. Ele tinha levado seu prato para o quarto, para jantar com Daniel. Foi então que ele notou o notebook sobre a cama e viu a foto. E não tinha como negar que era uma foto realmente muito bonita. E muito fofa também, por causa dos filhotes de panda. Tão fofa que Breno acabou sorrindo de um jeito bonitinho ao ver aquilo. — Essa foto... Eu fui no Japão há dois anos atrás, quando tirei ferias. Prometi que ia voltar, mas ainda não tive chance... Onde você achou essa foto? — perguntou e começou a comer.

_ Eu tirei quando fui para o Japão no começo do mês... Uma campanha sobre as cerejeiras e sobre o lugar para uma revista de viagens. — ele disse sorrindo um pouco. — É uma revista que fala sobre lugares no mundo, fui contratado por ela, e já tirei fotos no Japão, na índia e na África. Irei a mais lugares. — ele disse sorrindo um pouco. Fotografia era sua vida. Ele abriu as fotos e deixou passar todas as do Japão e não havia uma foto sensual no meio delas, por último abriu uma que tinha um ringue circular feito de barro e palha de arroz de onde duas crianças estavam vestidas de lutadores de sumô, com Mawashis pretos, e riam tocando uma a mão da outra. — A que eu mais gostei foi essa. — disse ele. O sal em volta das crianças no chão reluzia a luz do sol. E o sorriso das crianças era bonito e descontraído. Não era uma foto montada. — Colocamos os dois garotos que eram netos de um lutador Makuuchi, um campeão aposentado, e vestimos eles e colocamos para brincar ai. Tirei muitas fotos dos dois. Tenho dois trabalhos agora... O da África e um outro em Paris.

E Breno não podia acreditar naquilo! Como assim aquele fotografo pervertido havia tirado todas aquelas fotos incríveis?! Aquelas fotos chegavam até mesmo a emocionar. Ele chegou a abrir a boca, pensando no que dizer, mas não sabia o que. Não queria ter que elogiar o trabalho do outro. E não conseguia achar nenhum defeito nas fotos, algo do qual pudesse falar mal. Então resolveu apelar para a ironia.

_ Bem... Pelo visto até que você serve para alguma coisa. Os garotinhos são fofos. — elogiou os meninos para não ter que elogiar o trabalho de Daniel. Ele ainda não ia nem um pouco com a cara do moreno.

Assim que o outro disse aquilo ele se sentiu um pouco irritado, parecia complicado demais ter uma conversa decente com o outro. Ele deixou as fotos passando. E passou para as fotos de Paris.

Ele parou em uma foto que mostrava Bianca Leilani, em uma cama elástica, vestindo uma roupa de bailarina, com a irmã, Sierra Rose, lhe atirando bolas que pulavam junto com ela na fotografia, Sierra estava vestida de palhaço, e era uma das fotos no novo trabalho dele para o disco ao vivo da CocoRosie.

_ Obrigado. — disse Daniel com uma cara meio fechada tentando fingir que aquilo era um elogio. Ele ainda comia. — Ganhei alguns prêmios em fotografia por isso. — disse ele dando de ombros.

Os prêmios que ele tinha ganho eram grandes. Mas agora ele nem queria mais tanto papo assim com o outro. Era claro que tinha algo em Breno que mexia com o seu sangue, ele sentia vontade de estrangular o menor sempre que o via, apesar de mais velho, e obviamente bonito, algo que Daniel nunca assumiria, ele era tão irritante quanto bonito. Pensou que isso era um problema, preferia pensar que o outro não era bonito, por que era absurdamente irritante. Ele terminou de comer e colocou a bandeja de lado.

E quando viu aquela foto, Breno ficou tão pasmo que deixou o prato de lado e pegou o notebook.

_ O que?!?! Você tirou fotos da dupla CocoRosie?! — ele praticamente gritou aquilo. Aquilo era mais surpreendente do que todas as outras fotos que havia visto. Mais surpreendente do que descobrir que Daniel realmente tinha talento para fotografia. — Eu... Eu tenho todos os CDs e DVDs delas. Sempre escuto enquanto estou escrevendo. Eu já fiz a reserva na loja, para o cd delas que deve sair daqui há uns 10 dias.

O jovem escritor realmente era fã daquela dupla. Um típico caso de amor a primeira vista, desde que havia escutado a musica Good Friday. E em todas as séries que Breno já havia escrito, sempre tinha musicas de Cocorosie na trilha sonora.

_ Uau, você tem um bom gosto musical, eu adoro Good Friday e Terrible angels. — Daniel disse aquilo sorrindo e terminando o suco. — Tirei as fotos do novo álbum, estou com o novo cd ai no note. — ele disse pegando o note e colocando para tocar, tocando Good Friday. — Fiquei quase dois meses com as duas... Para as fotos do CD e do DVD essa ai vai ser a foto da parte de trás do Cd, tenho que escolher as melhores... Para todo o encarte, assisti alguns dos shows do DVD, eu praticamente implorei para estar nesse trabalho, mandei umas fotos minhas e elas gostaram. — disse ele contando por que quando falava de CocoRosie ele já ficava absurdamente feliz. — Eu... Elas são demais, muito engraçadas. E divertidas... — disse ele sorrindo um pouco. Ele parecia feliz por estar nesse trabalho. — Posso te arrumar um autografado, elas vão me mandar um assim que estiver pronto, posso pedir um segundo... Se você quiser. — ele disse aquele era meio que um tratado de paz, para Daniel se o outro gostava de CocoRosie, quer dizer que não era tão ruim assim.

_ Seu desgraçado! — Breno pegou o travesseiro e bateu contra a cara de Daniel, mas como uma brincadeira de criança. — Claro que eu quero! As músicas delas são as que eu mais gosto! Eu já fui a dois shows delas e adorei. As musicas que eu mais gosto são Good Friday, Beautiful Boys e Turn me on. Essas e mais umas cinco musicas delas já foram trilha sonora das minhas séries. Coloquei como uma exigência. Bisounours é a musica tema do personagem principal de Historias da Vida. — e o jeito que Breno falava era completamente diferente de como ele tinha agido até então. Ele parecia uma criança feliz. Era impossível acreditar que ele tinha 27 anos.

_ Ah, eu conheço esse idiota que faz a série. — disse Daniel rindo. – O ator é Antony o nome dele, não é? — perguntou rindo. — Eu e ele já brigamos uma vez... Ele veio discutir comigo por que eu quebrei o nariz do namorado dele. — disse ele dando de ombros. Na verdade Antony era namorado do seu irmão. — Se quiser também te passo as fotos e algumas filmagens, são exclusivas, não vai encontrar por ai. — disse ele rindo um pouco. — Eu gosto de um monte de música delas, mas a preferida e Terrible angels mesmo. Eu adoro ouvir elas cantando, é calmo e relaxante. É sem dúvida minha banda favorita fiquei super feliz quando acordei com a Bianca me ligando e me chamando para trabalhar com elas. — disse ele rindo um pouco. — E elas assistem seu seriado. Sabia?

_ Não sabia não! — e ouvir aquilo deixou Breno ainda mais empolgado. Ele sentiu vontade de subir na cama e começar a pular ali, de tão feliz. — Nossa... Isso é realmente incrível. Uma pessoa como você gostar de Cocorosie... — e o \"uma pessoa como você\" realmente soou de um jeito meio ofensivo. — E porque você quebrou o nariz do namorado do Antony?! Eu não o conheço, mas o Antony só sabe falar dele, que é ele é fofo, que é lindo, que é um amor de pessoa e super pacifico também. Se bem que depois dos seus comentários homofóbicos a meu respeito, eu até consigo imaginar... — disse cruzando os braços e voltando a ficar sério.

_ O que quer dizer com \"Uma pessoa como eu\"? Você nem me conhece direito e está fazendo um julgamento errado... — disse ele respirando fundo. Realmente ele tinha um problema com gays. Mas não que ele fosse homofóbico. — Eu não sou homofóbico, e meu problema com gays não tem nada haver com você... — disse ele passando os dedos nos cabelos, ele fazia isso quando estava meio sem saber o que fazer. — Eu vou te mostrar... — ele pegou o note e abriu uma foto de Douglas, o garoto estava sentado na cama cheia de plumas em volta e sorria, era uma foto muito bonita, e ele parecia feliz ali, não era tão parecido com Daniel assim, por que na foto ele tinha 18 anos nela. — Esse é o namorado do Antony. — disse ele dando de ombros. — Tivemos um desentendimento e acabou resultando em, eu dando um soco nele, e ele em mim algo assim... Levei cinco pontos no supercílio graças a uma garrafa que ele quebrou na minha cara... É meu irmão gêmeo. — disse ele fechando a foto logo em seguida. — Uma longa história, mas acho que não quer conhecer muito de um \"cara como eu\" então... Não precisa ficar me agradando só por causa da CocoRosie, vou te passar tudo o que eu prometi, considere como solidariedade entre fãs. — disse ele dando de ombros.

E quanto mais ficava perto de Daniel, mais Breno se surpreendia com ele. Viu a foto do irmão gêmeo do outro e logo de cara achou que era mesmo tipo de garoto que Antony costumava namorar. Um tipo bem diferente de Daniel. Mas outra coisa que percebeu também era o quanto aquela foto era bonita, cheia de sentimentos bons. E isso começou a deixá-lo curioso.

_ E você pelo jeito não me conhece, não é?! Não me conhece e nem assistiu Historias da Vida. Boa parte desse seriado foi inspirado em pessoas reais, em problemas reais. Eu não gosto muito de pessoas, mas gosto das historias delas. Até cafajestes inúteis e mulherengos tem historias interessantes a serem contadas. — ele disse aquilo sentando-se na cama e cruzando as pernas ali em cima, dando mostras de que não estava com muita presa para sair. Ele ainda passou a mão pelo cabelo, que soltou-se do coque com facilidade e teve que ajeitá-lo atrás da orelha para não ficar caindo sobre o rosto.

Daniel não disse nada a principio olhar a foto do irmão era estranho. A briga dos dois havia sido bem séria, e apesar dele não ter perdoado oficialmente o irmão, era claro que já tinha perdoado antes, afinal os dois eram irmãos. O maior problema de Daniel era o orgulho.

_ Cafajeste, inútil e mulherengo foi dirigido para mim? — ele perguntou quase que por acaso, não que ele não soubesse a resposta. Ele acabou rindo logo depois que fez essa pergunta. — É... Ninguém nunca tinha me chamado assim antes... Normalmente eu dou as pessoas o que elas querem receber, você pode pensar isso de mim, dizer que eu não amo sua irmã ou algo do tipo. Mas eu realmente faço ela feliz... Que pessoa por exemplo não gosta de receber em seu aniversário o número de rosas referente à sua idade? Eu fiz isso no aniversário da sua irmã, mandei para ela um monte de rosas... Então, não tem chance alguma de eu magoar a sua irmã. Ela também não me ama, somos muito mais amigos do que qualquer outra coisa... Você realmente acha que sua irmã seria amiga e se envolveria com alguém que não tem nada a apresentar além de defeitos? — disse ele de um jeito sério. — Acho que está desmerecendo sua irmã.

Breno deu de ombros.

_ Bem... Ela errou feio com o primeiro namorado dela e tem caras que são bons atores o suficiente para enganar mesmo mulheres como a Anna. Rosas, frases românticas e coisas como levar para conhecer a mãe... Uma vez eu vi a minha irmã sofrer muito e não quero que isso aconteça de novo. E como você não a ama, não tomaria tanto cuidado para não magoá-la como faria se a amasse de verdade. E, obviamente, eu não estou nem aí se a Anna te ama ou se ela vai ferir seus preciosos sentimentos. Ela é minha irmã e é a pessoa mais importante pra mim. Ao contrario de você eu não saio por aí quebrando o nariz da minha irmã ou coisa do tipo... Mas se você e ela são tão amigos assim, menos mal...

_ Bem... — ele começou a falar tentando ignorar os comentários do outro. — Você não tem idéia do por que eu quebrei o nariz do meu irmão ou como me senti depois então não julgue. — disse ele sentindo um momento de raiva em si. Ele respirou fundo e fechou o note. — E é um assunto que nem eu e nem ele conversamos sobre então... Não briguei com o Antony e nem expliquei nada. Quanto a sua irmã... Somos grandes amigos, e eu quero que ela seja feliz, acredite você ou não... Eu não sou um demônio sem coração ou sentimentos que só quer levar o maior número possível de pessoas para a cama, apesar da idéia se interessante. — disse ele respirando fundo. Ele se encostou na cama, sua expressão era calma. — É fácil demais julgar aquilo que não se conhece, eu não acho que você seja tão mal assim então... Se eu te ofendi antes desculpe. Não gosto quando falam mal das minhas fotos, por que é a única coisa que eu realmente amo. — disse ele parecendo realmente chateado com aquilo.

E estava sendo sincero com Breno. Era claro que ele não odiava ninguém e tinha uma vida bem solitária também, tinha coisas nele que somente Anna foi capaz de ver e por isso se tornaram grandes amigos. Poderiam até se amar, mas isso não havia acontecido. Daniel tinha toda uma idéia sobre amor. E como nunca havia acontecido com ele, havia deixado de pensar sobre.

_ Eu também não gosto quando falam mal da minha série, então acho que estamos quites nessa. — então Breno levantou-se. Tinha que ir escrever a série logo. Tinha produzido bastante naquele dia e talvez desse até parar ter algumas horas de sono naquela noite. — Bem... Você não quis contar o que aconteceu entre seu irmão e você, mas tudo bem. Não faz diferença. Eu vou continuar a trabalhar. Qualquer coisa, vai correndo no quarto me chamar. — ele disse aquela última parte com um sorriso quase maldoso, já que Daniel não podia nem colocar o pé no chão ou morreria de dor.

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