Tempestades de um espinho que ansiava virar flor

Puxe os espinhos presos com essa pinça. Um. Por. Um.



Chore, minha criança.
Que o mundo não é mais que um borrão,
mecanicamente arrastado pelas vias
da sua história de desalento e aflição.

Uive, minha criança.
Vocifere os abrasivos espasmos,
que te guiam frente às portas que trarão
a sacra correção, sua divina punição.

Pagarás pelos teus atos, criança.
Resultado do infortunado martírio,
consequência de inquietações banais
vertendo o amargo gosto de suas ações.

Seus erros, criança,
são infindáveis profundas picadas
sem levar veneno em seu interior.

Sem conexão...
Sem ligação com o domínio exterior.
Movendo-se em infinita direção ao inalcançável.

Não existe nada além de sombras,
gravuras sinistras onde a única variação
são os tons de cinza arranhados pela extensão
do que só a mente decifra, e só a alma vê...

Ah... como tantos estigmas cabem em você?
Anamneses ingratas,
lembranças fadadas ao replay.

Ações manchadas pelo gatilho da inocência,
e de não ser capaz de previamente reconhecer
quão vís podem ser as vibrações dessa interferência,
que quando brota em sua mente, não mais cessa de tremer.

Criança,
o mundo deveria se esquecer de você.
Só hoje, e também sempre quando seu ranger
se tornar desequilíbrio, fadado à autodestruição.

E quando o caos chegar, quando o mal regressar,
recorde que não haverá quem o possa alterar,
nem deuses, vilões, santos ou majestades,
senão você.

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