Enquanto a noite se encaminhava para a metade de sua madrugada, os homens na mata abaixo se aprofundavam em seus sonos serenos ou talvez conturbados. Mas havia um entre eles que se destacava. Diferente dos outros este se virava para os lados sem conseguir adormecer, e isso já durava horas. O corpo feminino adormecido ao seu lado estava inerte à todas as complicações dele e dormia tranquilamente abraçada a si.
Com cuidado ele saiu de seu abraço e a cobriu melhor com a coberta, e se acomodava sobre o tronco caído para tentar solucionar os problemas. Ele só queria conseguir dormir e esquecer tudo por algumas horas mas mesmo isso lhe era negado. Sua mente conturbada estava pensando sobre os acontecidos de ultimamente. Há muito tempo atrás Merlin havia profetizado a vinda da Salvadora para o seu reino em busca de ajuda, mas foi completamente o oposto que havia acontecido. Encontrará Excalibur pela metade e agora outra incógnita: não estava mais com ela. Havia perdido também um de seus cavaleiros Percival. Estava em outro reino, outro mundo chamado Storybrooke, o qual foram trazidos por uma maldição que lhe foram tirados as memórias de seis semanas. Também acolheu sem saber o pior dos inimigos que se pode imaginar, a Senhora das Trevas.
Para não ser consumido por seus pensamentos, se levantou pegando uma de suas espadas e caminhando para dentro da floresta à procura de algo para aliviar sua mente, qualquer coisa. Saiu andando e observando a paisagem, e lhe deu uma breve saudade de casa, de seu reino, nunca havia ficado tanto tempo fora de casa.
A noite estava bela e apreciável, a linda lua cheia brilhante no céu, o vento molhado lhe assoprando o rosto, o orvalho das árvores a cair sobre seu corpo e lá no fundo o uivo de um lobo solitário. Tudo isso fizeram ele sorrir e se lembrar dos tempos de campônes que sempre gostará de lutar de espadas, apostar corridas com seus amigos e que perderá os falsos quando foi coroado rei. Conforme caminhava avistava algo por trás das árvores e ficou intrigado, havia duas esferas com um brilho fraco, pareciam ser luzes. Andou mais para frente para ver o que era e constatou ser algo parecido com uma carruagem e que havia uma linda mulher sentada sobre ele.
Sem fazer barulho ele se aproximou com cuidado para não assustá-la e ficou encantado com a beleza da dama em sua frente alheia a sua presença. A palavra certa para definir seria: exótico. Uma mulher dotada de uma beleza extravagante. Primeira coisa que capturou a visão e a atenção do homem foi o cabelo bicolor da madame, logo em seguida vidrado nas curvas medianas que ela possuía e depois maravilhado com as belas peles por sobre os ombros dela que realçava, extasiado pela formosura acabou tropeçando nos ramos das plantas denunciando sua presença. Rapidamente ela se virou o encarando com seu olhar intenso o examinando, achando estranho a vestimenta que ele usava, algum tipo de armadura medieval, muito bizarro no momento. Ela deu risada enquanto balançava a garrafa de bebida na mão.
Incomodado mas sem deixar transparecer se aproximou sendo atentamente observando pelos olhos curiosos dela.
—Você é da Floresta Encantada? –Questionou enquanto bebia.
—Sim, Rei Arthur de Camelot! –Exclamou orgulhoso.
—Ah, Darling aqui esse título não lhe servirá de nada. –Após a fala gargalhou, o que fez ele suspeitar que com certeza ela já estava alterada.
Ele ainda intrigado com aquela carruagem um tanto quanto estranha, decidiu perguntar.
—O que é isso? –Apontou para onde ela estava sentada, fazendo a mulher se levantar e observar o carro com admiração.
—Isto é um carro. Ele é bem parecido com a carruagem de vocês mas bem modernizado e radical. –Exclamou enquanto erguia o capô do carro para mostrar lá dentro. –Esse objeto aqui no meio onde tem esses cabos conectados é o motor, o que da a potência para o carro se mover junto com as outras funções. –A madame explicou pela metade. O guerreiro não se importou, já tinha percebido que ela estava bêbada. Então se contentou com as meias informações.
Aproveitou para contemplar as estrelas brilhando no céu negro e sorriu por poder estar apreciando esse espetáculo.
—Quer? Pegue, beba! –Lhe era oferecido a bebida. Teria algum problema em aceitar? Ele se questionava. Afinal poderia recusar uma bebida oferecida em pleno luar por uma mulher insana?! Aceitou e bebeu. O líquido descia queimando, deixando o gosto do batom a ser experimentado e aprovado por sua boca. Outros goles e todos sem o tão aguardado gosto dela apenas o amargor da água ardente.
—Qual seu nome? –Perguntou atraído.
—Cruella. Não conseguiu dormir? –Foi questionado.
—Pensamentos pesados. Por que estava bebendo? –Retornou jogando a garrafa no chão.
—Fantasmas do passado atormentando o presente. –Após a fala a mulher bufou irritada por ter acabado a bebida mas não lhe passou despercebido que o homem já se encontrava bêbado e acabou rindo. Ele era fraco para álcool. Observou ele se apoiar no carro para se segurar.
—Você é a mais linda que já vi, impossível ser atormentada se não for por amor. –Soltou atropelando as palavras. Esse era o problema. Alguém a amava. E como adoraria mata-lo e comtemplar a bala atravessando o crânio e o corpo cair pesado sem vida, mas não podia, não mais. Cruella odiava isso com todas as forças, mas infelizmente não tinha o que fazer senão beber e toda noite ficar sem dormir por conta do choro destruidor de Isaac no cômodo ao lado. Se aproximou chegando bem perto e encarou as safiras com um brilho morto. Não percebendo hesitação continuou, notando que a mulher era alguns centímetros mais altos que si, não ligou e quando se deu conta estava saboreando o tão desejado gosto misturado com a bebida dos lábios vermelhos.
Era um amargo viciante.
Arthur se aborreceu, era amante de doces mas como a necessidade de se acostumar com aquele novo sabor era gritante, então aprofundou o beijo seguindo com as mãos para a nuca dela. No começo ela havia se privado do contato mas com o passar dos segundos se soltou também experimentando o novo gosto...doce, não muito diferente de Isaac mas bem mais energético. Retribuiu com tamanha intensidade depositando as mãos envoltas pelas luvas aveludadas e ornamentadas em jóias nas costas do homem que estava coberto com aquela armadura estranha.
Sentiu ele se estremecer e soltar um gemido quando teve sua língua chupada e mordida antes de se separarem por falta de ar, mas agilmente já o livrava o torso não totalmente definido mas com músculos a mostra e o empurrava para dentro do carro na parte traseira já se encarregando de tirar a calça dele com a visível ereção tornando à apertada.
Quando entrará no “carro” Arthur não deixará de notar a beleza que era por dentro, os bancos envoltos por peles macias e peludas de coloração vermelha e espaçoso mas ainda assim apertado. Agora observava a mulher se debater para tirar lhe a calça e libertar seu membro daquela prisão, se encontrava debruçada sobre si e a porta entre aberta, sua pele de um branco “surreal” agora caía lhe aos braços dificultando mais o movimento, o vestido preto brilhoso que com certeza deveria ter sido caro o disponibilizava o decote e os colares diamantados a fazer barulho conforme ela se mexia. Não aguentando de ansiedade tocou a pele com cuidado para não danifica-la ou suja-la e pode comprovar tudo que imaginará em relação a superfície à medida que deslizava os dedos calejados de um lutador por entre os pelos, muito macia. Aprofundou levando a mão aos seios os apalpando, eram médios então facilitava, mas também volumosos, se perdeu no toque.
—Espero que na próxima vez não venha com algo ridículo e difícil de tirar! –Brandou irritada após finalmente ter conseguido tirar aquela maldita calça. Ele estremeceu e abruptamente parou o que fazia retirando as mãos do corpo da mulher enquanto se questionava. Teria próxima vez? E Guinevere? Não conseguiu mais raciocinar, seu órgão fora invadido pelo canal apertado dela fazendo-o jogar a cabeça para trás e um gemido exagerado escapar de sua boca.
A dona dos cabelos bicolor resmungará palavrões após abrir aquela “desgraça”, não tivera tempo para contemplar o pênis a fazer volume na cueca, ou talvez não quisera. Queria apenas embriagar sua mente para não pensar “nele”, sabia que ele com certeza deveria estar à sua procura, afinal sempre que sumia ele à procurava...encontrar que era difícil.
A medida que intensificava os movimentos sob o corpo másculo abaixo de si, enxergava Isaac encostado na parede chorando ou sobre seus preciosos livros derramando toda dor acumulada, sacudia a cabeça para se livrar da “tentação” mas segundos depois voltavam mais realistas e conturbadoras. Quando a bebida não fazia mais efeito para afastar as “assombrações” optava por algo mais carnal...nem sempre tendo o resultado que aguardava.
Apreciou as mãos grandes à acariciar e apertar lhe as perna à dando sustância para se mover mais rapidamente, relaxou deixando ser conduzida, precisava esquecer “dele”. A respiração ficando descompassada, suor começando a escorrer pelo pescoço por entre as jóias, a tão cobiçada e adorada pele só piorava o calor que sentia, iria tirar. Foi impedida.
—Não tire, fique com ela é perfeita combina com você. –Sorriu recebendo um revirar de olhos.
O homem inverteu a posição fazendo com que ela batesse levemente a cabeça no estofado do automóvel. Assumiu o controle da situação aproveitando para retirar a parte debaixo da lingerie. Não pode deixar de arranhar e alisar as pernas macias e cheirosas, mas logo voltou a estoca-la conforme a necessidade se fez crescente e abandonou aquele cuidado inicial que teve com a vestimenta dela e se concentrava apenas no prazer inconfundível que sentia em contato extremo ao corpo magro da mulher que esboçava reações discretas durante o ato sexual. As esmeraldas vidradas nos olhos azuis luxuriosos. E as safiras analisando os olhos verdes excitados mas lá no fundo demonstrando arrependimento, ele se incomodava com a falta de gemidos pela parte feminina, ganhava apenas suspiros e gotas de suor, queria mais. Mas ele desconhecia da personalidade dela, então iria só ficar desejando algo mais intenso vindo dela.
Depois de mais algumas investidas intensas e certeiras ele chegou ao seu ápice se aprofundando ao corpo esguio abaixo de si e segundos depois ouviu um gemido baixo e abafado quase imperceptível enquanto sentia as unhas grandes da mulher perfurar lhe a pele, havia chegado ao seu clímax. Notou um insignificante sorriso nos lábios dela, ficou feliz pelo menos recebeu algo mais que terminará de o satisfazer.
Cruella havia chegado ao seu orgasmo com a respiração descompassada, o suor escorrendo pelo corpo inteiro, também por causa da pele que a esse momento queimava de tão quente que estava, apurando a vista notou um pequeno rasgo na superfície branca macia feito por suas unhas nas tentativas de conter os gemidos, o maldiçoou triplamente por isso, mas também ficou satisfeita, pela primeira vez havia sentido emoções novas e não sentimentos culposos pelo sofrimento de Isaac. Estava realizada, sua mente livre “daquele” ser, nem ela se livrou do mínimo sorriso mas significante para si que estampou sua face envoltas por maquiagens desfeitas pela transpiração do ato libidinoso.
Se ajeitou no banco traseiro sentindo um aperto em seu corpo, era o homem deitado ao seu lado enganchado em sua cintura, observou. O olhar arrependido de antes agora escondido por detrás das pálpebras pesadas fechadas por conta do cansaço, o corpo igualmente suado mas diferente dela ele estava vestido com as calças que ela tanto sofrera para tirar, sorriu e instintivamente passou a mão pelo cabelo molhado e liso dele de um tom castanho igualmente a barba serrada, bem feita e cuidada. Entendeu que ele podia ter mulher ou família para aquele arrependimento totalmente visível, não ligou, não se importava. Consultou o celular desses de ultima geração para saber do horário mas foi interrompida pelas inúmeras mensagens e ligações “dele”, fez o que sempre fazia: ignorar, apagou tudo. Jogou o aparelho no banco e se deitou, quem sabe conseguiria dormir um pouco.
O dia amanhecia com o grande Sol ainda pequeno em seu nascimento por detrás do horizonte, os pássaros cantando felizes, os homens se despertando na mata e a mulher que antes estava acompanhada de seu marido se encontrava desperta e a procura dele, perguntou ao povo mas todos com a mesma resposta, não haviam visto o Rei. Então aprofundou a busca entrando na floresta, sorriu ao ver alguns animais correndo por aí começando a rotina, fugindo ou caçando conforme o ciclo.
Repensou, talvez aqui não fosse tão ruim, mesmo sentindo imensa saudade de casa, enorme preocupação por não conhecer o local em que agora se encontrava, essa nova cidade. Seguiu concentrada em achar Arthur e passando por um conjunto de árvores e mato denso, notou algo escuro por detrás, rodeou e se deparou com uma “carruagem” estranha que não parecia ser movida à cavalos, decidiu não se aproximar, acreditava que ele não estivesse por ali, mas uma coisa no chão a atraiu, era uma garrafa vazia e mais adiante...a blusa dele, pegou e se inebriou com o aroma delicioso e forte de perfume feminino que com certeza não era dela. Estava descrente, ele não poderia ter feito isso.
Inúmeros pensamentos e perguntas se apossaram de sua mente e as lágrimas inundaram seus olhos saiu de lá trêmula e pensativa. A espera por ele foi dolorida, os minutos se rastejavam, as horas se arrastavam, os olhos secos sem líquidos para escorrer, os raios de Sol já alto no céu a queimar lhe a pele mas esperou. E ao ver a figura masculina surgir pelo caminho contrário da mata, triplicou tudo que sentia mas se manteve firme esperando ele se aproximar.
—Onde estava? –Tentando não transparecer sua dor.
—Eu acordei e fui falar com David. –Se sentia péssimo por mentir para sua esposa e totalmente arrependido depois que aprontara, não que tivesse sido ruim muito pelo contrário havia sido encantador...mesmo não sendo aquilo que procurava.
—Fui procurar você... –Fora interrompida.
—Isso é bom! –Aproxima para abraça-la, a mulher se afasta.
—Andei até a floresta, encontrei uma “carruagem”...e sua blusa. –Mostra para ele. Observa os olhos esverdeados se arregalarem minimamente e ele ficar sem reação. Só concluiu o óbvio.
—Nós estávamos na floresta e como esquentou demais tirei e acabei esquecendo. –Mentiu desejando que fosse convincente.
—Encontrei também uma garrafa de bebida junto. –Foi direta. Estava exausta e quebrada.
—Quando o encontrei ele já estava bebendo. –Outra mentira.
—Chega! Seu falso e mentiroso, acha que sou besta! –Falava alterada. -Sua roupa estava inebriada de perfume feminino e toda suja de batom, não sou burra sei muito bem o que você foi fazer naquele mato, só quero um motivo para ter me traído.
—Eu...eu não sei... –Dessa vez ele fora interrompido.
—Eu sabia, nunca te dei razão ou circunstância para me trair, ou você é daqueles que faz as coisas sem motivo?! Não responda, chega de murmuração...só suma da minha frente e leve seus trapos. –Jogou nele e se retirou conseguindo conter os soluços.
O homem estava desolado acabará de perder o amor da sua vida por uma bobeira que não controlou e agora só restava ficar se culpando, mas mesmo assim ele estava com um sentimento de igualdade, ela poderia não lembrar mas ele sabia claramente que também fora traído antes...e analisando só quitou o que foi lhe dado. Mesmo esses minutos de pensamentos vitoriosos não foram capazes de impedir a tristeza crescente dentro dele a medida que entendia que ela estava o deixando, que ela estava indo embora...que ela fora capaz de fazer isso.
Sentou no banco com as solitárias lágrimas escorrendo enquanto observava a silhueta feminina que tanto conhecia partindo em direção a cidade...ainda não acreditava, estava tão perfeito seu romance. Se xingava mentalmente por ter sido um idiota que aceitou a bebida daquele anjo...diabólico.
Um pouco distante dali a mulher os observava se divertindo com a situação e se lembrou de algo que sua mãe e “ele” lhe falaram “Ela pega as coisas que você ama e destrói.” Alargou um sorriso triunfante e saiu acelerando o carro à fritar os pneus pela estrada.

