I. POMPÉIA

Nas ruínas de lugar nenhum, entre paralelepípedos cobertos em heras e cascalho triturado sob botas de couro. Por lá vagueja ela, sob as nebulosas, com seus olhos cor de fogo e seu sorriso feito para o inferno. Pela forma que se segura, como mantém as mãos em luvas pelo bolso e rosto pra baixo, apenas traçando constelações entre todo o caos de mil anos atrás. Na penumbra da noite só se ouve o ruído de seu caminhar e o assobio da brisa gelada, nenhum murmúrio ou voz se levanta nos destroços daquela residência, ou até mesmo em todo o pequeno vilarejo.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction e em seu antecessor, o Nyah, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

É Outono, e em como todo o outro, é marcado pela consternação e a negatividade em espírito.

Afinal, não é nada do que se esperava, ela não consegue ver a estrutura daquela casa de campo. Não reconhece nada, além de todo o cheiro pútrido que se enfresta por ela. Qual segue em frente, é um cheiro de morte, da própria destruição de estrelas que ocorreu naquele cômodo. Ela se agacha às escadas, arranhando as unhas onde acha que aconteceu. Nenhum indício, nem cinzas, poeira ou carpete queimado.

Toda a coisa é tão comum que ela sente o estômago se revirar e a bile subir. Já é antigo o ponto da raiva, de sentir aquela frustração e os gritos sufocados na garganta. Só sente curiosidade quando se decide, ouvindo o degrau ranger sob si.

Não teria medo.

Ela tira as luvas ao deixar o fantasma de seu toque às paredes, tateando estampas encardidas e cobertas em poeira. Tem um vazio na decoração, como se o evento de mil anos fosse um estado constante, apenas segundos antes que tudo aconteceu. Franze o cenho, aquilo não estava certo.

Falta a sensação, como se o buraco negro em seu peito parasse de querer devorá-la. Ao entrar ali, ao violar profundamente quem quer sejam, deveria se sentir bem. Completa, tal um cientista com a maior descoberta da carreira; um último enigma antes de se tornar um acidente ao fogo. Para à moldura da porta, e se pergunta se é ali mesmo que deve estar.

Da entrada ela vê um berço mas ela só escuta gritos. Nada ali é marcado, ela não vislumbra a poeira cósmica, só ouve berros à todos pulmões e brinquedos de criança tal qual o som. Dessa vez ela sente, e é como uma cena com uma legenda atrasada. Aquilo não estava certo, o quarto daquele garoto deveria estar em escombros, o quarto daquele garoto não deveria ser macabro em seu estado conservado.

Os vultos da janela são a sua deixa, assim que ouve vozes interrompendo o silêncio de toda aquela experiência religiosa sabe que é agora ou nunca. Puxa o capuz para cima e veste as luvas, é só mais um segundo até escapar entre as cortinas esvoaçantes. Mais alguém receberia sua visita naquela noite.

Aquela menina supernova nasceu em meio ali, só restava saber como.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.