Londres, 1910, uma cidade nobre, numa época nobre, com pessoas de títulos nobres, em plena monarquia da Inglaterra se encontrava o mais rico dos ricos duques, o Duque Valentim, um falcatruoso homem arrogante, elegante, vaidoso e impiedoso, era solteiro, apesar de já estar com os seus 40 anos, nunca se casou e nunca pensou em se casar, filhos!? Se ele descobrisse que tinha um, mandava mata-lo.
A crueldade era o seu ponto forte, nos seus olhos se via nitidamente isso, sempre foi invejado pelos outros duques, não somente pelo dinheiro, mas também pela sua beleza que poderia facilmente ser confundida a de um jovem de 25 anos. O Duque sempre fez de tudo para aparecer e tendo uma oportunidade ele estava realizando um evento em sua própria mansão, que reunia os mais nobres da Inglaterra e obviamente com a presença da imprensa.
— Por aqui senhores — disse o Duque com o seu cruel olhar esbanjando ironia aos seus primeiros convidados.
Ao entrar pelo grande portão rodeados de seguranças, os convidados eram conduzidos pelo belo jardim de rosas de cor violeta ate a porta da casa, uma belíssima porta detalhada a mão.
Quantos todos já estavam presentes na sala o Duque saudou a todos:
— Bem vindos a minha humilde mansão — e aproveitando a cara das pessoas, espantadas pela grande casa extravagante disse — Podem admirar a vontade o meu belo chafariz — apontando assim na direção do chafariz que se encontrava no meio da sala, apesar de não ser nenhum pouco necessário apontar para o chafariz, pois era bastante visível para todos.
Começaram a servir os drinques e os petiscos, que vinha da cozinha que ficava a direta da sala, todos pareciam estar bem satisfeitos, alguns estavam sentados no grande sofá de couro que rodeava o chafariz, outras pessoas estavam de pé tentando diminuir a aguda curiosidade em saber ate onde levava duas grandes e elegantes escadas, cobertas com um tapete vermelho, encontradas atrás do grande sofá que rodeava o chafariz.
Com a chegada da imprensa, um famoso jornalista, George Campos, se dirigiu ao Duque:
— Boa noite Duque Valentim — Disse olhando mortalmente e profundamente nos olhos do Duque Valentim.
— Quem es tu ? — indagou o Duque com um tom arrogante, ele não falava com qualquer um que se dirigisse a palavra a ele.
— Desculpe-me senhor, eu não me apresentei, meu nome é George Campos, sou um famoso jornalista um escritor de renomeado, já ouvistes falar da minha pessoa? — Ainda com um olhar mais penetrante
— Talvez eu já tenha lido alguns de seus artigos... — O Duque ficou meio frustrado por não ter humilhado ninguém nesse dia, ele não era uma flor que se cheirasse, após uma pequena pausa ele o interrogou — O que desejas? — Um pouco mais sutil desta vez.
Então assim George teve a oportunidade de ir direto ao ponto:
— Os leitores se interessam muito quando assunto são os nobres da realiza, então senhor Duque como és o mais famoso, rico e misterioso já que nos deu oportunidade de conhecer melhor a sua casa eu e a minha equipe gostaríamos mais de conhecer a sua bela mansão, como por exemplo, o seu quarto, algum espaço de sua diversão... Seriam matérias curiosas e interessantes... — sem mesmo acabar de terminar a sua frase já foi interrompido pelo Duque:
— Jamais! Quem pensas que tu és para invadir a privacidade de minha casa? — Assim voltando ao tom arrogante de antes.
Outra jornalista da equipe de George, vendo que a conversa estava a tornar uma discussão, ela intervêm:
— Olá senhor Duque – Com uma voz seduzente que envolve o Duque.
O Duque se vira para ver de onde vem uma voz tão linda ao virar percebe que a voz não era nada comparada a beleza daquela mulher, ele fica abismado ate que ela pergunta, fingindo que havia visto a discussão, a George:
— Então o belo Duque deu a permissão para as nossas câmeras entrarem?
George estava a quase responder ate ser novamente interrompido pelo Duque:
— Como eu poderia negar? — sempre com um ar irônico.
Os jornalistas o seguiram pelas duas escadas que davam acesso aos corredores de cinco quartos, cinco quartos em cada lado, e no meio ficava o quarto do Duque Valentim, uma cama feita de platina com um colchão negro, onde ao lado havia uma escrivaninha de madeira em cima de um belo tapete e de costas a janela, do outro lado havia uma suíte onde todos os cômodos eram também de platina, os jornalistas eram muito curiosos tinha que aproveitar para tirarem bastantes fotos, ate porque uma oportunidade dessa era única, se não fosse por Angelina que aguçou os maliciosos pensamentos do Duque eles jamais teriam conseguido.
Um dos jornalistas se distancia do grupo e percorre um dos corredores, o chão era revestido por um longo tapete ate que ele sente um relevo maior do piso e tem a curiosidade de abaixar para analisar melhor o que havia ali, mas logo foi interrompido pelo Duque que aos gritos falou:
O que pensas que estais fazendo ai!? — Gritou descontroladamente com uma cara de assustado e continuou um pouco mais calmo após de respirar fundo — A sessão de fotos da minha casa acabou! Já podem sair todos daqui — Com uma cara de furioso.
Ele expulsou toda a imprensa da casa, sem dar e nem escutar nenhuma explicação. Já não havia ninguém mais na casa ao não ser ele e os empregados onde a maioria estava na cozinha. Um empregado da casa, chamado Batista, se aproximou do patrão, vendo-o um pouco agitado o perguntou:
— Algum problema senhor?
— Quase descobriram Batista.
— O que senhor?
— Um dos jornalistas atrevidos quase descobriu o porão! — falou num tom de raiva
O empregado fica assustado instantaneamente, a respiração dele fica ofegante ate escutar:
— Mas eu consegui impedi-lo — Disse o Duque.
Se podia notar agora o alivio de Batista.
O Duque Valentim guardava um segredo e esse segredo era guardado no porão que ficava abaixo do corredor direto que se tinha acesso pelas escadas da sala, o porão era muito escuro, sujo, cheirava mal e além disso estava empoeirado e cheio de bichos ariscos, parecia um porão normal se não fosse pelo fato de haver escravas trancadas nele, todas abusadas sexualmente pelo Duque. Uma entre elas estava grávida, morte certa, mas com a ajuda das outras, ela estava tentando encobrir a sua gravidez, já estava ficando difícil, pois as outras escravas estavam pouco a pouco morrendo por algumas enfermidades causadas por estarem num lugar tão hostil. Já próximo ao nascimento da criança a escrava estava muito fraca e sozinha, ela também contava com a sorte do Duque Valentim estar saindo com outras mulheres. Se vendo sem saída e se lembrando da cultura de sua terra, ela aproveitou a oportunidade para garantir que seu amado filho pudesse sobreviver. O ódio, o rancor, a raiva e o amor levaram-na pronunciar o nome "ABYZOU", pensava ela "o demônio que mata crianças, também pode as fazer viver" ao encontrar um caco de vidro, de uma garrafa de bebida qualquer, ela rasgou a pele que cobria seu braço direito deixando assim o seu sangue escorrer, logo após ela andou pelo porão na tentativa de fazer um pentágono com o seu sangue. Ao finaliza-lo, pronunciou várias palavras rapidamente em hebraico durante uma hora e meia onde ao final ela pronunciou "ברשותו" que significava "se aposse" ao acabar o ritual a porta do seu corpo e a do corpo de seu filho, que ainda estava na barriga, foram abertas para permitir a entrada de Abyzou o demônio que era responsável por matar crianças. Mal ela sabia que a possessão não seria somente com um demônio...

ברשותו

Notas finais
Comentem, se não ABYZOU irá perseguir vocês!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.