Entropia

Interlúdio - O Céu Sem Fim


Interlúdio

O Céu Sem Fim

Naquela madrugada que se tornava manhã lentamente, o silêncio foi o verdadeiro imperador. Não havia reis, rainhas ou faraós para ousar desafiá-lo.

O Deserto, outrora frio, agora se aquecia com a brisa manipuladora do Caos, que agradava às pobres areias com suas carícias acaloradas e que ludibriava o Deserto com suas palavras doces. Palavras doces e macias para um Deserto amargo e áspero. Porém, o Deserto acordou do encanto hipnotizador do Caos com seu Exército de Areia, uma amostra perfeita da rudeza daquele ambiente.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction e em seu antecessor, o Nyah, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

O Exército lutou com o que parecia ser uma dança ao som de uma ópera silenciosa. Seus golpes eram como passos de dança de tão meticulosos. Valsavam com o Caos, porque este também pareceu gostar tanto da dança quanto da trilha sonora.

Ao longe, outros fugiam do Caos, que crescia e se alastrava como uma epidemia. Àquela altura, o Caos já não era mais uma epidemia, e sim uma pandemia.

Porém, outros não fugiam. Preferiam ficar ali, à mercê do Caos, à mercê do Fim, apenas observando o Céu Sem Fim do universo além daquele em que viviam. E lá mesmo dormiam. Dormiam ao relento do Caos, mas dormiam de modo sereno porque haviam atingido a completude.

E outros preferiam desbravar os oceanos do Céu Sem Fim para procurar outros céus que não fossem os daquele mundo contaminado.

Nada ecoava. Nada observava. O Deserto tinha parado de ver, e o sarlik tinha parado de soar.

Apenas restava a ópera silenciosa embalando aquela dança caótica entre areias e Caos.

“O resto é silêncio.”

— William Shakespeare; Hamlet.