Sem ponto

Capítulo 23


— Você tem certeza disso? — perguntou a mãe, em um misto de preocupação e curiosidade.

— Tenho. Nunca estive tão certa do que quero. — Os olhos de Júlia brilhavam, exibindo entusiasmo. Aquela sensação não era sentida há tanto tempo que parecia nova. Era até mesmo peculiar pensar que fora Tiago quem proporcionara isto para ela.

Na tragédia, Júlia procurou pelo seu homizio, tentando fugir de tudo e todos, contudo, percebeu que era de si própria que procurava evadir. A dor que a garota continha ofuscava o lado bom, e vivo, que Tiago deixara. Era isso que Júlia abraçaria nessa nova jornada.

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— Cecília, isso é loucura! — exclamou, pondo uma das mãos sobre a cabeça.

— Eu sou a Júlia, mãe.

— Ai, meu Deus. Eu estou ficando velha. Trocando o nome das filhas — brincou, em uma tentativa de humorada de acalmar-se. — Mas também não é de se admirar que eu tenha trocado as bolas. Cecília sempre foi a aventureira da família. Você não. Ah, não. Você sempre foi a centrada, pé no chão. Esteve sempre aqui comigo.

A voz da mãe falhou, tentou disfarçar, mas não conteve as lágrimas.

— Não fique assim. — Júlia a abraçou e depositou um beijo em sua bochecha. — Eu vou voltar.