Passava das sete da manhã de um dia ensolarado. Árvores balançavam devido a um forte e barulhento vendaval de verão, o que não impedia alguns alunos de se espalharem sozinhos ou em pequenos grupos pela grama do campus. O prédio principal da universidade se erguia em meio à vegetação, exibindo suas grandes e imponentes janelas envidraçadas. O grande portão em arco, que convidava à entrada, era quase um monumento em particular.
Juliet deu o primeiro passo, ao mesmo tempo em que apertava o caderno em suas mãos para que não tremessem, em direção à escadaria que a separava do prédio. Ajeitou a franja acima dos olhos azuis e terminou o caminho até um pomposo salão principal, enfeitado com cortinas vermelhas e uma enorme vitrine de troféus. O lugar tinha cheiro de madeira, devido ao piso polido, misturado ao leve odor de coisas antigas. “Maravilhoso.” Pensou ao percorrer o corredor.
Precisou perguntar a localização do auditório a algum funcionário. Empurrou com dificuldade a pesada porta dupla e visualizou uma enorme quantidade de cadeiras vazias voltadas para a mesa principal. Havia chegado cedo demais, como sempre. Buscou uma cadeira mais atrás. Queria ter a melhor visão possível de seus colegas. Abriu o caderno e rabiscou um pedaço de um programa de computador que estivera escrevendo.
— Está errada essa parte. — escutou uma voz masculina atrás de si. Virou-se na cadeira assustada, para encarar o estranho. Era um jovem de cabelos escuros e olhos azuis. Percebeu que a pele sua era extremamente branca. Ele apontou para o caderno, ignorando a falta de jeito da moça. — Você precisa definir este valor antes.
— Ah sim. — Juliet se encolheu e tocou a franja, retirando-a dos olhos.
— Computação? — O estranho forçava uma conversa. Ele parecia sorrir verdadeiramente. — Sou seu veterano. Vim dar uma olhada no auditório antes da confusão. Que sorte ter te achado, não? Prazer, Luigi.
— Juliet.
— Certo. — Uma pausa se estendeu quando o jovem não conseguiu pensar em mais nenhum assunto interessante. De repente, ele começou a mexer na mochila a procura de algo. — Se quiser se juntar a um grupo de informática da pesada, passe na biblioteca hoje à tarde. Nós ajudamos calouros, jogamos e batemos uns papos cabeça todas as segundas e quintas. — Ele retirou um folheto preto escrito em verde e entregou à garota. “Cyberpunk Society” se lia em letras grandes, seguidas por uma pequena descrição das atividades do grupo.
— Claro. — Juliet deu um sorriso sem graça. — Vou dar uma passada lá quando puder.
— Se você quiser, — Luigi se aproximou da garota até a altura dos ouvidos. Ela compreendeu o gesto e chegou mais perto para escutar o segredo. — Posso te ensinar algumas técnicas de hackers. O sistema da faculdade nunca mais foi o mesmo depois da gente. — Ele se afastou, sem deixar de encarar a moça. — Não se esqueça, é ultrassecreto.
— Ultrassecreto. — Ela repetiu pensativa, provocando o riso do colega. Encararam-se por um tempo sem saber o que dizer — Ah. Tem um cabelo na sua roupa. — Juliet esticou o braço e pegou o fio, exibindo-o para o jovem a sua frente.
— Parece que é meu. Pode ficar com ele, se quiser. — Luigi riu da própria brincadeira. —Te vejo no grupo então, não é? Até mais, caloura.
Ela acenou um adeus e esperou o garoto sair da sala. Ainda estava segurando o fio de cabelo entre os dedos. Colocou-o na bolsa cuidadosamente, dentro de um saquinho com zíper. Voltou sua atenção para a sala. Já haviam chegado várias pessoas, que se espalhavam solitárias. Talvez todos tão apreensivos quanto Juliet. Olhou novamente para o caderno, odiando ter sido corrigida, e rabiscou tudo o que tinha escrito. “Ultrassecreto” repetiu para si própria, com um sorriso no rosto.
Era quase hora do almoço quando a palestra terminou. Juliet escorregou para fora do prédio, evitando contato físico com a maior parte dos calouros aglomerados no corredor. A conversa alta se estendia até o gramado, onde vários grupos se reuniam. Veteranos impunham placas de seus cursos ou grupos de interesse e tudo parecia uma grande festa.
Um grupo de meninas se destacava na multidão. Altas, bonitas e muito bem vestidas, elas anunciavam sua república feminina. Juliet parou para observá-las. Talvez fosse interessante se aproximar para conhecer mais gente. Um grupo popular a ajudaria a se enturmar no campus. Mal deu dois passos e sentiu uma pancada nas costas provocada por um esbarrão. Vacilou, perdendo o equilíbrio, e esperou a própria queda. Porém foi amparada por um braço, segurando sua cintura. Levantou os olhos e enxergou um veterano com a camisa do curso de direito.
— Cuidado aí caloura. — O estranho corpulento a soltou e saiu correndo de volta para onde seguia. Juliet o observou, pensando na beleza do homem que a tinha segurado. Cabelos castanho-escuros bem lisos e um par de olhos verdes. Ficou chateada por não ter conseguido nenhum pedacinho dele para a coleção.
Foi até a mesa, notando alguns olhares a mais sobre si. As garotas estavam conversando distraidamente, quando Juliet chamou-lhes a atenção. Uma delas, loira de cabelos enormes e uma pele impecável apresentou a república com um sorriso, mostrou-lhe fotos do prédio e chamou-lhe para se juntar à conversa. Juliet se aproximou das outras garotas, com um ar de nervosismo. O grupo tinha um cheiro peculiar de pêssego em calda.
— Caloura? — Perguntou uma das meninas. Pele negra e cabelo preso em tranças. Usava uma maquiagem escura nos olhos. — Qual seu curso?
— Engenharia da computação. — Juliet respondeu nervosa. Um murmurinho surgiu entre as meninas.
— Você não é uma daquelas esquisitas que só sabe ficar na frente do computador, é? — Perguntou a mesma garota que a tinha levado ao grupo.
— Não sei. Quer dizer... Não pretendo ser. Mas estava querendo dar uma olhada em um clube de informática. Talvez me ajude no curso... Se vocês não se importarem.
As garotas se entreolharam.
— A gente não se importa. — Respondeu uma jovem morena de olhos verdes. — Nós estamos aqui para sermos amigas e te apoiarmos. Não é, meninas? — Todas concordaram. — Mas é claro que você vai ter que passar pelo trote como todas as calouras.
— Ah sim. Adoro desafios. — Juliet provocou o riso de uma das garotas.
— Bem, pelo menos garra ela tem. Nós vamos explicar tudo em uma festa na próxima sexta-feira. Esteja na república as oito da noite nesse dia. — A morena disse com uma piscadela. — A proposito, Meu nome é Catherine.
— Sou Joana. — A loira seguiu.
— Maria. — A negra estendeu a mão e Juliet se apresentou para todas.
Seguiram dizendo nomes que não foram decorados. Conversaram normalmente por mais meia hora, enquanto outras calouras se juntavam aos poucos ao grupo. Todas pareciam tão bonitas e bem vestidas que Juliet se sentiu um pouco deslocada. Não podia fazer nada, porém. Sabia que entrar naquele grupo seria sua melhor oportunidade na faculdade.
A hora do almoço chegou e as meninas se dispersaram. Juliet se viu ansiosa para o fim de semana. Percorreu o gramado na direção do ponto de ônibus. Sentiu que alguém a estava observando e voltou sua direção a um aglomerado de poucas pessoas próximo a uma árvore. Reconheceu o garoto com quem tinha conversado na palestra mais cedo. Ele acenou e ela retribuiu o gesto, timidamente.
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A sexta-feira finalmente havia chegado. A primeira semana de aulas não tinha sido tão puxada assim, por isso Juliet não se importou com seus estudos naquele dia. Aguardou ansiosa a hora marcada com Catherine. Um pouco antes de sair, escolheu para vestir uma calça, uma jaqueta de couro e um par de tênis. Passou uma maquiagem leve, pensando em se enquadrar melhor.
Desligou o computador, tomou seu remédio e saiu do apartamento, onde morava sozinha. Caminhou por uma rua perigosa ao rumar para o ponto de ônibus, mas não precisou esperar tanto assim para que este chegasse. Avistou o prédio da república depois de andar um pouco por uma rua arborizada. Era uma construção visivelmente projetada por um arquiteto. Três andares que ocupavam uma área considerável. Elas tinham uma casa enorme só para si e ainda podiam brincar de dar trote em calouras. Juliet se sentiu bastante deslocada ao se aproximar do local.
Quando passou pela porta, a festa já estava acontecendo. Entrou sem fazer barulho e vagou sem graça procurando algum rosto conhecido. Ninguém. Foi até um sofá e se sentou. Estava realmente desconfortável naquele lugar. Se enturmar seria realmente complicado, mas ela sabia que precisava fazê-lo se quisesse se aproximar do máximo de pessoas possível. Correu os olhos pelo salão. Uma bela sala de estar com a maior parte dos itens cor-de-rosa. Uma parede inteira se destinava a medalhas. Resolveu ir até lá ver o que as meninas teriam ganhado.
— Uma bela parede, não?
— Muito bonita. Igual a tudo neste lugar. — Respondeu sem se virar para o veterano que tinha esbarrado nela no dia da reunião. Sabia que ele estaria ali, afinal. Era só questão de tempo até que fosse até ela. Tentou parecer o mais confortável possível ao conversar com alguém que acabara de conhecer. — Não sabia que seria uma festa tão grande, sabe?
— É sempre assim a festa das meninas... Está acostumada com coisas diferentes, não é?
Juliet encarou o garoto ao seu lado. Vestido com uma camisa social, tinha seus cabelos arrepiados com gel. Seus olhos claros a escanearam com divertimento. Ela tocou a franja insegura, sem saber o que responder. “Algo diferente é uma boa definição.” Pensou e teve que segurar o sorriso. Ele prosseguiu.
— Então, caloura rebelde de jaqueta de couro, como posso te chamar?
Encarou-o, tentando decifrar o que o rapaz estava pensando. Dava-lhe aflição não ter como descobrir. O par de olhos verdes esperava uma resposta. Subitamente, Juliet viu-se sob a decisão de se envolver ou não. Enrolou a própria sensação de perigo na corda imaginária de sua curiosidade e deu a resposta mais simples que poderia.
— Juliet Esme. Prazer.
— Alex Campos. — Ele estendeu a mão e a garota apertou-a com pouca segurança. — Está se sentindo bem aqui, Ju?
— Ah sim. Isso aqui é ótimo. — Mentiu. — Eu só estava procurando alguém para conversar, já que não conheço muita gente, aí acabei me encantando pela parede de prêmios.
— Bem, agora você já achou um conhecido. Quer tomar alguma coisa ou vamos continuar apreciando troféus?
— Acho os troféus interessantes. Que tal se passarmos a noite inteira reparando nos nomes antigos das garotas? —Alex não disse nada por um período de tempo maior do que o confortável. — Foi uma brincadeira... Tudo bem, eu quero tomar alguma coisa.
O rapaz pareceu forçar um sorriso. Foram juntos até uma grande mesa encostada na parede oposta a da entrada, enfeitada com uma escandalosa toalha florida. Vários petiscos se espalhavam por toda a sua extensão e entre eles algumas garrafas de bebida alcoólica com líquidos em diferentes níveis. Alex pegou qualquer uma sem se importar muito e serviu dois copos. Juliet fechou os olhos e levou o conteúdo a boca, fazendo careta quando desceu por sua garganta. Ficou contente ao vê-lo sorrir em resposta.
Sem aviso prévio, a luz apagou-se e toda a festa ficou em silêncio. Juliet olhou ao seu redor para ver muitos veteranos se cutucando, enquanto os calouros faziam cara de dor de barriga. Achou que nada de bom poderia vir do que aconteceria a seguir. A voz de Catherine se projetou através de um megafone.
— Calouras lindas da nossa maravilhosa universidade. Vocês estão almejando entrar na república mais bem perfumada do campus. — Alguns gritos e risadas eufóricos de veteranas foram ouvidos. Juliet deixou escapar um sorriso. — Mas é claro que nem tudo é tão fácil quanto parece. Nesta segunda-feira o verdadeiro trote começa. Vocês nem sabem o terror que as espera. — O olhar de desespero das calouras pareceu aumentar. — Mas por enquanto vamos apenas comemorar mais um ano maravilhoso, é claro. Divirtam-se bastante neste fim de semana. Vocês vão precisar.
O cômodo tornou a se iluminar e Juliet viu dona do megafone descendo de uma poltrona preta com ajuda de outras meninas visualmente desconhecidas. Ficou pensando no que poderia ser o “grande terror” que enfrentaria semana que vêm. Depois de uns segundos sem ninguém se mexer, sentiu uma mão no seu ombro. Virou-se e Alex lhe ofereceu outro copo. Sem pensar, bebeu tudo de uma vez e devolveu-lhe um sorriso.
Andaram um pouco pela festa e Juliet foi apresentada a várias pessoas. Havia benefícios em andar com o rapaz, afinal. Sempre que podia, pegava disfarçadamente algum fio de cabelo solto em alguém e o enfiava em sua bolsa. Ninguém parecia a estar notando.
Conversou com estranhos sem tentar prestar atenção nas horas. Estava se divertindo, surpreendentemente. Alex a acompanhava o tempo todo, parecendo achar bastante divertido o modo como reagia aos outros. Em uma hora em que ficaram sozinhos, ele a chamou para conversar em um canto onde a música não estava tão alta e Juliet o seguiu risonha.
— Está mais tranquila?
— Com certeza. Obrigada por ser meu amigo esta noite e tudo mais. — Disse em um tom que Alex já havia entendido como uma deixa para sorrir. Mas parecia menos forçado desta vez.
— Vai me contar o que é este lance de pegar cabelo dos outros? — Juliet se encolheu. Achava que tinha sido discreta o suficiente para que ninguém percebesse. — Desculpe se for algo esquisito e você não queira me dizer. É que eu estava prestando atenção em você essa noite.
— Em mim? — Ela levantou uma sobrancelha. — Por quê?
— É que te achei uma graça.
Juliet sentiu as bochechas queimarem. Não estava preparada para uma abordagem tão direta e se sentiu idiota por isso. Alex apenas sorriu ao vê-la corar e puxou a mão da menina, deixando-a próxima ao seu corpo. Assustada quando ele encostou o próprio nariz no dela, com um abraço que lhes juntou as cinturas, Juliet fechou os olhos com força. O garoto começou a forçar a língua entre os lábios finos que beijava, mas deu um pulo para trás, surpreso.
— Você me mordeu. — Ele levou a mão na boca, sentindo gosto de sangue. — Não acredito que você me mordeu.
— Não acredito que eu te mordi. — Juliet tinha os dois olhos arregalados. — Eu nunca fiz isso antes eu... Acho que fiquei nervosa.
— Espera. Você nunca beijou antes? — Alex parecia incrédulo e contente ao mesmo tempo.
— Bem, eu nunca mordi alguém antes. — ela coçou a nuca, com ar de confusão.
Ambos se olharam por um tempo sem saber o que dizer. Juliet estava apreensiva com a burrice que acabara de fazer. Estava sendo um bom beijo, afinal. E se ele a odiasse de agora em diante? Será que as meninas viriam a odiá-la por consequência? Sabia que Alex tinha uma boa influência sobre aquele grupo e tudo o que menos queria era ser odiada por alguém e arruinar a chance de encher seus saquinhos.
— Bom. — Ele suspirou antes de começar a falar. A garganta da garota se apertava. — Acho que vou sobreviver a uma mordida. Quer tentar de novo sem nervosismo desta vez?
Claro, claro, mais do que óbvio. Tão claro que Juliet quase deixou escapar uma risada. Nada além do doce esperado. Não haveria com o que se preocupar. Não agora. Encarou-o com uma expressão boba.
— Acho que a última parte será difícil.
Sorriram desconfortáveis. Alex puxou o corpo da garota mais uma vez para perto de si e ela não ofereceu resistência. Percebeu que era certo desde o princípio que o rapaz não iria dar para trás agora. Aproximaram os rostos e fecharam os olhos, sentindo a respiração do outro, cada vez mais próxima.
O celular de Juliet tocou. Ambos se encararam com decepção. A menina pegou o aparelho e olhou o número na tela. Alex esticou o pescoço para ver, sem se dar conta do ato. Mas antes que pudesse se envergonhar, apertou os lábios ao se deparar com uma quantidade bem esquisita de dígitos.
— Me da um segundo, sim? Preciso atender.
Sem ouvir a resposta, Juliet colocou o celular no ouvido, ainda abraçada ao garoto. Alex notou que a sua expressão passara a ser bastante séria. Algo bem diferente da menininha de alguns minutos atrás. Quis se afastar um pouco para dar privacidade à ligação, mas notou que estavam encurralados no final da sala. Ela não fazia questão de esconder o que dizia, de qualquer forma. Se se encostou à parede e esperou, sem soltá-la de seus braços.
— Sim, sou eu... Na república que te falei... Tem certeza?... Sim... Sim, entendi... Onde você está?... Certo. Meia hora. — Juliet levantou os olhos ao desligar o telefone e percebeu o jovem lhe encarando com as sobrancelhas levantadas.
— Precisa ir a algum lugar? — Alex ainda estranhava a expressão seria da garota. — Está tudo bem?
— Ah sim. Desculpa. — O rapaz piscou. Juliet havia mudado novamente para a menina insegura. Ou talvez alguma outra coisa que ele não conseguia decifrar.
Juliet avaliou o garoto a sua frente por um instante. Confiança não era exatamente algo que ele exalava, mas agora que tinha começado a lidar com Alex, não sabia se poderia mais parar. Olhou para os próprios sapatos e ajeitou a franja, Levantou a cabeça com o sorriso que conseguiu colocar no rosto, esperando que fosse convincente. — Quer sair daqui?
— Como assim? — Alex perguntou, retribuindo o mesmo tipo de sorriso.
— Me chamaram para outra festa. Uma velha amiga minha. É um pouco diferente da festa das meninas ricas, como você disse antes... Se quiser ir junto, é muito bem vindo.
— Diferente? — Ele observou a menina, imaginando que tipo de festas frequentava. Talvez uma reunião de poucos amigos, ou uma festa do pijama. Era tudo o que conseguia pensar. Ambas as opções lhe pareceram convincentes. — Acho que seria interessante.
Juliet fingiu bater palmas e estendeu a mão para que o garoto a segurasse. Algumas pessoas se viraram para reparar com certa estranheza o casal passar calmamente pelo salão, como se estivessem saindo há algum tempo. A atenção não deixava de incomodar a garota, contudo ela estava feliz. Alex era uma gracinha e parecia gostar de conversar. Começou a imaginar que talvez pudessem namorar de verdade.
Caminharam em silêncio pela rua, agora muito deserta, de mãos dadas. Pelo que Juliet pôde avaliar, Alex era um cara acostumado a ter o que queria com certa facilidade. Ele não poderia imaginar o que sairia diferente desta vez. Mesmo assim, a estava tratando com certo tom de respeito, talvez por desconforto ou receio. Juliet começou a avaliar um método de se aproximar. “Uma mudança ou outra de vez em quando faz bem, não é mesmo?” Sorriu sozinha, sem ser notada.
Viraram uma rua e chegaram ao local em que o carro de Alex estava estacionado. Ele abriu a porta para a garota em um gesto exagerado, como se estivesse tentando parecer cordial em um primeiro encontro ou coisa assim. Ela fez uma reverência de filme de época e se sentou no banco, ignorando a possível reação do outro. Pouco tempo depois, Alex sentou ao seu lado, sorridente e colocou as duas mãos no volante, olhando apenas para a rua.
— Então, para onde vamos? Festinha da sua amiga?
— Isso aí. — Ela usou um tom baixo para responder. — Só ir em frente e seguir minhas instruções.

