Monotonia

Por Deusa Nariko

II

Tê-lo de volta era como estar sonhando acordada. Sakura havia esperado anos por esse momento, por esse reencontro. E agora, ela o tinha ao seu lado outra vez.

Seu amor por Sasuke havia sido posto à prova tantas e tantas vezes: sobreviveu à escuridão arraigada dentro do coração e alma dele, às constantes rejeições dele, ao tempo e à distância que insistiu em apartá-los e, mesmo assim, seus sentimentos prevaleceram no fim.

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Ele foi bem recebido por todos os seus antigos amigos e companheiros, inclusive por Kakashi. Sakura não se importava em dividir a atenção dele com todos eles, esperara tanto por seu retorno, esperaria mais um pouco para que ficassem a sós — e isso ela anelava fervorosamente.

Para completar sua felicidade, só faltava Naruto que continuava fora do país em missão. E Sasuke quase não havia reagido quando ela o informou do paradeiro do amigo — para o seu estranhamento.

De qualquer modo, agora ela o ajudava a se instalar em uma moradia provisória, um dos apartamentos construídos recentemente na parte mais moderna de Konoha, emprestado por Kakashi.

Ele partira com poucos pertences, deixara quase nenhum para trás para a sua jornada e, no fim, voltara com menos ainda. Sakura suspirava ao se lembrar das roupas puídas que ele vestia, as calças com as barras desfiadas, as sandálias gastas e até mesmo o cabelo negro em desalinho. Tão diferente do Sasuke dos dias que estudaram juntos, na Academia.

— Seu cabelo cresceu bastante, Sasuke-kun — ela comentou com um sorriso, contendo a mão para não correr os dedos pelos fios rebeldes. — Não pensa em cortá-lo?

Sasuke terminava de enxugar a face e o pescoço com uma toalha, o frescor de um banho quente quase lhe conferira um aspecto mais apresentável, menos inculto — que destoava enormemente da aura altiva que o cercava. O cabelo negro que agora batia na linha do seu queixo molhava a gola da blusa.

Viu-o caminhar pelo quarto pequeno até parar de frente para um espelho em forma de elipse com moldura, pendurado na parede. Pareceu avaliar-se criticamente através do seu reflexo e Sakura se perguntou há quanto tempo ele não fazia algo tão trivial quanto se encarar em um espelho.

No fim, suspirou demoradamente e voltou-se para ela.

— Sakura, eu não pretendo ficar muito tempo.

Uchiha Sasuke era conhecido por sua sinceridade e, como em tantas outras vezes, ouvi-lo declarar uma sentença como aquela com tamanha franqueza era como ter a espada envenenada de Sasori enterrada nas suas entranhas novamente. A dor era quase física, o abatimento que a tomava, asfixiante.

Uma voz traiçoeira sibilou na sua mente, perguntando-lhe se algum dia ele aquietaria o seu espírito errante, a sua natureza desassossegada. Com lágrimas queimando seus olhos, ela se escondeu atrás de um sorriso.

— Ah, então o Sasuke-kun ainda pretende continuar viajando?

Ela detestava o fato de sua voz ter soado tão deprimida, tão fraca. Ela tinha que apoiá-lo, pois acima das próprias necessidades e anseios, estavam as necessidades e anseios dele. Sakura sempre priorizaria a felicidade de Sasuke, onde quer que ele achasse que a encontraria.

— Sim — respondeu-a sem titubear e Sakura inspirou profundamente. — Ainda há muito para ser visto, para ser descoberto.

— Eu entendo — falava-lhe mecanicamente, apertando cada vez mais o punho cerrado contra o coração partido.

Mas, então, ele se aproximou um passo dela. Depois, mais outro. A expressão no seu rosto o traía: revelava o seu conflito, a sua hesitação, talvez até a sua timidez quando estacou um pouco mais perto dela. A única mão que ainda possuía estendeu-se com a palma virada para cima.

— Mas, dessa vez, Sakura... — desviou o foco do olhar e ela podia jurar que, sob a luz da lua, Sasuke estava corando. — Dessa vez, venha comigo.

Ela não conteve o arquejo de surpresa, mas repreendeu-se pelo impulso de beliscar a própria pele existir. Não estava sonhando, entretanto.

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Sasuke estava pronto, afinal.