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Capitolo 113 min di lettura

Capítulo Único.

Personagens:

Narrador: Participa como voz neutra da peça. Narra o início de uma cena, quando necessário.

Meggie: 10 anos. Teve seus pais assassinados em sua frente, e o trauma a fez perder a memória. Menina, de cabelos loiros, e normalmente usa laço vermelho. Muito curiosa.

Detetive: Um jovem detetive que decidiu acompanhar o caso. Está preocupado, pois Meggie parece não ter nenhum parente próximo.

Agente Social: Senhor de trinta e poucos anos. Está a encargo do caso de Meggie e embora nunca tenha tido nenhuma prova física, não gosta de confiar as crianças que encontra ao orfanato local.

Mama: A velha senhora dona do orfanato. Obcecada por Deus e acredita que todos os pecadores devem ser castigados.

Isaac: 7 anos. Ingênuo e antissocial. Menino, de cabeça raspada. Tem paixão cega pela Mama, e crê que ela é a única que nunca irá lhe abandonar. Prefere desenhar do que conversar.

Judas: 13 anos. Orador de Eve, fala pelo irmão de criação. Emocionalmente instável. Menino, de cabelos castanhos e ralos.

Eve: 9 anos. Tem uma franja que lhe cobre metade do rosto e conversa com bichos mortos.

Cain: 11 anos. Menino, cabelos curtos e pretos. Usa tapa-olho no lado direito da face. Ardiloso, sabe de tudo que acontece no orfanato.

PRIMEIRO ATO

Sala de escritório empresarial. Mesa de madeira ao centro da sala com uma cadeira acolchoada e de rodinhas. Na esquerda, um pouco distante da mesa central, três cadeiras de espera.

CENA I

(Agente Social, Detetive e Meggie)

Detetive (Entra na sala acompanhando Meggie pela mão e a faz sentar em uma das cadeiras à esquerda): Pronto. Fique sentadinha aí, que o Tio já volta, tá?

Meggie (Balançando os pés e abraçando seu bichinho de pelúcia): Está bem.

Detetive (Se dirige até a mesa central): Falei com ela e… Ainda não se lembra de nada.

Agente Social (Está sentado na cadeira de rodas, por detrás da mesa de madeira): Nadinha? Um detalhe mínimo que seja pode nos ajudar a achar um parente dela...

Detetive: O choque foi muito grande… Lembra apenas seu nome, e memórias relâmpagos de seu passado. Mas nenhum tio, tia, ou ninguém que não seja ela própria, ou os pais.

Agente Social (Suspiro): Não queria fazer isto, mas é o que resta. Temo que teremos de deixá-la aos cuidados do Lar do Renascer, até conseguirmos entrar em contato com algum parente da menina.

Detetive (Lança olhar desconfiado): O orfanato? Tem algo de errado lá?

(Silêncio de alguns segundos)

Meggie (Cantarola, quebrando a tensão e atraindo a atenção para si).

Agente Social (Sorri): Não tem nada de errado, por lá, senhor. Pode deixar que me encarrego da menina a partir de agora.

Detetive (Ainda um pouco desconfiado): Está certo… De qualquer forma, fique com meu número. Qualquer coisa, basta me ligar.

Agente Social: Tudo bem. Obrigado.

Detetive (Sai de cena)

Agente Social (Se aproxima de Meggie, convidativo): Vamos?

Meggie (Lhe dá a mão e ambos saem de cena)

SEGUNDO ATO

Sala de estar com poltronas revestidas de couro velho e de pequenos rasgos. Tem uma mesa de centro de madeira envelhecida, e descuidada. Há um armário ao fundo, de madeira velha e desgastada, bem largo. Um relógio do mesmo material está logo ao lado, em pé.

CENA II

(Mama, Meggie e Agente Social)

Mama (Está com um vestido longo e preto, e um terço pendurado ao pescoço): Seja bem vinda, minha pequena. O lar é seu…

Meggie (Se esconde atrás do Agente Social. Está usando um vestido de babados e um laço vermelho à cabeça.)

Mama (Sorri): Não se acanhe, querida. Venha, pode se sentar em uma das poltronas… (Indica o lugar para a menina sentar).

Meggie (Corre em direção ao assento e começa a brincar com o bichinho de pelúcia).

Agente Social: Então, senhora…

Mama (O interrompe antes que mencione seu nome): Mama. Pode me chamar de Mama.

Agente Social (Pigarreia): Bem, então, senhora Mama. A deixo sob seus cuidados. (Certifica-se de que a menina está bem distraída e então abaixa o tom de voz). Como sabe, a criança sofreu perda de memória pelo recente acontecimento com os pais…

Mama: Oh sim, como poderia esquecer… Pobre menina. Não se preocupe (Olha para cima). Deus está sob nós, e sabe o que faz (Dá um beijo no terço). Talvez a perda de memória tenha lhe sido um sinal.

Agente Social (Olha apreensivo, mas opta por não questionar): De qualquer modo, conhece o protocolo. Em até uma semana, lhe dou notícias.

Mama: Claro, senhor Agente. Até breve.

Agente Social (Se despede, e sai de cena).

CENA III

(Meggie e Isaac)

Isaac está sentado no chão, desenhando em um papel. Meggie o está observando de não muito longe.

Narrador: De tarde, naquele mesmo dia, Meggie encontrou um menino na sala de estar e decidiu conhecê-lo melhor.

Meggie (Espia Isaac desenhar): Oi.

Isaac (Está apenas de bermuda. Nada responde, apenas continua a desenhar)

Meggie (Se senta no chão, próxima à Isaac): Meu nome é Meggie. E o seu?

Isaac (Olha para Meggie pela primeira vez): Isaac.

Meggie (Se inclina): O que está fazendo?

Isaac (Esconde o desenho): ...Nada… (Abaixa o tom de voz) Que seja da sua conta.

Meggie (Faz uma careta, se levantando): Que rude! Sua mãe não lhe ensinou boas maneiras?!

Isaac (Olha para cima, sem mudar a expressão): Minha mãe me ensinou muitas coisas. Sou um bom menino.

Meggie: E quem é sua mãe?!

Isaac (Volta a desenhar): ...Mama.

Meggie: Mama, Mama, Mama… Aquela velha?! Não gostei nada dela.

Isaac: Mama é uma boa mãe. A dor é boa. A Mama diz que a dor extraí os pecados.

Meggie (Anda em volta de Isaac, e observa atenta suas costas): Nossa, o que foi tudo isso? (Passa a mão pelas costas de Isaac.)

Isaac (Espanta Meggie): Não me toque!

Meggie: Porque está todo marcado assim?! O que são essas cicatrizes?!

Isaac (Desenha freneticamente): Issac é um bom garoto. A dor é boa. Mama é uma boa mãe…

Meggie: O que está dizendo??

Isaac (Continua sussurrando as mesmas palavras)

Meggie (Fica assustada): Pare! Pare de falar essas coisas!

Isaac: A mama não vai me deixar. A mama é uma boa mãe. A mama é boa.

Meggie: Você é louco! (Sai de cena, apressada, com as mãos no ouvido).

Isaac: (Continua a desenhar e sussurrar palavras).

CENA IV

(Meggie, Judas, Eve e Mama)

Eve está sentado, tocando em algo no chão. Judas está no sofá, lendo um livro. Meggie está admirando seu bichinho de pelúcia. Há uma porta de madeira velha.

Narrador: Três dias se passaram normalmente, tanto que Meggie já havia obliterado o caso de Isaac. Até dar de encontro com mais outros dois meninos do orfanato.

Meggie (Para de mexer na pelúcia e olha impaciente pros meninos): Por que não estão falando nada?!

Eve (Sussurra palavras incompreensíveis)

Meggie: Desculpe, não entendi direito.

Judas (Olha por cima do livro): … Ele perguntou quem é você.

Meggie: Já disse… Me chamo Meggie.

Eve (Balança a cabeça negativamente)

Judas: Não.

Meggie: Como assim não? Este é o meu nome! (Bate o pé e cruza os braços) Não vai me dizer o de vocês?!

Judas (Pausa e sorri para Meggie): Judas. E este aqui é… (Repentinamente grosso) Ei, você, levanta!

Eve (Sussurra algo para si mesmo)

Judas: (O pega pelo braço) Estou falando com você! Pirralho!

Eve (Se levanta de costas, com algo na palma da mão, mas não fala nada)

Judas (Muda repentinamente a expressão e parece estranhamente mais calmo): Desculpe. Meu amigo não é de falar muito. Este é Eve.

Meggie (Assustada, observa alerta)

Judas (Ignora a reação de Meggie): Anda, mostra pra ela o seu amiguinho!

Eve (Se vira lentamente com algo que parece ser um pássaro morto na mão)

Meggie (Grita, colocando as mãos na boca): … O que é isso?! Um-um… Um bicho! Morto!!

Judas (Começa a rir baixo)

Eve (Se vira novamente)

Judas: Está com vergonha de quê, Eve?! Todos sabem que você só fala com esses bichos, e com mais ninguém. Saia de perto de mim, você me dá nojo! (Ameaça)

Eve (Começa a choramingar)

Meggie (Interrompe Judas): Pare com isso! O que ele lhe fez?!

Judas (Encara Meggie): E o que você tem a ver com isso?! (Levanta o tom de voz) Não se intrometa com o que não é da sua conta!

Meggie (Responde, trêmula): De-deixe-o em p-paz!!

Mama (Entra de repente, pela porta): O que está acontecendo aqui??

(Todos olham para Mama e param de discutir)

Mama: E então?

Judas: Eve está fazendo aquilo de novo…

Mama (Olha diretamente para Eve): O que é isso em sua mão, Eve?

Eve (Esconde o bicho atrás das costas).

Mama (Se aproxima): Vamos, deixe-me ver…

Eve (Recua)

Mama: (Repreende) Eve!

Eve (Estica as mãos e mostra o pássaro morto)

Mama (Cobre o rosto com as mãos): Eve! Já disse para não brincar com estas coisas! Você estava tentando assustar essa menina? Que coisa feia, Eve! (Se vira para Meggie) Desculpe ele por isso, minha menina. Eu ouvi gritos. Ele gritou com você?

Meggie: Não… (E apontou para Judas). Mas ele, sim…

Judas (Se escondeu por detrás do livro).

Mama: Isso é verdade, Judas?

Judas: … Não.

Mama: Está dizendo que Meggie é mentirosa??

Judas: Eu não gritei… Só falei com ela.

Meggie (Sussurra): Mentiroso…

Mama: Parece que vou ter que lhes dar um castigo…

Judas: Não! Eu não

Mama (Interrompe Judas): Para ambos. E que fique claro que isso não se repita. (Sai de cena)

Judas: Viu o que fez?! A culpa é sua!! (Aponta para Meggie)

Meggie: Eu? Foi você quem gritou comigo!!

Judas: Shh! Quer que ela volte aqui?? E você, pare de chorar!!

Eve (Choraminga em um canto, quase em um sussurro): Castigo, não… Castigo, não.

Judas: Castigo, sim. Isso por que vive brincando com essas coisas, aí.

Meggie (Mostra arrependimento): Desculpe por colocá-los em encrenca… Não queria que ficassem de castigo.

Judas: Cala a boca.

Meggie (Novamente, irrita-se): O que é tem?! É só um castigo, nada mais!

Judas (Ponha-se a rir novamente): Olha isso aqui! (E puxa Eve para o seu lado, levantando sua cabeça) Tá vendo o pescoço dele?! Tá vendo?! (Mostra então a marca de uma cicatriz)

Meggie (Se assustando): … O que é que tem…?

Judas: Esse foi só um “castigo” daquela…

Eve (Começa a chorar)

Judas: Ele falou demais… Falou demais! E agora? Mal pode falar se não for sussurrando!

Meggie: Como assim?? Do que está falando??

Judas: É isso que se ganha! E agora eu vou ganhar um castigo, por sua causa! Já não basta o que já ganhei…

Meggie: Mas o que… (Reconsiderou). Não, isso é loucura. Você está louco!

Judas: Louco é aquela velha! Você não vê? ...

Meggie: Mentira! Você está tão louco como aquele menino! Pare de dizer absurdos…!

Judas: Absurdo é aquela velha! Absurdo é esse lugar! Absurdo é…!

Mama (Aparece fechando a porta): Achei que tinha dito para pararem de gritar.

(Judas e Meggie se calam de repente. Eve segura o choro)

Mama: Maus, vocês são meninos maus… E aqueles que pecam, tem de ser castigados…

CENA V

(Cain e Meggie)

A sala tem o mesmo estilo de poltronas (revestidas de couro velho e de pequenos rasgos). O armário ao fundo, de madeira velha e desgastada, está repleto de livros antigos e empoeirados. Há uma janela perto do armário. No chão, um tapete floral amarrotado e mal cuidado. Cain está sentado no chão, lendo um livro. Meggie está de pé, de frente para a janela.

Narrador: Era o sexto dia de Meggie no orfanato. Ela já não falava tanto como no primeiro dia, mas isso não a impediria de tentar uma nova amizade.

Meggie: Você é o Cain, não é?

Cain: Sim. (Pequena pausa) E você é Meggie, não é?

Meggie (Desvia o olhar para Cain): Como sabe?

Cain: As paredes tem ouvidos…

Meggie: Não entendi.

Cain (Ri consigo mesmo): Tem muita coisa que é melhor não entender.

Meggie: Por que não me explica?

Cain (Apenas continua a ler)

Meggie (Insiste): Hein??

Cain (Ignora)

Meggie (Suspira, saindo da janela): Qual foi o seu castigo?

Cain (Desvia o olhar para Meggie): Qual foi o seu?

Meggie: Eu perguntei primeiro.

Cain: Eu posso lhe explicar coisas que não entende.

Meggie: Não tive.

Cain: Eu sei.

Meggie: E o seu?

Cain (Ri e volta a ler)

Meggie (Irritada): Por que não me responde?

Cain: (Fecha o livro) Por que teria que lhe responder?

Meggie: Por que sim!

Cain: Não é motivo.

Meggie (Cruza os braços): Eu te respondi um monte! Também quero respostas!!

Cain (Se levanta, encarando Meggie): Tem certeza?

Meggie (Respira fundo, decidida): Tenho!! Me diz seu castigo! Porque todas as crianças aqui são assim?? Eu não entendo nada!

Cain: Sabe por que está aqui?

Meggie: Sei! (Pausa) Não...

Cain (Ri de Meggie)

Meggie: (Impaciente) O que é?!

Cain: Está aqui, por que foi abandonada!

Meggie: Como assim? Claro que não!

Cain: E por que está aqui?!

Meggie: Porque… Porque sim!!

Cain: Não!

Meggie: Sim!

Cain: Você foi abandonada! Como todos nós!!

Meggie: Não fui!! Por que está dizendo isso??

Cain: Então aonde estão seus pais??

Meggie: Isso… Eles… Não!

Cain: Eu sei onde eles estão…

Meggie: Como sabe??

Cain: Eu sei, por quê… (Levanta o tom de voz) Você é igual a nós!

Meggie: Eu não… Eu não sou assim… Não sou como vocês!

Cain: Você chegou aqui ganhando conforto! E quanto a nós?? Por que só você merece tratamento especial??

Meggie: Pare! Eu não tenho nada disso!

Cain: Os seus pais foram pra longe…! E te deixaram aqui!

Meggie: Não, eles, não…! (Coloca as mãos sobre os ouvidos) Eles estão bem! Pare!!

Cain: Eles te abandonaram!

Meggie (Observa Cain, amedrontada): Não! Mentira! Eles não são assim!

Cain: Estão em um lugar bem longe, e não vão voltar!

Meggie (Chorosa): Não! Eles estão bem!!

Cain: Você está sozinha!

Meggie: Não! Não! É mentira… Eles vão voltar!

Cain (Se aproxima de Meggie): Você é como nós…

Meggie: Não! Vocês são loucos… Eu quero ir embora!! Eu quero ir embora daqui!!

Cain (Gritando): Chore o quanto quiser! Grite o quanto quiser! Mas uma vez aqui, não tem mais volta!

Meggie (Tenta empurrar Cain): Não!! Me deixe!!

Cain (Segura o braço de Meggie, e puxa o próprio Tapa-olho): É isso o que acontece quando se arrepende! Não é um castigo! É um perdão!

Meggie (Grita): Não! Me deixe!! Pare!!

Cain (Seu olho está com uma cicatriz, com marcas de hematomas): Sabe por quê, Meggie?

Meggie (Trêmula): Não…! Eu quero ir embora! Por favor…! Eu quero…

Cain (Interrompe): Por que a dor é boa… A dor é boa. E eu sou um bom garoto.

(Cain repete a frase no ouvido de Meggie até ela se ajoelhar no chão e chorar impiedosamente).

TERCEIRO ATO

De volta ao escritório empresarial. A mesa de madeira está no centro da sala. A cadeira acolchoada de rodinhas está ocupada pelo Agente Social. Em uma cadeira próxima a ele, está o detetive.

CENA VI

(Agente Social, Detetive)

Detetive: Quer dizer que está é a segunda vez que isso acontece?

Agente Social: Não lhe contei nada, porque… Não achei que poderia acontecer de novo.

Detetive: E não acho que seja coincidência… Duas das crianças mandadas para aquele lugar voltam à agência com problemas psicológicos…

Agente Social (Suspira): E era uma garota tão boa. Ao menos agora acho que tenho com quem contar, não é, Detetive?

Detetive: Aquele lugar sempre me perturbou de alguma forma… E essa parece ser uma boa desculpa para investigar aquele lugar.

(Agente social e Detetive trocam olhares)

Agente Social: Está pensando o mesmo que eu?

Detetive: Conte comigo nessa.

FIM

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