6 Months
6 Presente especial
Notas iniciais
Quero agradecer à Twary pelos Rewies :3333
Boa leitura, minna
Erza’s POV
Eu estava petrificada no mesmo lugar, como se meus pés houvessem se fundido com o piso do aeroporto. Não conseguia acreditar no que meus próprios olhos viam. Lá estava ele, lindo como sempre foi, aquele sorriso caloroso e de tirar o fôlego brincando em seus lábios avermelhados, os cabelos azuis bagunçados, complementando seu charme. Os olhos negros faiscando em minha direção, as sobrancelhas arqueadas desafiadoramente. Meu coração batia em um ritmo, de longe, desesperado. Minha respiração estava entrecortada e, se eu abrisse a boca, provavelmente, gaguejaria. Esse era o efeito de Jellal sobre mim.
Senti seus braços fortes envolvendo minha cintura em um abraço apertado. Deixei minhas mãos trêmulas descansarem em sua nuca enquanto ele afundava o rosto na curva de meu pescoço. Quando respirou fundo, senti todos os meus poros se eriçarem em deleite.
- Erza-san... Como senti falta do seu cheiro de morango. – Riu em meu ouvido, afastando-se um pouco para me encarar, sem soltar minha cintura. Eu podia sentir os arrepios descontrolados que esse simples ato causava.
- Jellal... – Foi a única coisa que consegui proferir. Ele sorriu ainda mais abertamente, percebendo meu nervosismo descarado. Jellal me conhecia bem o suficiente para saber identificar cada uma das minhas reações. Por mais que fizesse seis anos que não nos víamos. O clima estava tenso entre nós dois, eu precisava fugir daquelas sensações que sempre me assolavam quando ele voltava.
- Jellal, eu espero que tenha trazido meu Black Ops II, ou você será um homem morto. – Salva pelo gongo! Lucy, preciso lembrar de erguer uma estátua em sua homenagem.
- Você trouxe o Xbox?! – Retrucou Jellal, finalmente me soltando e indo bagunçar os cabelos loiros de Lucy, que o fitou, enfezada.
- Você realmente acha que eu passaria 6 meses longe do meu xodó?!
- Então sim, eu trouxe seu Black Ops II.
- Pode parando aí! – Berrou Natsu, chegando perto de Lucy, sendo acompanhado por Laxus, Gray e Gajeel, que a fitavam, boquiabertos. – Você, uma garota com cara e jeito de patricinha, tem um Xbox e ainda por cima joga Black Ops?!
- Quem você pensa que está chamando de patricinha, algodão-doce?! – Respondeu Lucy, enfurecida, partindo pra cima de Natsu, sendo segurada por Laxus, que ria da situação. Ele sussurrou algo no ouvido dela, que se virou, corada e com raiva, dando um tapa ardido no braço do loiro.
- Não nos leve a mal, loirinha, mas você não tem cara de quem joga Call of Duty. – Respondeu Gray, fazendo uma careta constrangida. Lucy bufou, batendo os pés no chão.
- Primeiro: loirinha é a vó. Meu nome é Lucy! L-U-C-Y! Segundo: sim, eu jogo Black Ops, e melhor que muito marmanjo por aí. – Comentou, convencida.
- Nisso eu preciso concordar. – Manifestou-se Rogue, dando de ombros. Sting o fitou, confuso, e o moreno explicou. – Quando você foi se agarrar com a Levy, – O loiro e a azulada coraram furiosamente, arrancando alguns risos nossos. – eu e Lucy jogamos no modo Zumbi e chegamos ao nível 28.
Todos arregalaram os olhos, fitando minha amiga com admiração, que apenas empinou o nariz.
- Humpf!
- Blondie, ó deusa, nos ensine sua mágica. – Brincou Sting, fazendo-a revirar os olhos.
- Levy zerou Assassin’s Creed em dois dias. – Comentou Lucy, a atenção voltando-se para a baixinha, que corou, abaixando a cabeça, envergonhada.
- Onde vocês estiveram esse tempo todo?! – Perguntou Gray, fitando as duas com admiração. Elas apenas riram, dando de ombros e, ignorando os meninos, começaram a conversar com Juvia.
Meus amigos eram realmente muito estranhos.
- Erza, eu posso conversar com você, em particular?! – Natsu perguntou, aproximando-se de mim. Assenti e nós nos afastamos de todos. Ficamos um de frente para o outro e ele então começou. – Bem, eu estava esperando que você fizesse isso, mas não quero adiar tanto. Acho que deveríamos terminar. Afinal, tanto eu, quanto você, sabemos que nossa relação não passa de amizade e amor de irmãos. Não sei o que houve conosco para começarmos a namorar do nada.
Ri com gosto, concordando com ele.
- Sou obrigada a concordar com você, Natsu. Então, amigos novamente?! – Respondi, estendendo uma mão para ele. Natsu riu, puxando-me para um abraço apertado.
- Os melhores. – Completou e voltamos então para perto de nossos amigos.
Lucy’s POV
Erza voltou do canto onde estava com o algodão doce, sorrindo para nós.
- E então?! Resolveram?! – Perguntou Juvia, diretamente, deixando-nos confusas.
- Sim, mas ele quem preferiu terminar. Bom, é melhor assim, de qualquer forma.
- Peraí, para tudo que eu quero descer! – Exclamei, fazendo-as me fitarem, rindo de meu escândalo. – A Barbie do Paraguai terminou como você?!
- Sim. – A ruiva respondeu, simplesmente.
- Por quê?! – Eu estava escandalizada.
- Somos melhores amigos, Lucy. Quase irmãos. Não sei o que diabos deu em nossas cabeças para começarmos a namorar. Me sinto mais aliviada agora.
- E, bom, você está livre agora para poder ficar com o Jellal e com o Rogue. – Comentou Levy, piscando marota para Erza, que corou furiosamente.
- Jel-Jellal?! Ro-Ro-Rogue?! D-do q-q-que vo-voc-você es-está fa-fa-falando, Le-Levy?! – Gaguejou a ruiva, nos fazendo gargalhar.
- Acha que não reparamos que você corou por causa do Rogue-kun?! Mas eu entendo, ele é realmente lindo. – Falei, sentindo alguém enlaçar meu pescoço.
- Mas eu sou mais. – Sting disse, sorrindo convencido. Revirei os olhos. – Então quer dizer que Erza Scarlet está interessada no Cheney cheguei?! – Bati na testa dele por causa da piada idiota. – Ah, admita, foi engraçado.
- Sting, nenhuma de suas piadas é engraçada. – Levy declarou, recebendo um olhar indignado de meu primo.
Ele me soltou e puxou-a pela cintura, sussurrando algo no ouvido dela, que a fez corar, e então beijou-a com fervor e vontade. Reviramos os olhos, ignorando os casal hormônios. Percebi então o olhar inexpressivo do tal Gajeel sobre os dois. Estranho, muito estranho. Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz saída dos autofalantes.
- Atenção passageiros do Voo 347 com destino à França. Favor dirijam-se ao portão de embarque. O voo sairá em 5 minutos. Obrigada.
Todos sorriram abertamente, e fomos então em direção ao portão de embarque, animados, ansiosos, um misto de emoções em nossos corações. Eu, mais do que todos, estava ansiando por abrir a caixa e poder ver o conteúdo dentro dela. Apertei-a contra meu peito e então passamos pelo detector de metais, nossas malas sendo levadas para o avião. Entramos, cada um ocupando seu respectivo assento. Para meu azar, ao invés de uma de minhas amigas, o tal de Laxus ficou ao meu lado. Peguei meu iPod dentro da bolsa, ligando em alguma música aleatória, criando coragem para abrir a caixinha.
Lentamente, desamarrei o laço vermelho que a selava, abrindo-a com cuidado. Never Grow Up, da Taylor Swift, tocava em meus fones enquanto eu observava uma foto que havia dentro. Nela encontrava-se meu pai e minha mãe, de mãos dadas e sorrisos felizes, enquanto eu estava parada, sorridente, no meio. Ao fundo, o jardim de nossa mansão, a paisagem de lírios, a flor favorita de mamãe, tomava conta de todo o espaço. Sorri boba, tentando, ao máximo, controlar as lágrimas que viriam a cair. Mais foi impossível quando peguei o item seguinte. O papel amarelado e gasto indicava ser algo realmente antigo e, quando o abri, senti meu rosto ser inundado por um choro silencioso. Era uma carta. De minha mãe.
“Cara Lucy,
Começarei com o típico: se você está lendo isso, provavelmente estou morta. O que não deixa de ser verdade. A doença vem me consumindo cada vez mais, chegando ao ponto em que mal posso me movimentar sem ser tomada por tonteiras e fortes dores. Mas não falemos de tristeza, minha querida e doce Lucy, falemos de alegria e das belas coisas da vida. Provavelmente você já deve estar com seus 19 anos, minha não tão pequena filha, prestes a ingressar em uma faculdade para se tornar uma exímia profissional, como é de praxe. E, bom, minha queria, eu posso não estar ao seu lado, mas tenha toda a certeza do mundo que estarei acompanhando você no lado esquerdo de seu peito, dentro de seu coração tão lindo e cativante. Esse coração o qual eu tenho orgulho de dizer ser o coração de minha amada filha.
Lucy, meu anjinho loiro, não deixe o mundo abalar suas estruturas emocionais. Muitos farão você cair, muitos irão fazer você perecer em dor, angústia, medo, solidão, mas será em momentos como estes que você erguerá a cabeça e dirá para todos: eu sou forte! Será em momentos como estes que você manterá seus pés no chão, firme e forte, como um arranha-céu inabalável e inigualável. Haverá dias nos quais você se sentirá sozinha, triste e magoada por palavras duras e ações impensadas. Mas será em dias como estes que aqueles que te amam aquecerão seu coração, farão você abrir o mais largo sorriso e provarão que você nunca estará sozinha.
Muitos garotos partirão seu coração, mas eles não serão nada quando o amor verdadeiro aparecer em sua vida. Até lá, muitos sapos cruzarão seu caminho. E não tenha ilusão de pensar que o príncipe aparecerá no cavalo branco, com um buquê de flores, declamando amor eterno por você. Não, não é bem assim. Seu príncipe aparecerá de uma forma inusitada e talvez, de princípio, você nem o note. Talvez você nem perceba que ele é o dono de seu doce coração. Mas, quando chegar a hora certa, ele será aquele que te puxará da escuridão e estará ao seu lado quando as coisas ficarem ruins. Pois esse é o verdadeiro sentido do amor. Dizer “eu te amo” não significa amar verdadeiramente. Palavras, Lucy, são vazias, mas o amor é completo.
Minha querida Lucy, a vida não é fácil. Você apanhará demais, e, muitas vezes, apanhará calada, mas jamais deixe que isso mude quem você é. Jamais deixe que isso apague a luz que emana de você. Não permita que isso mude sua essência, ou esfrie o calor de seu coração. Permaneça forte, permaneça você, e, apenas com isso, você moverá montanhas. Eu acredito em você, Lucy; acredito no poder de seus sentimentos. E estarei sempre torcendo por você, onde quer que eu esteja.
“Nosso amor é como o vento. Você não pode vê-lo, mas pode senti-lo.” Não se esqueça disso, meu pequeno bolinho de arroz. Não importa onde estejamos, o amor de mãe e filha supera barreiras de vida e morte. Eu estarei sempre com você. No seu coração. Em qualquer lugar.
Eu amo você, Lucy Heartfilia, me orgulho de você e sei que você será feliz. Acredite sempre nos poderes do amor e da amizade. Eles movem o mundo e são nossas forças para prosseguir.
Como todo o amor do mundo,
“Ao infinito e além”
Mamãe.”
Àquela altura, meu rosto estava banhado em lágrimas, mas, felizmente, ninguém havia notado. Meu peito se apertou de saudade da grande mulher que era minha mãe. Era tudo tão difícil sem ela. Mordi o lábio inferior para conter um soluço preso em minha garganta, pegando o envelope seguinte. E, para meu total espanto, era mais uma carta. Entretanto, de meu pai. Respirei fundo antes de lê-la. Ironicamente, a música favorita dele, I’ll Stand By You, começou a ecoar em meus ouvidos. Limpei as lágrimas e prossegui.
"Minha querida e bela Lucy,
Você, a uma altura dessas, já está dentro do avião, partindo para aproveitar suas férias antes de começar sua tão esperada faculdade. E que orgulho eu tenho de você, minha filha. Aprovada logo em Oxford, pronta para se tornar uma grande médica. E depois lançar seu livro e progredir ainda mais. Você, Lucy Heartfilia, é meu maior orgulho.
No entanto, após a morte de sua mãe, eu passei a agir como um completo lunático obcecado por trabalho, apenas por não ser capaz, como você, de superar a partida dela. Eu fui tão fraco, minha pequena Lucy, me deixei cegar e não percebi que você precisava de mim mais do que nunca. E se arrependimento matasse, você já imagina onde eu estaria.
Lucy, me perdoe. Por tudo. Por todas as vezes que a fiz chorar quando, na função de pai, eu deveria estar enxugando suas lágrimas e fazendo de tudo para por um sorriso novamente em seu lindo rosto. Mas eu fui tolo, ignorante, estúpido, o pior pai de todos. Nossa relação nunca foi das melhores, mas tenha certeza de que estou fazendo de tudo para mudar isso.
Meu pequeno bolinho de arroz, você é minha fonte de forças quando me encontro na escuridão. É a pessoa mais importante em minha vida, assim como sua mãe, onde quer que ela esteja. Vocês sempre serão minhas maiores preciosidades, os maiores amores da minha vida. Não deixe que meus atos impensados e imaturos do passado façam você pensar que não te amo, pois seria uma grande e deslavada mentira.
Provavelmente, tudo que eu gostaria de falar já foi falado por sua mãe na carta dela. Mas não deixo de reforçar: a vida é cruel, mas é naqueles que amamos que encontramos as forças para nos mantermos erguidos. Nunca permita que seus laços de amizade e de família se rompam, pois, mesmo quando o mundo tiver virado as costas para você, nós estaremos lá para segurar sua mão. Iríamos até o inferno e além para salvar você. Não se esqueça das pessoas que segurariam o mundo por você.
Eu espero que me perdoe por todos os meus erros, minha querida filha e que possamos resgatar uma relação que o tempo não apagou. Eu amo você, Lucy, mais do que qualquer coisa nessa vida. Você é o Sol de todas as minhas manhãs, eu não poderia viver sem você, meu pequeno bolinho de arroz. Sentirei saudades nesse tempo em que você estará fora, mas tenha certeza de que te visitarei no seu aniversário.
“Quando a noite cai sobre você, você não sabe o que fazer. Nada do que você confesse pode me fazer te amar menos. (...) Quando você está numa encruzilhada, não sabe qual caminho escolher, deixe-me ir junto. Porque mesmo se você estiver errada, eu estarei com você, eu estarei com você. Não deixarei ninguém te machucar. Eu estarei com você”*
Com todo o amor do mundo, minha pequena e querida filha Lucy,
Papai.
*I’ll Stand By You, do The Pretenders. Nós a cantávamos para você quando era uma criança, sempre a acalmou. Acho que agora você entende o porquê de eu amar tanto essa música."
Não havia volta, meu choro estava praticamente impossível de controlar, os soluços escapando em um baixo volume. Eu estava espantada, triste, e, ao mesmo tempo, sentindo-me leve. Jamais esperaria algo assim vindo de meu pai, e, de longe, havia sido a coisa mais linda que eu já lera. Apertei sua carta contra o peito, como se, assim, pudesse me conectar a ele e matar as saudades que eu começava a sentir. Seria mais difícil do que eu imaginava ficar longe dele durante esses seis meses. Algo então reluziu dentro da caixa, chamando minha atenção. No fundo, no canto esquerdo, um colar de ouro brilhava lindamente. Peguei-o com cuidado, analisando o pingente em forma de coração que havia na ponta. Girei-o entre dedos, lendo o que estava gravado nas costas do mesmo. “Para que você ande sempre com nosso amor por perto.” Quando abri o pingente, em um lado, havia uma foto de meus pais, sorridentes, no dia do casamento deles. Minha mãe estava mais bela do que o normal, e qualquer um que olhasse para meu pai, diria que ele era o homem mais feliz do mundo. Do outro, havia uma foto minha, quando criança, com eles ao fundo. Minha cara estava suja com algo que parecia arroz, enquanto eles riam. Solucei, abraçando o colar com força, deixando as lágrimas escorrerem livremente.
Foi então que senti uma mão em meu rosto, erguendo-o. Um par de orbes azuis entrou em meu campo de visão; fitavam-me com preocupação.
- Laxus?! – Sussurrei com a voz embargada. Ele sorriu fracamente, puxando para um abraço desajeitado, pela posição em que estávamos, Retribuí, sem graça, ainda chorando. Acabei por molhar toda sua camisa. – De-desc-desculpe-me, e-eu mo-molhei s-s-su-sua ca-ca-camisa. – Gaguejei, sem coragem para encará-lo. Laxus riu baixinho, acariciando meus cabelos e beijando minha bochecha. Corei, mas me senti bem com aquele gesto.
- Por que está chorando, Lucy?! – Perguntou baixo para que ninguém ouvisse. Agradeci mentalmente a ele por isso. Não queria passar a imagem de fraca.
- Não é nada. – Consegui falar com a voz mais límpida.
- Bom, o que quer que seja, se quiser um ombro para chorar, conte comigo, loirinha. – Pela primeira vez, não me incomodei de ser chamada de “loirinha”. Assenti, tentando sorrir, mas tenho certeza de que pareceu uma careta, já que ele riu. Voltou a olhar pela janela. Suspirei, cutucando-o levemente. Laxus me fitou, as sobrancelhas arqueadas.
- Obrigada. – Sussurrei baixinho, sentindo-o me abraçar novamente.
- Por nada, pequena.
Notas finais
E eu amei fazer essa parte com o Laxus, sou loucamente apaixonada por ele *----------*
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