So please, give me your hand

Então, por favor, me dê sua mão

So please, give me your lesson on how to steal

Então, por favor, me dê uma lição de como roubar

Steal a heart, as fast as you stole mine

De como roubar um coração, tão rápido como você roubou o meu

As you stole mine

Como você roubou o meu



Já estava em meu apartamento há alguns dias e ainda não tinha nem desfeito a mala da viagem e guardado as roupas limpas no closet. As roupas sujas já tinham sido lavadas, dei uma boa organizada nos moveis mudando-os de lugar. Na parte da tarde sai e fui a uma loja de decorações e comprei alguns itens para renovar um pouco a decoração da sala. Não queria me desfazer das decorações antigas, mas eu queria mudar um pouco.

No caminho de volta para o meu apartamento lembrei-me da conversa com Joshua antes da viagem, lembrei também do que Jon tinha me dito na van e o quanto suas palavras ficaram ecoando em minha mente por dois dias e que por causa de suas palavras, quase fiquei com insônia.

Cheguei ao meu apartamento, coloquei as chaves na mesa de centro, tirei meu blazer, desabotoei meu colete e sentei no sofá ligando a televisão. Nada me deixava contente. Deixei a televisão ligada e deitei-me pensativo. Tudo o que eu pensava, suspirava é pensando nele.

Cada pensamento era uma lembrança ao lado dele, um momento feliz e agradável em que eu me senti menos desprotegido. Menos qualquer outra coisa negativa relacionada ao mundo. Com ele eu me sentia mais vivo, mais humano, mais tudo. A única coisa que eu tentava entender e me perguntava sempre é: quando foi que isso se tornou tão forte? Eu ainda não tinha a resposta para essa pergunta. Na maioria das vezes eu não tinha a resposta.

Acordei cedo numa manha de sexta-feira e peguei meu celular para ver se tinha alguma coisa nova, como não tinha nada enviei um torpedo para o Spencer: “Estou devendo uma visita a vocês. Posso fazê-la amanha?”

Deixei o celular em um canto e fui fazer a minha higiene pessoal, quando voltei tinha uma mensagem não lida que era do Spencer. “Claro que pode. Vem para o almoço ou jantar?”

“Jantar é claro. Vejo vocês as 7 pm.” Foi a mensagem que enviei ao Smith, deitei na cama com o celular do lado e deixei minha mente livre. Finalmente eu iria conter a saudade e ficaria ao lado dele, só que ele ainda não sabia disso. Quase dois meses sem vê-lo depois daquela pequena viagem e todos os outros meses que quase me enlouqueceram por causa disso.

No sábado a noite, cheguei no horário combinado. O porteiro que tinha me visto ali tantas vezes que nem interfonou, apenas me deixou entrar e eu apertei o numero do andar e esperei que o elevador fizesse a sua parte. A saudade era tanta que mal cabia dentro de mim.

Não demorou muito e fui bem recebido por ambos. Foi Joshua que abriu a porta, da sala vi Spencer na cozinha fazendo o nosso jantar. O violão estava no sofá, supus que Joshua estava tocando alguma coisa.

– Quer tocar comigo? – Perguntou ele.

– Claro. É sempre bom tocar com vocês. – Ele sorriu.

– Espere ai, vou pegar o outro violão lá no quarto.

– Como foi o show com os Veins? – Spencer perguntou da cozinha. Joshua que já estava voltando com o outro violão, iria ouvir o que eu tenho para falar sobre o assunto.

– Um pouco conturbada. O Jon se esqueceu de abastecer a porra da van. – Joshua olhou por cima dos óculos. Spencer não parecia acreditar. – Ate discutimos.

– O Jon deve ter amnésia. – Joshua comentou. Spencer concordou com ele.

– Não sei o que o Jon tem, mas durante esse show eu tomei uma decisão muito seria. — Spencer e Joshua se entreolharam.

– Não quer esperar para falar sobre isso depois do jantar Alec?

– Acho que não seja necessário, embora eu vim mesmo visitar vocês mais com uma intenção a mais e que não é para jantar. Não acho justo com vocês e prefiro dizer agora.

– Estamos ouvindo. – Joshua comentou e começou a tocar uma melodia.

– Depois da briga com Jon, eu resolvi deixar o The Old Veins e me juntar a vocês novamente, se é que vocês vão me aceitar.

A impressão que tive foi que ambos ficaram admirados com a minha decisão. Spencer começou a falar mais antes de terminar a primeira palavra ele começou a gaguejar.

– Poxa Alec, isso realmente nos pegou desprevenidos, mas não aceitamos você de volta não.

– Joshua! – Spencer gritou da cozinha. Seu olhar era de muita fúria.

– Que foi? É brincadeira, claro que te aceitamos de volta e seja bem vindo a banda novamente. – Joshua acrescentou.

– Obrigado gente. É bom estar de volta.

– Agora vamos comer, porque eu estou com fome. – Joshua acrescentou sorrindo.

– Nada disso, ainda não esta pronto. Só mais alguns minutos. — Spencer tinha arrumado tudo enquanto Joshua e eu tocávamos alguma coisa.

Estar de volta com quem me quer bem é tão bom. Alguns minutos depois Joshua e eu nos reunimos à mesa junto com Spencer e jantamos. Conversamos sobre algumas coisas e depois na fizemos mais nada. Joshua e eu voltamos para o sofá da sala.

– Joshua, mostra aquela musica para o Alec.

– Qual? A “Oh Glory”?

– É.

– Já vou avisando que vou querer escutar.

– Se não tem jeito, então eu toco.

Ele começou a tocar e eu percebi o quanto a musica é extremamente boa. Boa não, ótima. Quando terminou, olhou para mim e sorriu timidamente esperando por uma resposta.

– E então Alec, o que achou? – Spencer perguntou lá da cozinha.

– A musica é realmente muito boa. – Spencer se juntou com a gente, mas foi para a sua bateria. Fiquei com o violão e Joshua com o outro. Tocamos algumas musicas para relembrar os velhos tempos que voltariam. Tudo voltaria a ser como antes.

– Acho que vou me deitar, estou com sono. – Spencer comentou.

– Pode ir Spencer, boa noite. Daqui a pouco vou embora porque já esta tarde.

– Boa noite Spencer. – Joshua disse.

Vi Spencer entrar em um quarto e fechar a porta, olhei para Joshua não entendendo nada.

– Ele fecha a porta do quarto com chave?

– Eu sou sonâmbulo, mas acho que isso vai passar.

– Sonâmbulo? Conta outra Joshua.

– Ele tem medo de eu atacar ele. Com travesseiro, cócegas e outras traquinagens.

– Agora tá explicado. – Falei cruzando os braços. – Será que eu devo fazer o mesmo que ele?

– Acho que não, porque com você eu tenho outros planos. – Ele falou próximo ao meu ouvido.

– Você é um... – deixei minha frase morrer ali.

– Um o quê? – Ele perguntou.

– Acho melhor nem terminar essa frase.

Ficamos em silencio por algum tempo olharam para os lados, como se alguém estivesse nos observando.

– Esta pensando o mesmo que eu? – Ele perguntou ajeitando os óculos.

– Não sei o que você esta pensando.

– Jura que não?

– Tenho medo só de pensar o que seja.

– E se eu disser que é coisa boa, você perderia o medo?

– Tudo dependera do que for essa coisa boa.

Ele olhou para ver se não tinha ninguém nos observando alem de nos mesmos. Foi se aproximando de mim e eu comecei a entender o que ele queria. Fechei meus olhos e ele fez o resto.