6º Desafio Sherlolly
1 Feliz Páscoa, Sherlock
Notas iniciais
Cliquem no link da música quando aparecer! ;)
Sherlock falava ao celular enquanto Molly lia um livro encolhida na poltrona que era dele. Estava um frio intenso em Londres e ela aproveitava o calor da lareira para se aquecer.
- Não, mãe, eu não acho que seja uma boa ideia.
Molly ergue os olhos e ri quando ele faz uma careta para ela.
- Não... Não... Porque é algo familiar, mãe... Não, você não faria isso. Ameaçar não me dar chocolate é golpe baixo, mãe... Eu sei, eu sei que a casa vai estar vazia porque John e Mary vão levar Claire na casa dos avós... Droga, mãe! Ok, ok, eu irei até o hospital convidá-la... — Molly agora olha espantada para ele. Estavam falando DELA? Ela aguarda enquanto ele se despede e desliga o telefone. Sherlock a encara com um misto de choque e derrota, Molly cede espaço e ele senta-se junto a ela na poltrona, puxando-a para si.
- Minha mãe quer que você passe o feriado de Páscoa lá. Junto com toda a família.
- Mas, Sherlock... Nós tínhamos combinado... Qual foi mesmo a desculpa que usamos para eu estar aqui hoje?
- Estou investigando os crimes do assassino da estação e você está me ajudando com alguns exames e relatórios. — Ele sorri para ela. — E eu sei que nós tínhamos combinado manter segredo sobre o nosso relacionamento, para sua própria segurança. — Os dedos dele acariciam o rosto dela.
- Então?
- Minha mãe não irá ceder, ela acha que assim está agradecendo por tudo que você fez para mim durante esses anos. É bem capaz que eles venham até aqui convidar você pessoalmente se eu não fizer. E irão suspeitar se eu negar tanto assim. — Sherlock faz uma pausa. — Então... Finja que estamos no St. Barts e agora estou te convidando para passar uma Páscoa em meio à família mais anormal de Londres. Você poderia negar... Mas não quero passar o feriado longe de você.
- Nós fingiremos que somos colegas?
- Sim, nós fingiremos.
Molly gargalhou e o beijou.
- Isso vai ser tão, tão, tão divertido!
Sherlock olhou desconfiado para ela.
- Você tem umas ideias estranhas de diversão.
- Posso ter umas melhores, se você preferir...
- Ah é? Então venha aqui e me mostre...
Ela sorri maliciosamente antes de partir para cima dele e o beijar.
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O dia de ir para a casa dos pais de Sherlock chegou. Ele parou o carro em frente à casa de Molly e aguardou que ela aparecesse.
- Sherlock? Você pode me ajudar aqui um segundo?
Ele desceu do carro e mal teve tempo de fechar a porta da casa antes que ela o agarrasse.
- Serão dois dias agindo como antes. — Ela diz quando se separaram e Sherlock suspira.
- Páscoa infernal. Nós daremos um jeito, eu prometo.
- Eu sei. Agora, leve essa sacola para mim.
- O que é isso?
- Oras, ovos de Páscoa! O que mais seria?
Sherlock revirou os olhos. Não tinha como esse feriado dar certo.
Eles entraram no carro e seguiram viagem. Sherlock procurava a mão dela e a segurava de tempos em tempos, fazendo pequenos carinhos enquanto dirigia.
- Você acha que Mycroft não sabe sobre a gente?
Sherlock pensou por um tempo.
- Faz tempo que não o vejo. Mas é possível que ele já tenha deduzido algo, não é fácil enganar Mycroft. De qualquer forma, ele não contaria.
Molly assentiu, torcendo para que ele estivesse certo e aumentou o volume do rádio, passando o resto percurso acompanhando as músicas que tocavam.
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- Molly, querida, fico tão feliz que você tenha aceitado!
Ela sorriu sem jeito para a mãe de Sherlock — sua sogra — que ficou ainda mais contente quando ela mostrou os ovos de Páscoa que tinha trazido.
- Surpreende-me ela conseguir fazer a viagem em sua companhia, irmãozinho.
- Não seja desagradável, Mike! Eu estou muito feliz por Will tê-la trazido.
Sherlock torceu o nariz e Molly teve que se segurar para não rir. Ele odiava o primeiro nome.
Todos entraram na casa e Molly foi apresentada também ao pai de Sherlock, que a abraçou e a deixou ainda mais tímida, se é que isso era possível. Parecia que ela estava sendo apresentada como namorada de Sherlock.
Após os cumprimentos e uma breve conversa, foram todos chamados para se sentarem à cozinha e jantar. Molly sentiu um pânico crescente ao ver que peixe estava sendo servido. Ela não comia peixes. Foi a vez de Sherlock disfarçar e não rir. Ela torceu para que ninguém reparasse se ficasse focada em comer somente os legumes. Começava a sentir-se totalmente nervosa.
Precisava fazer algo para desviar a atenção da comida, então automaticamente ela serviu um copo de suco, adoçou e passou para Sherlock. Só quando ele já tinha pegado o copo é que ela viu os olhos de Mycroft fixos em sua ação. Começara bem, dera a primeira bola fora mostrando que eles já tinham uma rotina.
Tentou se policiar o resto do jantar e durante todo o tempo que seguiu, onde ficaram conversando e Molly ouviu histórias interessantes sobre a infância de Sherlock. Conversaria depois sobre isso com ele. Felizmente ninguém reparou ou fingiu não reparar no pouco que ela comeu durante a refeição. E infelizmente ela estava com fome e pelo visto dormiria assim.
A mãe de Sherlock a levou até o quarto em que Molly dormiria, após todos darem boa noite e se despedir. Era um lindo quarto onde tudo já estava arrumado. Ela garantiu que Molly tinha tudo que precisava e despediram-se, mas ela não saiu do quarto e parou à porta.
- Quando vocês pretendem se casar? — A Sra. Holmes sorria ao perguntar. E o sorriso se alargou quando viu o olhar de choque na expressão de Molly, que tinha paralisado com a pergunta feita de supetão. Esse negócio de dedução era um problema de família? — Por favor! Eu criei esses dois! Acha que não consigo ver quando eles aprontam?
O rosto de Molly fervia. Todo mundo sabia de tudo, eles não tinham contado e agora ela não sabia o que dizer. Sentia-se ainda mais envergonhada por eles tentarem enganar a todos.
A Sra. Holmes se aproximou e a abraçou. Outra surpresa.
- Quando eu disse que queria agradecer o bem que você fez a ele, eu não estava mentindo. Nunca imaginei que veria Sherlock assim, e foi tudo graças a você. Eu percebi quando ele mudou. Quando parecia só... Feliz. Você não sabe o quanto isso significa para uma mãe.
Molly não sabia o que dizer, então retribuiu o abraço. Seus olhos encheram-se de lágrimas.
- Ele a fará muito feliz, você sabe... Sherlock pode surpreender você... Não desista dele quando ele parecer insuportável...
A Sra. Holmes riu e Molly assentiu.
- Eu não vou. Eu o amo.
- E ele ama você, querida. Com licença que agora eu tenho umas contas a acertar com ele por não ter me contado. É isso que uma mãe merece por anos trocando fraldas.
Beijou a bochecha de Molly e saiu do quarto fechando a porta, deixando-a sem palavras e com lágrimas querendo sair de seus olhos.
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(Música)
Já estava tarde, horas haviam se passado e Molly ainda não tinha conseguido dormir. Em partes pelo o que tinha acontecido, mas principalmente porque estava com muita fome. Assustou-se quando seu celular emitiu um alerta.
"Abra a porta. SH"
Molly correu até a porta e a briu. Sherlock não iria fazer isso, iria?
- Sherlock, o que você está fazendo aqui? — Ela sussurrou ao vê-lo parado ali, em frente a ela.
- Levando você para comer, ou você acha que eu não percebi o quanto você NÃO comeu?
Eles sorriram e Sherlock a puxou pela mão até a cozinha.
- Sua mãe sabe de nós. — Ela disse enquanto comia biscoitos que Sherlock tinha pegado no armário.
- Aquele cretino do Mycroft deve ter falado alguma coisa. É, eu me enganei quanto a ele não contar. E minha mãe fez questão de me dizer que só não arrancava meu pescoço porque talvez você ficasse chateada.
Os dois riram. Todo o segredo tinha ido por água abaixo.
- Está com sono? — Sherlock perguntou após ver que ela acabara de comer. Quando ela negou, ele a levou para uma das salas, iluminadas somente por duas luminárias. Sherlock sentou em uma das poltronas e a puxou para seu colo.
- Você consegue imaginar nossa vida assim? Em um lugar como esse? Longe da confusão de Londres e dos crimes? Com paz e tranquilidade o tempo todo?
Molly olhou em volta, como se analisasse o que ele estava querendo dizer. Por fim, encarou os profundos olhos verdes dele que aguardavam uma resposta.
- Para falar a verdade... Não.
Ele suspirou aliviado. Deixando-a na poltrona, sussurrou para que ela aguardasse um minuto. Quando voltou, trazia na mão um pequeno ovo de Páscoa.
- Comprei para você.
Sherlock a puxou para o seu colo novamente, enquanto observava ela ficar feliz em ganhar chocolate e abrir a embalagem cuidadosamente. Quando as duas partes do ovo se separaram, Sherlock admirou os olhos dela brilharem com a surpresa e se virarem para ele com espanto.
- O que...
- Eu quero me casar com você. — Ele disse baixinho enquanto roçava os lábios pelo pescoço dela.
- Mas nós...
- Esqueça isso... Nós daremos um jeito, sempre damos.
Agora ele beijava seus ombros, enquanto ela ainda admirava o anel que estava dentro do ovo de Páscoa.
- Não vai me responder?
- Eu realmente preciso? — A voz dela estava tremendo e isso fez com que o sorriso dele se alargasse.
- Sim.
- Então... Sim! – Molly responde com um sorriso. Sherlock para e a encara, pega o anel que está sobre o colo dela e vagarosamente insere em seu dedo, admirando por alguns segundos. Molly encosta sua cabeça na dele, perdendo-se em seus olhos. As mãos dele descem por seu corpo e seguram sua cintura e as dela sobem até seus cabelos.
- Você sabe. – Ela diz, emocionada.
Sentia lágrimas formando em seus olhos quando ele respondeu.
- Sim. Eu sei. E eu também.
Aproximou-se ainda mais dele e uma onda de energia percorreu os corpos deles quando se beijaram. O beijo tornou-se urgente, fazendo com que eles se esquecessem de onde estavam. Sherlock já começava achar uma boa ideia tirar o robe que ela usava por cima da camisola de gatinhos, e posteriormente a própria camisola.
- Por Deus, Sherlock! Por que vocês não vão para um quarto?
Eles estancam e olham incrédulos para um Mycroft, de pijama, parado à porta. Então Sherlock se levanta, pegando-a no colo e deixando o chocolate para trás. Os olhos dele brilham entre desafio e felicidade.
- Você me deu uma ótima ideia, idiota. — Ele passa por Mycroft, deixando-o com a impressão de ter visto um brilho em um dos dedos de Molly, que estava quase roxa de tanta vergonha.
- Sherlock... Você está louco? — Ela sussurrou contra seu peito.
- Acho que sim... De várias formas... Mas queria mesmo que você conhecesse meu antigo quarto e agora tenho a desculpa perfeita.
Chegou até a porta e a colocou no chão, fazendo uma mesura.
- Fique à vontade, Sra. Holmes.
Molly riu ao entrar no quarto.
- Futura Sra. Holmes.
- Tanto faz. — Ele resmungou.
Ela olhou em volta assim que entrou. Não havia muitas características que lembrassem Sherlock, ou talvez a falta de decoração lembrasse justamente ele. Observava tudo e surpreendeu-se quando ele a abraçou pelas costas.
- Está estranhando?
- Não... Mas não lembra você. Não tem pedaços de corpos espalhados por aí e todo o resto.
Molly ouviu ele rir contra seus cabelos.
- Falta você. — A voz rouca dele contra sua orelha a fez arrepiar, ela virou-se para ele, passando os braços por sua cintura.
- Não falta mais.
Sherlock acariciou o rosto dela, descendo por seus cabelos e deixando que suas mãos parassem ali, segurando sua nuca.
- Você é minha. — Ele desce uma das mãos até entrelaçar seus dedos com os dela, onde o anel se encontrava.
O penúltimo pensamento de Molly antes que Sherlock começasse a provar que era ela dele, foi que essa seria a melhor Páscoa que ela já teve. O último foi que teriam que explicar tudo pela manhã.
Ai meu Deus.
- Sherlock, espere... Espere um pouco.
- O que foi, Molly? — Ele parecia exasperado.
- Nós... Eu e você...
- Eu sei o que nós significa, Molly.
- Ok, ok... Nós — ele revira os olhos — vamos ter que explicar tudo para seus pais amanhã, certo?
Sherlock a encara confuso por alguns segundos e então a compreensão aparece em seu rosto.
- Céus, Molly. Você me fez parar para dizer isso? Provavelmente todos já sabem e já sabiam muito antes de terem a ideia de chamar você para a Páscoa, nós que fomos bobos. E eu não gosto disso, devo dizer. Mas não se preocupe. – O tom de voz dele ameniza. — Você é tudo que importa para mim agora... Você mudou minha vida... E eles também sabem disso.
- Sherlock...
- Eu já disse que já sei e eu também, Molly. E não me olhe com esses olhos marejados.
- Os seus também estão...
Ele segura o rosto dela e a beija.
- Eu só quero você, fique quieta. Ok, não tão quieta.
- Feliz Páscoa, Sherlock.
- Cale a boca, Molly.
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