5º Desafio Sherlolly - You've always counted.
1 Capitulo único ♥
Notas iniciais
- Hey, Sherlock! Adivinha só quem convidou eu e a Mary para sermos padrinhos de casamento? – perguntou John Watson balançando o convite na mão.
- Eu preciso mesmo?
- Molly Hooper.
Sherlock Holmes estava deitado no sofá, fitando o teto da sala e com as mãos juntas embaixo do queixo. Característico de quando estava pensando, provavelmente em um dos casos que estava tentando desvendar. Tinham sido muitos aquela semana. Ao ouvir o nome de Molly, no entanto, se sentou rapidamente e encarou John.
- Como disse?
- Eu disse Molly. E Tom.
- Tom?! – perguntou o detetive, incrédulo. – Achei que eles tinham terminado. Aliás, sim, eles tinham terminado, a Molly confirmou isso parando de usar seu anel de noivado.
- Bom, eles voltaram. Achei que soubesse e que tivesse recebido o convite. O casamento será daqui a um mês.
- Não recebi. Vou estar ocupado, de qualquer forma. – disse Sherlock, voltando à sua posição inicial no sofá.
- Daqui a um mês? Como pode saber que estará ocupado até lá?
- Bom, como sabe, não tenho mais meu ajudante. – rebateu Sherlock. – Agora é só uma cabeça genial pensando, ao invés de duas, como costumava ser.
John estava ficando de fora dos casos, trabalhando menos com Sherlock, queria passar mais tempo com Mary agora que ela estava grávida. Achava que Sherlock entendia sua posição, mas mesmo que não chegasse a admitir com todas as letras, ele sabia que o amigo sentia sua falta.
- Sabe que eu vou voltar assim que puder. – Disse John, mas Sherlock não estava mais ouvindo, agora tinha fechado os olhos e parecia mais concentrado do que nunca. Provavelmente vasculhando os arquivos secretos de seu famoso Palácio Mental. Era melhor deixa-lo em paz por enquanto.
John estava prestes a descer as escadas do 221B da Rua Baker, quando percebeu alguém subindo as escadas.
- Ah, olá John. – Era Tom! – Será que o Sherlock está em casa?
- É... ele está sim. Que coincidência, estávamos agora mesmo falando sobre seu casamento. Entre, por favor.
- Com licença. – pediu Tom, e Sherlock abriu os olhos, mas continuou na mesma posição.
- Posso ajudar em alguma coisa... Tom? – Sherlock ia chama-lo pelo sobrenome, mas percebeu que não sabia qual era.
Era um pouco estranho se dirigir a alguém que estava deitado e olhando para o teto, e apesar de não o conhecer muito bem, Tom sabia da reputação do detetive. Aquele ar meio frio e principalmente desinteressado parecia ser sua marca registrada. De qualquer forma, Tom admirava muito aquela mente brilhante.
— Bem, eu e Molly vamos nos casar em breve.
— Sei. – disse Sherlock, enfim se levantando e se dirigindo ao outro. – Meus parabéns. – estendeu a mão para que Tom apertasse. John ainda estava na porta, observando a cena.
— Bem, nós queríamos muito que você fosse. – disse Tom, estendendo um bonito envelope para Sherlock. – eu estava de passagem por aqui e resolvi entregar o convite pessoalmente. Vai significar muito para a Molly se você for.
— Tudo bem, obrigado. – disse simplesmente o detetive pegando o envelope, enquanto olhava Tom de cima a baixo. Observava.
— Então até mais... Vejo vocês dois lá. – disse ele, saindo.
John ficou observando Sherlock por alguns minutos. Ele encarava o chão com aquela expressão pensativa. De novo.
- Sherlock? – chamou.
- John, me dê… só um minuto. – respondeu ele, largando o convite de casamento e se abaixando até o chão onde John o viu passando a mão em um punhado de terra molhada no chão.
- Não, só me responda uma coisa. Você vai ao casamento, então? Afinal é a Molly.
- Você sabe que não sou uma pessoa que gosta de casamentos. – respondeu Sherlock, mas ele estava olhando fixamente para seus dedos sujos de terra úmida, como se tivesse descoberto alguma coisa importante.
Algumas semanas atrás, Lestrade o havia chamado para ajudar em um caso até aquele momento sem solução. Duas garotas haviam morrido, encontradas a dois quarteirões da Rua Baker, praticamente enterradas na neve, a segunda com uma semana de diferença da outra. Não havia sido nada muito elaborado, só sabiam se tratar do mesmo matador por causa de seu modus operandi: as duas haviam sido mortas asfixiadas por uma sacola plástica. A única pista do bandido era justamente vestígios de lama encontrados nas unhas das vítimas, o que segundo Sherlock, poderia indicar que elas haviam sido mortas perto de algum lago e carregadas até o local onde posteriormente foram encontradas. Algo um pouco incomum para aquela época do ano, já que a maioria desses lugares estava congelada, e não havia chovido. Sherlock tinha certeza que o crime havia ocorrido bem perto dali, o que reduzia muito os locais a serem procurados, ainda sim ele não havia descoberto onde seria esse lugar.
Naquele momento, no entanto, parecia que uma luz havia se acendido na mente brilhante do detetive.
- John, se lembra que eu te falei daquele caso das garotas encontradas aqui perto, asfixiadas? – perguntou Sherlock a John. – o doutor assentiu. – Pois bem, a única pista que temos do assassino é lama.
- Lama?
- Sim, lama! – respondeu Sherlock colocando seus dedos sujos perto do rosto do amigo.
- Está querendo dizer o que com isso? – perguntou John.
– Eu sei que isso parece um tiro no escuro, mas lembre-se, meus tiros são sempre certeiros.
- Ei! Espera um minuto! Você não pode estar achando que o Tom tem alguma coisa a ver com isso! Sherlock, você pirou de vez! Sabe quantos lugares devem estar cheios de lama neste momento?
- Muito poucos na verdade.
- Não, você não pode estar falando sério! Pelo amor de Deus! – John estava incrédulo. – Sabe de uma coisa, Sherlock, eu acho que sei sobre o que isso se trata. O casamento. Só pode. Essa novidade abalou um pouco suas estruturas, não foi? Está enxergando coisas onde não existem.
- Agora quem não está falando sério é você! – rebateu Sherlock. — O que diabos está tentando presumir?
- Eu não achava que você pudesse ser capaz de nutrir esse tipo de sentimento por alguém, mas você tem que admitir, você gosta dela. – John deu um sorrisinho. – Gosta da Molly, mas eu sinto lhe dizer, é um pouco tarde pra perceber isso.
Porcaria. Parecia que John tinha razão! Ele realmente não queria admitir a verdade nem para si mesmo, mas aquela notícia tinha afetado seu julgamento. Sherlock, logo ele, que tinha seguido a risca o que seu irmão tinha lhe ensinado... Não se apegar a nada e nem a ninguém. Mas nos últimos anos, a convivência com John o tinha deixado mole. Aquilo não podia acontecer. Afinal de contas, ele era Sherlock Holmes, o detetive consultor. O gênio que nunca errava.
- Bom Sherlock, eu tenho que ir agora. Mas pelo amor de Deus, não pense em fazer nenhuma besteira. – o detetive assentiu enquanto via o amigo ir embora.
*********
As semanas se passaram rapidamente. E o dia havia chegado. O casamento de Molly e Tom. Sherlock havia abandonado o caso das garotas e se ocupava com alguns outros mais banais, e entediantes. Muito entediantes.
A senhora Hudson havia chamado Sherlock mais cedo. “Hoje é o grande dia!”, ela dissera, “Porque ainda não está pronto, Sherlock?”, mas ele havia dado a desculpa de estar trabalhando para ficar em casa. John tinha ligado e mandado pelo menos umas 30 mensagens de texto, mas o detetive estava ignorando todo mundo aquele dia. O grande Sherlock estava se sentindo impotente. Seus sentimentos faziam dele uma pessoa fraca e não tinha nada que ele pudesse fazer a respeito daquilo, apenas esquecer. Enquanto tocava seu violino, em pé, perto da janela, Sherlock avistou um envelope em cima da estante, aquele bonito envelope que estivera ali por um mês sem nem ao menos ter sido aberto. Deixou o instrumento musical gentilmente em cima do sofá e pegou o envelope. Leu os nomes em letras garrafais dos noivos. “Thomas Whitehill & Molly Hooper”. Sentou-se no sofá se sentindo derrotado. Nunca havia se sentido assim. Um peso no peito, uma solidão que ele não sentia há muito tempo. Molly Hooper agora seria Molly Whitehill. “Sua” Molly, aquela que havia salvado sua vida, aquela que tinha sido imprescindível, sua amiga, alguém que ele nunca tinha dado o devido valor, e como John tinha bem dito, agora já era tarde demais.
De repente um pensamento sombrio passou pela cabeça de Sherlock. Ele deu um pulo do sofá, deixando o envelope cair no chão.
- “Whitehill”, um sobrenome tão incomum e ainda sim tão familiar. Onde foi que eu já ouvi isso?
Sherlock fechou os olhos com força e começou a vasculhar suas memórias. Lembrou-se de Lestrade falando sobre um copycat antes de abandonar o caso das garotas asfixiadas. “Esse cara está cometendo os crimes da mesma forma que o tal Robert-Matador, o suicida, lembra-se dele, Sherlock?”, ele havia perguntado. Mas naquele dia, estava tão alheio em seus próprios pensamentos que nem se deu ao trabalho de se lembrar de ninguém, já havia abandonado o caso de qualquer forma, por questões pessoais, veja só. Aquilo era inédito.
- Ah, porcaria! Esse casamento não pode acontecer!
Sherlock pegou rapidamente seu casaco e o cachecol em cima da mesa, e saiu em disparada pelo meio da rua. Procurava algum taxi disponível, ou uma moto para ser roubada, mas aquele dia as ruas estavam quase desertas, tinha feito muito frio na noite anterior e as ruas estavam cobertas de neve. Ia ter que ir andando. Ou melhor, correndo. A igreja não era longe dali, mas com certeza a cerimonia já havia começado.
********
- Estamos aqui reunidos para celebrar a união de Tomas Whitehill e Molly Hooper....
Enquanto o padre falava, Molly olhava para as pessoas sentadas nos bancos, viu os amigos e os parentes de seu lado e do lado de seu futuro marido. Mas faltava alguém, alguém que ela queria muito que estivesse ali, tinha sido tola ao achar que ele compareceria, estava esperançosa até o ultimo minuto, mas agora que as portas da igreja haviam se fechado por conta do frio que fazia lá fora, ela tentava se conformar com a ausência dele. Era para ser o dia mais feliz da sua vida, e tudo estava mais do que perfeito, mas aquele aperto no peito dela insistia em ficar ali, se recusava a ir embora.
De repente um baque surdo fez todos os presentes desviarem a atenção do altar para as portas da igreja, que estavam abertas agora, deixando o vento gelado entrar por elas. Mas não era só isso. Tinha alguém lá. Alguém em pé de frente para o casal.
- Sherlock! – falou John, sem conseguir acreditar no que estava vendo.
- Parem esse casamento, agora! – ordenou o detetive, respirando com dificuldade por causa da corrida até ali.
- Mas o que significa isso? – gritou o padre lá de cima do altar.
Molly olhava perplexa aquela figura alta berrando para que todos pudessem ouvir. Tinha um pouco de neve no casaco, na altura dos ombros, as bochechas e o nariz vermelhos, a respiração alta e esfumaçada.
- Molly, você não pode se casar com esse desgraçado!
- Sherlock... – a confusão agora tomava conta da legista. Aquilo estava mesmo acontecendo? O que aquele louco queria? Lágrimas começavam a se formar em seus olhos, e a raiva começou a crescer dentro dela.
- Tomas Whitehill! Você é filho de Robert Whitehill! Mas não é só isso, você ainda por cima é um copycat do seu próprio pai. Está cometendo crimes como se fosse ele! Quantas garotas inocentes você já matou?
Sherlock tinha chegado mais perto do altar e se dirigia a Tom. Um burburinho de espanto e incredulidade percorreu a igreja e o medo tomou conta de todos os presentes.
- Sherlock, do que está falando? – Greg Lestrade havia se levantado, tão espantado como todos os convidados, mas conhecia aquele caso, ele se lembrava, havia prendido o tal Robert-Matador com a ajuda do detetive.
- É isso mesmo Lestrade, eu tentei abandonar o caso, eu achei que estava ficando louco, mas agora minhas suspeitas se confirmaram! Tom estava tentando chegar até mim, ele queria me fazer pagar de alguma forma por causa do que eu fiz ao pai dele, depois que eu descobri que ele era o assassino, depois que colocamos ele atrás das grades, ele se enforcou com o próprio lençol na cadeia. Tom... ele parecia ser acima de qualquer suspeitas, mas ele estava preparando algo para mim. Usando aquelas garotas inocentes para me atrair! Eu só não consegui descobrir o que é! De qualquer forma, agora não importa mais!
Tom permanecia calado até aquele momento, não havia tentado se defender, nem demostrava surpresa. Mas decidiu então quebrar o silencio:
- Parabéns, grande Sherlock Holmes! Você desvendou quase tudo! Sabe... meu pai... meu pai era um grande homem! Me ensinou tudo o que eu sei...
- Sim, eu percebi isso!
- Durante muito tempo, eu pensei em um plano – começou o assassino. –Confesso que não foi tão difícil... Fazer parte de seu grupo de amigos. A Molly aqui, coitadinha... Tão carente, tão romântica. Sempre apaixonada pelo todo-poderoso Sherlock Holmes. Foi até fácil conseguir ganhar seu coração! Afinal, olha só onde estamos agora! Eu preciso dizer, ela acabou me ajudando sem saber! Me ajudou a com algo que fizesse você pagar por ter matado o meu pai!
- Seu pai era um serial killer, e ele se suicidou!
- POR SUA CAUSA! – gritou Tom, chorando. – Foi tudo culpa sua!
- Lestrade, prenda esse homem. Ele é um assassino confesso! – pediu Sherlock.
- Eu não trouxe algemas!!
- Tome aqui, use as minhas! – disse Sherlock, entregando suas algemas para o investigador. Lestrade achou estranho ele ter aquilo, mas pensou bem antes de perguntar qualquer coisa. Simplesmente virou-se para Molly, que chorava convulsivamente e sussurrou um “sinto muito”, enquanto algemava seu ex-futuro marido.
- Sabe, Sr. Homes...- falou Tomas Whitehill. – Eu sei muito sobre você, pesquisei muito sobre sua vida, aprendi até a admirar sua genialidade. Por isso, muito me espanta você não ter descoberto a forma como vou fazer você pagar. Você está aqui, afinal! E sim, não importa o que aconteça comigo, você vai ter o que merece!
- Você está indo para cadeia. Creio que não há mais nada que você possa fazer, Whitehill!
- Será mesmo? Lembre-se de que não cometerei o mesmo erro que Moriarty cometeu!
Lestrade levou o assassino para fora da igreja, enquanto Holmes pensava naquilo que ele tinha acabado de dizer. “Não vai cometer o mesmo erro de Moriarty, o que ele quis dizer com isso?”. Quase não percebeu a garota que passou como um furacão ao seu lado, correndo e chorando de tão abalada que estava. Pobre Molly, tinha sido a vitima no meio do jogo doentio entre o “noivo” e Sherlock. O detetive olhou para John Watson como se pedisse ajuda. Ele não sabia o que fazer, não sabia como iria lidar com aquilo. Tinha acabado com o casamento de umas das pessoas mais importantes de sua vida, mas tudo o que ele queria era que ela ficasse bem. John abriu um meio sorriso que demostrava culpa, por não ter acredito no amigo em primeiro lugar, e ao mesmo tempo orgulho. Tinha sido um pouco em cima da hora, ele sabia, mas antes tarde do que nunca. “Vá falar com ela”, sussurrou John para o detetive, e ele sabia que devia falar muito mais do que um “sinto muito”.
Sherlock ficou muito apreensivo, mas foi atrás de Molly lá fora... Encontrou-a sentada no começo dos degraus da longa escadaria, toda encolhida, e não era só por causa do frio. Teve um sobressalto quando percebeu o longo casaco de Sherlock em seus ombros. Tentou enxugar as lágrimas rapidamente, mas eram muitas... O detetive pegou um lenço do bolso e passou delicadamente no rosto de Molly.
- Molly, me desculpe...
- Pare com isso Sherlock. – interrompeu ela. – Você expos a verdade sobre o meu... “noivo”, obrigada por isso.
- Mas me desculpe por estragar seu casamento. – pedir desculpas era algo novo, algo que tinha acontecido poucas vezes, Sherlock ainda não estava acostumado com aquilo. – Você não merecia isso, Molly.
- Sabe, ele tem razão, ele disse que eu era fraca, carente demais. Eu sou uma burra. Eu acreditei no Jim, e agora no Tom! O que tem de errado comigo, Sherlock?
- Molly, não tem nada de errado com você. – Sherlock estava bem perto agora. Olhava dentro dos olhos da legista. – Acredite. Você é perfeita! Em tudo que faz! Caramba, você me ajudou quando eu mais precisei, você salvou a minha vida!
Molly sorriu com aqueles elogios. Estava até se sentindo um pouco melhor agora. Afinal, vindo de Sherlock Holmes, aquilo era bem mais que meros elogios. Encostou a cabeça no ombro do detetive e deixou que ele a envolvesse com seu braço esquerdo. Aquilo era bom, algo que só ia acontecer uma vez na vida, ela ia aproveitar aquele abraço.
- Eu não tive a chance de dizer o quanto você está bonita hoje. – disse ele, depois de alguns momentos de silêncio. – Realmente linda, Molly.
A legista desencostou a cabeça do ombro do detetive e olhou bem em seus olhos. Seu coração tinha começado a bater tão forte que ficou com medo que Sherlock pudesse ouvir as batidas.
- Acha mesmo? – perguntou ela, corando.
Sherlock se levantou, tinha uma expressão dura no rosto, parecia que estava tentando encontrar as palavras certas para falar com ela. Molly prendeu a respiração.
- Sabe Molly, teve uma coisa que me ajudou a deduzir que Tom era o assassino. Algo mais forte do que as provas que eu tinha, as provas eram bem escassas para falar a verdade.
- O quê? – quis saber ela.
- Alguma coisa dentro de mim. Aqui. – Sherlock fechou o punho em cima do peito.
- Um pressentimento?
- Sim, isso também... Mesmo que eu não trabalhe com esse tipo de coisa. Mas tinha uma outra coisa Molly... eu não queria... — ele fez uma pausa. Longa demais para o gosto de Molly, que sentia o coração quase saindo pela boca. – eu não queria que você se casasse. Saber que você ia entrar numa igreja com um qualquer chegou a me causar repulsa, e eu não sabia bem por que. Agora eu entendo.
- Sherlock, o que isso significa? Você sente alguma coisa por mim? – Molly não estava acreditando nas próprias palavras. – Você... você gosta de mim, Sherlock?
- Creio que é mais do que isso Molly... Eu sei que se algum dia existiu algum sentimento seu por mim, que ele já se apagou depois do jeito que eu te tratei durante todos...
Sherlock não conseguiu terminar a frase porque agora a boca de Molly estava colada na sua, se mexendo gentilmente e pedindo para ser correspondida. E foi isso eu ele fez um segundo depois de o choque ter passado. Envolveu a cintura da legista e a levantou dois degraus acima, percebendo a dificuldade dela em alcançar os lábios dele, por conta de sua baixa estatura. Isso fez Sherlock sorrir no meio beijo. E ele perdurou por tanto tempo que Sherlock teve um sobressalto quando um pensamento lhe passou pela cabeça.
- Sherlock, o que houve? – Molly perguntou assustada percebendo a forma abrupta em que o detetive tinha terminado o beijo. – eu fiz alguma coisa...
- Molly, psiu! – fez Sherlock colocando o dedo indicador na boca dela e logo em seguida dando um selinho rápido. — Você ouviu o que o Tom disse antes de ir embora da igreja?
- Ele disse que você ia pagar... Ah meu Deus, Sherlock! Você está correndo perigo?
- Não Molly, depois disso... Ele disse que não ia cometer o mesmo erro que o Moriarty cometeu. – a legista ficou confusa.
- Desculpa, mas eu não sei o que isso significa...
- Quer dizer que é você quem corre perigo, Molly!
**********
Sherlock voltou a entrar na igreja correndo e puxando Molly pelo braço. Todos estavam sentados, esperando pelo veredicto, ou talvez com preguiça de sair com o frio que estava fazendo lá fora.
- John! – gritou Sherlock antes de alcançar o amigo. – John, você e a Mary têm que sair daqui. Você tem que tirar todos daqui!
- Sherlock, o que está acontecendo? – perguntou John, confuso.
- Depois eu explico tudo, mas agora eu preciso pensar. Por favor, tire todo mundo daqui.
John já havia aprendido há muito tempo a confiar em Sherlock, se ele estava fazendo aquilo era por que ele sabia de alguma coisa que ninguém mais sabia. Simplesmente assentiu enquanto via ele e Molly desaparecendo dentro da sacristia.
- Pessoal, como vocês devem ter percebido, não vai ter casamento, então vamos embora. Vamos... isso, todo mundo. – John dizia enquanto as pessoas se levantavam contra a vontade. – O senhor também, padre!
- Mas eu moro aqui!
- Acredite, você não vai querer ficar aqui agora. – respondeu John empurrando para fora da igreja junto com os outros.
**********
- Molly, tire o vestido.
- O que foi que disse?
- Tire o vestido, rápido! – pediu Sherlock pela segunda vez.
- Mas o que... estamos dentro de uma igreja! – disse ela, corando muito.
- Pelo amor de Deus, Molly! – Sherlock a virou de costas sem muita gentileza e abriu o zíper do vestido o mais rápido de pode. Deslizou-o pelo seu corpo até ela estar somente com as roupas de baixo. Molly sentiu pequenos espasmos que não eram só de frio, e tentou cobrir a pele desprotegida com os braços. Mas Sherlock não estava olhando para ela. Ele vasculhava o vestido a procura de alguma coisa. Mas o que?
- Sherlock, o que está acontecendo? Por favor, me diz! Você está me assustando.
- Ele disse que não ia cometer o mesmo erro que o Moriarty. – começou ele, sem parar de mexer no vestido. – Molly, o erro do Moriarty foi achar que você não importava para mim. Tom está tentando machucar você para me dar uma lição.
- Sherlock... – disse ela começando a chorar.
- Fique calma. – disse ele colocando as duas mãos no rosto molhado dela. – Eu só preciso achar...
Sherlock havia acabado de notar o lindo colar de Molly.
- Quem foi que te deu isso? – perguntou ele, apontando para o seu pescoço.
— Ah meu Deus... foi ele... foi o Tom que me deu, hoje de manhã! Ele disse que era uma surpresa, uma joia de família e fazia questão que eu usasse!
Sherlock já estava olhando o colar ainda no pescoço de Molly, ele era composto por 3 diamantes maiores e em forma de gotas na frente e cravejado de diamantes menores por toda a extensão dele. Não foi difícil, porém, encontrar atrás da pedra do meio, um pequeno dispositivo digital com números minúsculos que faziam contagem regressiva, Sherlock tentou não se abalar quando viu que o visor marcava 10... 9...
Porcaria, ele tinha menos que 10 segundos para desativar aquela... mini bomba? Ele tinha certeza, porém, que ela era grande o suficiente para tirar a vida de uma pessoa. Ou duas. Ia ter que tentar a sorte, não tinha jeito. Tirar o colar do pescoço de Molly podia causar sua morte, a morte dos dois, mas não havia tempo suficiente para fazer outra coisa.
- Confie em mim agora Molly. – com muito cuidado e a devida rapidez, Sherlock tirou o colar de Molly e correu em busca de uma janela enquanto ela enfiava o vestido de qualquer jeito no corpo. – Corra, Molly! – Disse ele avistando a janela do banheiro e olhando o que tinha embaixo dela antes de jogar o colar lá. Por sorte era só uma lata de lixo.
Molly não saiu de lá até Sherlock voltar e puxa-la pela mão e os dois saírem em disparada para a saída da igreja. Aquilo tudo tinha acontecido tão rápido que ela mal podia imaginar.
- Eu falei para você correr. – ralhou o detetive.
- Eu não ia sem você!
Um segundo depois se ouviu um estrondo. As janelas tremeram e Molly e Sherlock caíram no chão praticamente já em frente às portas da igreja. John, Mary e o padre eram os únicos ali, e ajudaram os dois a se levantarem. Os cinco olharam para o local onde estava a sacristia e viram um pouco de fumaça vindo de lá. Meu Deus, eles tinham escapado por pouco! Molly não se conteve: agarrou o pescoço de Sherlock e lhe um beijo, o fazendo ficar vermelho (Sherlock corado, quem diria!). Os outros três estavam um pouco chocados com aquela cena toda. Eles iam ter muito que explicar.
**********
Molly e Sherlock tinham ficado horas contando para a policia o que tinha acontecido. Para Mary e John a conversa tinha sido ainda mais longa, pois tinha começado desde o momento em que Sherlock encontrou Molly na escadaria. John tinha ficado incrédulo primeiro, e depois muito feliz pelos amigos. Assim como Mary, que deu um forte abraço nos dois e agradeceu aos céus por estarem bem. Eles estavam agora no apartamento de Molly, tomando chá em silencio. Tinha acontecido muita coisa aquele dia. As emoções estavam à flor da pele e parecia que eles tinham receio de iniciar uma conversa. A legista tinha acordado aquele dia achando que aquele seria o melhor dia da sua vida. E ela não podia negar que estava mesmo sendo. Parecia loucura pensar naquilo depois de quase ter sido morta por um colar, mas ela não podia evitar. Aquele aperto no peito tinha sumido completamente. Ela sabia o que aquilo significava.
Alguns momentos depois aquele silencio constrangedor permanecia no ar. Molly foi até seu quarto devagarinho e um minuto depois Sherlock a ouviu chamando pelo seu nome.
- Sherlock, você poderia me ajudar a tirar esse vestido? – pediu ela com uma pitada de ousadia na voz, mas não sem corar.
- Mas Molly, estamos no seu quarto.
- Eu sei!
*********
Parecia que agora ia ser sempre assim. Os dois iam continuar com suas vidas e seus trabalhos, mas agora Molly ia viver mais aventuras ao lado dele (ela adorava aquilo!), e Sherlock ia viver com mais carinho e romantismo ao lado dela (ele a amava) ♥
Fale com o autor