5º Desafio Sherlolly
1 Molly em fuga
Notas iniciais
Depois do meio ela já não combina muito mais, porque a Molly deu uma surtada, mas enfim... hahahahahahaha
Talvez contenham erros gritantes, pq revisei bem mais ou menos... ;)
Eu me olhava no espelho do grande quarto de hotel. Havia escolhido esse hotel para realizar meu casamento. Meu casamento com Tom.
Foram meses de preparativos, ensaios e ansiedade. Mas agora eu encarava no espelho alguém que eu não conhecia. Meus olhos estavam vermelhos e minha maquiagem precisou ser refeita às pressas. Sherlock saiu do quarto faz apenas alguns minutos.
What would you do if my heart was torn in two?
Ele tinha me pegado desprevenida quando entrou no quarto onde eu me arrumava e expulsou toda a equipe que arrumava meus cabelos e me maquiava. Ele não estava vestido para o casamento. Mas estava lindo. Como sempre.
- Você não pode fazer isso, Molly.
- Por que, Sherlock? — Ele invadia meu quarto e dizia que eu não podia me casar? — Me dê só um motivo.
More than words is all you have to do to make it real
Sherlock leva a mão aos cabelos. Meu coração se aperta. Eu adorava passar a mão por eles.
- Você podia ter me esperado.
- Até quando, Sherlock? Já faz quase um ano que você voltou.
Eu começava a me irritar e ele parecia exasperado.
- Você estava noiva, Molly!
- E o que você fez quanto a isso?
- Você não pode me culpar!
Ele segura meu braço, olhando dentro dos meus olhos. Eu estou com raiva agora, muita raiva. E lágrimas ameaçam aparecer em meus olhos.
- Sim, eu posso.
Sherlock me larga e se afasta, ficando de costas para mim.
- Eu achei que tinha sido importante...
All you have to do is close your eyes and just reach out your hands
Suspirei. Ele tinha. Ele sempre foi. O único que importava. Minhas mãos tremiam quando eu em agarrei ao encosto da cadeira. Eu sabia do que ele estava falando, é claro. Tinha acontecido no último dia que ele ficou no meu apartamento, antes de sumir por dois anos. Nós tínhamos passado duas semanas compartilhando a mesma casa e tendo um ao outro como companhia. Nossa relação cresceu de alguma forma inimaginável. Mas só no último dia nos rendemos a algo que foi maior do que podíamos suportar. Foi a melhor noite da minha vida.
Is not the words I want to hear from you
Mas, no dia seguinte, ele partiria. Eu acordei antes dele e observava o mundo a partir da minha janela quando o ouvi às minhas costas, trazendo suas coisas para a sala. Não dissemos nada por um longo tempo. Eu me sentia vazia agora, com a iminente partida dele. Não conseguia ao menos encará-lo. Quando eu já não consegui mais olhar para o horizonte, meus olhos encontraram o de Sherlock pelo reflexo do vidro. Ele estava parado atrás de mim, me olhando. Lágrimas inconvenientes apareceram em meus olhos. Eu sabia que ele precisava ir.
- Você vai mesmo embora, não vai?
Ele se aproximou de mim. Pude sentir o calor do seu corpo.
- Você sabe que é necessário.
Eu assenti. Um nó se formou em minha garganta. Sherlock hesitou um segundo antes de me puxar para os seus braços.
- Prometa que não vai parar sua vida por mim. Continue, Molls. Eu preciso saber que você estará bem. Você merece alguém que te trate da melhor forma possível, que possa estar presente em todas suas noites, que não precise se esconder contra alguma rede de psicopatas, que possa abraçá-la todas os dias e fazer chá para o seu café da manhã. Alguém que assista filmes com você e enxugue suas lágrimas, alguém que dispute seu colo com Toby e aninhe o corpo junto ao seu ao dormir. Não sou eu, Molly. E eu matarei quem não cumprir essas exigências.
Eu sorri em meios a lágrimas, junto ao seu peito.
How easy it would be to show me how you feel
Ele me deu um último beijo antes de partir. Passei por dias sombrios antes que raios de sol voltassem a brilhar em minha vida.
Volto ao presente, olhando fixamente para as costas de Sherlock. As lágrimas já tinham aparecido e eu fazia um esforço para não derramá-las. Tom fazia tudo que Sherlock tinha "exigido". Então porque eu não me sentia completa? Será que eu queria alguém fazendo chá para mim todas as manhãs? Ou será que o que eu queria mesmo era encontrar uma parte de um corpo humano em minha geladeira quando fosse pegar o leite?
Balanço a cabeça para afastar essas ideias. Agora é tarde. Sherlock vira-se para mim novamente, suspirando.
- Eu não fiz o que devia ter feito, Molls. Não sei o que eu esperava. Você tem razão, eu fui um covarde. Mesmo quando voltei, não fiz nada para mudar nossa situação. Pedi para você me esquecer e ignorei o fato de que isso poderia de fato acontecer.
Vejo ele se aproximar e segurar meu rosto.Eu não te esqueci, Sherlock. Meu corpo quase grita essas palavras.
- Você está linda. Espero que seja feliz.
Eu tremo ainda mais quando ele beija meus cabelos. Sherlock vai embora e minhas lágrimas escorrem.
More than words to show you feel
Mary entrou como um furacão quando ele saiu. Ao me ver em lágrimas, não disse nada, apenas chamou novamente a equipe e eles recomeçaram os trabalhos quando enfim eu consegui parar de chorar. Quando terminaram, ela me abraçou e sussurrou no meu ouvido: Você tem certeza?
Eu só consenti. Sim, eu tinha. Ou não. Não sabia mais. Mas quem desiste do casamento no próprio dia? Para falar a verdade eu já pensava em formas de pedir uma anulação no dia seguinte. Deus, minha vida ficou de pernas para o ar em minutos.
Olho uma última vez para o espelho. Vou parecer alguém que teve um casamento arranjado no regime Taleban, com esses olhos vermelhos e essa expressão de tristeza. Tento simular um sorriso e acho que as coisas só pioram.
Greg vem me buscar, ele entrará comigo no salão. Acho que ele estranha minha expressão, mas finjo que não vejo. Não quero responder a perguntas, não quero falar, só quero que tudo passe rápido. Maldito Sherlock.
Eu não me lembro agora como entrei no salão e nem muita coisa do que aconteceu antes do juiz me perguntar se eu aceitava Tom como meu esposo. Meu mundo deu aquela paralisada que acontece às vezes quando você precisa tomar uma decisão importante, está prestes a dizer uma coisa e então se perguntar o por que de estar fazendo isso.
Via tudo em câmera lenta e parecia que estava fora do meu corpo. Eu encarava o juiz e não o via. Eu me perguntava: Por que eu vou dizer sim querendo dizer não?
A resposta veio rápido. Eu não queria decepcionar os convidados, os familiares, os amigos, os vizinhos, o cachorro, o gato, o poste da rua, enfim, a sociedade. Mas quem estaria todos os dias no meu apartamento, vivendo ali, junto comigo, todas minhas dificuldades e sentimentos? Quem iria querer enfiar palitos de dentes sob as unhas todas às vezes que pensasse que poderia ter feito algo e não fez? Eu. Era insano, era inconsequente, era muitas coisas. Passei anos atrás de Sherlock e agora estava prestes a fazer de novo. No dia do meu casamento.
Meus olhos se desviaram do juiz, indo parar sobre Mary e John. Meus padrinhos. Não sei o que eu procurava. Talvez um sinal. E acho que meus olhos se arregalaram quando ele veio. Vi Mary balança a cabeça ligeiramente, quase de modo imperceptível, me dizendo "não".
All you have to do is close your eyes and just reach out your hands
Meu coração disparou. A ideia de que alguém não ficaria decepcionado com minha atitude era o que faltava. Eu segurei a mão de Tom e a apertei.
- Desculpe.
Disse baixinho. E então me virei e sai correndo. Droga de vestido! Por que não escolhi um menor? Alguém me lembre que da próxima vez eu devo me casar de vestido curto. Quase cai e precisei parar para segurá-lo. Corri para fora do salão como uma louca. Cheguei a rua e não sabia para onde ir. Para onde Sherlock teria ido? Ouvi passos atrás de mim. Ah não, Tom, não.
Mas não era Tom, era John. Seguido por Mary, que sorria.
- St. Barts, Molly. Ele foi para o terraço. — John me mostra o celular. Provavelmente tinha enviado uma mensagem a Sherlock.
Eu revirei os olhos.
- De novo? Você só pode estar de brincadeira comigo.
John deu de ombros, rindo, enquanto eu parava um taxista assustado e balançava a cabeça indignada.
Entrei no táxi com dificuldades. Vestido maldito! Cogitei ficar só de roupa de baixo, mas não pegaria bem. O taxista percorreu o caminho a toda velocidade, acho que assustado com uma noiva em fuga no seu carro.
Chegamos ao St. Barts e... Ops, onde estava minha bolsa?
- Moço, ai meu Deus, eu não tenho dinheiro. Por favor, eu preciso ir. Um idiota me espera. Eu prometo pagar, por favor, deixe algum contato.
Já quase começava a chorar de novo. O homem me olhava com um misto de surpresa, espanto e pena.
- Vá logo, garota. Vá atrás desse sortudo.
Eu quase beijei o homem. Um sorriso de orelha a orelha apareceu em meu rosto, eu agradeci e corri. Tirei os sapatos no meio do caminho. No próximo casamento vou casar de tênis, nunca se sabe quando é necessário correr.
Não sei se foi o fato de eu ser conhecida no St. Barts ou se uma noiva correndo por um hospital era tão estranho que paralisou todo mundo, mas de qualquer forma ninguém me parou. Não consegui esperar o elevador e corri pelas escadas. Quatro andares. Era bom Sherlock fazer isso valer a pena.
Desnecessário dizer que quase cai nas escadas várias vezes. E por muito pouco não chego ao terraço com o lábio cortado e o nariz sangrando.
And touch me, hold me close, don't ever let me go
Passei pela porta quase me arrastando. Sherlock estava de costas para mim, observando Londres. Ele gostava de fazer isso, eu sabia. Acho que ele ouviu a porta se abrir e fechar, porque falou:
- Não, eu já falei que não vou sair daqui. Não adianta tentarem me tirar.
Parei atrás dele. Minhas emoções se misturavam entre rir, chorar de emoção e medo de estar fazendo isso a toa. Cheguei até aqui e não sabia o que falar.
Minha respiração estava pesada por conta dos lances de escada e acho que foi isso que fez Sherlock se virar, irritado, achando que eu era algum segurança.
- Eu já diss...
Ele parou no meio da frase. Me olhando como se eu fosse um fantasma. Tudo bem que eu estava de branco e tudo mais, mas achei que ainda estivesse apresentável.
- O que... O que você está fazendo aqui, Molly?
Tentei sorrir. Agora estava nervosa. Era tudo ou nada.
- Eu... Eu pensei um pouco enquanto o juiz me fazia perguntas decisivas e percebi que eu não quero alguém que fique enxugando minhas lágrimas, ou faça chá para mim todas as manhãs, ou grude em mim que nem uma sanguessuga ou qualquer coisa desse tipo. Talvez, só talvez, eu prefira um psicopata altamente funcional que suma dias inteiros, que deixe objetos estranhos na minha geladeira, que acompanhe minhas autópsias, que faça experiências no Toby. Não, isso, não. Essa parte é brincadeira, ouviu? — Ele ri com isso. Eu também, apesar do nervosismo. — O juiz me forçou a fazer uma escolha. Ele queria que eu dissesse sim ou não, mas eu disse "desculpe" e corri. Eu... Eu escolho você, Sherlock.
Deus. Era agora. Mas se tudo falhasse, eu já podia me jogar dali mesmo. "Funcionou" com Sherlock, funcionaria comigo também. Ele se aproxima lentamente de mim. Eu já disse que me coração está disparado? E agora não é mais por causa da escada. Me preparo para ouvir o que ele tem a dizer. Não consigo ler nada em seus olhos.
- Você sabe que eu não sou a pessoa certa para você. Sabe que eu vou te magoar, vou surtar às vezes, vou sumir, vou me dedicar a algum caso tão intensamente que nós quase não nos veremos por dias. Não é fácil conviver comigo. Não me olhe com essa cara, as coisas precisam estar claras entre nós. Nunca tive um relacionamento e não sei como me sairei. Eu fui sincero mais cedo, eu gostaria que você estivesse solteira quando eu voltei. Não sei se eu teria feito algo, mas eu imaginava que você estivesse me esperando. Sim, eu sou egoísta, além de todo o resto. Pensei em você todos os dias que estive fora, e todos os dias desde que voltei. Eu me desesperei quando vi que você iria mesmo casar. Nunca me senti igual a quando estive com você. Pare de chorar, Molly. Então, se você estiver disposta a ter paciência, ainda mais do que já tem e mais do que eu tenho direito de pedir, saiba que a única coisa que me impede de livrar você desse vestido ridículo são as câmeras. E eu sempre escolhi você. Só me esqueci de dizer.
Eu sorria abertamente agora. Sherlock continuou parado, como se ainda precisasse de uma resposta. De novo uma decisão. Mas agora eu não estava em duvidas. Lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto.
- Sim, Sherlock. Minha resposta é sim.
Ele sorriu para mim. Aliviado. Meu corpo amoleceu quando ele me puxou e me beijou. Seus olhos brilhavam quando nos afastamos.
- Molls, eu... Eu am...
- Você não precisa dizer, Sherlock. Eu sei. E eu também.
Then you wouldn't have to say that you love me
Cause I'd already know
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