Lucky Item
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Chapitre 16 min de lecture

Um símbolo demoníaco

Naquela manhã o céu era feito de um azul escandaloso e limpo. O sol manso era apenas uma penugem amanteigada que cobria as ruas ainda frias da madrugada. Poucos pássaros riscavam o céu e, como se fosse um pássaro, um garoto de cabelos negros riscava a rua em alta velocidade com sua bicicleta anexada a um carrinho vazio de madeira.

Havia um motivo para Takao Kazunari (esse era o nome) se levantasse mais cedo que todos e conduzisse o objeto incomum pelas ruas do Japão nos cinco dias úteis da semana, e o motivo era: o basquete de Midorima Shintar­o. O garoto de cabelos ofensivamente verdes era um ex-membro da Geração dos Milagres; assim como os outros cinco adolescentes, Midorima era um prodígio no esporte.

Inicialmente, Takao desejava vencer o shooting guard, porém foi frustrado quando descobriu que os dois estudariam na mesma escola, a High School Shutoku, e assim jogariam no mesmo time de basquete. Em compensação, o moreno convenceu o esverdeado a jogar 1 x 1 apostando a viagem de ida e volta da escola na bicicleta.

Kazunari vinha perdendo até agora.

Mas isso não o fazia perder o sorriso no rosto. Ele confiava que um dia os seus esforços seriam recompensados e seria ele a se sentar confortavelmente no carrinho enquanto Midorima pedalava até sua casa.

Com esses pensamentos, o moreno parou em frente ao número 34 da rua Ozora, porém o tsundere garoto não estava o esperando no portão como sempre. Takao não demorou a perceber a figura alta de cabelos inconfundíveis que caminhava um quarteirão a sua frente.

— Shin-chan! — Era notável que ele o havia escutado, mas nem por isso parou ou olhou para trás. — Oe, Shin-chan, espere!

Takao o alcançou e reduziu a velocidade para acompanhar sua caminhada.

— Shin-chan, por que você não me esperou no portão?

Midorima o olhou de canto.

— Eu queria andar.

Eles prosseguiram em silêncio até a esquina.

— Então, já passou a vontade de andar? — perguntou o moreno sorrindo zombeteiro.

— Cale-se. — O esverdeado jogou a mochila dentro do carrinho e saltou dentro também.

Takao sorriu sem entender a excentricidade do colega de time e se pôs a pedalar. Porém não se calou. Era o tipo de pessoa que podia falar sobre qualquer assunto e, tirando os breves intervalos para recuperar o fôlego, a viagem foi bastante animada, ele estava de bom humor. A dupla chamava alguma atenção como sempre, mas isso já era de praxe e, embora Midorima continuasse em perfeito voto de silêncio, o moreno sabia que ele estava lá (sentia o peso em cada pedalada que dava).

Ao chegarem à escola, Takao estancou.

— Ei, Shin-chan, eu me esqueci de perguntar: qual é o item da sorte de hoje?

Dos fatos estranhos sobre o jogador prodígio: ele era extremamente supersticioso. Todas as manhãs ele acompanhava a previsão do Oha Asa para seu signo do zodíaco e sempre carregava com sigo o item da sorte para Câncer além de enfaixar os dedos das mãos, só retirando as faixas no banho ou nos jogos.

— Câncer está em décimo lugar, então não vai ser um dia muito bom. O item de hoje é um símbolo demoníaco — ao dizer, ele levou a mão ao pescoço e ergueu uma corrente com uma estrela invertida como pingente. — E devo ficar longe de coisas amarelas.

— Ah, isso vai ser difícil... Você já uma grande galinha — gritou Miyagi que passava por perto com outros caras do time.

Quando chegaram à sala de aula, Takao ainda ria, porém, com menos intensidade, e Midorima parecia estar sendo acompanhado por uma nuvem negra. Mesmo depois de despejar raios e trovões sobre o moreno escandaloso que desatou a rir da piada sem-graça do loiro senpai Shintarou ainda estava de mau humor.

— Você pode rir; Escorpião está em segundo lugar afinal — concluiu amargurado.

O período escolar passou tranquilamente (e, como sempre, demorou a passar). Takao permanecia distraído e conversava entre as aulas, enquanto o amigo supersticioso era inflexível e reservado.

No horário do treino, após as aulas, parecia um milagre que o esverdeado tivesse sobrevivido ao azar (e o moreno ao mau humor do outro).

O treinador vinha com força total sobre eles, o que era compreensível e quase aceitável pelos jogadores considerando a derrota na final da Winter Cup contra a escola Rakuzan. Todos estavam focados para vencer os próximos campeonatos, o que significava uma massa de garotos exaustos ao fim do treino de basquete.

Enquanto todos se dispersavam para os chuveiros ou sentavam-se para esfriar o corpo, os senpais Miyagi e Otsubo chamaram os dois em particular.

— Vamos fazer uma festa surpresa para o aniversário do treinador — iniciou o capitão.

— A esposa dele liberou a casa pelo final de semana, então seremos apenas nós, alguns amigos antigos dele e bebidas — explicou Miyagi sugestivamente.

— Como podemos ajudar? — perguntou Takao animado.

— Eu não vou — disse Midorima ao mesmo tempo.

Houve um breve momento tenso.

— Por que não? —perguntou Otsubo aquilo que os outros dois também queriam saber.

— Já tenho compromisso.

— Por que você não bate nele Otsubo? — perguntou Miyagi com o olhar pidão para o capitão.

—Provavelmente, a festa vai virar a noite, Shin-chan, você pode aparecer depois.

— Acho que não.

Shintaro lhes deu as costas indo para o lado das bolas de basquete, ele sempre treinava seu arremessos de três pontos depois que a quadra esvaziava.

Os dois encararam o Kazunari.

— Eu vou convencê-lo — sorriu nervoso.

— É bom que faça — expôs o capitão do time.

Após mais algumas horas de treino e da habitual partida 1 x 1, os dois garotos se aprontavam para ir embora. Eles haviam pegado bebidas na maquina do refeitório e iam em direção a bicicleta. Midorima bebia sopa de feijão vermelho e Takao optou por um refrigerante de abacaxi.

O moreno tagarelava sobre o treinador e os outros caras do time quando eles chegaram ao carrinho, era inicio de noite.

— E então, qual é o compromisso que você tem no sábado?

— Vou sair com uma garota.

Takao cuspiu todo o suco no rosto do esverdeado. Midorima suspirou fechando os olhos, ele havia sido avisado sobre coisas amarelas.

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