Dia 1 ― Pro dia nascer feliz – Barão Vermelho
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
Gaara amassou o cigarro entre os dedos, exalando a fumaça entre os lábios finos. Observou-a subir e se dissipar no teto enquanto ouvia a respiração calma e ritmada de sua namorada. Era uma pena que sua insônia aguda o impedisse de fazer o que Ino fizera; se deitar enrolado nos cobertores e dormir um sono revigorante.
Deu mais um trago longo, como se estivesse se induzindo a um estado de calmaria completo. Inspirava e exalava no mesmo ritmo que as ondas molhariam uma praia. Tragando lentamente, saboreando o momento, e soltando a fumaça com igual lentidão, quase como se reverenciasse o ato.
Estava estressado ultimamente, chegando em casa tarde só para ser recebido com um jantar na geladeira para esquentar e Ino num sono pesado. Não que a culpasse; era perto de meia noite quando ele saía do trabalho de tanta coisa que tinha para fazer esses dias quando Temari estava de férias. Se levasse o trabalho para casa, acabava se distraindo e não realmente o fazendo.
Deitava morrendo de cansaço, mas sua cabeça continuava a funcionar até altas horas e a agitação era tanta que era comum dormir só às três, quatro da manhã.
Mas gostava do fato de que estava fazendo um bom trabalho, jogando na cara de todos que disseram que ele não seria capaz de presidiar a empresa corretamente. Na cara deles, resmungava para si mesmo.
Resolvendo que não iria dormir tão cedo, levantou-se da cama, levando seu maço de cigarros consigo. Gostava do fato de que ele e Ino moravam em uma parte mais afastada da cidade; conseguia ver uma parte das estrelas por conta da poluição mais afastada. Adorava, especialmente, quando era verão e ele podia ficar até sem camisa lá fora que o vento não o incomodaria. Achava uma certa beleza nessa solidão.
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido, fazendo fita
― Gaara? ― ouviu Ino lhe chamar. Ela estava esfregando o olho com uma das mãos enquanto uma a apoiava. Uma das alças de sua camisola escorregara e era possível ver quase completamente um dos seios dela. Seu cabelo estava desgrenhado e as ramelas estavam bem visíveis. ― Ainda está acordado?
― Não consegui dormir. ― Voltou para a cama e a beijou, o contato gentil e sem grandes extensões. ― Volte pra cama.
― Não! ― ela recusou entre bocejos. ― Faz uns dois dias que não te vejo. Você estava ocupado. Não quer recuperar o tempo perdido?
― Ino ― ele repreendeu, balançando a cabeça e colocando as cobertas de volta ao lugar. ― Você está cansada, vá dormir.
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
― Foda-se o meu cansaço. ― Gaara revirou os olhos ao ouvir essas palavras saírem da boca da Yamanaka. Típico dela. ― Me beija logo, vai.
― Se é isso que deseja. ― E a beijou, novamente cálido, mas logo tomando um novo rumo quando Ino se deitou na cama, puxando Gaara com ela pela nuca. Seu cabelo loiro se espalhava pelo travesseiro, mas ela o acumulou em uma montanhazinha do lado de sua cabeça antes de que ele atrapalhasse. Passou a mão pelo peito nú de Gaara, passando a mão pelos mamilos do mesmo, fazendo-o ficar ainda mais alerta. ― Ino...
Ele sequer tirou a camisola dela, somente livrou os braços dela das alças e arrastou o tecido sedoso até a barriga da mesma, onde se acumulou quando ela ergueu as pernas para enlaçar seu quadril. Beijou os seios dela, enlaçando-os com sua língua e molhando-os com sua saliva, a brisa que vinha da janela da varanda aberta fazendo com que Ino estremecesse.
Ele achava, pessoalmente, o modo simples e significativo com que faziam amor maravilhoso. Eles se conheciam bem; seus beijos eram ritmados, uma descoberta de terra já colonizada, e seus toques eram como penas, tão ligeiros, ou como correntes, marcando um ao outro. Não era novo, mas era igualmente bom.
Procurando vaga
Uma hora aqui, outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris
Sua calça de pijama foi empurrada para baixo por suas próprias mãos, enquanto as mãos de Ino se ocupavam de sua calcinha. A cueca foi empurrada junto e logo estavam ambos nus, seus movimentos certeiros quando ele a penetrou, o suspiro de alívio e de prazer alto no silêncio barulhento dos corações disparados e das cigarras cantarolando.
Ele a beijou novamente, intenso e forte como se fosse seu primeiro amasso, e logo começou seus movimentos. Deus, como a amava. Amava a expressão de prazer que ela tinha no rosto, adorava a mania que ela tinha de terminar seus beijos com um puxão no lábio inferior, adorava a forma que ela gostava de se arquear quando atingia o clímax sob seu corpo.
Despencou ao lado da garota quando sentiu a si mesmo chegar ao tão esperado orgasmo, adorando a proximidade que tinham novamente. Não tinha notado quão dependente se tornara durante essas poucas semanas em que mal se viram.
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Sentia sua cabeça ser ocupada somente por Ino. Sem mais preocupações do trabalho, só Ino, que estava deitada do seu lado, sua respiração se normalizando lentamente. Ela era tão linda, seios à mostra, os mamilos endurecidos por causa do frio da brisa, intensificado porque a pele ainda estava úmida, seu pescoço molhado de suor e os lábios vermelhos pela intensidade dos beijos que trocaram.
Odiou o tempo separado dela, odiou-o tão intensamente, mas agora isso tudo parecia tão distante. O momento era deles dois e somente deles.
Me dê de presente o teu bis
Puxou-a para si com um braço, sentido o calor dela entorpecer sua pele. Estava quase dormindo quando a sentiu se mexendo novamente, fazendo-o se deitar na cama de costas. Ino se sentou um pouco acima de seu quadril, sem colocar realmente seu peso nele. Ele a encarou, divertido, enquanto colocava suas mãos nas coxas dela.
― Bis? ― ela perguntou, sacana, enquanto jogava seu cabelo para trás.
― O que está esperando? Me beija ― exigiu, e Ino revirou os olhos antes de se abaixar e beijá-lo de novo.
― Senti sua falta ― murmurou contra seus lábios, enquanto terminava o beijo com o lábio inferior dele dentre seus dentes.
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
― Eu também. ― Inverteu as posições. ― Graças a Deus que amanhã é sábado. Vai me acompanhar na minha insônia, Ino, a noite inteira.
