Chaves do Destino

A Cabana Desalmada


Eu estou passeando pelo vilarejo de uma cidadezinha minúscula. É um lugar simpático, o povo é comum e normal, vivendo suas vidinhas medíocres repetitivamente, como se o mundo fosse espera-los, como se o tempo parasse para alguém acordar e perceber que aquela pacata vida não valia a pena. Mas em fim, esse lugarzinho no meio do nada não me chamou a atenção, então sigo andando a passos curtos, com o olhar explorando cada canto em volta. De repente, na verdade não foi tão de repente, avisto ao longe uma floresta de árvores frondosas e resolvo ir até lá, não tinha nada a perder mesmo, então entro floresta adentro.

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É estranho, pois quanto mais eu caminho, mais parece que não saio do lugar, pois tudo se repete como em um dejá vu infinito.

Porém, sinto um alívio ao ver uma pequena cabana de madeira, ela tem uma aparência tristonha. E não é pra menos, vivendo isolada no meio do nada, sem companhia e nem alguém para lhe dar bom dia, sem uma viva alma capaz de arrumá-la, cuidá-la e enfeitá-la, nem que seja plantar algumas flores com aromas agradáveis, apenas para quebrar aquela tensão de “casa mal-assombrada”, no lugar dela eu também não sorriria mais.

Eu sei que devo voltar, mas minha curiosidade é tão intensa que eu mal consigo controlar as minhas pernas, que estão, nesse exato momento, indo automaticamente à cabana tristonha.

Abri a porta, e pude ver um corredor escuro, sem nenhum resquício de luz, a escuridão total toma conta do ambiente, e eu não consigo enxergar nem um palmo na frente do rosto. Mesmo assim, sigo andando, desorientada, posso a qualquer momento ser pega em alguma armadilha. Mas ao contrário do que muitos pensam, não me abato pelo medo, pois já é tarde demais para voltar.

O corredor para em uma escada Santos Dumont, feita de madeira clara com dois corrimões de mesmo material. É a única coisa iluminada, algo que eu posso ver com nitidez até o pó que paira sobre os degraus, mas o que me intriga é essa luz misteriosa que parece vir de “lugar nenhum”, apenas inicia-se no nada e da ênfase a escada.

Olho para os lados, mas nada confirmo, pois a escuridão não deixa. Parece que propositalmente querem me guiar até a escada, pois é a única coisa que eu enxergo. Essa sensação está entrando na minha cabeça como uma agulha, alguém está a me manipular de uma forma incrível, o medo começa a tomar conta de mim, muitos poderiam ficar paralisados com essa sensação, mas isso só está me motivando a seguir em frente.

(continua...)