"Clap along, if you know what happiness is to you."
Naquela manhã de segunda-feiraos funcionários do departamento da polícia científica de Central City executavam suas tarefas com costumeira seriedade e comprometimento, não se permitiam distrair-se à toa, portanto não deram real importância quando o cientista Barry Allen adentrou o local de trabalho de maneira um tanto afoita, em mais um de seus habituais atrasos, todavia não conseguiram deixar de notar que havia algo estranhamente peculiar com o jovem loiro de olhos azul celeste.
O dono de madeixas claras cumprimentou a todos com genuína alegria, sempre foi deveras atencioso e cortês com todos os colegas de trabalho, mas para eles toda aquela animação era uma agradável novidade, outro fator que aguçou o interesse e curiosidade dos demais era o sorriso enorme que adornava o belo rosto do cientista, tão diferente dos singelos curvares de lábios que geralmente apresentava. Imediatamente todos puseram-se a perguntar internamente o que havia acontecido com o rapaz: haveria ele recebido uma boa notícia? Quem sabe uma proposta de um emprego melhor, afinal, não podiam negar que o jovem possuía muito talento. Ou talvez finalmente se resolvera com alguma garota de sorte, sabiam que apesar do jeito doce, Allen tinha dificuldades para se relacionar com pessoas devido a sua timidez.
Patty Spivot, amiga e parceira de Barry também observou o estranho comportamento do rapaz, mas ao contrário de seus colegas de trabalho, não perdeu tempo formulando possibilidades que explicassem o motivo dele estar agindo assim, a loira de cabelo liso e curto simplesmente aproximou-se do amigo, o segurou pelo braço e puxou-o para um lugar onde pudessem conversar longe dos olhares indagadores.
— Barry, o que aconteceu? — a loira indagou sem receio ou rodeios, não se lembrava de antes ter avistado o amigo com tamanha alegria e queria saber o que houve.
Allen encarou a parceira de trabalho, sabia que a mulher havia notado o seu jeito diferente, não podia negar, sentia-se radiante! Pensava que sua vida não poderia estar melhor, Central City estava estranhamente sossegada nos últimos tempos, crimes e acidentes ainda aconteciam, entretanto com uma frequência menor, a Liga da Justiça crescia cada vez mais, o que possibilitava pequeno, mas significativo descanso ao velocista escarlate, todavia, apesar desses acontecimentos serem extremamente agradáveis, eles não eram o principal motivo de tanta animação, o que fazia Barry sorrir feito bobo possuía intensos olhos castanhos, cabelo macio da mesma cor e uma habilidade sem igual de tirá-lo do sério, o nome dele era Hal Jordan.
Hal e Barry eram melhores amigos e uma das duplas mais famosas e dinâmica quando vestiam seus uniformes de super heróis: Lanterna Verde e Flash. Embora tivessem personalidades bastante distintas sempre conseguiram se dar bem e confiavam totalmente um no outro, as pessoas não entendiam como homens tão diferentes conseguiam se relacionar de tal maneira, nem eles mesmos compreendiam, mas não se importavam, gostavam um do outro e isso era o suficiente para continuarem sendo próximos.
Hal Jordan voltara há pouco tempo de uma missão no espaço, no período em que permaneceu longe da terra tivera certo tempo para refletir sobre algo que estava o atormentando, em toda sua vida sempre gostou de inovar, se cansava rapidamente de rotinas e tinha dificuldade enorme para se apegar às pessoas, mas contrariando todas as suas expectativas rapidamente afeiçoou-se por seu amigo Barry e sentia um medo enorme de perdê-lo, achou isso estranho desde o início e perguntava-se qual era a razão desses sentimentos incomuns, enfim chegou a conclusão de que era apaixonado pelo velocista. Aceitou a situação facilmente, não era de pensar muito, o que explicava seu comportamento impulsivo, foi por isso que ao voltar para seu planeta de origem a primeira coisa que fez foi encontrar o melhor amigo e beijá-lo até deixá-lo sem fôlego, para só depois dar uma explicação. Apesar de ser o homem mais rápido do mundo, Barry foi pego totalmente de surpresa com o que aconteceu e demorou a entender, porém, após o susto, aceitou com inesperada rapidez e correspondeu ao portador do anel verde, sempre se amaram mutuamente, mesmo que implicitamente.
— Eu estou feliz. — respondeu com simplicidade, era reservado demais para dar explicações complexas, mas a frase curta resumia tudo o que tinha a dizer.
Barry estava feliz como nunca estivera antes e tudo o que desejava era que essa agradável sensação permanecesse com ele por muito tempo.

