Gaara bufou mais uma vez, esperando alguma resposta da moça do seu lado. Foi em vão. Ela continuava a brincar com aquele maldito gato preto.
Por que havia mesmo dado aquele bicho de presente de aniversário à Hinata?
Um minúsculo sorriso surgiu em sua face ao lembrar-se do quanto ela amava os felinos, mas nunca havia tido a oportunidade de ter um, uma vez que não permitiam animais em seu condomínio.
— O Kishan é lindo, Gaara! — exclamou ela; as bochechas aumentando de tamanho por causa do enorme sorriso.
— Kishan?
Hinata assentiu com a cabeça.
Gaara sentiu vontade de tocar as madeixas escuras ao vê-las balançando. Porém, apenas continuou a olhá-las.
— Mas onde ele vai ficar?
— Na minha casa. — E então ele a fitou com mais interesse — Pode ir visitá-lo sempre que quiser.
Sentiu um alívio ao notar que Hinata, enfim, havia retirado a atenção do gato e agora pousava seus olhos perolados nele.
“Finalmente!”, pensou.
Mas logo após xingou-se mentalmente. Estava querendo disputar a atenção de Hinata com um mero gato? Não mesmo.
— Mas, Gaara… — a voz da Hyuuga saiu tremida — Eu não vou te atrapalhar?
Ele quis responder que ela nunca o atrapalharia. Pensar em dizer aquilo à ela fez com que um arrepio percorresse seu corpo.
— Não, não vai.
Hinata enrubesceu ao sentir que o ruivo a analisava. Sentia sua pele queimar. Como se buscasse uma saída – era tão difícil assim se controlar? –, passou a observar o bichano, agora sentado no chão, em frente ao sofá. Os olhos amarelados a encarava, como se a encorajando a tomar alguma atitude.
Ela suspirou leve, mas demoradamente. Iria abrir a boca quando sentiu o braço de Gaara rodear seus ombros.
— Hinata…
A Hyuuga virou-se para ele rapidamente, encontrando os frios olhos verdes lhe encarando. Não soube decifrar o que estava implícito neles. Naquele momento, era capaz até mesmo de ouvir as próprias batidas aceleradas.
— Sim?
— Não precisa ficar com tanta vergonha. — Gaara cessou o contato visual entre eles, mirando agora a boca rosada entreaberta — E não precisa… me beijar… se não quiser.
A Hyuuga pensou no quão vermelho deveria estar seu rosto naquele momento. Olhou brevemente para Kishan, e num ímpeto de impulsividade, subitamente colou seus lábios nos de Gaara.
Mas tal momento durou apenas poucos segundos, porque Hinata logo se afastou e o olhou.
Gaara abriu a boca para protestar, mas ela o calou pondo um dos dedos em seus lábios.
— Eu quero tocar nos seus cabelos, bagunçá-los da mesma maneira que você faz quando fica nervoso. Desejo tocar sua pele, e também quero que tu me toque.
O ruivo sentiu os lábios ficarem secos. Por mais que ele e Hinata estivessem juntos há algum tempo, jamais havia visto ela falar daquela maneira. Jamais havia realmente se beijado. Eram apenas selinhos, nada mais.
Notou quando ela pareceu tomar coragem mais uma vez e voltar a falar:
— E eu quero que você… me beije.
Gaara demorou alguns segundos para processar toda aquela informação. Porém, com medo de que ela mudasse de ideia, simplesmente tomou os lábios de Hinata. As mãos dela foram parar, timidamente, em seu peitoral, enquanto ele enlaçava sua cintura.
O ruivo aprofundou o beijo com delicadeza, como se um único movimento brusco fosse quebrá-la.
Hinata sentiu todo o seu corpo tremer quando os lábios de Gaara foram de encontro ao seu pescoço, pousando um único e demorado beijo naquela região. Ao abrir os olhos, a Hyuuga teve que piscar várias vezes para ter a certeza de que estava acordada.
Ainda que os olhos estivessem abertos, achou que estava sonhando: Gaara estava com um sorriso – pequeno, mas ainda assim um sorriso – em seu rosto. Ela não pôde evitar sorrir junto a ele.
— Esse é o melhor presente que eu poderia receber.
A resposta de Gaara foi apenas o silêncio, enquanto a puxava para o seu colo, deixando-a descansar a cabeça em seu peito. Suas mãos foram de encontro ao cabelo macio que ela possuía.
A Hyuuga voltou a olhar para seu gato. Deitado, ele parecia exibir uma feição de satisfação. Hinata não fez nada mais que sibilar um “obrigada” para o bichano, sabendo que fora ele quem lhe deu seu maior presente: a coragem

