Tarde de Núpcias
Tarde de Núpcias
Capítulo 19 min de leitura

Capítulo Único

Era para ser a noite mais maravilhosa de Lydia e Edgar, mas não foi... Deixe-me explicar levemente o que aconteceu. Durante as investigações sobre a organização do Príncipe houve uma moça que auxiliou Edgar com informações. Sim, ele contava com Scarlet Moon, entidade criada para dar alicerce na briga contra o grande algoz do conde, mas essa garota era uma espiã infiltrada na organização e trouxe dados bem no dia do seu casamento. Num ímpeto, nosso conde idiota a abraçou quando ela disse correr perigo de vida e aí a fairy doctor viu... Pronto, estava armada a confusão.

Junte-se aí, uma poção de amor dada por uma das fadas convidadas para matrimônio a fim de que Lydia fosse tranquila para noite de núpcias, Kelpie tentando tirar vantagem da situação e Edgar ciente do ocorrido. Simplesmente, eles não se entenderam e dormiram cada um em seu quarto. Muito bem, no dia seguinte, quando Edgar cogitou anular o casamento, Lydia caiu em si e disse que gostaria viver com ele como marido e mulher. É bom relembrar que estamos no século XIX, Londres, Era vitoriana e sexo para uma moça “direita” só acontecia depois do casamento.

Quando o jovem conde percebeu que essa seria brecha de finalmente consumar o casamento, não teve dúvidas. Pegou a fairy doctor nos braços e disse ao mordomo sereiano:

— Tompkins, faça que ninguém, absolutamente ninguém, nos perturbe! Mesmo que seja a Rainha!

Subiu as escadas, e Lydia lançou um olhar entre feliz e assustado ao marido. Naquele tempo, a noiva não tinha lá muita ideia do que poderia acontecer quando entravam no quarto. O que Lydia sabia é ambos ficavam nus e...

Foi aí que ela percebeu que o jovem abriu a porta. Levou-a até a cama e a deitou como fosse o mais frágil dos cristais. Ele lhe deu um sorriso radiante e tão feliz que aos poucos seu coração se acalmou. Voltou para fechar a porta e a trancou.

— Bem, o famoso enfim a sós! – disse virando-se para ela.

— Sim! – foi o que ela pôde responder.

— Prometo que vou ser...

— O mais gentil dos cavalheiros, não é? – indagou a garota.

Mas mal ela acabou de dizer, o viu tão perto, que pode sentir a sua respiração e seu hálito.

— Edgar...

Foi tudo que ela pôde dizer. O jovem conde atacou o seu pescoço com tal ferocidade que a deixou sucumbir para trás. E então percebeu que isso poderia ser feito tão livremente como outras vezes que ele o fez nas bibliotecas de certos viscondes, nos jardins da mansão e enfim, em tempos que eram simples namorados. Em outras vezes, ela protestou, mesmo que estivesse gostando e muito, e dizia que eles não eram casados. Mas agora, eram. As alianças de ouro no dedo anular de ambos acusavam o fato. Mesmo o vestido de noiva que Lydia usara na noite anterior, estava lá, esticado em um canto. Ele era para ter sido retirado por Edgar, mas isso não importava mais.

A sensação era deliciosa, ela sentiu arrepios pelo corpo como outras vezes, mas agora não precisa mais de pudor, não é? Do pescoço, Edgar retornou para face da noiva. Por um momento os dois se olharam carinhosamente e se beijaram. E ele se sentia leve, quase ébrio, mesmo que não tivesse tomado uma gota de álcool.

Instintivamente, seguiu para o colo, os seios, a barriga e com Lydia ainda vestida. Retirou as botinhas delicadas da jovem esposa, e voltou-se para as suas costas para desabotoar o vestido. Na altura do campeonato, Edgar já havia tirado os sapatos e fechado as cortinas da cama dossel para obterem mais privacidade. O Sol da tarde começava a invadir as pequenas frestas das cortinas, mas eles não se importavam.

O jovem conde encarou a profusão de botões delicados de madrepérola do vestido. Suas mãos ágeis trabalhavam com maestria e delicadeza. Afinal, tinha um conhecimento profundo na área. O galante cavalheiro que já tinha desfeito cabelos, vestidos e corações de outras damas. Mas com Lydia era diferente. Apesar de toda habilidade, que ele demonstrava, exibia todo o carinho e amor que tinha reservado só para ela. E então, a cada botão desfeito, um beijo nas costas da garota foi dado. De forma tímida, Lydia sentia que seu corpo todo correspondia aos beijos. Era um sentimento tão bom, quanto estranho e natural. Ela não saberia explicar naquele instante o que passava na sua cabeça, apenas queria continuar. Mesmo que no fundo tivesse medo, mas ela confiava em Edgar, não é? Retirado o vestido, corpete, meias, ceroula, e outros aparatos femininos foram revelados. Ele retirou quase todos com a mesma destreza e sutileza como antes.

E por momento, ela sentou-se e perguntou:

— Posso? – indagou Lydia, enquanto tirava a sua casaca.

— Claro! – respondeu enquanto a encarava apaixonado. E passou a mão sobre o rosto da sua esposa.

Os olhos malva-acinzentados a desconsertavam, mas ao mesmo a encorajavam para que Lydia continuasse. Mas, ele foi sensível o suficiente para perceber que ela estava nervosa pelo tremor dos seus dedos graciosos. E por isso mesmo estava com dificuldade em desfazer a gravata. E assim ele a auxiliou. A garota retirou as mãos que a ajudavam em silêncio. Ela foi capaz de informar que iria retirar as outras peças, sozinha. E assim o fez, o colete, a camisa, mesmo com as mãos trêmulas. Agora, vestindo apenas a calça, ele a envolveu com os braços e a abraçou pela cintura, puxando-a mais para perto e a beijou. Foi tão intenso, que Lydia sentiu uma comichão se apoderar de seu corpo. E Edgar novamente a atacou, mordeu de leve o lóbulo da orelha, beijou pescoço e retirou com vivacidade o resto das peças. Quando os seios foram revelados, ele parou como estivesse em frente a uma obra de arte.

— Eles são lindos! Sempre tive uma curiosidade de vê-los. – revelou.

Lydia corou violentamente, e ele reparou, segurou o rosto da fairy doctor, entre as mãos, e disse:

— Não é para ter mais vergonha de mim, você sabe disso, não é?

— Não sei como agir! – respondeu com inocência.

— Ora, Ly, você sabe... Aliás, seu corpo que vai te guiar. E não tenha medo, vai ser uma experiência deliciosa.

Ela sorriu e seguiu os instintos e coração. O beijou, deslizou as mãos sobre as costas do marido. Pôde sentir toda a delicadeza da sua pele. A doçura de seu toque, enquanto acariciava e beijava seus seios, barriga e pernas. Eram tantas sensações que ela não pensava mais. E assim, ficaram nus. Ela com uma curiosidade quase infantil, o olhou por inteiro. No começo foi um pequeno choque, aliás, sabia ligeiramente que quando um homem excitado ficava, mas não sabia que era algo... Ela não sabia descrever. Afinal, também estava descobrindo sua sexualidade e seu lado sensorial.

Ele veio ao encontro dela e a beijou. Conduziu-a de forma que ambos estivessem deitados de lado, mas frente a frente. Enquanto alisava os cabelos cor de caramelo da esposa e encarava os profundos olhos verde-dourados revelou:

— Prometo que vou bem devagar.

— Ainda estou com um pouco de medo.

— Não tenha, não! – e sorriu. — Ly, tem ideia de quanto esperei por isso? Tem ideia o quanto estou feliz agora com você?

— Mas, não sei se posso ser melhor do que...

Ele a calou com mais um beijo e a acalmou com as palavras:

— As outras? Daqui para frente, na minha vida, só existe você! Aliás, só existe você na minha vida!

Com suavidade, ele posicionou a perna de Lydia entrelaçando com a sua, de modo que ficasse mais fácil para penetra-la e fosse menos doloroso para ela. Só que o nosso experiente rapaz explorou o pequeno monte de Vênus da esposa com os dedos, e estimulou com carinho seu clitóris. Agora sim, Lydia sentiu um prazer que nunca tinha experimentado antes. Sua respiração foi a mil, fechou os olhos e sua cabeça rodopiou. O estímulo a fez sorrir, e assim ela conseguiu se entregar de forma imediata ao marido. Parecia que duraria uma eternidade essa carícia, mas, ela percebeu que queria mais. Pediu por mais! Mesmo não sabendo muito bem o que era. E assim, Edgar a atendeu.

Quando fairy doctor se deu conta, ele estava dentro dela. A princípio lhe pareceu incômodo e, de certo modo, doloroso, mas o jovem conde, vivo como era, continuava a estimulando de todas as maneiras possíveis. Mas o que importava? O calor dos seus braços, seus carinhos e beijos procuravam relaxa-la.

Por outro lado, Edgar agora realizava tudo que queria sentir, a pele macia e suave de sua esposa, sem todos aqueles aparatos que prejudicavam seu toque. A pressão dos seus seios contra seu peito, assim como a perna. E ele compreendeu que nunca tinha experimentado: o amor. De certa forma, Edgar era um virgem no assunto. Deitou com várias mulheres, não podemos negar, mas ama-las? Isso era outro significado. Para ele era apenas um jogo de erotismo e diversão, nada mais. Passaram-se tantas em sua vida, que nem sequer ele lembrava os rostos e nem seus nomes.

Naquele quarto, com Lydia em seus braços, o rapaz, finalmente, entendeu o que era fazer amor. Ela suspirava, gemia, sorria, tudo ao mesmo tempo. E era difícil controlar. O incômodo de uma dor estranha ainda pedia sua atenção, entretanto, ela tinha que disputar com todos os carinhos que Edgar lhe despejava. Trocaram de lugar, sendo que ele ficou sobre ela, e deu maior liberdade para que Lydia explorasse o corpo dele. Passou as mãos pelos seus cabelos, rosto, acariciou os lábios, peito. Mas por outro lado, algo muito esquisito lhe tomou. O corpo tremia e exigia mais daquilo, e de repente lhe deu vontade de urinar. “O que era aquilo? Logo agora?”, pensou.

Tentou empurra-lo, mas ele compreendeu que ela experimentava pela primeira vez um orgasmo. Edgar ficou tão feliz e observou a situação.

— O que está acontecendo? – indagou com inocência.

—Isso? É prazer! Ly, se deixe levar e não tenha medo. Você vai ver o quanto é gostoso.

Ele continuou se mexendo junto a ela, mas devagar e logo parou. Ela ainda tremia, soltou um gemido mais alto e sorriu.

Não demorou muito para ser a vez dele. E foi o mais doce dos clímaxes que experimentou. Ela instintivamente o beijou. Eram apenas um e só isso que queriam ser.

Ele rolou para o lado dela. E fechou os olhos, tão inebriado pela emoção que só pôde perceber que não era um sonho quando ela encostou-se a ele. A fairy doctor disse algo, que Edgar não entendeu e pediu para que ela repetisse.

Ainda tímida e acanhada, Lydia indagou:

— Podemos fazer isso mais uma vez?

— Sempre! – ele virou-se para ela, a beijou de novo e completou: — Sempre que você desejar, meu amor.

Fim!

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