Zona Obscura

41º - Requiem Obscuro


De momento passear em qualquer vila daquela cidade era como caminhar pela estrada iluminada do Purgatório. As poucas pessoas que se encontravam na rua pareciam sombras do que costumavam ser. O horário noturno fora suspenso e a reunião de emergência que se realizaria em poucas horas tirava toda a calma dos cidadãos. Até as vilas menos problemáticas estavam assim. O pânico é como o veneno, espalha-se por todo o lado.

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Os chefes das vilas começavam a chegar a Black. Mesmo numa altura como aquela a curiosidade sempre chamava algumas pessoas até à rua para ver os nove pilares da cidade. Desta vez metade vinha acompanhado de um subordinado de confiança, excepção permitida quando se tratava de reuniões extra oficiais.

Akamachi, Lola, Niall, Wallace e Bernard vinham sozinhos. Adam trazia Feng, Davis fazia-se acompanhar por Renan, Patrick vinha com Analie e Syrena e Johnathan, depois de muita pressão, viu-se obrigado a trazer Hana.

Ainda faltava tempo até à hora da reunião por isso os lideres aproveitavam para visitar a vila principal ou simplesmente relaxar, se é que o contexto dava para relaxar.

Ir para uma reunião onde não faziam ideia do que se ia passar deixava muitos deles no mínimo desconfortáveis e a revelação de que Damon estaria presente ainda piorava a situação destruindo as esperanças de que a guerra não passasse de um boato. Imagem confiante à parte, todos estavam com receio.

O tempo ia passando. Era como se um relógio de corda se alojasse dentro da mente de cada um impedindo-os de ignorar o que estava por vir. Tic tac, a reunião. Tic tac, revelações. Tic tac, uma estratégia. Tic tac, guerra!

Dá que pensar. Será nestes momentos que nos sentimos os mais inúteis seres à face da Terra?

Faltava cerca de vinte minutos quando aparece um homem a avisá-los para subir e se dirigirem à sala de reuniões. Dois dos chefes ainda não haviam regressado depois de tirem saído para arejar.

***

Uma voz masculina ecoava pelo parque de estacionamento cantando.

Patrick, que estivera no seu carro até aquele momento, encontrava-se encostado a um pilar escondido pelas sombras ouvindo tão perturbadora melodia.

A letra em japonês não deixava dúvidas de quem estaria a recitá-la e isso só trazia mais insegurança para quem a ouvia.

Il giudizio finale sta per essere emesso

Nessuno può emendarsi dal peccato che scorre nelle vene

Uminari no shirabe ni kurokumo wa sora e tsudou

Arashi o yobu kaze wa takaraka ni

Nazomeku koto no ha ni majotachi wa fukumiwarau

Ibitsu na yoru no utage wa kurikaesu

Sperare

Naraku e to ochita kiniro no chou wa

è peccato?

Ikutsu no tsumi ni hane o nurashite yuku no

Nakanaide

Torawareta gensou o kowashi

Ichidokiri no shuuen o ageyou

Hatasenai yakusoku wa mune no oku kogetsuite

Akaku akaku hazeteku yo nee

Tu sei senza peccato,

Quanto sarà pesante il mio castigo?

Aproveitando a pausa no final do refrão Patrick sai de trás do poste mostrando-se:

– Os carros servem para te sentares dentro deles, não em cima.

O rapaz dá um pula de susto, quase caindo do teto do carro onde se encontrava sentado de pernas cruzadas.

– Patrick-kun*! Assustaste-me.

– O que fazes aqui Akamachi?

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– Apeteceu-me cantar um pouco, só isso. - Akamachi, que à minutos cantava, desliza para o chão.

– A reunião está para começar.

– Oh, é mesmo! É melhor apressar-mo-nos.

O líder de Blue encarava a cara meio despreocupada do colega:

– Da última vez que ouvi essa música aconteceu uma desgraça.

– A minha avó dizia ser um dom. Desde pequeno que canto quando algo importante está para acontecer. Eu acho uma maldição. - Sorri o chefe de Red tristemente.

Patrick nada disse. Não queria concordar mas já vira isso acontecer. Dias antes da guerra de cinco anos atrás, ele, Johnathan e o Supremo haviam-no encontrado sentado numa pedra do jardim da mansão de Black a cantar a mesma música. O depois apelidado, Requiem Obscuro.