invisible colors
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Kapitel 12 min Lesezeit

Contornos oblíquos

Cores invisíveis

E se a tudo tingem aquela cor

Se vestem a tudo nesta casca

Não soubesse a falta da lasca,

Antes seria tempo de sabor

Liberdade, corre turva de dor

Que jeito há de passar a nevasca?

Lealdade, espalha-se à rasca

Embriagado povo palia tumor

E sabe-se que falta pedaço

E mesmo veste a cor festeira

Passos fortes, emudecidos

Antes, graça corriqueira

Hoje, sabores destruídos

E deixam a cor falsar seu aço

“Não abre os olhos se vê escuro

Não há de derramar se não mira

Cerra os olhos, e não admira

Ceguei-te, assim teu olhar costuro

Que cor farei verdes como puro?

Venha, prove de mais mentira

Que cor, se amarelas na ira?

Venha, enche de lealdade o furo

Colorirei as trevas de seu mundo

Sorrisos ao samba, louve o campo

No seu olhar, amor é colorido

Se já é cego, a voz eu tampo

Sorri ao fogo que lhe foi servido

E então, arranco e aleijo a tudo.”

“Cerra os olhos e evita o mal visível!”

Cerrei os olhos e deixei-me previsível

“Bem não há de mirar, só há de existir”

Minha terra, as palmeiras hão de resistir

Enfim sangrei verde e amarelo

Mirei nosso cinza esquecido

Pátria de contorno varrido

E morri de descaso ao belo

Enfim sangrei o que era gelo

Sem olhos postiços detido

Tomei cinza nas mãos, tinha ido

Apagar fogo que não mais velo

Terra sem mais sabiá cantador

Sábios sem mais terra a provar

Antes, que há de rico a surgir?

E se verdade que hei de tingir

Brasil, ocultos não hão de entoar

Hoje, seria tempo de sabor.

E se ainda toma-me por tolo

Não mais poderá safar em seu consolo

Acordam que falas sonegadas suas

Não mais podem espantar nenhuma

das vozes vivas nas ruas.

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