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1 He's ready to go.


Vallentina acordou cedo, tomou banho e vestiu-se. “Mais um dia” pensou. Passou na cafeteria e pegou dois cafés, algumas rosquinhas e foi direto para o hospital. Verificou se tinha dinheiro na carteira caso precisasse subornar uma das enfermeiras. Ao entrar, escondeu a caixa dentro de sua bolsa e passou sem problemas pela enfermaria. Entrou no quarto e sorriu. Ele já estava acordado, já tinha tomado banho e estava com um sorriso incrível nos lábios. “Hoje ele está um pouco melhor” pensou. Sentou-se ao lado de sua cama, tirou a caixinha cheia de rosquinhas gordurentas e entregou a ele junto ao café.

— Bom dia gorducho! – disse sorrindo, olhado em seus olhos castanhos

— Olha quem fala, a Maria-barriguinha-tanquinho-de-guerra — disse dando uma mordida em uma rosquinha de chocolate.

— Achei ofensivo! –disse emburrada.

Ele riu. Oh Deus. Quando ele ria uma sensação estranha pairava pela minha barriga e subia pela garganta. Ele era o melhor namorado do mundo. Bom, quase.

— Já recebeu a sua dose de quimioterapia de hoje?

— Eles pararam se lembra?

— Ah é verdade... hm, não tem mais jeito?

— Vamos cair neste assunto de novo?

— A gente poderia buscar uma outra opinião, eu não sei!

— Meu anjo –pegou a minha mão- Eles tentaram de tudo! Foram dez anos de lutas! Eu acho que já estou pronto para ir.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não estava pronto para perde-lo. Eu e Caio namoramos desde os meus treze anos e dos quatorze dele. Eu já sabia do seu diagnóstico de leucemia. E por mais que todos dissessem que me entregar a aquilo seria uma burrice (vulgo masoquismo) ainda quis. Eu estava com ele há seis anos. Seis anos que eu o vi lutando de todas as formas possíveis contra aquilo. Vi ele lutar após cada sessão torturante de quimioterapia, o vi lutar contra a doença como alguém luta com um leão. Mas, ele não foi forte o suficiente. A doença havia se espalhado. Espalhou-se em cada pequena célula dele. Nós sabíamos, ele tinha pouquíssimo tempo.

Eu fiquei quieta. Já havia aceitado que logo ele não estaria mais comigo, mas de qualquer jeito, eu não ia parar de lutar.

— Venha, deita aqui comigo. –Disse ele, indo com certo esforço para o lado abrindo um espaço para que eu pudesse me deitar. Chateada deitei ao lado dele e pousei minha cabeça em seu peito, ouvi seu coração disparado.

— Porque ele está assim tão rápido?

— É por sua causa — disse ele com um olhar sedutor

— Para de ser idiota Caio!

— Tudo bem, tudo bem — disse ele parando de rir. É só por conta da força que meu coração está fazendo pra bombear sangue pro meu corpo. Eu tenho pouco tempo... você sabe.

— Sei.

Fiquei quieta durante um tempo. O único barulho que eu conseguia ouvir era o de seu coração acelerado. De repente ele colocou a mão no meu peito, em cima do meu coração.

— Seu coração está batendo, e sabe o que isso significa?

— Hm?

— A cada batimento tudo se aproxima do fim.

— Não estou entendendo – sussurrei.

— Isso tudo é só uma contagem regressiva meu amor, tudo vai chegar ao fim.

— Mas pelo amor de Deus, pare de falar sobre morte comigo!

— Não é sobre morte que estou falando, é sobre eternidade. Você sabe, mesmo quando eu não estiver mais aqui com você, -tocou a minha aliança- eu ainda sim vou estar, entende? Em um formato novo, vou quase passar de jpg para gif. –Ele deu uma risada gostosa. Entendeu meu amor? Eu vou estar do seu lado, cuidando de você, acariciando seus cabelos por mais que você não possa sentir, vou ir com você a faculdade, vou ficar enciumado quando você arrumar um novo alguém, e no dia do seu casamento eu vou estar pertinho de você! E ah... como vou estar feliz por ver você feliz. E quando tiver um filho, eu vou ficar olhando ele dormir no berço que de fato você vai colocar ao lado da sua cama. Eu vou estar sempre com você meu anjo. Bom, na verdade, eu vou ser seu anjo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.