(500) Days of Rose
5 Capítulo V - Como ela não queria que fossem melhores amigos
Notas iniciais
Capítulo V
Como ela não queria que fossem melhores amigos
Dia 82
Scorpius estava sentado em sua mesa no escritório da Promotoria, conferindo uma petição que o novo estagiário havia redigido – após quase quinze dias ele pode perceber que, aparentemente, o tal não era tão completamente inútil assim. Era segunda e, apesar de sempre ser presenteado com o pior humor matinal da semana nesse dia, também era o dia em que seu trabalho mais rendia.
O telefone sobre a mesa tocou.
— Sr. Malfoy, tem uma moça aqui querendo conversar com o senhor – a secretária disse.
— Que moça?
— Ela não disse o nome... Uma ruiva com vestido de flor. Quer que eu pergunte o nome?
— Não precisa, pode falar pra entrar.
Se levantou e abriu a porta, aguardando a mulher na sala comum que dava para seu escritório. Moça ruiva com roupas florais só o fazia pensar em uma mulher, embora não soubesse porque ela teria vindo ali hoje.
— Scorpius – ele a viu ao mesmo tempo em que a ouvia chamando pelo seu nome, com um grande sorriso no rosto.
— Rose – ele também sorriu.
Ela se aproximou dele e depositou um beijo na bochecha. Pode sentir os olhares de todos os estagiários, que tinham pequenas mesas espalhadas pelos cantos dessa sala comum, seguindo cada movimento dos dois, aguardando uma reação.
— Vem – ele a conduziu até a sua sala, depositando a mão na lombar da mulher e lançando um último olhar de aviso para os funcionários antes de fechar a porta atrás dele.
— Desculpa aparecer sem avisar, mas você sabe como são meus horários e coincidentemente eu estava com o dia vago e Lily não, o que significa que ela finalmente desgrudou de mim – ela sorriu, fazendo uma careta logo em seguida – Não que isso signifique eu não esteja muito grata por ela ter ficado comigo, mas você entendeu.
— Não tem pelo que se desculpar. Senta – ele apontou um pequeno sofá que ficava ali perto de sua mesa, sentando-se ao lado dela.
— Eu sei que já tem mais de uma semana que você me emprestou o casaco, mas só hoje que eu realmente consegui vir aqui te devolver. Você me salvou naquele dia, se quer saber, então obrigada. – ela estendeu para ele a roupa que antes estava dobrada em sua bolsa.
— Como inglesa você já devia saber como é o vento da primavera, principalmente a noite – ele pegou o casaco – Mas não há de quê. E realmente não precisava ter vindo até aqui devolver.
— Bem, eu não sei onde você mora, e eu já tive de trazer minha mãe aqui algumas vezes pra conversar com você, era o único lugar que eu sabia que te encontraria – ela deu de ombros.
— E como você está?
— Estou ótima, de verdade – ela sorriu – Bem melhor do que o que seria necessário para me ver no Cabeça de Javali em uma quarta-feira, isso é certo.
— É muito bom ouvir isso.
— Então – ela disse, se levantando do sofá, ajeitando a saia florida do vestido – Era isso. Obrigada, mais uma vez. Pelo casaco, e pela companhia.
— Eu quem agradeço, na verdade, Rose. Você é uma ótima companhia. – ele se levantou em seguida – Mesmo que não seja capaz de lembrar nomes nem se sua vida dependesse disse.
— Cala a boca, Scorpius – mas ela estava rindo enquanto o abraçava.
Então ela virou as costas se encaminhando para a porta e já estava com a mão na maçaneta quando virou para encará-lo novamente.
— A propósito, eu decorei o nome da série nova que eu tinha comentado. É The Witcher. Acho que você vai gostar.
— Não é uma série tão nova assim, Weasley – ele riu – Já deve estar lá há quase seis meses.
— E você já viu?
— Ainda não.
— Ótimo, é uma série nova então – ela sorriu uma última vez antes de abrir a porta e passar por ela.
Ele ainda pode ouvir o eco dos seus saltos pela sala comum e o “bom dia pra todos vocês” que ela deu aos estagiários antes de qualquer sinal de Rose se esvair da sala.
Dia 87
Scorpius Malfoy
OK, você estava até que meio certa, no fim
Rose Weasley
Não vou discutir, porque realmente tô certa a maior parte do tempo
Mas posso perguntar certa de quê?
Scorpius Malfoy
Eu realmente tô gostando de The Witcher
Rose Weasley
Em qual episódio você tá?
Scorpius Malfoy
Tô indo pro terceiro agora
Rose Weasley
Eu também parei nesse
Então
ME ESPERA PRA COMEÇAR O QUARTO
Scorpius Malfoy
????
Rose Weasley
Me manda sua localização
Eu vou levar pipoca
Rose Weasley era inacreditável. Ali estava ela, após não mais de meia hora das mensagens trocadas, com pipocas, um short jeans, uma blusa floral (nesse momento, Scorpius já havia percebido que essa era a assinatura especial RW) e um grande sorriso no rosto.
— Eu tenho plantão as sete – foi a primeira coisa que ela disse, enquanto colocava uma grande bolsa no chão perto da porta – Mas acho que a gente consegue assistir o quarto antes. Oi a propósito!
Ela passou por ele, entrando na casa.
— Casa bonita, Malfoy. Ah, aqui – ela jogou a sacola com as pipocas pra ele – Espero que você tenha um refrigerante ou um suco.
— Boa tarde, Rose, como vai você? Quer entrar? – ele brincou, antes de ir para a cozinha e ver que ela o seguia, revirando os olhos.
Assim que se sentaram no sofá da sala, onde a Netflix já estava ligada, e colocaram o grande balde de pipoca entre eles, Scorpius percebeu a garota tirando as sapatilhas do pé e dobrando as pernas como uma criança para assistir, levantando a lata do refrigerante em um brinde silencioso, retribuído por ele.
A primeira coisa que ele percebeu, é como ela sempre pegava três pipocas por vez do balde, mesmo que colocasse uma de cada vez na boca. A segunda, é como mesmo assistindo ela continuava falando tanto quanto em uma conversa normal – e, da mesma forma, também não esperava respostas para a grande maioria dos seus devaneios. A terceira foi a mania que ela tinha de enrolar uma mecha do cabelo no pulso esquerdo, só para desenrolar em seguida.
Eles assistiram o quarto e parte do quinto episódios, antes de dar o horário de Rose ir para o hospital.
— Posso trocar de roupa aqui? Não é muito legal trocar dentro do carro no estacionamento do hospital – ela fez uma careta.
Quando ele lhe mostrou onde ela poderia se trocar, ela encaixou os pés na sapatilha e pulou do sofá, enquanto ele pausava o episódio e levava o balde – agora vazio – de pipoca e os copos para a cozinha. A esperou sentado no sofá, e pode ver quando ela apareceu, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo.
— Olha, acho bom você não continuar a assistir sem mim, sim? Você moralmente me deve isso – ela disse, em tom divertido – Obrigada por hoje.
Ele se levantou para acompanha-la até a porta. Ela se ergueu nas pontas dos pés e deu um beijo em sua bochecha, sorrindo ao se afastar e ir em direção ao carro que estava estacionado logo na frente da casa.
Dia 102
— A gente não podia só ter começado outra série?
— Eu te falei que eu tinha de mexer aqui hoje, que a gente podia assistir mais tarde. Veio antes porque quis, não foi? – Rose não olhou para ele, continuando a remexer a terra com uma pequena pá – Agora, para de reclamar e vem ajudar.
Eles estavam no jardim da casa dela. O único lugar que Scorpius já havia visto com tantas flores quanto aquele era o jardim da casa dos avós, mas o lugar era mantido por jardineiros, ao contrário desse aqui, que só recebia cuidados de Rose.
— Hoje é o dia ideal para plantar as novas roseiras.
— E por que isso?
— A melhor época para plantar rosas é na primavera. E agora, em meados da primavera, a umidade do ar fica ótima pra elas crescerem mais rápido e mais bonitas. Agora, me passa aquele rastelo ali, por favor?
— Que porra que é um rastelo, Rose?
— Aquele negócio ali, com as garrinhas. Ah, eu não sei explicar. O verde! – ela apontou pra direção em que a ferramenta estava, e Scorpius logo conseguiu identifica-lo (não tanto pela explicação, mais pela cor).
— Aqui – ele entregou para ela, se agachando próximo da garota.
— Obrigada.
Ela pegou de sua mão, trocando-o pela pá que segurava antes.
— Então, jardinagem?
— Jardinagem – ela acenou, limpando o suor da testa com as costas de uma das mãos enquanto ajeitava o boné que usava para proteger o rosto do sol com a outra – Meu avô gostava bastante, me ensinou algumas coisas quando eu ainda era criança.
Scorpius apenas permaneceu ali, agachado ao seu lado, passando as ferramentas que ela solicitava quando era pedido, a ouvindo cantarolar uma música qualquer. Ela fazia muito isso, e sempre o fazia sorrir. Não que ela fosse qualquer coisa próximo de afinada ou que tivesse a mínima noção de ritmo, mas ele ainda sorria.
Ela plantava cada uma das mudas, seguindo uma fileira.
— Plantar rosas parece meio clichê pra você, Rose.
— Se quer mesmo saber, são as favoritas do meu pai.
— Não as suas?
— Eu gosto de violetas – ela sorriu, mas ainda concentrada na sua tarefa.
— Algum motivo em específico?
— Elas são bonitas, pequenas e delicadas. Elas crescem melhor em uma meia-sombra: não aguentam o sol diretamente, mas morrem se não tiverem um pouco de contato com ele. São flores equilibradas, fáceis de cuidar. E com meu horário maluco, qualquer um sabe que eu preciso de coisas que facilitem minha vida, não a compliquem ainda mais.
Ela levantou se apoiando com a mão nos joelhos, e tentou espanar um pouco da terra que os havia sujado.
— Viu, eu disse que não ia demorar – ela estendeu a mão para ajudar ele a se levantar – Quer uma cerveja?
— Nada de plantões hoje?
— Acredite se quiser, mas não.
Ela entrou na casa e ele foi logo atrás dela, lavaram as mãos e brindaram a cerveja antes de começarem a beber – o que parecia ter virado uma tradição desde o brinde no Cabeça de Javali.
Se sentaram ao mesmo tempo no sofá, e Rose logo tirou as sapatilhas e colocou suas pernas em cima das de Scorpius.
— Quer assistir alguma coisa?
— Eu só quero ficar aqui deitada aqui, só um pouquinho – ela respondeu.
Ela encostou no sofá e fechou os olhos. Ele mexia no celular e, sem perceber, começou a bater ritmicamente na coxa de Rose que estava apoiada nele. Desviou os olhos da tela e aproveitou os olhos fechados da mulher para encará-la. Rose era uma mulher bonita, ele sabia disso desde o primeiro dia que a conheceu naquele tribunal. Mas desde que haviam se tornado mais amigos, ele precisava se forçar quase que diariamente a ignorar como ela também era uma mulher gostosa. Eles eram amigos, o que também significava que Scorpius tinha de ignorar esse puta tesão que sentia, porque não valia a pena arriscar a amizade. Era o que se repetia a vez que a encontrava, se fosse ser sincero.
— Rose, eu não vou demorar, eu só preciso daquela sandália emprestada e... – a voz até então desconhecida entrou na sala, mexendo com as mãos e andando rapidamente, até que finalmente viu ambos no sofá e parou, abrindo um sorriso sarcástico – Espero não estar interrompendo nada.
Scorpius balançou a cabeça imediatamente, tentando desviar seus pensamentos.
— Sabia que não devia ter de dado a chave – Rose respondeu ainda sem abrir os olhos – Scorpius, essa é a Lily.
A cabeleira ruiva não mentia a família da garota, foi a primeira coisa que passou pela cabeça de Scorpius.
— E aí, prazer – ele acenou com a cabeça.
— Preciso da sandália, vou sair com a Emily hoje a noite, e ela vai combinar melhor. Vou só pegar e já estou indo, podem continuar aí.
— Vamos lá pegar – Rose enfim abriu os olhos e levantou do sofá, sem se importar em calçar os sapatos antes de ir com a prima até o quarto, deixando-o sozinho na sala.
Não passou muito até Lily passar por ele novamente com o par de sapatos na mão.
— Te vejo por aí, Malfoy.
Rose a acompanhou até a porta e voltou para a sala em seguida, deitando no sofá da mesma forma que estava antes que Lily os interrompesse.
— Vai ter um rodízio de pizza semana que vem, na quinta, te mandei no Instagram. Você vai estar de plantão? A gente podia ir, se não.
— Depois eu vou conferir na minha agenda, eu te aviso. O que a gente vai assistir?
Dia 113
— E eu só queria pular no pescoço do advogado, porque ele foi um completo filho da puta e não podia ter feito isso, sabe? Ele adicionou a testemunha de última hora, não deixou a gente se preparar direito e agora a sessão de amanhã no tribunal vai ser uma merda.
Ele estava com a cabeça apoiada no colo de Rose, que estava sentada no sofá da casa dele. Uma caixa de pizza já meio comida estava na mesa de centro – “já que não pudemos ir naquele rodízio semana passada” – e a mulher abria agora uma barra de chocolate.
— Toma – ela repartiu metade com ele.
Ela terminou de comer e prendeu o cabelo no coque que sempre fazia. Ela não aguentava ficar muito tempo com os cabelos soltos, assim como não aguentava ficar calçada dentro de casa – e Scorpius adorava aquelas pequenas manias da mulher. Mexeu no celular por um tempo, antes de voltar a falar com ele, que agora estava de olhos fechados ainda deitado em seu colo.
— O que você vai fazer amanhã a noite?
— Até o momento nada, por quê?
— Lily tá me chamando pra ir numa espécie de boate nova que abriu e eu não queria ir sozinha.
— Boate Rose, sério? – ele fez uma careta.
— Larga de ser chato, eu sei que não é um super programa, mas colabora vai – ela mexeu no cabelo dele – Eu até te pago uma cerveja lá. Não me deixa sozinha com meus primos, eu te imploro.
— Primos, no plural?
— Até parece que vai ver um primo Weasley sozinho em um rolê, Scorpius.
— Eu realmente tenho escolha?
— Não, obrigada por concordar – ela sorriu para ele e voltou a mexer no celular.
Dia 114
Scorpius estacionou o carro em uma rua próxima do endereço que Rose havia mandado. Faziam anos que ele não frequentava lugares como aquele – todos seus rolês se resumiam a barzinhos com os amigos, se fosse para resumir – e talvez esse seja o motivo pelo qual a falta de iluminação, as poucas luzes piscando e o acúmulo de pessoas tenham o assustado um pouco.
Olhou para os lados, procurando qualquer sinal de cabelos ruivos – onde se encontra um primo Weasley, todos os outros estão logo atrás. A primeira pessoa que ele avistou foi Lily, mas ela estava com a língua muito ocupada na garganta de outra garota para que ele se sentisse disposto a cumprimenta-la. A segunda pessoa era um rapaz que ele não conhecia, mas qual a probabilidade de ter tantas sardas, estar no local combinado e não ser um Weasley? Ele diria que bem baixas, e por isso atravessou a multidão até alcança-lo.
— Ei, Weasley? – ele cumprimentou o rapaz que se apoiava em uma pilastra.
— Oi, te conheço?
— Scorpius – ele estendeu a mão e o outro apertou.
— Ah, aqui estão vocês! – Rose se aproximou deles, com um copo de cerveja na mão e o rosto levemente ruborizado, indicando que já havia bebido um pouco – Achei que você não ia chegar mais! Hugo, Lucy estava te procurando, na última vez que eu vi, ela estava na nossa mesa.
Rose não esperou resposta, agarrou Scorpius pela mão e o levou para o bar.
— Promessa é dívida – ela entregou um copo de cerveja para ele, sorrindo.
O vestido que Rose usava um vestido verde escuro justo ao corpo, que mais parecia preto na pouca luz do lugar, e levava ao seu lado uma pequena bolsa floral – sua marca registrada, ela não poderia ter se esquecido.
— Vestido bonito, Weasley – ele comentou.
Ela só sorriu de canto e deu uma piscada.
— Ei, Rose, você viu a Lily por aí? – um homem disse colocando a mão no ombro dela – Ela e a Emily simplesmente desapareceram.
— E você tem certeza que quer achar elas? – ela levantou ambas as sobrancelhas, enfatizando.
— Eu poderia passar sem imaginar isso. Ela é minha irmãzinha porra – ele balançou a cabeça.
— Você não imaginou que sua “irmãzinha” tinha uma namorada de enfeite, imaginou James? Ou que ela é virgem? Qual é, James, a gente tá falando da Lily – ela revirou os olhos.
— Eu não fico pensando na vida sexual dela e isso me poupa de grandes traumas, se quer saber. E aí cara – ele finalmente notou e cumprimentou Scorpius, que estava parado ao lado de Rose – James, prazer.
— Um dos primos, mesmo sem o cabelo ruivo, imagino? Scorpius, prazer – ele estendeu a mão.
— Sou parte da minoria não ruiva oprimida da família sim. Não sabia que você estava namorando de novo, Rose.
— Não estou. Vem Scorpius, vamos dançar – ela pegou a dose de tequila que o barman havia deixado no balcão ao seu pedido e o agarrou pela mão, o direcionando para a pista de dança, só deixando com que ele tivesse tempo de pegar sua própria bebida e se despedir do primo da moça com um aceno de cabeça. Quando chegaram em um dos cantos mais vazios da pista, ela finalmente parou e se virou para ele – Eu não suporto muito o James, não repara.
— Isso eu pude perceber. Quer explicar o motivo?
— Não quero falar muito sobre ele, na verdade.
A verdade era que Scorpius não sabia dançar, então ele apenas ficou se mexendo de um lado para o outro, bebendo junto com Rose enquanto a via dançar. Ela estava mais alta com os sapatos de salto, somente um pouco mais baixa que ele dessa vez.
Ela estava prendendo os cabelos em um coque, como sempre fazia, quando o olhou. Ele sorria para ela, sem perceber.
— Você tinha dito que achou meu vestido bonito.
— Você fica bem de verde – ele deu de ombros.
Ela continuou o encarando, mas havia algo de diferente naquele olhar, especialmente quando ela ergueu apenas uma das sobrancelhas para ele. Ela deu um passo para mais perto dele, o surpreendendo: ao longo desse tempo em que haviam se tornado amigos, já haviam estados próximos muitas vezes, é verdade, mas não quando ela o olhava assim – de um jeito que o fazia ter vontade de passar a mão pela sua nuca e a puxar para mais perto de si.
Rose havia terminado com um relacionamento de anos há pouco mais de um mês, e ela havia o mantido por perto desde então justamente porque ele não havia tentado nada com ela nesse sentido. E ele apreciava muito sua companhia para desperdiçar tudo simplesmente porque ela estava gostosa pra caralho naquele vestido verde justo. Ou porque alguns fios do seu cabelo haviam ficado grudados pelo suor na nuca e ele queria desesperadamente a tocar ali. Ou porque seus lábios pareciam lhe chamar com aquele batom vermelho.
Ele deve ter ficado olhando para a boca dela por tempo demais, porque conseguiu ver o exato momento em que apenas o lado direito dela sorriu. Que foi pouco tempo antes que ela se aproximasse ainda mais para passar os braços em torno de Scorpius, apoiando-os em seus ombros.
— Sabe, Scorpius... – ela começou, baixo e forçando-o a prestar ainda mais atenção em sua voz no meio da música do estabelecimento – Eu tenho vários amigos: eu tenho meus primos, e colegas da faculdade, e o pessoal do trabalho. Eu tenho a minha amiga da faculdade com quem eu dividia apartamento na época.
Ela parou de falar por um tempo, e Scorpius levantou o olhar de sua boca para seus olhos, tão verdes e com pequenos pontos dourados que tornavam sua descrição exata impossível. Ele engoliu e passou a língua pelos lábios, torcendo para que isso aliviasse a boca seca que sentia no momento.
— E eu gosto de ser sua amiga, eu realmente gosto. Mas eu não quero você como um melhor amigo – ela também encarava os olhos de Scorpius ao falar, acinzentados como o céu tempestuoso de Londres.
Ela sorriu para ele e nesse ponto ele não conseguiu mais se aguentar. Segurou a nuca de Rose com uma das mãos, como tanto havia fantasiado, e sua cintura com a outra, puxando-a sem muito delicadeza em direção a sua boca. Rose Weasley tinha um gosto tão bom quanto aparentava, e eles cambalearam juntos até o canto do lugar para poderem se apoiar na parede, enquanto as mãos dela se juntavam para explorarem o cabelo loiro e a nuca do rapaz, provocando arrepios.
Ele enrolou uma das mechas que havia ficado grudada no pescoço dela no dedo, descendo os beijos para o seu pescoço e sugando o gosto da ruiva: uma mistura de tequila, perfume floral e suor. Voltou para a boca dela, pouco tempo depois, não aguentando se afastar agora que havia provado.
— Rose – ele murmurou sem pensar muito no porquê, tentando absorver todo o corpo dela enquanto passava suas mãos pelas costas dela, cobertas pelo tecido do vestido.
Ela se afastou da boca dele, chegando a boca perto do seu ouvido.
— A gente podia ir pra sua casa – ela mordiscou o lóbulo da orelha dele – Porque esse vestido que você gostou eu comprei hoje só para que você o tirasse de mim.
Scorpius não precisou de mais incentivos antes de agarrar sua mão e saírem apressados da boate rumo a onde havia estacionado seu carro. E foi assim que ele descobriu que também não queria ser melhor amigo de Rose.
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