50 tons de Verdade
8 7 - Travel?
Notas iniciais
Phoebe mastigava seu pedaço de frango com a maior calma que conseguiu reunir. Seus olhos vagavam de Ethan para Henry, que pareciam estar travando uma batalha, armados com olhares atravessados. O Wiegraft mastigava furiosamente sua comida, mas mesmo assim não perdia a postura de empresário rico que ele sempre tinha. O mesmo podia se falar de Henry, que estava agora levando um pedaço de carne a sua boca, mastigando-a com mais suavidade que Ethan.
— Então... – Phoebe piscou seus olhos, focando-os em Clöe, que tentava puxar assunto. — Você tem família, Ethan?
— Não sobrou muita coisa. – respondeu ele, ainda olhando para Henry. — Apenas minha irmã e minha avó paterna.
Phoebe franziu o cenho. Jamais ouvira falar que Ethan tinha uma avó. Ela o encarou por alguns instantes, mas ele parecia mais concentrado em trocar olhares com Henry do que prestar atenção em Clöe ou em si. A morena ouviu uma risada infantil, fazendo-a olhar imediatamente para a sua esquerda, onde o cadeirão de Sophie estava disposto na ponta. Sophie estava entredita em bater seus talheres contra o cadeirão, dando risada da bagunça que estava causando.
— Filha, não pode. – Phoebe tomou a colher da pequena mãozinha de Sophie, que resmungou, brava por tirarem seu entretenimento. Phoebe virou os olhos para não ter que ver os pequenos, brilhantes e aguados olhos de Sophie, mas logo em seguida revirou os olhos ao ver Ethan, que estava a sua frente, ao lado de Sophie, entregar a ela a colher de sobremesa.
— Phoebe... Pretende voltar para Quebec? – perguntou Henry, olhando para a Steele. — Você não ficou nem uma semana fora e não aguentamos. – Phoebe sorriu para o homem, sentindo o carinho que eles possuíam por ela.
— Ela não irá voltar.
Phoebe olhou para Ethan, exasperada. Ele estava decidido. Podia ver bem na forma como ele falava, pelo olhar duro e pelos punhos cerrados em cima da mesa. A morena não retrucou, mesmo desejando fazê-lo. Aquele jantar já estava tenso demais. Não queria ter que contribuir com a piora. Mas ela nem se quer precisou falar alguma coisa para irritar Ethan. O sorriso irônico que brincava nos lábios de Henry já foi o suficiente. E ele só piorou quando abriu a boca:
— Acho que é ela que decide isso, não? – ele bebericou seu vinho, umedecendo os lábios. — Afinal, Phoebe não é sua escrava.
— Se você pensa que ela vai voltar pra Quebec para ficar perto de você, Moreau, você nunca este tão enganado. E pelo que eu sei, Phoebe gosta de homens que são heterossexuais, não sei por que você está correndo atrás dela.
— Ethan! – Phoebe olhou para o loiro, irritada. — Colabore, por favor. – o tom de voz era suplicante. — Henry, você também. – tratou de incluí-lo quando viu o olhar raivoso de Ethan.
— Oui, ma chérie. – Henry sorriu para ela. — Farei isso por você. – ele fez questão de frisar o ‘você’.
Ethan já estava se levantando quando algo inusitado aconteceu.
A colher que Sophie insistia em bater contra o cadeirão escapou dos pequenos dedinhos da pequena e caiu. Bem no prato de Henry, respingando comida em seu terno cinza. O rapaz ergueu os olhos, fitando Sophie. A garotinha começou a rir, achando graça da sua façanha. Ethan deixou um sorrisinho brincar em seus lábios.
— Essa é a minha garotinha. – murmurou o loiro, afagando os cabelos igualmente loiros de Sophie, que inclinou a cabeça em direção ao toque suave de Ethan.
Phoebe, que ainda estava com os olhos ligeiramente arregalados, focou-os em Henry, que se esforçava em limpar seu terno impecável. Clöe virou-se, auxiliando o irmão, enquanto procurava o olhar da amiga.
‘O que está acontecendo?’, esta foi a leitura labial que Phoebe fez de Clöe, mas a morena não pode explicar naquele momento. Estava até surpresa por Clöe já não ter deduzido o que se passava. Phoebe levantou-se, jogando o guardanapo sobre a mesa.
— Preciso de um pouco de ar. – murmurou, olhando para a filha de relance. Phoebe pegou a Sophie do cadeirão, que resmungou por a terem tirado do carinho que recebia de Ethan. A Steele caminhou rapidamente para fora do estabelecimento, respirando fundo. Ficou surpresa ao perceber que, lá dentro, a tensão a consumia.
Respirou fundo diversas vezes, olhando para o céu noturno de Seattle. Por deus, onde havia se enfiado?
— Moça, você está bem?
Phoebe sobressaltou-se, olhando para o lado direito, vendo um homem de terno que tragava calmamente um cigarro. Ela apertou os olhos, buscando ver seu rosto, porém ele esta coberto pela sombra. Mesmo assim a voz dele parecia tão familiar...
Ele deu um passo em direção à claridade e os olhos de Phoebe se arregalaram. Meu deus, o rapaz esta bem mais velho, mas ela não se esqueceria da face dele nunca. Afinal, se Ethan não tivesse surgido naquela noite, ele a teria violentado.
(N/A Queen Boo: Para quem não se lembra dele, chequem o capítulo 6 de 50 tons de Luxúria!)
— I-Ian?! – ele não conseguiu esconder a surpresa. O rapaz franziu o cenho ao ouvir seu nome.
— Sim? E de onde eu conheço você? – quis saber, dando uma tragada forte no cigarro, aproximando-se da moça. Ela não conseguiu evitar dar um passo para trás.
— Uma boate, a Lunae. A alguns anos atrás, conheci você lá.
Ele apenas concordou.
— Não sei mais o que é estar lá. Eu não era um homem direito como sou hoje. Costumava beber e me drogar. – começou a contar, mesmo Phoebe não tendo perguntado. — E teve uma noite que eu quase estuprei uma garota. Nem me lembro do rosto dela, por que minhas lembranças são nubladas daquela época. Mas lembro de ter acordado horas mais tarde em um beco todo arrebentado. E nem sei o que aconteceu, mas aquilo me serviu de lição. Quem me encontrou foi uma garota, que hoje tenho o prazer de chama-la de esposa.
Phoebe deixou um sorriso mínimo escapar.
— Você conta isso para todos os estranhos que você conhece? – quis saber a Steele.
— Não, só para aqueles que parecem estar piores do que eu. E que frequentavam o mesmo lugar que eu. – ele jogou a bituca de cigarro no chão, pisando em cima.
— E cadê a sua esposa?
— Está lá dentro com os meus pais e os pais dela. Iremos contar que já nos casamos e que ela está grávida.
Phoebe alargou o sorriso.
— Bem, pelo menos alguém está tendo uma boa noite.
— Uma ova que estou. Meus pais queriam que eu me casasse com outra menina. Tinham até arranjado. Até parece que estamos no maldito século dezoito. – ele bufou. — Fugimos para nos casar quando ela me contou que estava grávida, e queremos contar para eles hoje.
— É, eu estou no meio do amor da minha vida que descobriu que tinha uma filha nos últimos dois dias, do meu chefe que parece gostar mais de mim do que deveria, dá irmã dele que quer que eu fique com o meu chefe por razões óbvias e da minha pequena filha que não sabe de nada. Os dois homens parecem estar no meio de uma droga de guerra fria.
Ian aproximou-se de Phoebe, acendendo um cigarro, passando para ela.
— Tome, acho que você está precisando tanto quanto eu. – Phoebe agradeceu pouco antes de vê-lo caminhar para entrar no restaurante. — Como é mesmo seu nome?
— Phoebe. Estudamos juntos também, caso se lembre.
— Você me parecia familiar. De qualquer forma, foi um prazer conhecê-la, revê-la, dane-se. E boa sorte para nós.
Phoebe o viu entrar e sentar-se ao lado de uma garota loira que segurava seu copo d’água com mais força que o necessário. Ela olhou para o cigarro, tragando-o forte, quase se engasgando com a fumaça. Balançou a cabeça, jogando-o no chão, voltando para o restaurante, vendo que os ânimos estavam mais exaltados do que o esperado.
— ...seu advogado de causas de bosta. Não pense que vai tirar Phoebe de mim, filho da puta. Ela já passou tempo demais perto de um babaca como você. Se quiser, eu posso falar na sua língua. Elle ne va pas avec vous, idiot (Ela não vai com você, idiota).
— Je suis sûr qu'elle préférerait un honnête homme qui l'aime qu'un homme explosif qui lui faisait mal. En outre, bâtard, Sophie préfère beaucoup plus pour moi que vous (Tenho certeza que ela prefere um homem honesto que ama do que um homem explosivo que a machuque. Além disso, bastardo, Sophie prefere muito mais a mim do que a você).
Ethan levantou-se bruscamente da mesa, mas Phoebe correu, segurando-o pelo braço quando viu o coitado do maitrê aproximando-se para apartar a futura briga.
— Ethan, não. – disse Phoebe. O homem a olhou, furioso demais para compreender suas palavras. Ele puxou seu braço do aperto de Phoebe, mas ela o segurou novamente. — Ethan, pare e pense! Você é CEO da sua própria empresa, não vai querer ter sua cara nos jornais por ter brigado em um restaurante, não é mesmo? Por favor.
Ethan respirou fundo, assentindo levemente, afagando uma das bochechas de Phoebe com seus dedos mornos. Ele pegou Sophie no colo, afastando-se para pagar, enquanto Phoebe sentava-se na cadeira, exausta demais para pensar muito. Seus olhos acabaram passando pela mesa de Ian novamente, e não pode contar um leve sorriso ao vê-lo erguer uma taça de vinho olhando para ela e tomando tudo de uma vez.
— Phoebe...? – ela ergueu os olhos ao ver Henry chamando-a. — Sinto muito, eu não queria ter agido esta forma.
— Tudo bem, Henry, vocês até que conseguiram resistir bastante. Pena que não deu para tomar uma sobremesa. – ela ouviu uma leve risada do homem.
— Poderemos fazer isso outro dia, o que acha? Eu e Clöe iremos ficar até a outra semana. Acho que é um bom tempo aqui. Irá voltar conosco?
Phoebe esfregou os olhos, tomando algum cuidado para não estragar a maquiagem.
— É claro que ela vai com a gente! – disse Clöe. — Ela tem um apartamento lá, a vida dela está lá.
— A vida dela é onde Sophie estiver, e pode ter certeza que não deixarei Phoebe ir a lugar nenhum com a minha filha. – disse Ethan, jogando algumas notas sobre a mesa como gorjeta para o garçom.
— Escute aqui, loirinho, você não vai tirar minha afilhada de mim! – disse Clöe, olhando atentamente para Ethan. — Então pode ir tirando esses verbos no imperativo que você está empregando para falar sobre ela e deixa-la ficar onde ela quiser!
— Quero ir embora. – foi a única coisa que Phoebe disse, quando se levantou. Pegou a filha no colo, andando rápido para fora do restaurante.
Ah, deus, onde ela esta se metendo?
ღ
Phoebe colocou Sophie sobre a cama macia. Ouviu uma leve batida na porta, vendo o homem encostado contra o batente. Ele estava com a gravata frouxa e sem o paletó. Os cabelos estavam bagunçados e Phoebe não pode conter um leve sorriso.
— Queria entender por que você não foi pra casa do seu... Seu sei lá o que hoje. – disse ele, olhando para Sophie que dormia calmamente.
— Precisava pensar, Jeremy.
Jeremy abraçou Phoebe, afagando os cabelos castanhos. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro de seu perfume, misturado com... morango? Ela franziu o cenho, afastando-se. Olhou para o pescoço dele, vendo alguns arranhões que acabavam sendo escondidos pela camisa.
— Jer, diz que eu não acabei com a sua noite. Por favor, diz que eu não liguei para você avisando que viria para a sua casa e acabei com a sua transa.
Ele coçou a nuca, um pouco sem graça com a constatação da morena.
— Bem, ela já estava cansada demais para o quinto round, então não. Mas você me ajudou, eu não saberia como dar um fora nela na manhã seguinte. Além disso, você sabe que eu jamais deixaria você na mão.
Phoebe cobriu a face, rindo de vergonha. Balançou algumas vezes, tentando conter os pensamentos maliciosos. Ela pegou o celular da bolsa, vendo que havia uma mensagem de Ethan. Puxou Jeremy pelo braço para fora do quarto, andando até o sofá, tirando os saltos e colocando os pés sobre o tecido de couro.
Reclinou a cabeça contra o encosto, fechando brevemente os olhos. Logo, sentiu o sofá afundar com o peso de seu amigo, abrindo-os novamente. Ele segurava duas garrafas pequenas de cerveja, oferecendo uma para ela, que rapidamente a pegou sem pestanejar.
— Vai me contar o que está acontecendo agora?
Phoebe suspirou.
— Parece que estou dentro de uma série de televisão para adolescentes, onde eu sou a principal e tem dois homens que me amam.
— Que nem Crepúsculo? – perguntou Jer, dando um gole em sua cerveja. Phoebe riu com a comparação.
— Sim! Ethan é o Edward e Henry o Jacob. – ela bebericou a bebida.
— Então está fácil. Se você é a Bella Swan, você já sabe quem escolher. Apenas siga o script e pegue o Edward.
— Não é questão de escolher. É questão de lidar com isso. Não sei como irei fazer. Não quero magoar nenhum dos dois, Jer. Ambos são importantes e especiais. E eu os amo. É claro que amo de maneira diferente, mas amo. Isso é... Isso dói.
Jeremy olhou para Phoebe, vendo-a encolhida no sofá. Pegou a garrafa das mãos de Phoebe e colocou as duas na mesinha de centro. Aproximou-se dela, abraçando-a pelos ombros. Beijos os cabelos castanhos como mogno, respirando fundo.
— Minha cara Bella Swan, você está literalmente fodida.
E a única coisa que Phoebe pode fazer foi dar risada para não chorar.
Na manhã seguinte, ela acordou em sua cama. Não fazia ideia de como havia ido parar lá, mas ela não estava sozinha. Sophie estava do seu lado, praticamente em cima de seu corpo. Ela tirou o corpo da pequena com cuidado, olhando para o relógio ao lado da cama. 7h25. Seu celular estava ao lado do relógio. Esticou e pegou-o. Duas mensagens de Ethan. Esfregou os olhos, digitando a senha para desbloquear o celular.
[Ethan Wigraft @ 22h13]
Phoebe, sinto muito pelo jantar. Queria poder dizer que não tive culpa, mas não seria verdade. Aquele homem me tira do sério, é fato, e você conhece meu temperamento. Tentarei recompensá-la.
[Ethan Wiegraft @ 23h54]
Gostaria que passasse o final de semana comigo. Você, Sophie e eu. As levarei para conhecer uma pessoa que adorará conhecê-las. Ligue-me assim que possível.
Phoebe franziu o cenho. Para onde ele as levaria? Digitou rapidamente outra mensagem:
[Phoebe Steele @ 7h27]
Perdoado. Para onde irá nos levar?
— Mãma? – Phoebe olhou para a filha que a observava com os olhos azul-esverdeados, sorrindo.
— Estou aqui, pequena, pode dormir mais um pouco, não tem escola hoje. – Sophie apenas assentiu, voltando a fechar os olhinhos.
Phoebe levantou-se, respirando fundo algumas vezes. Tocou o pescoço, sentindo que o lenço não estava ali. Arregalou os olhos. Deus, será que Jeremy havia visto os roxos em seu pescoço? Ela esperava que não.
Vestiu a peça mais confortável que encontrou em sua mala: moletom. Mesmo que a temperatura estivesse amena, Phoebe sempre achara que moletom era a roupa mais confortável para ficar em casa. Amarrou a echarpe no pescoço, vestindo tênis e colocando seu celular no bolso do moletom. Ao sair do quarto, escutou o som baixo da televisão.
Seus olhos encontraram com os de Jeremy no momento que pisou no cômodo. Ele estava sério demais para uma manhã ensolarada. Jeremy desligou a televisão e caminhou até Phoebe, desamarrando a echarpe de seu pescoço. Phoebe apertou os olhos quando o sentiu tocar os machucados com delicadeza.
— Phoebe, eu irei perguntar apenas uma vez. – Phoebe sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Jeremy jamais falara de forma dura consigo. E ele parecia furioso. — O que este bastardo fez com você?
— Jer...
— Não me enrole, Phoebe. Não sou idiota. Ele a machucou? Por isso está aqui? Irei acabar com este filho da-
— Jeremy, eu gosto de sexo selvagem! – cortou ela.
No momento em que Phoebe disse aquilo, sentiu as maças de seu rosto ficarem vermelhas. Jeremy piscou algumas vezes, olhando-a, confuso demais para entender o que ela estava falando.
— Hã? – falou, depois de um tempo.
— Asfixia erótica, o orgasmo fica mais profundo, sabe? Enquanto Ethan está me fod-
— Pelo amor de deus, eu não quero saber detalhes! – ele tapou as orelhas, olhando-a, horrorizado. — Está me dizendo que você curte sadomasoquisto?!
— É... Bem, é prazeroso. – ela resmungou, envergonhada demais para falar mais alguma coisa. Era melhor que ele pensasse que ela praticava isso mesmo do que pensar que Ethan a machucara de verdade.
— Ok. Nunca pensei que você fosse deste tipo. Deus... Não sei se queria ser surpreendido desta forma...
— Não conte para ninguém, Jeremy. – pediu.
— É claro que não irei contar, Bê. Santo pai... – ele balançou a cabeça algumas vezes. — Não estou conseguindo tirar uma imagem sua amarrada na cama! – ele arregalou os olhos. — Bê, não me fale mais nada sobre isso, por favor. Não quero ter que imaginar isso nunca mais.
Phoebe não conteve uma risada. Riu tanto que Jeremy acabou rindo junto. Ele a abraçou e beijou sua testa.
— Você sempre surpreende, Phoebe.
Ela abriu a boca para falar algo, mas seu celular começou a tocar. Jeremy se afastou para a cozinha, alegando que faria o café da manhã enquanto Phoebe atendia o celular.
— Alô?
— Eu tenho quase certeza que havia pedido para você me ligar, ma belle. Aconteceu alguma coisa para não tê-lo feito? — a voz de Ethan estava suave como uma pluma. Phoebe não pode evitar o sorriso. Sabia que ele não queria causar nenhum tipo de discussão naquele momento.
— Está tudo bem, acabei de acordar.
— Sophie está bem?
A morena suspirou. Achava incrivelmente sexy quando Ethan bancava o pai de sua pequena.
— Está sim, Ethan. Está dormindo.
— Sim, ainda está cedo. — a linha ficou muda por alguns instantes. — Pensou no que eu falei? Sobre sairmos no final de semana?
— Irá nos levar aonde, Ethan?
— Surpresa. Mas tenho certeza de que você irá adorar.
— Bom, já que é assim, tudo bem, pode ser.
— Formidável. Passarei aí às nove da manhã de sexta. Esteja pronta. Leve suas malas. E se não tiver roupas de frio, compre, lá costuma fazer um pouco de frio durante a noite.
— Tudo bem. Iremos nos ver apenas na sexta? – perguntou ela, com esperança de que a resposta fosse ‘não’.
— Sim, acho que será melhor assim. – e a esperança foi por ralo abaixo. — Esteja pronta.
— Amo você. – ela disse. A linha ficou muda novamente, fazendo-a engolir em seco. — Ethan?
— Eu também a amo. Muito.
E desligou. Phoebe olhou para o celular durante alguns instantes, respirando fundo. Amava-o tanto que sentia seu peito encolher sem ele por perto. Ouviu um choro agudo, o que a fez se despertar de seu devaneio. Correu para o quarto, pegando sua pequena nos braços, carregando-a até a cozinha.
O cheiro estava maravilhoso.
— Jeremy... O cheiro está ótimo!
— Obrigado, receita da vovó Tessa. É calda de chocolate para as panquecas. – ele mexeu na panela com uma colher — Você pode se sentar, Bê, já terminei.
— Você já fez tudo enquanto eu estava no telefone? – questionou a Steele.
— Não, eu fiz antes de você acordar. Estou apenas estava fazendo a calda. – ele desligou o fogo, jogando a calda sobre uma travessa cheia de panquecas. — Buon appetito!
— Italiano, Jeremy? – arqueou a sobrancelha.
— Você gosta de falar francês, eu prefiro o italiano, apesar de entender bem o francês. Até hoje tenho raiva da minha mãe que me colocou para fazer diversas aulas de línguas. Confundo tudo.
— Eu só sei o francês. Queria aprender outras línguas. Ethan conhece várias. É detestável. – ela pegou uma panqueca, cortando um pedaço e o levando a boca. Estava macia, quentinha e parecia derreter em sua boca. — Jer, que delícia!
— Já ouvi comentários como esse, mas era em outro ambiente e com outra entonação. – ele sorriu maliciosamente, enquanto pegava Sophie do colo de Phoebe. — Pode comer, tem algumas frutas já picadas na geladeira, quer que eu as dê para ela?
— Por favor. Sophie já está comendo besteira demais. – Phoebe sentiu o celular vibrar no bolso do moletom. Limpou as mãos no guardanapo, lendo a mensagem:
[Ethan Wiegraft @ 08:02]
Mal posso esperar por sexta.
Amo você.
Ela abriu um largo sorriso.
— Pelo visto o boy magia mandou mensagem. – falou Jeremy, sentando-se na mesa ao lado de Phoebe, levando um pedaço de fruta a pequena boca de Sophie.
— Não enche, Jer.
[Phoebe Steele @ 08:03]
Eu também.
E amo você mais.
— Ah, por favor! Me diz que vocês não vão ficar no “eu te amo mais” “não, eu amo mais” “não, eu amo mais”. Isso me deixa enjoado. – disse ele, olhando para o celular a morena de soslaio.
— Jer, não enche! Ethan não é assim.
— É mesmo? Veremos. – ele olhou para Sophie. — Sophie, coma logo essas frutas que eu estou dando! A sua mãe mandou, vamos. Aí depois eu levo você ao parque para brincar. – ela abriu a boca com relutância, fazendo o rapaz rir. — Essa aqui vai dar trabalho!
— E como.
ღ
Phoebe estava a fechar as malas, revisando se havia colocado tudo que necessitava dentro delas. Sophie assistia desenho na sala com Jeremy enquanto ela se preocupava com todo o resto. Para onde será que Ethan as levaria? Estava levando de tudo. Roupas de banho, de frio e roupas para caminhar. Até mesmo roupas de ginástica. Não fazia a menor ideia de para onde iria, mas estava ansiosa.
Muito.
Levou as malas para a sala, jogando-se no sofá.
— Espero que vocês se divirtam, Bê. – disse Jeremy, olhando para a morena.
— Obrigada, Jer.
Phoebe mandou uma mensagem para Clöe, avisando que passaria o final de semana fora, mas assim que voltasse, sairiam juntas. Passou também o número de Jeremy, para caso ela quisesse uma companhia diferente da de Henry. Ela ainda não havia respondido, o que a deixava um pouco nervosa.
— Ah! – Jer olhou novamente para a morena. — Peça ao seu precioso Ethan que não faça sexo tão selvagem com você. Não quero ver essas marcas ou nenhuma outra marca deste homem em seu corpo. Pelo menos que elas não sejam tão visíveis.
Phoebe corou.
— Ok, Jer, ok.
— E você está linda. Na verdade, vocês estão. – ele olhou para Sophie com o vestidinho branco com flores rosas. — Dignas de princesas.
O vestido de Phoebe era preto e rendado com mangas ¾ . Não era decotado, porém mostrava toda a área dos ombros e clavícula. Os sapatos eram altos, todavia eram confortáveis.
— Obrigada, Jeremy.
O celular de Phoebe tocou, e ela nem precisou ver o identificador de chamadas para já saber de quem se tratava.
— Pode descer, Phoebe.
— Estou descendo.
Ela desligou, beijando a bochecha de Jeremy, pegando sua filha no colo e segurando as malas com a outra mão.
— Não quer ajuda, Bê? – perguntou Jeremy.
— Acho que uma ajuda seria boa.
Jeremy pegou as malas, levando-as para o elevador. No térreo, as arrastou até o lado de fora, vendo um carro preto parado bem em frente ao edifício. Phoebe perdeu o fôlego ao ver Ethan sair do carro. Ele estava maravilhoso com aquela jaqueta de couro e a calça jeans gasta. Ele tirou os óculos escuros e pegou as malas que estavam com Jeremy, o cumprimentando com um meneio de cabeça.
— Boa viagem, Bê. – Jeremy beijou a testa de Phoebe e a abraçou pelos ombros. — Boa viagem, pequena. – ele beijou a bochecha de Sophie.
Phoebe assustou-se com a força que Ethan utilizou para fechar o porta-malas do carro. Jeremy acenou, entrando no prédio novamente. Phoebe abriu a porta do passageiro, pensando que teria de ir atrás, já que Ethan não tinha cadeirinha para crianças, mas surpreendeu-se ao ver uma cadeirinha preta que combinava com o estofamento do carro. Prendeu Sophie e fechou a porta, sentando-se assim no banco do passageiro.
Ethan deu a partida no carro, guiando-o em direção à rodovia.
A viagem estava mais do que silenciosa. Ethan ligara um som bem baixinho, o suficiente para que eles pudessem escutar e não atrapalhasse o sono de Sophie, que dormira assim que o carro começara a andar.
— Você está bravo comigo, Ethan? – Phoebe olhou para o loiro, vendo-o apertar o volante com mais força que o necessário.
— Não.
— Isso não me convenceu. – retrucou ela. — Se estiver com ciúmes por causa de Jeremy, já disse que não precisa ter.
— Isso ajudou a piorar tudo, mas não é o motivo principal. Estou nervoso. – disse ele. — Nervoso com este final de semana.
Phoebe colocou sua mão sobre a mão dele que estava sobre o câmbio do veículo. Ele olhou para ela rapidamente, deixando um sorriso pequeno em seus lábios.
— Você está maravilhosa, Phoebe.
— Não acha que é demais? Eu não sabia o que vestir-
— Está perfeita. – ele segurou a mão dela, levando até os lábios e plantando um beijo. — Maravilhosa.
A viagem não durou mais do que três horas, porém Phoebe acabou dormindo. Foi acordada por um leve sacudir de Ethan. Ela espreguiçou-se, olhando para o banco de trás, onde Ethan tirava sua filha que acabara de acordar também. Olhou pelo vidro e viu um casarão branco de dois andares. Eles deveriam ter entrado em algum acesso na rodovia que levava a ele, pois estavam cercados por árvores. Ela abriu a porta e o ar fresco e o cheiro de terra molhada inundou seus pulmões.
Ethan parou ao seu lado, segurando sua mão puxando-a até a porta. Ele entregou Sophie para Phoebe, batendo algumas vezes, ouvindo um sonoro ‘já vai!’ depois de algum tempo.
A porta se abriu e uma senhora olhou diretamente para Ethan, chocada demais para falar alguma coisa.
— E-Ethan? – perguntou ela, erguendo as mãos enrugadas e tocando o rosto do loiro.
— Olá, vovó.
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