50 tons de Luxúria
27 Chapter 25
Notas iniciais

"I’ll hold your body in my hands, be as gentle as I can, but for now you’re a scan of my unmade plans"– Small Bump, by Ed Sheeran
(Recomendo a todas que escutem esta música e vejam a tradução depois.)
Já havia se passado duas semanas, e Phoebe estava entrando em pleno desespero. Desde a festa na casa de Ethan, a morena não havia visto Ethan, já que as últimas provas estavam ocorrendo. Até Ashley, que era pouco estudiosa, estava debruçada sobre os livros, completamente determinada a não ficar em recuperação. Queria as suas tão sonhadas férias.
— Phoebe, você já sabe o que vai fazer da sua vida? Vai mesmo a London College of Communication – perguntou Ashley, quando as duas estavam sentadas na cama da Kowalski.
— Sim, eu vou para Londres.
Ninguém sabia, a não ser Ashley, mas a morena, além de esconder dos pais o seu relacionamento com Ethan, escondia a sua verdadeira intenção de ir para Londres. Não estava indo para o Reino Unido para fazer Direito em Oxford, como todos pensavam, mas sim para ingressar na Escola de Artes London College of Communication, começar fotografia.
— Vai mesmo me deixar aqui? – perguntou Ashley, fazendo uma careta, seguida de um biquinho fofo.
— Ash, eu preciso! Mesmo achando que Eth... Adam, mesmo achando que o Adam não irá gostar. – Ashley encarou a garota por alguns segundos, tentando identificar o que a morena iria falar, sem muito sucesso.
— Eu acho que você deveria avisá-lo. Ele merece saber. – a Kowalski deu de ombros. — O que você tem?
Ashley fitou os olhos de Phoebe, vendo a careta que a Grey fazia. Phoebe levantou-se e correu para o banheiro, batendo a porta com força, debruçando-se sobre o vaso, colocando todo o seu almoço para fora.
— Phoebe, você está bem? – Ashley perguntou, batendo freneticamente na porta do banheiro.
— Estou! – a morena respondeu, enxaguando a boca na pia do banheiro, e em seguida, abrindo a porta. — Eu acho que o almoço não me fez bem.
— Phoebe, você já se sentiu enjoada esta semana? – perguntou Ashley, com um pequeno sorriso.
— Já. – respondeu a Grey de forma inocente. — Ontem mesmo eu vomitei, mas acho que foi por causa da torta de morango que Gail fez.
— Não acho que seja apenas a torta de morango, Phoebe. Tem usado camisinha em todas as suas transas com Adam? – Phoebe franziu o cenho.
Quando o entendimento passou pelos olhos de Phoebe, ela os arregalou. A garota nunca tomara pílulas, já que sempre se esquecera, e Ethan não fazia tanta questão de usar camisinha.
— Ash, você não acha que...
— Eu acho. – ela disse, mas seu semblante agora estava sério. — Se quiser, podemos confirmar isso agora mesmo.
O coração de Phoebe pulsava forte contra seu peito. Uma onda de medo percorreu seu corpo. Se estivesse grávida, como iria cuidar de uma criança? Como contaria aos seus pais? Como contaria para ele? Os olhos da castanha se encheram de lágrimas.
— Calma Phoebe! Nem sabemos ainda! Vamos, irei levá-la para a clínica de Valentina. Ela poderá tirar esta dúvida com certeza.
Durante todo o caminho, Phoebe estava em seu torpor mental. Sentia seu corpo completamente anestesiado com a possível ideia da gravidez, e não sabia como reagir a isto. Queria muito que fosse apenas um alarme falso, mas sabia que a possibilidade estava ali. A possibilidade era palpável demais.
— Phoebe, calma. – Ashley disse, olhando de relance para Phoebe, que deixava algumas lágrimas silenciosas escorrerem pela sua face rosada. — Eu vou te dar total apoio se realmente existir um bebê. – ela disse, olhando para o trânsito.
— Eu sei. – sussurrou a morena olhando para o movimento ao lado de fora da janela.
Quando enfim chegaram à clínica de Valentina, demoraram um tempo para serem atendidos. Além de Phoebe, havia uma mulher com uma barriga saliente, que olhava uma revista de decoração.
A mulher, ao perceber que estava sendo observada por Phoebe, abriu um sorriso.
— Quer ver a revista? – perguntou.
— N-não. – disse.
A mulher alisou a barriga, com um sorriso encantador nos lábios.
—É lindo, não é? É lindo poder saber que há uma vida dentro de você. – ela disse, olhando para Ashley e Phoebe. — Vocês estão esperando alguém ou irão ser atendidas?
— É atendimento. – respondeu Ashley, forçando um sorriso. — Queremos saber se realmente há um bebê.
— Oh! Espero que tudo ocorra bem para vocês. – disse a mulher. Uma atendente chamou por “Sharon Harper”, e a mulher sorriu, guardando a revista. — É a minha vez. Boa sorte, meninas!
A mulher levantou-se, acenou para as duas e seguiu a atendente por um corredor.
— Bem simpática, não é? – disse Ashley, tentando aliviar a tensão do ambiente.
— Bastante.
— Phoebe, se você estiver grávida, o que você vai fazer? – sussurrou Ashley, parecendo aflita.
— Eu não sei Ash. Realmente não sei. – murmurou a mulher.
—... Rebecca, você sabe onde está a guia dos exames? – as garotas ouviram a voz de Valentina no corredor. Os passos foram ficando mais alto até ecoarem pela recepção. A Kowalski mais velha olhou para Ashley e para Phoebe, franzindo o cenho. — Ash, Phoe, o que estão fazendo aqui? Precisam de alguma coisa?
— Precisamos Tina. Bem, teria como você fazer uma consulta para a Phoebe? – Ashley perguntou, mordendo o lábio, nervosa.
Valentina arregalou os olhos, olhando para a Grey, que chorava silenciosamente.
— Phoebe, você está grávida? – Tina perguntou, olhando diretamente para a morena, que fitou os olhos castanhos da obstetra, que parecia realmente preocupada.
— Eu não sei, estamos aqui para isso, Tina. – murmurou Phoebe, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.
— Irei terminar de atender a minha paciente, depois vocês podem entrar tudo bem? – ela disse, sorrindo de forma tranquila, pegando alguns papéis na bancada, caminhando de volta para o corredor.
— Estou me sentindo péssima. – lamentou-se Phoebe, que colocou sua franja atrás da orelha, suspirando. — Como eu vou contar para os meus pais? – disse a castanha, tentando não se desesperar.
— Olha para o lado bom. Em um mês você estará em Londres. Eles não terão como saber o que se passa lá, você pode cuidar do bebê e estudar ao mesmo tempo.
— E quando eu for visitá-los, Ashley, você acha mesmo que eles não irão achar estranho o fato de que eu estou com uma criança que me chama de ‘mamãe’? – Ashley fez uma careta.
A mulher, Sharon, saiu com um sorriso nos lábios, acenando para as meninas e deixando o consultório.
— Vamos? – disse Tina, olhando para as duas, que a seguiram pelo corredor.
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— Pode deitar-se na maca, por favor? – pediu Tina assim que entraram no consultório. Phoebe deitou-se na maca. A garota estava no modo automático. — Levante a blusa, por favor? Irei passar este gel, vai ajudar a conseguir mover o aparelho do ultrassom.
Phoebe assentiu, levantando a blusa, sentindo um produto gelado sobre o seu ventre. Valentina ligou o aparelho, mexendo o aparelho de um lado para o outro no ventre de Phoebe, que sentia seu coração entalado na garganta. Tina estava completamente séria, e Phoebe, olhando para a imagem, não conseguia identificar nada.
Ashley estava ao lado da irmã, e parecia tentar identificar o que estava vendo. Valentina apertou um botão, e um barulho rítmico começou a ecoar pelo consultório.
— O que é isso? – perguntou a Grey, que franzia o cenho.
— Isso, Phoebe, é o barulho do coração do seu bebê. Parabéns, você será mamãe! – Valentina disse, empolgada.
Phoebe sentiu seu sangue gelar, mas não pode conter as lágrimas que escorreram. Não sabia se era felicidade ou tristeza. Não sabia como se sentia! Tinha um ser pequeno em seu ventre que precisava dela.
— Tina, tem certeza? – Ashley perguntou debilmente.
— É claro que tenho certeza, Ash. Estudei para isso! – ela respondeu, como se a pergunta de Ash fosse a mais estúpida do mundo. — Phoe, você deve estar com no máximo duas semanas de gestação. Ele tem agora o tamanho de um grãozinho de arroz. – falou contente. — Phoebe, ele precisa de cuidados então...
— Tina, eu não sei se posso. – falou Phoebe. O barulho do coração do bebê ainda ecoava pelo ambiente.
— O que quer dizer com isso? Por favor, me diga que você não está cogitando abortar. – Valentina falou de forma tão severa, que Phoebe se assustou. — Você sabe que este bebê é o único inocente na história. Ele não escolhe nascer. – ela suspirou. — Sabe quantas mulheres vem aqui na esperança de conseguirem engravidar, Phoebe? Muitas! E você, que conseguiu esta benção, quer mesmo desperdiça-la?
Phoebe abaixou a cabeça, envergonhada com a possibilidade de não ter o bebê. Tina estava certa em tudo a que falara.
— Eu não vou abortar. – murmurou Phoebe. — Só não sei como lidar com a situação, e por não saber, quero que não contem isso a ninguém. – Phoebe deu ênfase no ‘ninguém’. — Quando eu estiver pronta, eu contarei.
As irmãs Kowalski assentiram.
— Phoebe, eu tenho algumas vitaminas aqui, que seria bom que você tomasse. – a obstetra caminhou até um armário, tirando um frasco de comprimidos. — Este frasco dura três meses. Tome um todos os dias, ok? Todos os dias! Irá deixar o seu bebê saudável. Qualquer coisa, Phoebe, venha direto para cá. Evite estresse, ok? Seu bebê sente, e não faz bem para ele, além de poder causar um aborto espontâneo.
Phoebe somente assentia. Pegou o frasco de comprimidos e agradeceu a Valentina, que a abraçou fortemente.
No caminho de volta, Ashley deixou Phoebe na porta da casa da morena, com um sorrisinho nos lábios.
— Eu vou ser madrinha, ok? Só para constar. – disse a Kowalski, fazendo Phoebe rir baixo.
— Tudo bem, você pode ser a madrinha. – a morena abraçou a melhor amiga de forma apertada. — Obrigada, Ashley, por tudo. – murmurou Phoebe, deixando grossos pingos das lágrimas correrem pela sua face.
— Tudo bem, Phoebe. Amanhã sai o resultado das provas, eu aviso para você se fomos aprovadas ou não. Depois, teremos tempo para escolher o vestido de formatura! – Ash falou, praticamente pulando. — Preciso ir, Phoe, se cuida. E cuide do meu afilhado.
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Phoebe entrou em casa e correu para o andar de cima. Sabia que precisava comer alguma coisa, mas tinha medo de ficar enjoada e chamar muita atenção. Optou por esperar todos deitarem, para poder invadir a cozinha.
Logo após um lanche noturno, Phoebe caminhou para o seu quarto e tomou um dos comprimidos que Valentina receitara. Deitou-se na cama e alisou calmamente a sua barriga ainda lisa.
— Oi bebê. – murmurou para o nada, mas logo riu, sentindo-se tola em falar com a barriga.
Deitou-se de lado, tentando fazer com que o sono chegasse, mas nada. Não tinha sono nenhum.
A morena passou a pensar em formas de como contar a Ethan sobre a sua gravidez. Como faria isso? “Ethan, acho que o fato de eu não ter tomado pílulas, fez com que eu estivesse esperando um bebê seu, parabéns, você será papai!”
— Não seja idiota, Phoebe, ele irá ficar puto com você. – disse a morena, sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. — Pare de chorar! – murmurou para si mesma. — Você precisa ser forte. Precisa ser forte por seu bebê. – sussurrou.
Phoebe sentou-se em sua cama, pegando seu celular. Por um momento, desejou que houvesse uma mensagem de Ethan. Queria mesmo falar com o loiro. Sentia falta do toque carinhoso do loiro, e sorriu, ao lembrar-se da última noite deles juntos.
FLASH BACK ON
“Ethan olhou para Phoebe, que fitou os orbes castanho-esverdeados do loiro. A morena aproximou-se e beijou-o calmamente.
— Obrigada, Ethan.
Ethan franziu o cenho, sem entender.
— Por que está me agradecendo?
— Por ter finalmente feito aquilo que eu estava querendo. – ela disse, sorrindo.
— E o que era? – ele perguntou.
— Amor.”
Phoebe viu um sorriso brincar nos lábios de Ethan, que aproximando-se do rosto de Phoebe, beijou-lhe calmamente os lábios.
— É a primeira vez que faço amor, se quer saber, ma belle. – disse o loiro, com a voz rouca. — Nunca fui digno do amor de ninguém, e não sou, mas eu te amo tanto... – sussurrou, afagando o rosto ruborizado da morena.
— Ethan, todo mundo é digno de amar e ser amado. Você não é diferente de ninguém neste quesito. – Phoebe disse, beijando o pescoço de Ethan rapidamente. — Você merece mais, sabia? Ás vezes eu gostaria de saber o que você está fazendo com uma garota de dezessete anos.
— O mesmo que eu poderia estar fazendo com uma de vinte e cinco, Phoebe, mas a diferença é que você me cativou, e as outras não.
Phoebe sorriu, aninhando-se nos braços de Ethan, que a envolveram de forma protetora.
— Queria poder ter você assim todos os dias. – ele murmurou.
A respiração de Ethan começou a ficar mais suave, e Phoebe soube que ele havia dormido. A morena afagou calmamente os cabelos loiros de Ethan, sorrindo de forma boba para o amado.
— Eu queria ter você para sempre. – sussurrou, antes de cair em um sono profundo.
FLASH BACK OFF
— Ele não nos rejeitaria certo? – ela perguntou, com a mão pousada na barriga. — Se ele nos rejeitar meu filho, iremos sair de Seattle.
Nem Phoebe acreditava em suas palavras. Abandonar a cidade de seu coração? Deixar seus pais? Será que ir para Londres era mesmo o seu destino?
— Ajude a mamãe a dormir, bebê. – murmurou, deitando-se novamente, fechando os olhos, dormindo.
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