50 tons de Luxúria
18 Chapter 17
Notas iniciais
✝

❝Os obstáculos aparecem sempre quando não esperamos. Nem sempre é fácil vencê-los❞
●••●
POV's Ethan.
Acordo sentindo um calor intenso sobre o meu corpo, e quando abro os olhos, vejo Phoebe, totalmente nua e enroscada em mim, dormindo calmamente. Olho para o relógio, e não é tão cedo quando eu imaginava: 7h23. Já se passavam semanas, e Phoebe continuava mostrando-se surpreendente.
— Phoebe, acorda. — digo, sussurrando de forma rouca em seu ouvido, sentindo-a se mexer. — Pequena, você precisa acordar, ou irá perder o horário do colégio.
— Ethan, hoje é sábado! — ela exclama, abrindo seus olhos brilhantes e castanhos, fitando o meu rosto. — Bom dia, ranzinza.
Faço uma careta com o apelido 'carinhoso' que recebo da castanha, que simplesmente deixa um riso anasalado escapar.
— Tá, tá. Isso quer dizer que podemos aproveitar, certo? — falo, começando a beijar o pescoço de Phoebe, que já está com leves roxos por causa da noite passada.
— Hm... Talvez. — ela deixa um gemido rouco escapar quando toco sua intimidade. — Ethan, eu...
Ouço meu telefone tocar, mas tento ignorá-lo.
— Ethan, atenda, pode ser importante. — diz a morena, não muito convicta de suas palavras.
— Mais tarde. — sussurro, mordiscando seu lóbulo.
O telefone desliga, e finalmente posso me divertir com a minha pequena. Percorro minhas mãos pelos seus seios, os massageando com cuidado. Havia algumas marcas vermelhas ali, e logicamente, sou o culpado.
O telefone começa a tocar novamente, e xingo.
— Atenda, Ethan, deve ser importante. — diz Phoebe, ajeitando-se na cama, enquanto estico meu corpo para pegar o celular na cômoda.
Número privado.
— Wiegraft.
— Sr. Wiegraft, aqui quem fala é o Dr. Gordon, do Harborview Medical Center. O senhor é parente de David Wiegraft?– meu sangue gela.
Ajeito-me na cama, sentando-me. Meu coração pulsa de forma rápida.
— Sim, sou filho.
— Deve ser de seu conhecimento que seu pai sofria de um câncer de pulmão, e é com pesar que informamos que na madrugada de hoje, seu pai faleceu.
Não consigo esboçar reação. Não sei o que dizer. É claro que eu sabia que meu pai tinha câncer, mas...
— Deve haver algum engano! — esbravejo.
— Infelizmente, não há engano nenhum, senhor. A autópsia deverá levar umas seis horas, e depois o corpo estará liberado para a família decidir o que é melhor. Novamente, sinto muito, mas seu pai deixou uma carta endereçada ao senhor. Caso a queira, quando vier ver o corpo, entrego ao senhor.
Desligo o telefone.
— Ethan, o que foi? — Phoebe pergunta em um tom tão calmo e doce, que sinto vontade de fraquejar e deixar que algumas lágrimas corram pela minha face.
— Phoebe, você pode ir embora, por favor?
— Ethan, o que aconteceu? Você sabe que pode confiar em mim.
— SAI DAQUI! — grito. — VAI, NÃO QUERO VOCÊ AQUI.
A morena se assusta, afastando-se de mim rapidamente. Não a culpo, meu rosto deve estar distorcido entre dor e ódio.
— Eu só queria ajudar... — ela sussurra, e posso ver claramente uma lágrima escorrer de seu olho direito.
— Quer saber o que aconteceu? Meu pai morreu, foi isso que aconteceu! — falo, sentindo o efeito daquela verdade correr em meu peito. — Ele morreu! Está feliz em saber? Agora me deixa, preciso resolver o velório dele e ligar para Amanda.
— Eu sinto muito, Ethan. — ela fala, e posso ver que está sendo sincera.
— Você não é a única, Grey. — sussurro, suspirando. — Agora preciso que você saia. Se quiser ir no velório, eu mando uma mensagem dizendo o horário, mas... Agora quero ficar sozinho.
E no momento em que Phoebe sai de meu apartamento, choro. Permito que aquelas lágrimas de dor caiam e inundem a minha face.
❖FLASH BACK ON❖
— Filho, precisamos conversar. — meu pai se aproxima de mim, abrindo um sorriso gentil, como sempre fizera.
— Claro, pai. — digo, puxando uma cadeira e me aproximando do meu velho. Ele respira fundo, olhando para o céu.
Estávamos na varanda de sua casa, e o céu estava com tantas estrelas que era impossível não admira-las.
— Filho, lembra-se de que fiz alguns exames, para saber o motivo daquelas tosses? — ele pergunta. Claro que eu me lembrava! Ele mencionara estes exames, prometendo para mim e para Amanda que não era nada, apenas rotina.
— Sim.
— Os exames apontaram um câncer avançado em meus pulmões. — ele falou aquilo de uma forma tão serena, que parecia que ele estava falando de filmes. — Os médicos me deram seis meses de vida, no máximo.
Pisco uma, duas, três vezes, absorvendo as novas informações. Meu pai nunca se quer colocou um cigarro na boca, ou respirou gases tóxicos, ou algo do tipo. Muito pelo contrário, ele cuidava tão bem de seu corpo, dizendo que o corpo era um santuário, que deveríamos cuidar.
— Como?! — pergunto, sentindo uma dor se espalhar.
— Não sei, meu filho, mas eu quero que você me prometa que agirá normalmente, que continuará com a sua vida, e não irá se abater.
— Pai...
— Prometa, Ethan.
— Pai, o que você está me pedindo é impossível! — falo, alterado.
— Não, não é. — um sorriso triste brota em seus lábios. — Como você acha que estou tão bem? — pergunta. — Tenho que aceitar isso, Ethan, e é algo que nem você, com todo o seu dinheiro pode reverter. Não quero que gaste um tostão comigo, por que não tem cura, meu filho. — suas palavras são de um tom "tranquilizante", mas não funciona comigo. — Prometa-me que você seguirá a sua vida normalmente, e não se abaterá. Seja forte, não só por você mesmo, mas por Amanda.
—Eu... Eu prometo. — falo em um suspiro sofrido.
— Ótimo... Agora... Que tal trazer uma xícara de chá para o seu velho?
❖FLASH BACK OFF❖
Levanto-me, enxugando a minha face. Pego meu celular, vendo uma chamada perdida de Amanda.
— Ethan? — Amanda fala, de forma embargada, assim que atende o telefone quando ligo.
— Sim, Mandy. — suspiro, tentando ser forte, por que prometi ao meu pai que seria. Seria forte por Amanda.
— O que faremos, Ethan? — ela dizia, entre soluços. — Ele não podia ter me deixado agora...
— Eu resolvo tudo, Mandy, não precisa se preocupar. Apenas... Apenas descanse, que irei no Hospital resolver algumas questões.
— Tem certeza? — sua voz é um misto de alívio e dor.
— Tenho, loira.
— Obrigada.
Desligo o telefone. Suspiro ao lembrar-me de Emily, a mulher com quem meu pai havia juntado. Ela, provavelmente, estava sofrendo também.
✼50TL✼
Fico segurando aquela carta em minhas mãos sem coragem para abri-la.
Já estava no hospital, já havia visto o corpo de meu pai, já havia chorado e agora estava eu ali, com aquela carta em minhas mãos.
— Menino, você está bem? — reconheço aquela voz de imediato: Elena.
— Acha que estou bem? O que faz aqui? — pergunto, um pouco irritado.
— Ora, você deveria apenas agradecer por eu ter aparecido. — ela resmunga, e eu reviro os olhos.
— Está revirando os olhos para mim, Ethan? — seu tom é o tom 'dominador', e eu apenas arqueio uma sobrancelha.
— Foda-se, não sou seu submisso a meses. Agora, se me der licença, tenho coisas a fazer.
Não espero ela falar, por que não quero ouvir.
Caminho sem rumo do hospital, não ligando para o meu carro que ficou para trás, ou para o horário. Afinal de contas, não havia passado das 9h30 da manhã, e eu já havia passado por tanta coisa!
Pego-me pensando em Phoebe, e em como eu gostaria dela ali, simplesmente para me dar um abraço. Afasto este pensamento. Já cometi o erro de me apaixonar, não quero cometê-lo novamente.
Acabo encontrando um parque, onde vejo várias crianças brincando. Elas parecem tão felizes, que sinto inveja desta felicidade.
Tomo coragem e abro a carta, me deparando apenas com uma frase, escrita no centro do papel.
❝Seja forte❞
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