50 tons de Luxúria
28 Chapter 25
Notas iniciais
Já fazia duas semanas desde que Phoebe descobrira sobre a gravidez. Agora, estava com um mês de gestação, e parecia que o tempo não estava lá ao seu favor. As últimas duas semanas haviam passado voando, e Phoebe mal vira o tempo passar. Estava cada vez mais preocupada com a situação na qual se encontrava.
Sua família – logicamente – não sabia da gravidez precoce da morena, muito menos o loiro que a engravidara. Apesar de a moça prometer que falaria com Ethan sobre o seu pequeno pontinho, sua coragem se esvaia toda vez que o via.
Sua barriga, mesmo não estando saliente, estava mais durinha. Tomava regularmente as vitaminas que Valentina Kowalski lhe receitara, e as mantinha escondidas dentro de uma pequena bolsa, que carregava de um lado para o outro.
Quando acordou naquela manhã, sabia que seria estressante. Era o dia da tão sonhada formatura do colegial. Finalmente havia acabado aquela merda. Bem, pelo menos era assim que ela pensava, e uma nova página começava a ser escrita. Apesar de Valentina especificar para a morena que estresses estava fora de cogitação, ela não conseguia parar um minuto se quer.
Anastasia a arrastava de loja em loja para encontrar o vestido perfeito, o que fez Phoebe pensar no por que de não ter procurado aquela porcaria antes.
— E este vestido, querida? – perguntou Anastasia, erguendo um vestido prateado encantador, mas não apeteceu Phoebe.
— Não acho que é este tipo de vestido que eu quero.
Já fazia pelo menos uns quarenta minutos que Anastasia e Phoebe estavam naquela loja. A atendente, coitada, corria de um lado para o outro tentando satisfazer o gosto das mulheres Grey.
— Querida, o que há com você? – perguntou Ana, olhando atentamente para os olhos castanhos de Phoebe, que pareciam estar cobertos por um véu, visto que Ana não identificou absolutamente nada no olhar perdido da mais nova, que se focava no rosto da mãe.
—Eu não tenho nada, mamãe. Acho que estou apenas cansada. – suspirou, sorrindo de forma fraca.
— Temos apenas mais este modelo para vestidos de formatura. – a atendente falou, enxugando discretamente uma gotícula de suor que escorria da sua face.
Phoebe arregalou os olhos no momento que viu o vestido. Ele era perfeito.
— Mamãe, eu quero este. – falou, levantando-se e apontando para o tecido. — Ele é lindo! – Ana suspirou, aliviada. Parecia que Phoebe não era a única que estava exausta de ver vestidos.
— Quanto é moça? – perguntou Anastasia, já tirando a carteira da bolsa, pegando seu cartão.
— U$ 4,500. – Ana sorriu gentilmente para a atendente, abraçando a filha pelo ombro.
— Pagamento à vista, por favor.
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Assim que chegaram a casa, Phoebe vestiu uma roupa confortável e resolveu fazer uma pequena surpresa para Ethan. Fazia três dias que a morena não via o seu loiro, o que já lhe causava uma pontada de saudade. Correu para o seu carro, dirigindo calmamente.
Pegou-se pensando se deveria contar agora a Ethan sobre a gravidez, e sentiu um calafrio percorreu seu corpo.
— Como o seu pai vai reagir, bebê? – ela perguntou, olhando rapidamente para a barriga lisa e logo voltando seus olhos para a avenida. Estava com um pressentimento estranho quando estacionou o carro.
Por sorte, encontrara uma vaga bem próxima ao edifício da CEO Wiegraft. Colocou algumas moedas no parquímetro e caminhou calmamente para dentro do edifício. Já era comum a presença da garota ali dentro, porém sempre que entrava, Phoebe escutava burburinhos. Caminhou para dentro do elevador, apertando no último andar.
A mais nova secretária de Ethan, assim que Phoebe saiu do elevador, engoliu em seco, o que fez a morena franzir o cenho.
— Ele está acompanhado? – perguntou para a jovenzinha, que assentiu.
— A senhora Lincoln está com ele.
Phoebe bufou, irritada e nem bateu na porta, simplesmente a abriu, encontrando uma cena que encheu seus olhos de lágrimas.
Elena estava com seus lábios – imundos – colados aos de Ethan, e uma de suas mãos estavam espalmando seu membro por cima da calça, massageando-o. Assim que o loiro notou Phoebe, empurrou a mulher, que sorriu de forma sínica para a morena.
— Olá, querida. Sentiu a minha falta? – Elena perguntou, e Ethan murmurou algo como “cale a boca”.
Phoebe não tardou a enxugar as lágrimas teimosas, e logo caminhou para fora do ambiente, ouvindo gritos de protesto do loiro quando a morena bateu a porta.
Não, não era assim que Phoebe queria as coisas. Ela achava que eles estavam tão bem! E agora a castanho o vira com os lábios colados à outra mulher. E não era qualquer mulher, era Elena Lincoln, o pesadelo loiro de Phoebe.
A morena lamentou o fato do elevador não estar no andar, e de soslaio, viu Ethan sair do escritório, correndo até a mais nova, mas a porta do elevador já havia aberto, e Phoebe tratou de entrar e apertar o primeiro botão que viu.
— Phoebe, você entendeu errado...! – ele falou, mas já era tarde. A porta já havia se fechado, e Phoebe estava decidida a nunca mais voltar àquele lugar, e nunca mais ver Ethan.
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Jogou-se em sua cama assim que chegou a casa. Havia poucas horas antes de sua formatura, e permitiu que as lágrimas corressem livremente por sua face. Não era assim que Phoebe imaginava que seria ver o seu loiro. Sentia o celular vibrar constantemente em sua bolsa, que jogara em cima da cama assim que chegara, e ignorou. Respirou fundo calmamente, caminhando para dentro do banheiro, ligando a água do chuveiro.
Despiu-se, entrando debaixo d’água quente, que anestesiou brevemente a sua pele. Não soube ao certo quanto tempo ficou em baixo do chuveiro, mas em nenhum momento conseguiu tirar Ethan de seus pensamentos. E assombrando eles, estava Elena.
Phoebe sentiu lágrimas de pura raiva brotar em seus olhos, mas Phoebe negou-se a deixá-las correr. Mordeu seu lábio inferior, sentindo um familiar gosto de ferro. Estava mais do que nervosa. Estava possessa, mas não deixaria assim.
Sua maior vontade era de sumir.
Uma ideia passou por sua mente, o que a fez rapidamente franzir o cenho. Não era uma péssima ideia. Saiu rapidamente de seu banho, pegando o seu celular de dentro da bolsa. Havia vinte e sete chamadas perdidas e sete mensagens.
“Você entendeu errado, Phoebe, não haja como uma criança e deixe-me explicar”.
Agir como uma criança? Ela viu uma mulher o beijando e com uma das mãos sobre o membro bem dotado do homem, e ela estava agindo como uma criança por estar ignorando-o?
“Atende a merda do telefone?!”
“A culpa não é minha, deixe-me explicar!”
“Não vai mesmo atender, não é?”
“Se não quer falar comigo, não irei comparecer à sua formatura”.
Que bom, eu não tinha te convidado, pensou Phoebe.
“Por favor, me de a chance de explicar”.
“Ok, eu entendi que você está com raiva, mas se eu não explicar você não vai entender. Já entendi que você quer um tempo, e o darei a você. Converse comigo quando achar que está pronta tudo bem? Saiba apenas que te amo, e que desejo a você uma boa formatura, e que eu gostaria de partilhar deste momento com você, mas entendo que para você, eu fiz burrada. Espero que me procure logo, preciso realmente falar com você. Novamente, eu te amo. — E”.
As lágrimas invadiram os olhos de Phoebe, e desta vez ela não pode contê-las. Estava machucada, portanto, ignorou o loiro.
Acessou rapidamente a internet de seu blackberry, encontrando o número que desejava e um destino perfeito.
— Alô, eu gostaria de reservar uma passagem para Quebec.
— O ônibus parte em duas horas, senhora.
Phoebe mordeu o lábio. Em duas horas começaria a sua formatura.
— Tudo bem.
— Eu nome? – perguntou a mulher de forma educada.
— Phoebe Steele.
Phoebe não costumava usar este sobrenome, já que o “Grey” era um sobrenome de maior força, mas não queria dar muita bandeira, portanto, usou o “Steele”.
— Senhora Steele, são cerca de três dias de viagem de Seattle para Quebec.
— Tudo bem, é isso mesmo que eu quero.
— Tudo bem então, desde já tenha uma ótima viagem.
Phoebe desligou o aparelho, não medindo suas consequências. Caminhou até seu closet, tirando a mesada que seu pai dava em dinheiro para a morena, que costumava guarda-lo, já que Christian dera a Phoebe um cartão de crédito de sua própria conta bancária. Como a morena não costumava gastar do seu próprio dinheiro, e recebia mesada desde os onze anos, tinha dinheiro o suficiente para passar muito bem onde quer que fosse.
— Phoebe, já começou a se arrumar? – perguntou Anastasia assim que bateu à porta, já a abrindo. Phoebe escondeu novamente o dinheiro, saindo do closet com um sorriso. — Você andou chorando?
E novamente a ponta avermelhada de seu nariz a denunciou.
— De alegria, mamãe. Nem acredito que vou me formar! – ela falou de forma entusiasmada, conseguindo enganar a mãe.
— Nem eu, querida! Quer ajuda com a maquiagem e cabelo?
— Hoje não, mamãe. Quero fazer uma surpresa para vocês, então não venha no meu quarto, ok? Encontramos-nos no ginásio do colégio.
Ana apenas sorriu, assentindo, saindo do quarto da filha.
Phoebe sabia que era golpe baixo fazer aquilo, e que jamais se perdoaria, mas estava tão frustrada com Ethan, que não queria saber da ideia de que ele um dia pudesse encontrá-la, e de seus pais descobrirem que estava saindo com o rival empresarial da empresa do Grey. E pior que sair com ele era estar grávida dele.
— Ai, bebê, onde eu fui me meter? – perguntou, colocando suas roupas dentro de duas malas, assim como sapatos, joias, perfumes e assessórios diversos. Trocou de roupa, vestindo uma calça jeans, mas permaneceu com a regata vermelha. Em suas mãos, carregava um sobretudo, pois apostava que passaria frio em algum momento dos três dias de viagem.
Ouviu alguém bater à porta e sentiu seu coração parar na garganta.
— Phoebe? Estamos indo agora, tudo bem? Encontramos-nos lá? – perguntou Christian, fazendo o coração de Phoebe ficar menor no peito.
—Claro papai.
— Amo você.
Phoebe engoliu o caroço que se formou em sua garganta, tentando fazer a todo custo, sua voz parecer normal.
— Eu também te amo! – falou, surpreendendo-se com sua voz.
Ouviu passos se afastarem da porta, e logo ouviu o carro sair da garagem. Sentou-se em sua cama, arrancando algumas folhas de seu caderno escolar e começou a escrever calmamente algo plausível para seus pais. Como poderia dizer a eles?
Após alguns minutos, ligou para um táxi, levou a garota com bagagem, dinheiro e tudo para a rodoviária. Durante o percurso, Phoebe jogou seu celular pela janela, sentindo algumas lágrimas escorrerem pelo rosto.
— Dia difícil? – perguntou o taxista, olhando para Phoebe pelo retrovisor.
— Você não faz ideia.
Gentilmente, assim que chegou a rodoviária, o taxista ajudou a mais nova com suas malas, carregando-as até a sala de espera. Phoebe pagou pela corrida e deu uma gorjeta generosa para o senhor, que sorriu agradecido.
Encaminhou-se para a fila para comprar a passagem, e pagou uma taxa a mais para o balconista, para que ele não deixasse registros com o nome da morena.
Assim que embarcou no ônibus, Phoebe percebeu que não tinha mais volta. Chorou em silêncio quando viu a placa de ‘volte sempre!’ assim que deixou Seattle, entrando em Toronto, Canadá. Por sorte, ninguém estava sentado ao seu lado – pelo menos ainda – e a morena pode se esticar, dormindo no banco pouco confortável.
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Na formatura, Christian, Anastasia, Theodore e Georgia aguardavam o nome de Phoebe ser chamado, mesmo que nenhum dos quatro a tivesse visto ainda. O nome de Ashley foi chamado e a baixinha apareceu com um longo vestido roxo e com um sorriso encantador no rosto, pegando o seu diploma e sendo ovacionada pela plateia.
Nome a nome foi passando, e nada do nome de Phoebe aparecer, o que deixou os quatro tremendamente perturbados. Será que era por ordem de inscrição? Não era possível, até agora estava sendo por ordem alfabética e já estava na letra ‘R’ e o nome de Phoebe não havia aparecido, porém resolveram esperar até o término da formatura. Assim que acabou, os quatro saíram à procura de Ashley, que os olhou preocupada assim que os viu.
— Phoebe está bem? Ela não veio por quê? – perguntou Ash, alternando o olhar entre os quatro.
— Ela não veio? – vociferou Christian. — Como assim ela não veio? – perguntou sem muita paciência.
— Calma, Christian, talvez ela tenha se sentido mal, alguma coisa assim. – tranquilizou Ana, mas na verdade, a mulher estava com o coração na mão. — Obrigada, Ashley.
— Foi um prazer, senhora Grey. – disse Ashley, afastando-se um pouco preocupada e chateada.
Christian abriu caminho pela multidão de pais e formandos, caminhando para fora do ginásio. Entrou em seu carro na companhia dos quatro e dirigiu o mais rápido que pode, assustando até mesmo os que o acompanhavam no carro.
Entrou em casa sem nem ao menos estacionar o carro na garagem, e correu para o quarto de Phoebe, surpreendendo-se com o que encontrou.
Não havia praticamente nada no quarto. O closet parecia meio vazio, os sapatos que restaram eram poucos, as joias sumiram e alguns livros da morena também haviam desaparecido. O notebook não estava na escrivaninha, e o vestido da morena estava pendurado cuidadosamente na porta do closet, e colado nele, um papel com uma caligrafia bonita escrito “Grey’s”
— Meu deus. – Ana murmurou com algumas lágrimas nos olhos assim que entrou no quarto na companhia de Teddy e Georgia, que parecia catatônicos, assim como ela.
Christian caminhou até o papel, puxando-o e o desdobrando.
“Eu parti.
Não posso ficar aqui, infelizmente, mas a culpa não é de vocês. A culpa é inteiramente minha, portanto não se culpem com a minha partida. Vocês são importantes demais para mim, mas estou com um problema que vocês não poderiam resolver para mim, e apenas eu posso cuidar dele. Se bem que não é lá um problema, mas não tentem me procurar, na hora certa, eu irei encontrá-los, não se preocupem.
Amo vocês como nunca.
Phoebe”.
E ali estava a desolação de Christian. No momento em que ele terminou de ler, uma lágrima solitária brotou em seus olhos, o que rapidamente ele limpou.
— O que foi, Christian? O que aconteceu? – perguntou Ana, olhando desesperada para o marido.
— Ela se foi, Ana. – falou baixo, quase que em um murmúrio. — Ela foi embora.
To be continued...
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