Notas iniciais
Gente, como prometido mais um capítulo. Espero de verdade que vocês gostem. Me deixem saber pelos comentários PS: O Link a seguir é de uma musica que faz parte da playlist que estou montando da historia. As letras dizem muito sobre a história, o sentimento de cada personagem e quem sabe o futuro dos mesmos. Nada melhor do que música para descrever o que sentimos quando as palavras nos faltam não? Se estiverem interessadas (os) em ter acesso a playlist me deixem saber nos comentários que disponibilizarei no próximo capítulo. O link da musica do capitulo: https://www.youtube.com/watch?v=i_fSjGfrIn0

-Deixa ver se eu entendi você inventou essa coisa toda? Na verdade você é um musico falido sustentado pelo pai?

Eu começo a rir novamente, sua risada acompanha a minha e me pego observando as linhas de expressão que se formam em volta de seus olhos quando sorri. Sorrir... Isso tem se tornando bem entre nós dois. Já rimos muito das histórias um do outro.

— É quase isso... – ele leva a mão direita ate o cabelo bagunçando-o despojadamente, de um jeito que eu nunca pensei em vê-lo antes- Na verdade eu trabalho na empresa do meu pai quando ele me enche o saco, mas ser um musico falido é o que eu quero para minha vida mesmo.

— Então aquele lance todo de eu não ser boa o suficiente para trabalhar na empresa do SEU PAI... – uma grande interrogação deve ter aparecido na minha cabeça, pois só ouço a explosão de sua gargalhada enquanto minha mente tenta se organizar.

— Você é um idiota sabia? – falo enquanto estudo sua maquina de café e suas milhões de possibilidades em cápsulas.

— Sabia. Pelo menos eu sei que sou já outras pessoas... – ele pega uma das cápsulas e insere na cafeteira, meu olhar o acompanha encantada. — Insistem no erro. Aceita uma xícara?

Sendo a mulher super madura que sou devolvo sua provocação lhe dando língua, como uma criança, o que o faz sorrir mais uma vez. Meu Deus, eu sou uma palhaça ou o que? Esse homem não para de rir desde que chegamos em sua casa. Durante o caminho já tínhamos rido bastante, quer dizer ele riu mais do que eu e o pior de mim. Contei toda minha trajetória com cafés e cafeterias.

— Não obrigada, mas aceito um bolinho. – pego um dos bolinhos cobertos de chocolate que estavam lindamente empilhados em sua cozinha. Christian nem me ofereceu, mas tudo bem.

Dou uma mordida e sorrio satisfeita em sua direção apoiando minhas costas na ilha no meio da cozinha. Continuo a comer enquanto o mesmo balança a cabeça em negativa sem nunca tirar aquele sorrisinho do canto da boca. Na verdade essa é única coisa que esse ser tem feito desde que me apresentou sua nova faceta. Logo em seguida ele continua a me perturbar.

— Na verdade a empresa é uma grande parte da minha vida, faço meu pai feliz estando lá. Achei que se me visse mais vulnerável conseguiria ter você aqui – ele diz se aproximando. Nessa hora eu só consigo pensar em procurar o bolinho, antes em minhas mãos. Começo a olhar em volta. Eu nem sei aonde esse bolinho foi parar.

Será que eu comi tudo?

Sinto seu dedo erguer meu queixo tomando minha atenção para si novamente. Quando vejo estamos muito perto e isso me deixa desconfortavelmente confortável. É estranho eu sei. Eu estou com vergonha que ele veja meu rosto tão de perto e perceba minhas manchinhas de espinha que tanto odeio, mas ao mesmo tempo não quero que se afaste.

— Sem falar na curiosidade comum a toda mulher. – sinto seu polegar deslizar lentamente em meus lábios. Não consigo desviar meus olhos dos seus, tateio a bancada em busca de algum apoio.

— Curio..curiosidade? – Gaguejo quando seus olhos focam em meus lábios, me deixando nervosa em antecipação pelo o que esta por vir.

— Sim, o que nos levou a estar aqui agora. – seu polegar continua a acariciar meu lábio inferior, então ele volta seus olhos nos meus. – Foi sua curiosidade em relação a um musico falido, que finge ser dono de uma empresa para conseguir a atenção da maluca do café.

Sorrimos um para o outro.

Christian vai se aproximando cada vez mais e tento buscar apoio em sua bancada, mas acabo me atrapalhando e embolando nossas pernas. Vamos combinar, eu não estava preparada para uma aproximação tão brusca. Sem falar que o cara é gigante, parece uma parede, estávamos conversando apenas amenidades. Não estávamos?

Christian rapidamente me segura e me coloca sentada na cadeira alta da bancada. Sem tirar os braços de minha volta e apoiando a cabeça em meu ombro... Adivinha o que ele faz? Não! Eu não preciso nem falar! Ele ta tirando com a minha cara!!! Ta, ele ficou rindo que nem uma hiena.

Não é possível, será que eu fiquei tão emocionada assim? Isso não me acontece desde sei-la, os quatro anos de idade. Mas eu estou bem, me sinto bem. Meu estomago não dói. Quando ele se afasta eu aproveito para checar discretamente uma coisinha que aconteceu no meio disso tudo. Quando olho para o estofado do banquinho entre minhas pernas todas as minhas duvidas são sanadas. Sou engolfada por uma mistura de alivio e raiva.

— Você é muito engraçada cara, só faz besteira e... Que porra é essa? – Ele ri mais ainda, se é que isso é possível, me deixando mais irritada ainda por ter plateia para presenciar essa tragédia.

— Parece que achei meu bolinho. – digo cabisbaixa.

Porque eu sou assim? Não consigo nem comer um simples cupcake sem fazer besteira. Argh!

— Que? – Ele faz uma pausa para respirar e enxugar seus olhos lacrimejantes.

— Meu bolinho! O MEU BOLINHO!!!! Que eu estava comendo e do nada estou sentada em cima, que estava em minha boca e agora sujando meu traseiro.

— Olha baby, sinto-lhe informar, mas essa é a ordem natural das coisas. Entrou por cima sai por baixo. Fora que eu conheço outra coisa que pode estar uma hora em sua boca e outra sujando seu traseiro. – o descarado ainda tem coragem de piscar para mim.

Não acredito nisso! Que idiota!

Levanto-me rapidamente correndo na direção do engraçadinho e distribuo tapas em seus braços. Que eu tenho certeza que nem fizeram cosquinha, pois ainda não consegui tirar o seu ar risonho. Sou detida e envolvida rapidamente por seus braços ágeis e sua boca toma a minha sem me dar chance de contestar. Seus dedos se afundam em meus cabelos os puxando firme, mas levemente. Meu coração batia frenético e me pergunto se Caleb conseguia sentir o bater frenético contra seu peito. Estávamos tão grudados que duvidava que não. Ele é o tipo de cara que tem consciência de sua beleza e do efeito que causa nas mulheres.

Quantas já sentiram seu coração quase sair do peito com ele?

Estava tão nervosa com a situação e com medo de que percebesse minha inexperiência quanto às sensações que um homem pode causar em meu corpo que nem notei meus olhos, ate então abertos, encontrarem os seus. Intensos e com uma leve ruga entre as sobrancelhas, mas sua boca continuava na minha mostrando sua experiência em fazer mais de uma coisa enquanto beijava. Visto que suas mãos e sua boca pareciam estar em outra atmosfera da que a dos seus olhos transmitiam.

"Ótimo, agora ele vai rir da nossa cara por além de não saber beijar, nós não conseguimos manter os olhos malditamente fechados." – Minha musinha adolescente reclama enfiando a cabeça entre almofadas para abafar seu gritinho histérico de descontentamento.

Nessa hora desejei ser menos psicóloga de mim mesma e tentar avaliar tudo o que acontecia comigo, como se houvesse alguma explicação plausível para o que ele me fazia sentir. Seja qual for ela, a minha vasta experiência sendo psicóloga de mim mesma não me levou a conclusão alguma. Sua boca se afasta sem desfazer nosso contato visual, fazendo com que a minha sinta saudades do calor de seus lábios. Suas mãos continuam me acariciando, passando por minha cintura e apertando os pontos certos sem se exceder. Parecia querer me deixar à vontade, me tirar da nevoa de inseguranças e pensamentos dispensáveis e me centrar apenas no momento em que estávamos vivenciando. Trazendo-me para a realidade, longe de pensamentos viciosos, longe do futuro. Querendo-me passional e presente.

— Quero que desfrute do momento tanto quanto eu, Anastasia. – sua mão antes em meu quadril, abana o punhado de cabelo dos meus ombros e retorna ansiosa para seu lugar. De onde nunca deveria ter saído. O espaço em meus ombros é logo preenchido por seus lábios quentes e sua língua tímida.

— Porque pode ter certeza... – como se fosse possível, Christian junta mais nossos corpos, fazendo minha garganta liberar um ruído, visto à intensidade do aperto do seu corpo contra o meu. Conseguia sentir nesse momento todas as suas formas, o que me fez quente e envergonhada de meus pensamentos nada puros. Com medo que ele pudesse vê-los em meus olhos e rejeita-los.

— De que eu estou desfrutando. – seus lábios roçam levemente nos meus me fazendo arfar hipnotizada. Aguço meus ouvidos para ouvir sua voz rouca e sussurrada. – De cada segundo, de cada parte sua...

Assim como um sopro, minha pele se arrepia diante de suas palavras. Meus olhos se fecham e apreciam o calorzinho do ar deixar sua boca e ir de encontro com a minha enquanto eu, sem perceber, empurro meu corpo contra o seu em busca de alivio. Sua boca vagueia pelo meu rosto deixando um rastro de calor e ternura por onde passa.

Parecemos tão íntimos que tudo flui naturalmente quando estamos juntos. Nem percebo quando sou encurralada na parece de sua cozinha, provavelmente sujando tudo com a minha calça cheia de cobertura de chocolate. Mas ele parece não se importar e no momento nem eu mesma me preocupo. Queria sua cozinha toda suja de bolinho se isso significasse: nós dois juntos e mais momentos como esse.

Sua boca se cola na minha, dessa vez mais voraz. Corajosa, deslizo minhas mãos por seus braços e peito, deliciando-me com sua firmeza e músculos bem definidos. Um gemido seu de satisfação ecoa em minha garganta me despertando, fazendo-me voraz também. Somos uma confusão de mãos, suspiros, cabelos... Sinto um vento frio percorrer meu corpo quente, fazendo com que me aconchegue ainda mais em seu peito, em seu aperto, sendo muito bem recebida por seus braços protetores. Ouço a chuva lá fora e seu cheiro almíscar em nossa volta, misturando-se com o nosso. Se isso for possível acho que criamos um cheiro característico, só nosso.

A força que seus braços e seu corpo exerciam sobre mim eram tão fortes que tinha certeza que ficaria dolorida. Como um simples beijo poderia me deixar dolorida? As sensações eram muito intensas. O odor da chuva, a liberdade contraditória que sentia na prisão de seus braços me fizeram confiante e feliz. Em nenhum momento tivemos coragem de interromper tudo que acontecia para tomarmos fôlego, é como se nossos pulmões recebessem uma dose extra de oxigênio a cada suspiro deixado por nós.

Não sentia o tempo passar, só sei que a luz que antes penetrava meus olhos, mesmo fechados, já não existia mais. Nenhum de nós dois parecia ter a iniciativa de acabar com aquilo tudo. De sair da nossa bolha conturbada, mas que me trazia uma estranha paz. Trazia-me certeza de que as coisas encontrariam seu rumo, de que seria mais feliz dali em diante. Vocês podem pensar:

"O quão ingênua essa menina é ao entregar coisas tão importantes nas mãos de outra pessoa?"

Minha parte racional não existia perto de Christian, nem sei se quero que ela volte. Se pensar tanto e agir com tanta cautela para que a vida siga o rumo que planejei não está funcionando... Nunca funcionou! Para que então, me privar de sentir-me feliz e ter o vazio que sempre senti finalmente sendo preenchido. De me sentir viva, com o coração quente e a mente vazia.

Era transcendental, algo que nunca imaginei possível. Encontrar alguém e me encontrar nela. Finalmente me encontrar, de ser amiga de mim mesma, de ter certeza que não tenho que me preocupar. Quando eu não estiver bem, quando eu não me bastar alguém irá me cuidar.

Não é?

A chuva se torna mais forte lá fora, fazendo com que um clarão seguido de um estrondo se forme no céu escuro de Seattle. Como se iluminasse minha mente e trouxesse a razão de volta. Talvez ela nunca tenha ido embora. Tantas coisas não ditas, tantos segredos guardados a sete chaves. Talvez eu não seja tão corajosa quanto pensei. Tenho medo do que o futuro me reserva. E se eu não for o suficiente? Eu e minha mania de me preservar, de ter medo de mergulhar em novas oportunidades e não ter forçar de emergir. De me afogar mais uma vez no mar escuro de onde ate hoje escuto historias de como costumava a ser quando estava na superfície. Eu apenas me adaptei, como o Pinóquio na barriga da baleia. Segurei-me na frágil esperança de encontrar a mim, a Emma da superfície, presa e liberta-la. Eu não sei mais quem eu sou não existe um meio termo do que fui e do que sou hoje. Eu só fui sobrevivendo e afogando o que não tinha coragem suficiente de encarar.

Quando nos separamos ainda me sinto tonta do beijo e acredito que o que vi foi resultado dessa confusão que me tornei agora. Christian tem um pedaço do bolinho em mãos e o leva ate seus lábios vermelhos e inchados, mastigando e gemendo em apreciação.

— Hm... Baby... Você é realmente muito gostosa.

Eu não contenho um sorriso de incredulidade que escapa de mim. Christian desperta essas coisas em mim, faz com que eu alcance a superfície e consiga chegar perto do que já fui um dia.

Talvez, ao contrário de mim, ele saiba quem eu sou...

Notas finais
Hmmm... Ta tudo mt calmo com essa historinha dele ne? Que tal o Grey começar a mostar a que veio no proximo capitulo? Queremos um Christian obcecado, apaixonado e possessivo sim ou claro? Proximo capítulo ele começa a colocar as garrinhas de fora. COMENTEM