50 Tons de Vida
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Capítulo 04
— Oh, meu Deus! – Eu gemo pela milésima vez.
Deitada na minha cama e choramingando por não encontrar a roupa perfeita para o jantar de hoje. É assim que estou a exatas 1 hora e 4 min segundo meu relógio de cabeceira que olho de cinco em cinco minutos. Meu quarto estava um caos.
— Não é possível que eu não tenha nada decente para vestir!
“Não vou mais”
Não tem aqueles dias em que tudo em seu armário parece não lhe cair bem mesmo que você tenha o renovado há poucas semanas? Esse era o meu caso. Meu quarto estava um caos.
“Mas, como diria Beyoncé – It's the soul that needs a surgery. Não adianta nada ficar em casa, Aninha. Além de perder o encontro com o gostosão, ficar em casa irá te fazer mal. Lembre-se disso, Ron Weasley e retire essa porra de medalhão.” – Minha deusa interior se descabela apontando sua varinha da Olivaras em sinal de ameaça a mim, enquanto vestida a caráter se encaminha para sua próxima aula de poções. No mundo onde tudo é perfeito e no qual eu gostaria de estar agora.
Ficar em casa seria como usar o Medalhão Horcrux* aonde todas as lembranças e pensamentos ruins iriam se apoderar de mim. Decido então por tirar o hipotético medalhão e deixar para escolher o vestido no final... No mais conseguirei uma oportunidade de emprego – “Você ainda acredita e insiste nisso? Pobre iludida” – Ou uma patada e terei que voltar para casa andando, já que o meu orgulho colossal jamais permitiria que eu voltasse acompanhada daquele troglodita.
“Melhor trocas os sapatos”
Olho em direção aos saltos que havia separado. O meu único sucesso de seleção do dia. Ouço um forte estrondo vindo da sala que me faz chegar à mesma em poucos segundos. Deparo-me com uma Kate descabelada e afobada que tenta se equilibrar em seus caros e lustrados Louboutins gingantes e sua bolsa Prada Saffiano enquanto atira suas gigantes malas para dentro do apartamento.
— Kate?
— Steele, eu vou te matar!
— Que? E porque a senhorita esta querendo me matar? Amiga você sabe né, não fica muito bem de laranja. Orange definidamente não é o New Black* para você. – Dou uma risada nervosa empurrando seu ombro levemente recebendo um olhar fuzilante para cima de mim. Engulo em seco.
“É... Tipo, nós nunca fomos boas com piadas mesmo”
Ela fecha os olhos e respira fundo, com certeza praticando algum exercício que Marta, sua professora de Kundalini Yoga* passou. Ajeita seus longos e loiros cabelos antes de começar a falar com uma falsa calma, digna da Katherine Kavanagh’s Acting School*.
— Eu estou falando, querida amiga, que eu e Carla já sabemos de toda a merda que você estava escondendo. E que fique bem claro que eu fico maravilhosa de laranja então se eu quisesse laranja poderia substituir meu pretinho básico. – Diz me empurrando, como fiz anteriormente, fazendo com que eu desiquilibre e caia no sofá.
Todas as possíveis desculpas e formas de contornar a situação fogem do meu roteiro de “Como escapar de uma loira furiosa — Volume Um” *.
— Eu sei que você deve estar se perguntando. “O meu Deus! Como a linda da Katherine descobriu?” – reviro os olhos diante de sua total falta de modéstia.
— Já que pelo visto você ainda não encontrou nenhuma desculpa melhor do que “estou muito ocupada!”... Ou “Amanhã eu te ligo!” Me deixe te clarear as turvas águas em que você se meteu.
“Kate esta tão filosofa. Parece que os ares do Sul da França lhe fizeram muito bem. A pele dela esta ótima.”
Eu continuo calada enquanto assisto Kate de um lado para o outro praticando seu exercício desestressante. Decido imita-la já que estou muito nervosa e isso não vai me fazer bem. Inspira... Abdômen para frente. Expira... Abdômen contraído. Repito os exercícios que aprendi com Marta durante uma aula experimental esperando que Kate decida que laranja é definitivamente sua nova cor e decida me matar.
— Bem, parece que a não tão inteligente assim Anastácia Ignóbil Steele – faço uma careta para sua forma culta de me chamar de sem caráter. – O que foi? Estou apenas testando novas palavras. Tudo bem continuando... A Ignóbil da minha amiga deu ou confundiu-se e deu o telefone da mãe durante o cadastro na clinica onde a mesma faz QUÍMIOTERAPIA.
Arregalo os olhos e bato com a minha mão direita na cabeça querendo castigar a mim mesma por ser uma boçal – também estou testando novas palavras. Como eu fui burra meu Deus!
— Kate me desculpe! Eu só não queria... – Kate percebendo meu estado se senta namesinha de centro a minha frente e segura minhas mãos entre as suas, parecendo se acalmar e se comover com meus olhos que se debulham em lagrimas, sem que tenha controle algum sobre elas.
— Não queria nos preocupar eu sei. Mas Ana, sinceramente, você realmente não pensou em nós como pensou que pensaria. – Sua frase nada confusa me faz soltar uma risadinha anasalada, sendo correspondida pela mesma. – Esconder, na verdade, foi uma forma sua inconsciente de se livrar do pior que seria dar a noticia para as pessoas que você ama. Não preciso nem dizer em como sua mãe recebeu a noticia né?
— E como ela esta? – pergunto enquanto passo as costas da mão pelo nariz, tentando secá-lo.
— Ela no inicio ficou muito triste, afinal imagina a filhinha querida dela – Ela aperta levemente meu nariz tentando descontrair – Doente e sozinha em Seattle. Ela esta com planos de viajar o mais rápido possível para nós encontrar, mas eu não consegui e tive que vir na frente.
— Oh Kate... – Me jogo nos braços da minha amiga que me acolhe em seu colo tentando consolar o inconsolável. – Me desculpe de verdade?
— Claro que eu desculpo. Eu não sou de ferro, não resisto a esses olhinhos azuis e essa carinha de criança arrependida. Mas, sério, você tem que parar com essa mania de esconder tudo e aguentar tudo sozinha, Anastácia. Você é a rainha do drama.
— A questão não é ser a rainha do drama ou não Kate. Você tem que parar com essa mania de querer lutar minhas batalhas por mim. Eu te amo muito por isso, você sabe, mas eu tenho que vencer sozinha.
Ela respira fundo, assentindo como se entendesse o que quero dizer.
— Mas então... Porque esta toda maquiada. Ou melhor, estava porque essa maquiagem já era.
— Eu tenho um encon... Quer dizer um jantar de... Negócios.
— Hm, sei... E posso saber quem será o sortudo que fará negócios com a minha amiga?
— Hã, é... Ninguém especial... Christian Grey!
Ela arregala os olhos e me segue até o quarto onde pretendo terminar de me arrumar.
— Ow,ow como assim? São muitas novidades para minha cabecinha não acha? Não bastam as novas palavras que estou tentando inserir no meu vocabulário e os exercícios de yoga. – Ela diz.
— Realmente é muita coisa, mas eu estou perdida. Eu não consigo achar nada descente para vestir e já são quase 20h. – Me jogo em cima da cama novamente me dando por vencida.
— Ana, para de drama e vamos que o tempo está voando de pressa. – Minha fiel amiga faz questão de me animar e logo começa a fuçar dentre as roupas que foram arremessadas por mim num ato impensável de raiva, já que depois terei que arrumar tudo sozinha.
Levanto da cama e, praticamente, sou arrastada por ela em direção ao meu armário.
— Essa não, essa não, essa não... – Digo a cada peça ridícula de roupa que Kate me mostra e jogo para trás até meus olhos baterem em algo. – Essa sim! É essa...
Pego o vestido branco com rendinhas preto, coloco na frente de meu corpo e viro-me para minha amiga.
— O que acha? – Pergunto esperançosa.
Ela inclina a cabeça para o lado e como sempre faz nessas ocasiões, me analisa da cabeça aos pés.
— É... – Ela se endireita e volta a me olhar nos olhos. – Bom! Delicado.
— Não está muito careta, está? – Pergunto temerosa.
Ela sorri enquanto se aproxima de mim e me segura pelos ombros.
— Está recatado, querida. Do jeitinho que você é.
— Muito recatado?
— Não. Não está tão recatado, mas também não está vulgar.
Olho pra o vestido por um longo tempo e depois para minha Kate. Dou de ombros e suspiro.
— Que seja!
— Você é uma menina recatada. Não finja ser uma mulher tão moderna, porque essa não é você. E se o poderoso chefão te chamou para jantar é porque alguma coisa você tem de bom.
Coloco as mãos na cintura e estreito meus olhos para ela.
— Que foi? Eu sempre tenho razão. – Kate olha para o relógio dá uma palmada no meu bumbum e começa a estalar os dedos me apressando. – Rápido! Falta pouco para as oito.
Com esse lembrete, corro para o banheiro para refazer minha maquiagem. Noto Kate no batente da porta roendo teatralmente suas longas unhas.
— Pode perguntar Kate. – Digo dando um suspiro de cansaço e vendo Kate se empolgar, já imaginando o que estar por vir.
— Mas então, como vocês se conheceram? Ah! Espera, deixe me adivinhar. Aposto que em uma de suas palestras chata sobre o sucesso de sua empresa e qual o nome de seu novo cabelereiro. Porque pelo amor de Deus o cabelo daquele homem sempre esta impecável. – Ela pergunta.
“Já disse que Kate fala muito?” Lembro-me de sua obsessiva necessidade de mexer em seus cabelos quando estava irritado comigo e acabo falando demais.
— Hm... Menos quando está irritado. Na verdade. – Solto uma risada, lembrando-me do quão adorável seus cabelos ficam bagunçados. – Ele tem essa mania de se descabelar, sabe?
Olho para Kate, que me devolve o mesmo olhar, arqueando sua sobrancelha perfeitamente desenhada me fazendo olhar para o espelho e chegar à conclusão de que devo deixa-la fazer as minhas quando oferecer.
— Oh meu Deus! Vocês transaram. – diz dando um gritinho de empolgação.
Ignoro o que ela falou, pego a pinça para tentar eu mesma ajeita o caos que estão minhas sobrancelhas.
“Oh... Como eu gostava de seus polêmicos e frequentes comentários.”
Tive a sorte de ter concluído a faculdade. Eu havia ganhado a bolsa, mas mudar para Seattle estaca completamente fora de cogitação no orçamento dos Steele’s. Então, uma colega de quarto para dividir as despesas seria mais que perfeito. Conheci Katherine por acaso durante uma visita, sem muitos retornos, minha a uma das repúblicas estudantis indicada pela faculdade.
Em pouco tempo nos tornamos amigas de infância e viramos colegas de quarto compartilhando o apartamento que seus pais compraram para ela perto do campus. Ela tinha um quarto vazio, eu a necessidade de um lugar para ficar, então porque não?
— Steele você é uma V-A-D-I-A! – Diz arrancando a pinça da minha mão e puxando os pelinhos inconvenientes que insistem em crescer, para fora da minha sobrancelha.
— Ai! Eu não sou uma V-A-D-I-A, Kavanagh. – Eu disse também soletrando fazendo escárnio de uma de suas manias adquiridas.
Ela apenas me fez careta e continuou com seu trabalho.
A mãe de Katherine, Mrs. Kavanagh acha deplorável que jovens damas falem palavras chulas se igualando às bocas sujas de estádios de futebol e afins – palavras dela-. Minha amiga como a boa irritadinha que é não conseguiu escapar de um sermão de quase quarenta minutos sobre boas maneiras, quando estávamos viajando todos juntos para Bora Bora. Seu irmão mais velho, Ethan teve a brilhante ideia de joga-la em pleno mar da Polinésia Francesa. Seus lindos e novíssimos brincos do acervo da Tiffany os ‘Diamantes Lucida’ se perderam em meio às águas cristalinas do nosso, por exatos quarenta e cinco dias, paraíso particular. Desde então ela adquiriu o habito da soletração. O que considero muito nobre de sua parte.
— Não. Kate nós não transamos. E não creio que nossa relação, se é que posso assim dizer, irá evoluir para algo do nível. – ‘ Sem chance. ’
“Mentirosa...” – minha deusa acusa cantarolando.
— Não me diga que ainda é virgem? Não aprendeu nada do que eu te disse?
Antes que eu pudesse responder a campainha toca fazendo meu coração disparar e ao mesmo tempo se aliviar por não ter que responder esta pergunta tipicamente Kavanagh.
Passo as mãos pelo meu corpo, ajeitando o vestidinho adequadamente para meu corpo.
A primeira coisa que fito, é o espelho a minha frente. Olho-me embasbacada, enquanto a ficha não cai. É a primeira vez em muito tempo que me sinto bonita, quer dizer segunda. Quando estávamos os dois no elevador o seu olhar e sua proximidade fizeram com que me sentisse desejada.
— Ana? – Ouço Kate me chamar e logo percebo que não é a primeira vez.
— Desculpa Kate tenho que ir. – Dou um rápido beijo em sua bochecha e corro para sala sem antes deixar de escuta-la gritar.
— Faça sexo!
Solto uma risada, negando de cabeça. Só você katherine! Respiro profundamente, para abrir a porta. Disfarçadamente, engulo em seco ao avistar o homem com um mega sorriso nos lábios e um buquê de rosas nas mãos, me avaliando da cabeça aos pés.
— Está linda, baby! – Ele diz com os olhos vidrado no meu busto.
De novo ele com essa de baby... Isso é muito estranho.
— Obrigada, senhor Grey. O senhor também não está nada mal. – Digo e com isso ele volta a me encarar.
Ele assente levemente de cabeça e solta um pigarro antes de me estender o a mão.
— Vamos então?
Assentindo de cabeça, sorrio quando minha mão toca a sua, enviando uma eletricidade diretamente na minha barriga. Ele leva minha mão até a boca e deposita um beijo no dorso, fazendo-me perder a habilidade de respirar.
— Tchau, Kate. – Viro-me e encontro minha amiga sorrindo pra nós dois, acenando.
— Tchau, e não se esqueçam do preser...
Arregalo os olhos e fecho rapidamente a porta impedindo Kate de me fazer cair morta aqui mesmo.
Sigo Christian até o seu carro esportivo estacionado na calçada da minha casa, para logo seguirmos nossa noite que tanto promete.
notas finais
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