Notas iniciais
Amamos esse capitulo *.* e voces? youtube: https://www.youtube.com/watch?v=zxBA60_Xl2g

Sabe quando você acha que as coisas vão melhorar e elas não melhoram? Pode parecer repetitivo, mas é única coisa que consigo pensar desde que me levanto ate me deitar. Parece que uma espécie de amnésia parcial se faz durante o meu sono, fazendo com que eu me sinta a Lucy Whitmore de 50 First Dates.

Todas as manhãs o personagem do Adam Sandler precisa fazer com que Lucy se lembre do seu amor por ele, não se apaixone como a maioria das pessoas pensa. O amor dela por ele esta ali, sempre esteve ela só precisa de uma pequena ajuda para que tudo venha à tona. Ela sabe que não o conhece, mas alguma coisa mais forte faz com que ela insista em acreditar naquele homem que se diz apaixonado por ela e que no final do dia ela tenha medo de esquecer-se de tudo novamente. Ela luta contra o sono, mesmo sabendo que ele estará ao seu lado no dia seguinte para lembra-la do motivo pelo qual ela estava com medo de adormecer.

Comigo era mais ou menos assim, eu precisava que alguém me lembrasse todos os dias que havia uma razão para levantar e acreditar que o dia de hoje será melhor que ontem, e amanhã melhor quer hoje. Que na vida nada se repete, nem as coisas boas. E como se fosse à primeira vez, minha mãe todos os dias antes de dormir, deitava-se em minha cama e como uma historinha dos irmãos Grimm ela me lembrava que ainda muitas coisas aconteceriam na minha vida. Boas e Ruins. Ela tinha certeza de que as boas viriam. Assim como a minha mente pessimista tinha certeza das ruins, que sempre reapareciam como fantasmas vociferantes fazendo com que todas minhas montanhas amontoadas com medo se erguessem durante o sono, separando a mim e minha possível insanidade da razão.

“Sua mente está pregando peças em você, minha querida.”

Minha mãe sempre diz que quando perdemos damos valor ao que tínhamos. Realmente suas palavras singelas e bem colocadas no meu quarto antes de dormir fazem falta. Mas nós não podemos ligar para ela. Não neste estado de crise existencial que estamos. Não queremos preocupa-la mais.

É engraçado pensar nisso, perder para dar valor. Eu por exemplo nunca gostei de café, mas hoje enquanto fazia meu pedido eu me senti na obrigação de comprar um. Eu tinha meu café em mãos e estava decidida a dar mais uma chance a esse vício mundial pelo simples fato de estar na Starbucks. Logo depois de tê-lo totalmente derramado, uma parte minha desconhecida e louca por café passou a tarde inteira desesperada por um.

É mamãe estava certa... Como sempre.

Foi mais ou menos assim quando eu recebi a confirmação do câncer. Quer dizer, saber que você pode perder sua vida é um choque e tanto, mas eu sempre estava com a sensação de que eu ainda não havia começado a viver. Então como perder o que não se tem? Mesmo pensando assim eu tive medo, temi pela possível perda de algo que estava prestes a começar. É eu tinha essa sensação, de que minha vida estava para começar a qualquer momento, e ser diagnosticada foi o mesmo que ter o play da minha vida acionado. Tanto que a primeira coisa que fiz ao sair do consultório médico foi ligar para a Grey Enterprises Holding e marcar uma entrevista para o cargo de assistente da assistente do todo poderoso Christian Grey. Que descobri, enquanto voltava para casa, ser o homem que derramou café em mim pela manha me impedindo de chegar pela quinquagésima vez à conclusão de que eu não gosto de café.

E agora aqui estou eu trinta e cinco minutos atrasada para o inicio da minha vida. Tudo isso por culpa dessa minha obsessão de provar a mim mesma que estou errada e que os outros estão certos que me fez parar no meio do caminho e entrar em uma cafeteria em horário de pico. O pior de tudo não foi nem a ameaça de chuva ou o fato de Wanda ter me deixado na mão algumas vezes, o pior de tudo é ter que ficar aqui sentada de frente para uma secretária super antipática e com um copo de café frio gigante na mão.

— Andréia, você tem certeza que o Sr. Grey não teria dez minutinhos para me receber?

— O Sr. Grey não tolera atrasos. Sinto muito, mas não foi uma boa ideia se atrasar.

— Eu sei, mas não foi minha culpa. Eu apenas tive um... É... – Faço uma pausa e meus olhos vão diretamente para o copo de café em minha mão – imprevisto. – jogo-o no lixo logo em seguida.

— Você não pode verificar novamente se ele não vai me receber?

— Eu já lhe disse Srt. Steele. O Sr. Grey esta em uma reunião muito importante que acaba de ser iniciada e essa não poderá ser interrompida. Se me der licença. – disse asperamente se virando para atender o telefone.

Bufo impaciente e decidida a continuar aqui ate conseguir fazer minha entrevista. Olho em volta observando a decoração contemporânea da grande sala. Eu poderia morar aqui nessa sala. Temperatura agradável, bem decorada com poltronas confortáveis... Caminho ate a grande janela e observo a correria dos pequenos pontinhos na rua buscando abrigo da chuva que ameaça a cair. Viro-me para voltar para a poltrona e percebo Andreia me encarando, levanto uma sobrancelha questionando-a.

— Não vai adiantar muita coisa você continuar aqui. Se eu fosse você – diz apontando com a caneta para a grande janela onde o céu ameaçava despencar – iria para casa e tomaria uma boa xícara de café.

Tomar uma boa xícara de café? A ultima coisa que eu vou fazer quando sair daqui é tomar café... Antes mesmo que eu pudesse responder a porta do escritório se abre revelando o homem “misterioso” da cafeteria com uma loira sorridente retocando o batom vermelho dos lábios.

Eu sei que ele me viu ali, mas como sempre ele tem essa capacidade irritante de me ignorar. Passando direto por mim cumprimentado Andreia formalmente apenas com uma acenar de cabeça e dizeres de nomes, indo direto ate o elevador executivo sem nunca retirar sua insistente e atrevida mão do traseiro da loira convencida ao seu lado me deixando estranhamente incomodada.

“ Minha deusa interior se encontra sentada elegantemente em sua poltrona de couro me olhando por cima dos óculos enquanto, ironicamente, leva uma pequena xícara de café até os lábios.

—Que isso Aninha! Deu para ser invejosa agora?

— Eu não estou sendo invejosa, é só que... Ta bom! Talvez eu esteja sendo um pouco invejosa.

— Mas também quem não estaria, né!? Ela tem uma sorte fodida. Ela pode dá para ele sempre que quiser.

Olho assustada para o meu projeto de psicóloga.

— Você deveria tentar me ajudar e isto claramente não está funcionando.

— Só estou dizendo a verdade. E o que você esta fazendo? Anda! Vai falar com ele. ”

Sacudo minha cabeça afastando os pensamentos, reúno rapidamente minhas coisas e tento uma aproximação.

— Sr. Grey? Será que poderia tomar um minutinho do seu tempo?

Percebo seu corpo tencionar quando começo a falar, mas o desgraçado continua a fingir que eu não existo. O apito do elevador anuncia sua chegada fazendo com que o casal entre no mesmo. A ultima coisa que vejo antes das portas se fecharem é Leila se jogando em seus braços beijando-lhe a nuca e logo em seguida piscando para mim.

Mas o que essa... Ugh... Esse... Esse... UGH.

Ignoro o olhar “eu te avisei” de Andreia e sigo furiosa em direção as escadas. Que se dane que eu vá descer dez andares correndo ele vai ter que me ouvir. Desço as escadas correndo ignorando os avisos do meu copo de que há algo errado, um enorme e barulhento clarão no céu me recepciona na saída. O procuro rapidamente com os olhos e o vejo abrindo a porta de um Audi SUV preto para Leila entrando logo em seguida.

Uma ideia vem em minha mente tão rápido quanto à chuva que já começou a cair deixando os pedestres desesperados. Saio rapidamente do prédio ignorando a chuva que mais parecia uma cachoeira que esta me deixando, provavelmente, com uma aparência muito pior do que eu já estava. Não tenho me preocupado em me arrumar ultimamente. Se Kate me ver assim....

Sigo pela rua e logo encontro Wanda, mal entro na mesma e já acelero o máximo que posso para tentar alcançar o SUV. Assim que o avisto faço uma coisa totalmente impensada, mas que no calor da emoção foi praticamente inevitável. Assim que o sinal abre acelero um pouco o carro e o jogo na frente do SUV fechando o mesmo e provocando uma leve batida, mas o suficiente para chamar a atenção do motorista que sai do carro com uma cara de como não acreditasse no que aconteceu.

Ok! Essa não foi uma atitude que comprove alguma sanidade mental da minha parte.

Saio do carro e assim como o velho homem sem me importar com a chuva torrencial que cai. Ele vem em minha direção me surpreendendo com sua pergunta.

— A senhorita esta bem? – Olho por cima de seus ombros e vejo Christian sair com toda sua imponência e elegância do carro ignorando a chuva parecendo um Deus andando sobre as águas com seu seus sapatos italianos lustrados, agora encharcados como os meus meros mortais sapatos de brechó.

— Eu preciso falar com o Sr. Grey. – Falo retornando o olhar para o homem em minha frente que me nega o pedido acenando com a cabeça.

— Sinto muito Senhorita, mas creio que para falar com o Sr. Grey somente com horário marcado. Esta tudo bem? Esta ferida?

Antes que pudesse responder um amontoado de cabelos loiros segurando um guarda-chuva desajeitadamente e tentando se equilibrar em seus saltos de quinze centímetros passa Christian e se põe ao lado do homem indignada.

— Como assim “Esta tudo bem” Taylor? Essa Maluca se joga na frente do carro tudo o que você faz é...

— Leila, volte para o carro!

Christian finalmente chega ate nos tomando o controle da situação sem tirar os olhos do meu rosto. Seus olhos parecem estar congelados em mim, sua postura fria e superior me faz corar instantaneamente, desvio o olhar e mordendo meu lábio inferior com força.

— O que esta acontecendo aqui Taylor?

— Olha aqui sua maluca, o meu...

— Leila volte para o carro AGORA! Não me faça perder a paciência com você.

— Mas eu estava dizendo que...

—Taylor!

— Vamos senhorita Leila. – Diz Taylor levando a loira histérica de volta para o carro me deixando cara a cara com o iceberg ambulante. Sinto a chuva aumentar gradativamente durante o tempo que fico parada reunindo coragem para encara-lo.

— Bem, acho que eu gostaria de saber o porquê da senhorita ter “acidentalmente” batido no meu carro.

O tom rude e irônico de sua voz me trouxe uma lufada de coragem suicida para então levantar o meu olhar e encara-lo. Olhos cinza nos azuis.

— Olha o Sr. me desculpe por ter batido no seu carro, eu só estava querendo chamar atenção e...

— Você já tem toda minha atenção, não? Então se pudermos ir rápido com isso... Eu estou acompanhado e tenho coisas muito melhores para fazer em casa.

Engulo a seco suas palavras e passo as mãos por meu cabelo tentando aliviar a desordem. Minha boca está seca, minhas mãos tremem esse homem sabe realmente como ser rude e vulgar. Tento manter a calma para não dizer logo tudo o que penso e correr o risco de perder o emprego. Se é que eu já não perdi.

— Eu tinha hora marcada só que houve um pequeno imprevisto. – dou uma risada sem graça. – A propósito me chamo Anastácia. Anastácia Steele.

Estendo minha mão cordialmente e o mesmo ignora meu gesto levando as mãos ate o bolso me olhando dos pés a cabeça com o cenho franzido.

— Vou ser direto porque como eu disse não quero perder muito mais do meu tempo com isso. Eu realmente acho que você não se encaixa nos – ele me olha mais uma vez fazendo com que eu me encolha no casaco molhado. — padrões da empresa. Creio que todo seu trabalho de chegar ate a mim foi em vão.

Sinto meus olhos se encherem de lagrimas, um vento frio balança meus cabelos. Encolho-me mais ainda no casaco na tentativa figurada de me proteger de suas palavras que estranhamente me atingiram de certa forma que aposto que se fosse qualquer outra pessoa falando não surtiria o mesmo efeito. As lagrimas escorrem livremente pelo meu rosto e a razão me acerta como uma bofetada no rosto me fazendo cambalear. O que eu estava pensando? É claro que eu não iria conseguir o trabalho. Eu sou insignificante comparado às outras funcionárias da empresa, eu claramente não tenho “o perfil”.

Eu não conseguia me mover, eu não conseguia falar, só chorar e abraçar a mim mesma na tentativa de me passar algum conforto. Ergo meus olhos e logo me arrependo, pois uma vertigem forte se apodera de mim me fazendo levar as mãos ate a cabeça. Sinto-o tentar se aproximar, mas rapidamente recuo me encolhendo como um bicho acuado então tudo começa a ficar escuro e sinto que vou cair, mas braços fortes me sustentam me segurando no lugar.

— Baby, você esta bem? Baby, fala comigo?

Baby? Quem é baby? Com quem ele esta falando? Tento me afastar, essa proximidade não esta me fazendo bem, o seu cheiro másculo esta me deixando mais tonta do que devia. Mas falho miseravelmente seus braços formam uma espécie de barreira me impedindo de sair de seu aperto.

— Eu estou bem! Eu só preciso achar minhas chaves e ir para casa.

Sinto o suspirar e enterrar seu rosto nos meus cabelos. Ta, ok! O que diabos esta acontecendo aqui?

— Vem baby, eu te levo em casa.

— Não, eu vou para casa sozinha. Você nem sabe aonde eu moro. E para de me chamar assim eu...

E antes que eu possa completar meu protesto a escuridão toma conta de mim e a última coisa que me lembro é Christian me sacudindo e chamando Taylor.

notas finais
N

Notas finais
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