50 Tons de Vida
2 Capítulo 1
Notas iniciais
CAPITULO 1:
Muitas pessoas acham que quando uma outra pessoa recebe a noticia de que esta com uma doença grave ela se desespera, chora e liga para a família.
Mas no meu caso foi um pouco diferente.
Eu de uma certa forma já sabia o que ia acontecer. Quando o medico fez o pedido de exame alegando que eu estava com suspeita de câncer na mama eu já sabia qual seria o resultado da biopsia. Eu sempre tive pensamentos que não me geram muitas expectativas, o que muitos chamam de “ser pessimista” eu chamo de “ser realista”. Todos os números da equação na sua frente só esperando que você some um mais um, mas as pessoas preferem se enganar. Acreditar que um mais um é cinco não vai mudar o valor da resultante. Eu sabia que era um dois.
Então eu já estava de certa forma anestesiada.
Claro que ninguém quer abrir o resultado e ver que esta com câncer, muito menos ter que ir ao medico para ele reforçar uma coisa que você já sabia. “Você esta com câncer.” Mas por mais irônico que seja, por mais realista ou pessimista que a pessoa seja, la no fundo ela tem a esperança de que Deus será generoso com ela. Você pensa “Já estourei minha cota de merda na vida”, ate eu a mais pessimista das mulheres achava que depois de tudo que passei com meu “pai” as coisas começariam a ser diferentes.
Eu com apenas 15 anos, já tão madura e ciente das adversidades da vida. Agora com 20 uma menina assustada que se acha velha de mais para ter a chance de ser feliz. Como uma menina de 15 anos pode suportar a carga de viver a vida toda com um “pai” que a rejeitava, com uma serie constante de abuso moral.
E agora o câncer.
Você me entende agora? Entende o porquê de ser pessimista? Quando você acha que já sofreu de mais e que sua vida ira mudar, vem alguma coisa e te derruba. É como estar num mar revolto. Você leva um cachote, tenta se levantar, mas logo vem outra onda te empurrando para baixo. Se você gritar por ajuda você engole água e se afoga, se tentar lutar contra as ondas você mesma se empurra mais pro fundo. A natureza é maravilhosa. Mas há sempre aquela pessoa que da areia te vê lutando para respirar mesmo que involuntariamente. Ela vai e te puxa para fora daquele emaranhado de cabelo, água e desespero.
Eu espero essa pessoa até hoje.
Eu passei por muitos psiquiatras, tomei muitos remédios para tentar reparar o que meu “pai” quebrou. Mas se tem uma coisa que eu aprendi é que não importa quantas doses de Rivotril você tome, se a melhora não partir de você... Você NÃO ira melhorar. É categórico. Dito e feito. Foi isso que me motivou a sair de casa hoje e ir ao hospital para minha segunda seção de quimioterapia. Subornando a mim mesma como qualquer mãe faria “Se você for boazinha ganha um presente.” Eu fui bozinha, agora que sai do hospital quero meu presente.
Estou na porta do Starbucks tomando coragem para entrar e fazer meu pedido. Eu não quero que eles me olhem com pena ou nada do tipo. Eles sempre me veem sair do hospital e vir direto para ca com a cara mais pálida e doente do mundo.
Quando eu me preparo para entrar sou praticamente atropelada por uma loira exuberante ao lado de um homem de terno cinza muito apressado.
— Omg! Desculpe-me, você esta bem? – disse a loira me olhando de cima a baixo com desdém. O impacto do esbarrão me fez ficar agarrada no batente da porta já que estou muito fraca e enjoada.
—Como se você se importasse. – resmungo
— Oi?
—Nada... É.. Estou bem.
Antes que a mesma pudesse responder é puxada pelo braço por uma criatura impacientemente linda.
—Vamos Leila! Não quero me atrasar.
Os dois saem andando ignorando minha presença, o grandão mantém a mão possessivamente na cintura da agora nomeada Leila. Depois de vê-los fazer os pedidos e sentarem numa mesa decido entrar fazer meu pedido e sair logo dali. A beleza daquele homem esta me deixando constrangida. Estou feia e sou insignificante de mais para estar no mesmo ambiente que ele.
— Um muffin de chocolate e um café, por favor. E... É para viagem.
Dou um sorriso para a atendente que nem se da o trabalho de retribuir. Aff. Pego meu pedido e quando estou saindo sou novamente “atropelada”, mas dessa vez pelo lindo estranho, o café cai todo na blusa queimando minha pele. E o mal educada nem se da ao trabalho de se desculpar. Idiota. O xingo mentalmente.
Olho em direção à mesa em que o casal vinte estava e vejo que esqueceram um iphone na mesa. Atrapalhadamente pego o celular e saio correndo atrás do homem misterioso.
— Senhor... O seu celular!Moço! – A gente tenta ser educada falando senhor e o gostosão continua abrindo a porta para a piranha oxigenada entrar. Corre aninha temos que ter a emoção de conseguir falar com ele. Minha deusa interior corre com uma roupinha de ginástica enquanto grita como se fosse uma pernsonal trainer. E eu já estou começando a sentir uma vertigem.
Tento mais uma vez e consigo alcança-lo e toco em suas costar para chamar sua atenção. Ele parece congelar, mas logo volta ao normal ao ouvir minha voz e se vira para mim. Meu Deus que homem!
— O senhor esqueceu seu... hm... Seu celular.
Ele estava com um olhar glacial como se não acreditasse no que estava acontecendo. Ele olha em direção a minha mão que permanece em seu ombro, praticamente em seu peito. Como nos estamos inconscientemente safadas hein Steele. Logo entendo o recado e retiro minha mão rapidamente.
— Desculpe... É... Hm... Estava em cima da mesa e eu... Eu achei que...
Droga de gagueira por nervosismo.
—Oh sim... Muito obrigado. Salvou meu dia.
E assim ele se vira e vai embora levando com ele o momento mais emocionante da semana.
Ai Aninha... Estamos precisando de sexo selvagem com o gostosão.
Ignorando minha deusa, pego minha Wanda e vou para casa trocar de roupa. Tenho uma entrevista de emprego hoje.
É Steele a vida não para.
notas finais
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