50 Tons de Uma Cor Vibrante
27 Capítulo 27 - O criminoso em Nova York - Christian
Notas iniciais
Odeio não ter tudo ao meu controle, principalmente quando as coisas atingem este nível de proporção. Tudo começou há nove meses, desde que Theodore resolveu contrapor aquilo que eu tinha planejado toda a vida para ele. Não estava certo, não mesmo. Posteriormente, Anastasia ficou sentida com tudo, coração mole como sempre foi. Eu nunca imaginei que ao fazer o que fiz, terminarei causando tamanha rachadura neste relacionamento. Anos de casado se reduziram à simples momentos que, por si só, tornavam-se mais raros com o passar do tempo.
Anastasia não é mais a mulher que conheci, sua personalidade mudou. Olho para ela e vejo quase a mim mesmo. Centrada no trabalho, séria, fria. Ela mudou meu ser quando causou o impacto na minha existência, no entanto, tornou-se igual a mim agora. Pego a taça de vinho branco da mesa e com um gole rápido, tomo m pouco e olho para a tela do computador. Broadway.com.
Teddy está em cada matéria e em cada site americano que abro. Anastasia não é a única pessoa que mudou neste meio tempo. Olhando para as fotos do meu filho, em sua maioria no show, ele está diferente. Theodore foge do menino nerd da biblioteca, calmo, não sei mais quem é. Viver de arrependimentos nunca foi uma novidade para mim, porém vários aglomeram-se aos do passado agora. Theodore é gay, ele nunca teria uma esposa, nem nada que eu pensei que teria. Ao ouvir o que ele disse em seu aniversário, foi uma das piores noites da minha vida. Eu não o via do mesmo jeito. Dr. Flynn, com o passar dos meses, finalmente conseguiu me fazer ver muita coisa. Sobretudo, porque no fundo eu sei o quanto sinto a falta do meu filho.
Somos iguais em ir em frente, e ele foi. Pego o telefone a tocar da mesa:
– Trent!
– Sr. Grey, consegui aquela informação que queria. – O homem da cadeia diz.
– Perfeito, diga-me tudo. – Falo sem emoção alguma.
– Jack Hyde realmente deixou a prisão. Ele saiu há três meses, conseguiram uma maneira de tirá-lo de lá legalmente.
A última parte do meu controle que ia embora. Depois do que ele fez à Anastasia, desejei mata-lo pessoalmente. Nem mesmo uma surra eu o pude dar, no entanto, saber que estava preso, atrás de onde ele merecia, era um prêmio de consolação para mim. Sempre invejoso, Jack observou cada passo meu e esperou a hora de agira. Não era somente invejoso, como também, louco. A falta de notícias me fez deixá-lo por meses, até que resolvi investigar. E para minha ira, o desgraçado foi solto.
– Eu quero esse canalha atrás das grades. – Falei com raiva ao telefone.
– Temo não ser possível, Sr. O meliante usou a lei para sair, mas escapou dela depois. Depois de sair da prisão, ele simplesmente sumiu. Passou dois dias no velho apartamento, porém sumiu como fumaça. Já estão buscando por ele novamente.
– Quanta incompetência. Como se deixa um criminoso daquela estirpe ludibriar profissionais? – Falo alto no telefone e dou uma batida na mesa.
Ao lembrar de tudo o que ele fez, minha vontade era socar cada incompetente daquela cadeia. Cerro os dentes.
– Aconselho que deva permanecer calmo, Sr. Grey. Muita gente está atrás dele.
– Você é pago para descobrir o que eu mando, não para me aconselhar.
– Perdão, estava longe de mim querer me intrometer. – O rapaz tenta se justificar, e eu não me importo por isso. — Ainda tem algumas informações aqui, Senhor.
Paro de olhar a tela do computador, ao menos ele talvez possa me dar algo útil.
– Diga!
– Eu estive atrás de membros da família que o adotou tardiamente.
– Estou mais interessado em tudo, fale logo.
– Todos disseram o mesmo, que ele não foi aceito novamente. Todos os membros da família o viraram as costas.
Dei um sorriso de canto, como seria delicioso ver aquele desgraçado sendo enxotado de tudo. Me deleitaria em ver ele sofrer, em ser massacrado por ser um ser tão asqueroso.
– Ele tem de ter alguém, ou não sumiria assim.
– É ai que está o X da questão. Todos negaram, porém uma parte da sua família não está nem aqui e nem em Detroit. Passando por todos os contatos familiares que eu podia ter sobre ele, o único que não consegui contato algum foi o de uma prima. Parece-me que ela é a mais bem erguida na vida. Uma bailarina que mora em Nova York. Segundo informações, está num hospital de reabilitação. E isso é tudo.
Nova York? Minha cabeça dá mil giros, e volto a sentir a mesma coisa de quando levaram Mia, do dia em que Anastasia me deixou misteriosamente. Pego a taça e engulo o seu líquido de uma só vez. Quanto ira apodera-se de mim, mas também, quanta angústia. Assemelha-se à minha angustia de perder a mulher da minha vida. Tem a ver com perder.
– E como é o nome dessa prima? – Pergunto.
– Marianne Hyde Kendall, Senhor. Esse é o nome da bailarina. Sócia da Conroy produções.
Puta merda.
– É o suficiente, Trent. – Não o espero dizer mais nada. O telefone é desligado e me ponho de pé da mesa.
Ao sair do escritório, vou na direção do quarto e vejo Ana sentada na janela, como sempre fica. Passo direto e vou até o closet, de lá retirando dois paredes de vestes. Começo a jogar tudo numa pequena mala de viagem.
– Christian, que está fazendo. – Ouço sua voz.
– Estou indo resolver uma pendência, algo inacabado. – Sou breve.
– Que pendência pretende resolver à meia noite? E para que são essas cosias? – Ana adentra o closet e para de frente par ame encarar.
Não afasto dos meus olhos a expressão de angústia, que torna-se mista com a seriedade. Nos olhos dela eu vejo tristeza, porém preocupação. Ana talvez não queira o fim do casamento, como eu também não, no entanto, não pode deixar de abater-se. Acabo de jogar o que precisarei na mala e Anastasia ainda me fita. Vou até ela e coloco minhas duas mãos apoiadas no seu rosto. Minha Ana, como a amo. Mantenho meus olhos cinzentos nos dela, os azuis oceânicos. Eles são iguais aos dele. Do meu filho.
– Eu vou resolver as coisas, Ana. – Digo.
– Seja claro, sem rodeios, Christian. – Ela vai de angustiada à tão séria quanto eu.
– Vou trazer ele de volta, nosso filho.
Os olhos de Ana se iluminam por segundos ao ouvir o que eu digo. Ela toca a minha mão em seu rosto, no entanto, mais uma vez a desconfiança surge em seu olhar:
– Não, Christian. Ele está bem lá, não vá tentar fazer as coisas piorarem.
– Não tem como as cosias piorarem. – Solto seu rosto e pego a mala. Deixo minha esposa e começo e caminho para a saída.
– Christian, já chega, isso é o cúmulo de tudo. Você não me esconde as coisas. Está planejando destruir mais ele?
Destruir ele, é isso que ela pensa que eu tentei fazer. É compreensível, e isso me desola o peito. Ele aperta ao saber que realmente eu possa ter feito isso. Continuo caminhando e Ana se joga em minha frente:
– Se fizer isso, eu vou embora. Me entendeu? Esse casamento acaba, Christian. Eu já não aguento mais... – Solto a mala no chão e vou até seus braços, os seguro firmemente na altura do seu tronco.
– Jack Hyde saiu da cadeia.
– Como?
– Resolvi procurar saber sobre ele, tinha deixado por um tempo. O meu detetive descobriu que o advogado dele deu um jeito de tirá-lo da cadeia. Isso faz três meses. – Respiro fundo. – Antes que pense algo, ele não está aqui. Não, Ana, ele não está atrás de ninguém. Não aqui.
– O que está querendo dizer com isso, Christian? – Ela amolece em meus braços.
– A única hipótese é que ele esteja na casa de uma prima, uma coreógrafa.
– Não, você não está...
– Sim, Ana, ela mora em Nova York. – Ela solta-se do meu braço e corre até o closet de volta.
Saio em disparada atrás dela e quando chego na porta, vejo ela levantar a tampa de um banco. De lá, Anastasia retira uma arma:
– Se ele tocar no meu filho, eu mesma vou acabar com ele.
– Ana solta isso, eu estou mandando. – Vou até ela sem medo.
– Não, Christian. Eu o perdi uma vez, não vou perder novamente. Eu vou com você. – Ela diz feroz.
– Não, Ana, você vai ficar aqui. Tem a Phoebe. – Digo.
– Ligarei para a Kate. Não há nada que me diga a me fazer ficar. – Ela murcha um pouco. – Eu darei aminha vida se precisar. O meu filho precisa ter alguém uma vez na vida. Ele é meu orgulho.
– O meu também, Ana. – Tomo-a nos braços e a arma fica pendurada em sua mão. – Eu apenas estou com medo. Sou um homem com medo neste exato momento. E eu não perderei nenhum dos dois. Me perdoe por tudo. – Retiro a arma dela com cuidado.
– Ele é meu menino, Christian. – Ela começa a chorar. Afunda a cabeça em meu peito.
– Ele vai ficar bem, eu vou trazer ele para casa. E talvez possamos ser outra vez uma família. – Minha voz é pesarosa. – A culpa foi minha. E eu vou resolver tudo. Eu prometo, minha Ana.
E tendo-a em meus braços o mundo para. Eu só quero tudo seja bom para ela e para os meus filhos. Eu coloquei tudo a perder.
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