50 Tons de Uma Cor Vibrante

23 Capítulo 23 - Consagração


Notas iniciais
Arthur's Theme - Glee Cast

– Para que é essa caneta? – Pergunto, pondo o sobretudo bege.

– Você vai ver quando sairmos, vai morrer. – Ashley bate em meu ombro e sai correndo na frente.

A menina se vai eufórica e com os cabelos a dançarem pelas costas. Ela sai pela porta da frente do teatro e a mesma se fecha. Fiquei apenas eu. A menos que eu queria ficar trancado aqui, é hora de ir. Conroy foi dar uma importante entrevista, prometendo voltar para me ir para casa comigo, só que isto demora mais do que consigo esperar. E agora Ashley me dá essa caneta e corre. O que está a aprontar? Pego minha bolsa e corro pelo teatro.

Ao empurrar a grande porta, tudo é muito rápido. Sou cegado por vários flashes e me retraio. Fico parado na saída. E não são exatamente os flashes que me assustam, mas sim, a grande quantidade de pessoas que ficam separadas por grades. Gritos, ovações, puxões na roupa. Passo a sentir isso a começar a caminhar por ali. Um grupo de garotas me puxa na lateral esquerda das grades:

– Por favor, tira uma foto com a gente.

– Assina meu Playbill. Por favor.

Tiro a foto com o grupo e com o coração palpitando forte, pego o livreto de cada uma. Assino meu nome e uma mensagem e continuo a andar. O momento é surreal, jamais esperei por isso. Avisto Ashley lá na frente, junto com Paul e ambos sendo puxados para as grades. A cada livreto que assino ou foto que tiro, meu corpo já vai começando a cansar novamente. O barulho não para por um segundo sequer. Acredito até estar atordoado em determinada hora. Perco a quantidade de fotos que tiro com os espectadores. Sempre tenho de reorganizar minha roupa, que amassada fica, após todo o rebuliço.

Alguns seguranças se metem entre a multidão e tentam nos deixar passar, certamente são de Conroy. Um alto e de braços fortes, cabelos curtos e pretos, me escolta após uma última selfie com um rapaz ali. Ele tenta ensaiar um sorriso, mas a carranca natural do rosto se sobrepõe.

– O Sr. Conroy pediu que te levasse ao seu apartamento, Sr. Grey. – Ele diz.

– De acordo, Sr. – Adentro o carro e todo o cansaço desaba em meus ombros.

O som da rolha voando foi ouvido, Robert segura a garrafa do espumante e Penny bate palmas quando entro pela porta:

– Clube da Luluzinha? – Pergunto ironicamente.

Penny corre e se joga nos meus braços. Rodopio pela sala com ela:

– Consegui, Rainha. O show é nosso.

– Eu sabia que conseguiria. É uma estrela. – Ela aperta meu pescoço.

Robert pigarreia de longe e tem os braços cruzados em frente ao peito. Vou até ele com Penny no braço e o olhando bem próximo, termino não dizendo nada. O beijo e tenho cuidado para não derrubar a menina:

– Espero ter me saído ótimo, Sr. Diretor. – Falo.

– As palmas já não disseram tudo? Ainda quer o discurso? – Ele me acaricia os cabelos e depois beija a bochecha de Penny. Toma ela de mim. – Sabia que estamos virando grandes amigos? Lide com isso.

– Olha só, que coisa mais linda. – Me jogo no sofá, estou exausto.

– Nem pense em cochilar neste sofá, Sr. Grey. Vamos brindar. – Conroy enche as taças e pega uma caixinha de suco para Penny.

– Claro, claro. – Levanta e pego a taça que ele me estende. De porte das nossas bebidas, o brinde acontece.

– Um brinde à Theodore Grey, a mais nova e maior estrela dessa Broadway.

(...)

Na manhã seguinte, percebo que dormi apenas quatro horas. Das 3 às 7 da manhã. Bebi com Conroy até esta hora, enquanto jogávamos papo fora. Não houve sexo, e estou começando a pensar que eu estava certo, há muitas coisas que um casal pode fazer, além do mesmo. Ríamos das pérolas dos ensaios, dos momentos que culminaram na grande apresentação da noite anterior. Enquanto Conroy me deixava preso em seus braços, eu simplesmente não queria sair daquele lugar. Ele trouxe uma mala para uma noite, afirmando que ficaria comigo e que leríamos a primeira resenha juntos, pois não aceitaria me ver passar aquele primeiro momento sozinho.

– Cadê o outro príncipe? – Penny esfrega os olhos. Estou sentado em sua cama.

– Ele saiu para comprar o jornal de hoje, Rainha. Como está se sentindo hoje?

– Estou bem, só com um pouquinho de falta de ar. – Ela diz passando a mão pelo tronco.

– Um minutinho, querida. – Levanto-me da cama e vou até o seu armário, retirando de lá um pequeno nebulizador. – Prepare o rosto, cidadã, passará pelos testes de super poderes. – Digo com a voz grossa. Penny começa a rir e levanta a região da face, a qual acoplo a máscara após preparar uma leve dose do remédio para ocasiões assim.

Liguei o aparelho na tomada e me sento novamente em frente a ela, vendo a fumaça do remédio esvair-se pelo quarto.

– Quero saber a tal resenha. – Ela diz através da máscara.

Olho com cara feia:

– Sem falar, não pode até acabar a nebulização, Rainha.

Quando o remédio acaba, retiro cuidadosamente a máscara do rosto dela e coloco no devido lugar. Sentando-me na cama, passo a mão por sua pequena perna:

– Melhor?

– Bem melhor do que você, vai explodir de nervosismo. – Ela brinca.

– Estou falando sério, Penny.

– Eu estou sim, fado príncipe. Eu já tenho isso faz tempo.

– Sabe que vai ao hospital no fim de semana, certo? Precisa sempre estar cuidando do seu caso. – Digo.

– Eu também sou responsável. – Ela torce o nariz.

– É, eu tenho certeza que sim, minha adorável pequena garota. – Dou um beijo no topo de sua cabeça e ouço algo. A porta do apartamento bate.

– É agora ou nunca, estrela. – Ele levanta e exibe o jornal nas mãos.

Nós três nos olhamos por momentos, até eu me levantar:

– Vamos lá.

Nos sentamos ao redor da mesa de centro da sala e Robert abre o jornal, buscando pela coluna da Broadway. As mãos são passadas umas nas outras e respiro nervoso. Robert para na metade do jornal e me mostra algo. Uma foto grande minha está lá, enquanto eu cantava Don’t forget me, e uma legenda: Um pouco dos holofotes. Resenha por: Eleasar Stanley.

– Esse cara é o crítico mais bem visado da Broadway, se ele elogia você, todos vão. Se não, você se deu mal. – Rob comenta e olho para Penny.

– Isso não ajudou muito. – Sou breve.

– Desculpe, amor. Também estou nervoso. – Ele diz olhando a página. – Posso?

– Vai logo! – Digo alto.

– E conhecemos mais um musical, mega produzido, censurado e sexual, do grandioso Robert Conroy. Se me permitem, gostaria de saber como o sexo o influencia tanto. – Rob não deixa de gargalhar com essa frase e mesmo nervoso com o que está por vir, gosto dele sorrindo. – Ontem Spotlight colocou a cara nas ruas brilhantes da Broadway. E não bastasse todas as características que as pessoas tentam ver como negativas, ele agora atacou de máquina copiadora, refazendo tudo quanto podem imaginar de números. – As minhas feições e dele gelam na hora, começou. – Eu fico me perguntando para onde foi a criatividade dessas pessoas, realmente só acho uma resposta. – Noto que Rob está temeroso e tomo o jornal dele.

– Não precisamos disso.

– Não, Theodore. Tenho de ler isso, você não entende. – Ele tenta puxar, porém eu não deixo, começando a ler de onde parou. — Realmente só acho uma resposta para isso, está tudo na cabeça de Robert Conroy. Admito que o achava um visionário louco e infantilmente forçado em Apple, no entanto, eu jamais esperei presenciar o que o fiz ontem. – Ele escancara o rosto. – Spotlight tem uma linearidade incrível, bem como, um conjunto de fatores que o fazem ser incrível. Vamos à eles.

“Primeiramente temos o conjunto musical, e que conjunto. A tentativa de Conroy de interligar épocas é impecável. Me emocionei com o coro que se formou para cantar Etta James, e que sociedade linda seria se todos possuíssem noção de boa música. Black widow, eu pergunto, O QUE FOI AQUILO? Ashley foi pupila do meu marido em Annie, e nossa, essa menina está crescida. Joseph está orgulhoso de você, girl. E o seu parceiro vai ter o que merece mais à frente, espere, Theodore.

Paul Jordan, juro que nunca esperei ver este menino tão emocionante e que valesse à pena, vê-lo além do corpo atrativo. Eu não sei o motivo, mas eu tenho a leve impressão de que aquela versão de Problem vai ser tão hit quanto a original, ainda estou tremendo com o efeito. E dentre os pops, jazzes, tinha de entrar a clássica Broadway. Defying Gravity me arrancou lágrimas, porém nada foi como Don’t forget me. Eu tenho muito para falar dela logo.

E sobre as coreografias? Não é surpresa para ninguém que Marianne Kendall saiu da produção, e isso era esperado que acarretasse no fiasco do musical. O que realmente não aconteceu, e devemos dizer que ela deixou um bom trabalho para trás. Associado com o da Europeia, atriz do musical, e substituta, Frida Sparkle. Entrei naquele teatro achando que ia ficar duas horas a voar e fazer shades psicológicos com todos os produtores, atores, enfim, Spotlight em si. Fui incapaz. Estou desarmado. Os toques inovadores de Armand Weiz tornaram tudo mais delicioso, e a julgar pelo excelente trabalho que o músico obteve anteriormente em várias produções, tanto aqui quanto em Londres.

Do começo ao fim este musical foi capaz de me despertar todos os tipos de emoções e sensações, a ponto de eu sentir que não sairia o mesmo daquele lugar. Como de fato não sai. Tem um ponto principal neste show, algo que guardei para poder me explanar mais. Theodore Grey.

Devem estar achando que ele é apenas mais um filhinho de um papai rico, e que pai. E para ser franco, eu achava até pior que isso quando o nome foi anunciado. Só que em meio a tudo isso, me perguntou eu: O que levaria um garoto herdeiro de um império, a vir tentar a sorte em Nova York? No mínimo ele seria idiota se quisesse, não é? Sinto informar-lhes, não consegui todas as respostas que gostaria, mas algumas são bem claras. Vamos falar dele, porque o menino é uma máquina talentosa. Eu me encantei do número de abertura, até o derradeiro final com esse menino. Ele tem algo inexplicável, coisas como as quais as pessoas chamam de dom. Pelo que circula na mídia, ele e Robert estão num namoro, o que levaria a crer que ele tem o privilégio por outro. Mas não, não mesmo. Eu me recuso a acreditar que esse menino precise disso, porque ele tem uma verdade. Ele me fez ver esta verdade em cada número. Human fez meu coração sumir, simplesmente derreter. Me entristeço em saber o quão destrutivo os humanos podem ser. E nos olhos deste rapaz eu vi tudo que ele queria passar, o musical em si.

Teddy é dono de uma voz marcante, algo que é difícil eu realmente apreciar em alguém. A cada crescimento desse personagem, vi o menino tomar o lugar que era seu por direito desde o começo, o sucesso. É gosto ver um rosto inesperado nos surpreender assim, tanto que chego a ficar sem palavras. E diante da grandiosidade que presenciei, eu não tenho como me limitar aos “parabéns”, eu tenho é de dizer que eles merecem cada bilheteria esgotada daqui para a frente, pois isso vai acontecer. Sabiam que o musical ontem ultrapassou aas bilheterias de todos em cartaz na mesma noite? É, pessoal, o show veio para ficar.

Devo estar puxando o saco deste menino, no entanto, eu gostaria de frisar uma última coisa. No cântico final de Spotlight, Julian Maddox pede para não ser esquecido. E eu trago uma mensagem para outra pessoa, para ele, o dono do corpo do Julian. Theodore, nunca vamos esquecer aquela apresentação. Você levou tudo, é uma verdadeira estrela. A Broadway se orgulha de você, assim como, sua família também o deve fazer. As piores histórias são aquelas que nos fazem rir, quando na realidade o conteúdo é outro. Como o simples menino que quer se curar, ou a garota que precisa ser louca para ser feliz. Não há finais felizes para todos, e estou feliz por Conroy nos mostrar isso mais uma vez. Eu apenas posso dizer que por conta de Theodore Grey, muitas estrelas estão brilhando hoje, talvez para sempre.”

Quando as palavras se encerram, estou ofegando e Penny passa as mãos em meu braço direito. Solto o jornal e coloco as mãos fronte à boca, surpresa, talvez um pouco nostálgico. Com uma lágrima descendo pelo olho, começo a sorrir de orelha a orelha.

– Conseguimos. – Digo.

– Não, estrela, você conseguiu. – Penny me abraça.

– E eu estou tão orgulhoso dessa pessoa que eu amo. – Robert vem até mim. – E eu não quero te deixar mais nervoso, porém estreamos bem próximo das avaliações dos Tonys, e um conhecido meu me disse que ouviu boatos essa madrugada. Spotlight pode aparecer por lá.

– Tony awards? É isso? – Estou espantado.

– Sim. – Ele passa o braço por meu pescoço.

– Está acontecendo. – Digo perdido nos pensamentos.

– O que?

– Você me falou me falou que mesmo que não quisesse, eu seria uma estrela. – Olho para ele.

– E você é. É a minha, a das pessoas que te gostam. E da Penny. – Ele olha par aela.

– A estrela mais bonita. – Ela diz e aconchega-se no meu peito.

Vejo Robert levantar e correr até o quarto, e ele volta com a câmera polaroid. Penny continua deitada em mim e mexo em seus cabelos. Rob nos fotografa e mando um beijinho para ele discreto. Pode parecer algum tipo de prepotência, mas se ruma estrela está começando a ser algo legal. Isso veio com Robert, me deu chances de cuidar da Penny. Eu posso estar jogando fora a minha carreira, o destino da minha vida e não estar percebendo. No entanto, a ideia da faculdade ainda me ocorre, e sei que preciso fazer isso. Incertezas são complicadas como um corte, precisam ser sanadas. E só há uma maneira de sanar o incerto, é apostando e esperando que se torne correto. Assim como eu fiz com meu namoro com Conroy, como na audição. Uma mera indicação ao Tony me surge na mente e percebo que estou mais longe do que em qualquer momento da minha vida, cheguei onde nunca achei que iria chegar. Continuo acariciando os cabelos de Penny e Robert prega a foto no pequeno cordão.

– Quero ir para a Universidade, Rob. Mas não quero largar o show.

– Mas isso não é um problema, Teddy. Às vezes é até bom. – Ele senta novamente ao meu lado. – O que pretende em fazer?

– Meu sonho era cursar literatura inglesa, igual mamãe. E não tirei ainda a ideia totalmente da cabeça, só que agora eu vejo tantos pontos diferentes. – Explico e olho para ele. – No dia em que eu pedi para a doutora para trazer Penny comigo, ela me disse uma frase que não saiu do meu pensamento. Ela disse que vivia para ver a melhora deles. – olho para Penny e percebo que ela cochilou. – Eu aprendi a amar a música, o modo como me faz sentir bem e especial. No entanto, quando eu olho para a Penny ou para as crianças, simplesmente vejo que Theodore Grey sempre foi sobre não o que sentia, mas como fazia os outros s sentirem. Por isso eu tenho seriamente pensado que eu queira ser um médico. Oncologista infantil, assim como a Rose. Fazer as crianças se sentirem melhor.

Robert me olha momentaneamente, até colocar a mão direita em meu rosto e contorna-lo com o dedo polegar. Apenas mantem os seus olhos fixos nos meus:

– Eu te amo tanto. Eu me orgulho de você. Você é o melhor homem nessa face da terra. – Ele diz.

– Eu te amo, Robert. Muito. – Ele me beija calmamente e me abraça. Ambos ficamos assistindo a Penny dormir e por um instante eu acredito que achei a vida.

– Eu quero te levar em Londres, preciso que conheça meus pais. Minha mãe vai ficar eufórica com isso. – Ele diz.

– Podemos ir quando o musical der uma temporada de pausa, Rob. Eu vou me vestir de Harry Potter nesta viagem. – Rio.

– Também é da geração Potter? Bate. Sou das antigas, digo, minha casa ainda tem um balaço, uma goles e um pomo em forma de poltronas.

– Eu não tenho culpa se alguns são mais idealistas do que outros. – Mexo nos cabelos de Penny. — Minha mãe veio me ver ontem, gostaria de ter apresentado você à ela. Foi tudo tão rápido.

– Eu sei.

– Como assim?

– E quem você acha que ordenou a entrada dela no camarim, estrela? – Meus olhos recaem em Robert e ele está com o sorriso travesso.

– Você é uma peste, Robert Conroy. – Dou um tapa nele e rio.

– Deixa eu assolar seu corpo então. – Outro tapa e indico que Penny podia ouvir. Ele se controla, mas começamos novamente a rir.

Notas finais
9 Capítulos para finalizarmos a primeira parte do Teddy. Estou tão ansioso. Até o próximo, amados.