50 Tons de Uma Cor Vibrante
21 Capítulo 21 - A decisão de Robert
Notas iniciais
Robert me ajuda a caminhar até sua cama e lá eu me aconchego. Tinha passado três horas em observação no hospital, e como prometido, Robert não me deixou voltar para meu apartamento. Ele me colocou uma de suas cuecas boxer, esta enfeitadas com figuras dos Vingadores, da Marvel, e mesmo sentindo dor eu consegui rir. Robert deita do meu lado e ficamos olhando um para o outro. Ele me puxa para ele e deito a cabeça em seu peito largo. Passo as mãos por sua cintura e me aconchego bem, sentindo seu cheiro e fechando os olhos.
Antes de sair do hospital, ministraram-me uma medicação para dormir, e já posso sentir o efeito disto chegando. Bocejo e Robert acaricia meus cabelos levemente:
– Acho que só conversaremos amanhã, estrela. Durma. – Ele beija minha têmpora. Adormeço.
(...)
– Pela direita! – Ele ordena e corro atrás da bola com o taco. Acerto a mesma com força e ela corre – Isso mesmo, Little Grey.
– Eu sou bom no que faço, papai. – Digo fazendo uma pose de vitória.
Ele vem até mim e passa o braço por meus ombros, enquanto começamos a caminhar pelo jardim da nossa mansão. As árvores estão frutíferas, as flores estão belas. É primavera.
– Tenho sentindo sua falta, quando vai voltar para o seu velho e finalmente se aquietar onde é sua verdadeira casa? – Ele pergunta
– Pai, você sabe que agora preciso ao máximo me dedicar nos shows. A responsabilidade está enorme, e também preciso te rum tempo para o Robert. — Digo o nome dele e papai me olha de lado.
– Ama mesmo esse homem, não é?
– Nem imagina o quanto.
– Talvez sim, porque eu te amo até mais. – Ele me cutuca com o cotovelo.
(...)
A música me desperta e me vejo sozinho na cama. Estou coberto por um grande edredom. A melodia é tão bonita, calma. Olho para a frente e vejo Robert tocando baixinho. A cada tecla que ele toca suavemente, sinto-me vivo. Retiro o edredom e levanto da cama. Conroy não para de tocar. Sento-me ao seu lado e ele me olha surpreso. Ainda estou abalado com o sonho, e respiro com certa dificuldade. Eu conheço a música que ele toca.
– And i’ve tried to say, babe, i’m gonna ruin you if you let me stay. – Tento cantar, porém sinto um pequeno incômodo. Paro. Ele também para a música.
– Precisa descansar, Teddy. Achei que dormiria com aquele remédio.
– Eu tive um sonho que me fez acordar. – Falo.
– Não seria um pesadelo, já que te fez despertar?
– Não, acho que não. Era com o meu pai. – Minha voz é triste.
– Como assim? – Ele me analisa.
– Eu sonhei que ele falava que me amava de novo.
Robert emudece, certamente não sabe o que me dizer. Ele sem conseguir dizer nada, passa os braços em mim e me aconchega nele:
– Teddy...
– E sabe qual é a pior parte de tudo? É que por mais que eu tente ser ressentido, ter raiva, no fundo eu sinto falta dele. A pior parte é ser sonho, quando tudo que você quer é que te amem de novo. – Percebo que vou chorar, e afasto esse pensamento da cabeça. Lembro do ocorrido com Marianne – Sabe, Robert, eu estive pensando naquele leito. E se o meu final for como o do Julian? Você sabe, a vida imita a arte.
O rosto de Conroy se escancara, o peito respira mais profundamente:
– Teddy, somos dominós. Se acontecesse isso, eu cairia também. Seria a minha ruína. – Sua voz soa como nunca antes, carregada com angustia. – Você significa tudo para mim. – Ele completa com o trecho da música que tocava. I’m a ruin, de Marina and The Diamonds.
– Eu vou arruinar você se me deixar ficar. – Completo com outro trecho.
– Você nunca faria isso. – Ele toca meu rosto.
– A vida sim, eu não confio nela, ela é injusta. – Digo com o olhar a contemplar os devaneios da mente. Lembrando do sonho.
– Se o problema é Marianne, saiba que ela estará fora da companhia pela manhã. Eu vou tirar ela, acabou a parceria. – Há pesar quando diz isso, porém convicção.
– Não precisa fazer isso, Robert, acho que ela só precisa de um choque de realidade. – Digo.
– Não, Teddy. Ela ameaçou a sua vida, eu não confio mais nela, Marianne ficou louca. Eu não posso mais ter ela próxima de mim. Ela mexeu com você, quero me vingar. – Ele soca a parte de cima do piano.
– A raiva não é boa, não a alimente, amor.
E percebo que pela primeira vez, verdadeiramente o chamo de amor. Ele para e fica me olhando. Repouso minha mão direita em cima de sua perna esquerda:
– Ainda tem um bom tempo para me aguentar, Sr. Conroy.
– Eu não quero um bom tempo, quero a vida inteira, Sr. Grey. – As mãos deslizam por meus cabelos – Eu tenho a certeza de que a minha vida só vai melhorar enquanto estiver nela. E eu quero uma melhora eterna – E sua cabeça desce ao meu ombro. Ele deita-se em mim.
Como ele pode ser tão perfeito? Eu gostaria de poder ser igual a ele, ser essa pessoa que ele é. Mesmo com tantos erros, Robert conseguiu realizar seu sonho, o de ser reconhecido. Ele é uma pessoa fascinante, vai além das palavras carinhosas para comigo, além de toda e qualquer doçura que possa expressar.
– A Marianne me fez bem até um certo tempo, mas eu não entendia que o bem que me fazia, levou-me ao meu pior demônio – Ele para brevemente – Já você, você me faz bem, e além de tudo de rui quem já fiz na vida, acredito no perdão. Eu sei que posso deixar para trás, e eu vou.
Passo a mão por suas bochechas e dando uma batidinha, tudo o que digo é:
– Coisas boas vem para aqueles que esperam, Robert.
– Eu sei, eu demorei esperando você.
Toco uma tecla do piano com o meu dedo, depois outra. Robert fica a assistir minha descoberta com o mesmo. Ele sorri como criança, eu ajo como criança. Não há melhor combinação.
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