50 Tons de Uma Cor Vibrante
14 Capítulo 14 - Um laço eterno
Notas iniciais
Droga, o salão do aeroporto não pode estar fechado. Olhando pela internet do celular, percebo que o salão não funcionaria. Já dentro do Táxi, tudo que tenho a fazer é perguntar, esperar que o motorista possa me dar uma saída:
– Senhor, sabe me dizer se há algum salão funcionando hoje? Preciso de um o mais perto possível.
– Existe apenas um, fica há poucas quadras daqui. Se quiser, deixo você lá. – Ele dirigia o carro, após sair de um semáforo.
– Por favor! – Concordei imediatamente e segurei a mala de frente para minhas pernas.
Uma música de Janelle Monae sai pelos caixas de som do carro, eu bato os dedos freneticamente nas pernas e acompanho seu ritmo. É bem óbvio pensar o motivo pelo qual estou feliz, mas devo achar que há mais envolvido. Deve ser a ansiedade de voltar para Nova York, pois sei que nada mais será o mesmo. E dei um passe livre para Conroy, finalmente me permiti, o que pode ser bastante perigoso. Existem risco que você compra, por que a necessidade de enfrenta-los é bem maior do que a de ficar na margem, no meu caso, como sempre.
– É aqui, rapaz. – Ele estaciona de frente para uma construção de porte médio, porém bastante elegante.
Saco o dinheiro da carteira e pago de acordo com o taxímetro. Ele agradece e puxo a mala comigo, tomaria outro táxi quando resolvesse o que devia. A maior parte do comércio aprecia estar fechado e eu não entendia porque apenas este salão estava a funcionar. Puxei a mala para dentro e me vi na sala de recepção. Uma moça bem vestida e com um coque na cabeça me saúda educadamente:
– Bom dia. Possui hora marcada, senhor?
– Ah, não. Foi um imprevisto, é que preciso voltar para Nova York hoje, e devia ajeitar o cabelo um pouco. Significa que não tem nenhuma chance de ser atendido, caso eu não tenha a hora marcada?
– Tem sim, mas depende da demanda das reservas. Acredito que tenha uma duas para agora. Qual o seu nome? – Ela pergunta e volta os olhos para a frente do computador.
– Theodore Grey. – Respondo.
– Ele não precisa esperar a disponibilidade, Karen. – Uma mulher surgiu de trás de mim. De tão sorrateira que chegou, jamais teria notado os passos.
Era loira e com curvas bastante delineadas, sem falar na aparência quase jovial. Algumas marcas de expressão estavam em seu rosto, no entanto, mesmo com tais efeitos do tempo, ela não parecia velha. Percebo tudo isso ao me virar e encara-la:
– Elena Lincoln, prazer, Sr. Grey. – Ela me estende a mão.
– Prazer, Senhora Lincoln. Gostei do salão, parece bem decorado. – Digo cordialmente.
– O que pretende fazer no cabelo, Sr. Grey? – Ela entona meu sobrenome com certa satisfação, posso perceber.
– Apenas uma hidratação dos fios, acho que fiquei mui exposto à poeira.
– Compreendo. Pode me acompanhar por aqui? – Ela indica um corredor para um outro pavimento.
– Claro. – A sigo.
Elena Lincoln, esse nome não me é estranho, tenho certeza de que o ouvi em algum lugar. Não consigo lembrar onde, apesar de ter certeza que sei que já ouvi. Puxo a mala comigo e adentro num espaço repleto de espelho e cadeiras de salão espalhadas. Apenas uma das penteadeiras está ocupada, era uma senhora que conversava com a atendente. Recebo a indicação, quase como uma ordem para sentar na cadeira de frente para o espelho, eis que o faço. A mulher põe uma capa protetora em mim e diz:
– Faz algum tempo que eu não me atrevo a mexer no cabelo de alguém, mas o seu será uma honra. Convidado ilustre. – Diz a loira.
– Ilustre?
– É, eu conheço seu pai. Fomos amigos no passado. – E meus olhos se estreitaram curioso. Outra vez ele aparecia em meus domínios.
– Eu tinha a leve impressão que já havia escutado seu nome. – Digo.
– Presumo que sim, meu caro. – Ela começa a mexer em meu cabelo.
– E não são mais, por que?
– Coisas da vida, caminhos diferentes, Theodore. Mas ainda vi você criança. – Ela diz passando alguns produtos em meus cabelos e seu olhar do espelho é totalmente cordial, porém por trás dele, há algo mais intimidador. – De repente, sua mão esquerda desliza pelo meu ombro. Sim, algo começa a ficar estranho. – Tem os mesmos ombros do seu pai.
– Temos muito em comum, apesar da maioria ser diferente. – Falo sem reação.
– E são muito iguais na beleza também, embora você tenha os olhos da sua mãe. – Ela parece desconfortável ao citar minha mãe.
“- Ela não presta, eu vou morrer falando isso, Christian. Se insistir em tentar colocar ela em nosso meio novamente, eu vou embora. Não acredito no arrependimento daquele monstro, nem tampouco sua mãe. Elena Lincoln não presta.!” –A voz alta da mamãe ecoa pelo meu pensamento e eu finalmente lembro de onde ouvira o nome da mulher, a que mexe em meu cabelo. Não sei ao certo, mas minha mãe não gosta dela por algum motivo. Passo a sentir uma coisa estranha.
– Me lembra muito seu pai na sua idade, eu o conheci um pouco antes. O mesmo tipo físico, as meninas devem brigar por você. – Ela deita minha cabeça no tanque e parece enxaguar algo.
– Acho que não.
– Vi que estava com pressa, perdoe-me, mas para onde vai viajar ou ir às pressas? Tem alguma lhe esperando em algum lugar? – Ela parece mais curiosa do que deveria.
– Não, eu vivo em Nova York. Faz seis meses, agora vou começar um musical na Broadway.
– Broadway? Então também herdou o talento do piano? – Ela parece maravilhada.
– Não exatamente, eu canto. – Digo.
– Que formidável, Sr. Grey. Minhas congratulações. Parece-me tão talentoso quanto o Christian.
Tendo se passado algum tempo em meio ao tratamento nos cabelos, ela termina e levanta minha cadeira para olhar através do espelho. O resultado ficou ótimo, ela sabia trabalhar, tanto quanto assustar com a maneira intimidadora com a qual fala. Retiro o cartão de crédito da carteira:
– Eu gostei bastante, pode pedir para passarem meu cartão lá?
– Não precisa. Leve como uma cortesia pelo futuro sucesso na Broadway. – E ela faz novamente, coloca as mãos em meus ombros e os toca de uma forma diferente. Parecia querer senti-los. – Poderia tomar um chá comigo e me contar sobre o show, Sr. Grey. Seria ótimo.
– Eu tenho um voo marcado, Senhora, infelizmente preciso correr.
– Que pena! Podemos tomar o chá quando voltar à Seattle. – Ela aperta ainda mais meus ombros. Ela queria que doesse? – Vai ser bom relembrar a idade dos eu pai conversando com você, me parece inteligente.
Mais uma vez lembrando do que mamãe dissera, retorço meus ombros para que ela tire as mãos de mim. Não sei o que essa mulher guarda, porém não deve ser nada bom.
– Senhora Lincoln, minha mãe não gosta da senhora, minha família parece não gostar. Eu não sei o motivo, como também não desejo, mas peço que qualquer que seja, não fique próxima de mim. – Sou firme ao dizer e sua expressão altera-se para algo sério, mudando novamente para um riso irônico.
– Eu poderia imaginar, meu caro. Relaxe, sou inofensiva quando é preciso.
Meu celular toca e nem vejo o visor, apenas atendo.
– Alô?!
– Esperando você voltar. Vou ao aeroporto. – A voz grave de Robert se espalha por mim.
– Devo chegar às três horas.
– Estarei ansioso, estrela. E quero saber se topa sair para dançar hoje.
– Sim, com certeza. – Digo. Eu prometi, agora cumpriria. – Vou desligar, preciso pegar meu táxi até lá, amor.
Uso a palavra “amor” propositalmente, no intuito de instigar a mulher loira. Robert parece surpreso ao ouvir o tratamento e não o deixo mais dizer nada, desligo o celular.
– Como eu disse, sabia que tinha uma ela no meio. – Ela gira a cadeira e me encara. – É o seu tempo, está certo.
– Com todo o perdão, Senhora Lincoln, é ele. Era meu namorado. – Digo sutilmente e a expressão de Elena se escancara, ela disfarça num sorriso compreensivo.
– Compreendo, Sr. Grey. Espero que esteja feliz.
– Estou trabalhando nisso. Obrigado pelo atendimento e pelo ótimo trabalho. – Me levanto de sua sala e saio da mesma.
A conversa sinistra com Elena Lincoln me faz querer ainda mais estar em Nova York, bem longe dali. A viagem da volta é bem mais tranquila do que a que me trouxe, dormi a maior parte dela, aliás, precisava de um sono tranquilo e sem pensar no que ia acontecer quando eu despertasse. Eu deveria, mas não o fiz. Acordei pouco antes do avião pousar no aeroporto de Nova York. Tive tempo o suficiente para pegar a mala acima do suporte e esperar que a maioria desembarcasse. Sentindo o fluxo mais lento, aproveitei e me desloquei pelo avião. Descendo no grande pavimento antes do portão de desembarque, segurei firme e mala e cruzei o portal. Muita gente se abraça, acontecimento típico de aeroportos e passo por todos. Minha vida agora resume-se aos taxis da vida, ia na direção do lugar responsável, quando vi uma figura de pé com algo na mão e me observando de longe. “You drive me crazy” – “You are my crazy love”. Notei o balão flutuando e quase cobri o rosto, que palhaçada! – Agi naturalmente e não minto que gosto da sensação daquilo, parece que está levando bem a sério. Até pensei em dizer o meu seco “olá”, mas pela primeira vez o que fiz foi diferente. Meus braços se puseram ao redor do pescoço dele, inesperadamente. Eu não disse nada, apenas o abracei.
– Olá, Sr. Grey. – Ele diz com a voz surpresa.
– Hey... – E aquilo soa sereno e calmo.
Robert percebe que eu não vou solta-lo e então passa os braços ao redor da minha cintura. Deveria ter feito isso, no entanto, a hora tinha de ser essa. Ele diz ao meu ouvido:
– Pode ao menos pegar o balão?
Desfaço o abraço rapidamente:
– Tudo que tem de fazer agora, é simplesmente não falar nesse balão e me beijar, seu idiota. – Falo no tom característico de afronta.
A expressão do homem se choca e ele fica alguns momentos me encarando. Com os braços ainda na minha cintura, ele me puxa mais para perto e encontra meus lábios. E sem me preocupar se estão vendo ou o que vão pensar, eu o beijo, como nunca fiz na vida, nem mesmo com Conrad. Em meio ao beijo eu vejo tudo que se passou naquele pouco período, nas coisas que mudaram, nas cosias que perdi, mas sobretudo no que significa a maior parte do meu futuro. Mantenho os braços apertando seu pescoço e quando o beijo cessa, percebo alguém que fotografa algo e corre. Paparazzis.
– Está tudo bem, não há mentira ou algo errado aqui. – Digo ao olhar para Rob.
– Eu senti sua falta. – Ele diz tocando meu rosto.
– Eu também. Principalmente de ser estupidamente insuportável com você, Sr. Conroy.
– Senhor nunca mais, eu agora sou o Robert, ou apenas Rob. – Ele diz sério e me adverte.
– Tudo bem, Robert.
Começamos a andar para a saída do aeroporto e o carro de Robert havia sido estacionado numa parte estratégica. A Ferrari preta reluz, polidamente limpa. Ele toma a mala das minhas mãos e joga na parte de trás, entro do lado do carona e o encaro:
– Por que não me perguntou sobre a minha lavagem cerebral ainda? – O questiono.
– Porque certamente já estava na sua cabeça, e eu estava esperando você se dar conta do partido e do príncipe maravilhoso que apareceu na sua vida, Theodore. – Ela contorce os lábios no sorrisinho debochado e começa a dirigir.
– Me poupe. – Giro os olhos. Depois acabo sorrindo.
Robert me deixara no hospital e fora para uma reunião, antes que finalmente pudéssemos sair à noite. Pretendia matar as saudades dos menores da minha vida. Tenho Penny no abraço mais fofo do mundo e ela me segura, como se não quisesse me soltar. Está usando a peruca que a dei de presente.
– Feliz natal, Rainha. – Digo por conta do seu novo apelido.
– Feliz natal, súdito mais bonito. – Ela diz. – Senti tanto sua falta. Mas fiz um pedido para você ontem. Fiz dois, e espero que pela doença, talvez eu receba um crédito extra.
Meus olhos encaram agora ela, parada e comentando. Penny parece mais forte, embora sempre mantenha o tom melancólico ao falar as coisas.
– Ah, fez é? Me conte. Não, não conte, ou não se realizará. – Digo com uma expressão divertida.
– Claro que conto, não sei nem se vou estar viva amanhã.
E meu coração se mexe aflito, não posso pensar nessa possibilidade, não quero. Porque talvez eu não aguente mais perder as pessoas, e ela certamente é parte de toda força que ainda tenho.
– Você não vai morrer, Penny. Oras. – Digo fingindo estar bem.
– Todos vamos, eu antes, mas com sorte, ainda dure um bom tempo. – Ela diz mexendo nos cachos loiros. – Bem, eu pedi para você não me deixar.
– Eu não vou a lugar algum, pensei que já tivesse entendido.
– Mas agora tem o outro príncipe, e mesmo ele sendo estranho, eu sei que talvez ele queira te levar embora desta torre. – Ela comenta, noto insegurança. Seguro sua mão.
– Ninguém vai me tirar daqui. – Digo firmemente.
– Eu confio em você. Bem, quer saber o segundo pedido? – Ela está olhando nos meus olhos.
– Claro, já que começou, tem de terminar. – Dou de ombros em meio à um sorriso.
– Eu pedi para que seus pais, que a sua família pudesse amar você novamente, mas sabe, amar de verdade. Amar você desse mesmo jeito de agora, com o outro príncipe.
Prendo o choro e tudo que consigo fazer para cobri-lo, é por um terno sorriso nos lábios e colocar a mão em cima da dela. Afago com carinho e digo:
– Nada volta a ser do mesmo jeito que era, mas acredito que possam me amar assim, Rainha. Você é a melhor pessoa nesse mundo.. – A abraço e acaricio suas costas levemente. – Obrigado. Sabe, Penny. Por que não me conta como era na sua casa, como era o lugar?
Ao desfazer o abraço, ela parece um pouco absorta, talvez por começar a pensar sobre, ou por qualquer outro motivo que desconheço. Penny junta as pequenas mãos no colo, sentada na cama e olha para um ponto qualquer:
– Era legal. Eu morava numa área que tinha fazendas espalhadas, mas também a neve cobria uma boa parte de tudo no inverno, fazíamos várias coisas com a neve. Quando era primavera, borboletas voavam pelos prados, pássaros eram abundantes. Havia um pequeno moinho na minha fazenda, e era minha parte favorita. Meu pai dizia que era um fantasma para me assustar quando menor, mas quando fiz seis, simplesmente me disse que era um moinho e explicou o que era isso. Ele disse algo parecido sobre ser uma metáforas, de que jamais estávamos parados, sempre em movimento. A vida nunca é a mesma. Ele dizia o mesmo que você. – Ela então olha para mim, parece maravilhada e triste ao mesmo tempo. – Até hoje eu acredito que a minha vida está em perfeito movimento, veja só, ela em trouxe você.
– Ela me trouxe você também. Eu prometo que ela não vai me levar tão cedo. – Estendo o dedo mindinho. Ela estendo o dela e cruzamos ambos.
– Não posso te prometer o mesmo, mas posso dizer que fico junto de você, não importa como.
Aqui dói em mim, as palavras que ela diz. Mesmo assim, selamos o gesto e nos encaramos.
– Não se pode quebrar uma promessa de dedinho, é a única regra. – Digo e a abraço novamente.
Coloco uma boina cinza na cabeça e finalizo a roupa. Utilizo uma calça jeans e uma camisa estampadas em tons de azul, não uso nada extravagante. Na verdade, nem sei o que usar. Robert combinara de me buscar às nove, e o relógio marca pouco para isso. Sento minha antiga cama do St. Church, todas as minhas coisas estão prontas para serem levadas para o apartamento novo. Estou roendo as unhas pela primeira vez na vida, quando escuto meu celular tocar.
– Estou apenas lhe esperando, e detalhe, modelando na minha Ferrari para todos aqui na frente. – Ele diz sarcasticamente.
– Palhaço. Estou descendo. – Desligo a chamada e saio do meu quarto.
Encontro Robert falando ao telefone na calçada, está de fato encostado na Ferrari preta e não nota meu sorrateiro caminhar. Para diante dele com os braços para trás e olho calmamente. Ele desliga imediatamente:
– Que boa visão para estes olhos cansados, Theodore. – Ele comenta.
– Obrigado, Robert. – Digo o olhando. – Vamos logo? Estou me sentindo um velho com osteoporose.
Ele gargalha e vai até o outro lado do carro e abre a porta do carona. Um pouco encabulado, caminho e paro diante da porta aberta:
– Está levando a sério mesmo está história de príncipe?
– Levando tudo a sério com você, inclusive as melhores coisas ocultas, estrela.
Por que ele faz isso? Não percebe o que consegue me causar? Entro sem perguntar mais e puxo o cinto do carro. Jamais andar sem cinto, era uma boa coisa que papai tinha ensinado às turras. Se metia no carro e prendia todo mundo. Aprendi com o tempo. O percurso de carro até onde Robert pretende ir, demora um pouco. Ficamos na estrada durante uma hora, mais ou menos. Vários assuntos surgem no percurso, inclusive a pergunta se vi meu ex, e eu afirmo que sim.
– Não havia mais nada, apenas o deixei com a certeza total.
– Bom saber. – Ele não diz mais nada e dirige.
Chegamos na frente de um clube, certamente, com várias luzes do lado de fora. Uma batida forte vem de dentro do local e viro a cabeça para ele:
– Vai se frustrar comigo, sou um corpo morto em baladas. Em verdade, nunca fui numa. – Digo.
– Então se prepare, vai ser sua primeira vez. Muitas primeiras vezes à vista, como a ilha do tesouro. – Ele diz e guia seus lábios até os meus. Me beija rapidamente e sai do carro, enquanto eu faço o mesmo.
– Nunca abra a porta, antes que eu faça isso. Normas. – Seu tom de voz é como ordem, mas eu levanto o rosto e caminho. Ele segura em meu braço.
– Vai perceber que me afrontar vai ser pior, Theodore.
– Ok, Robert. –Gargalho da expressão bruta e obviamente forçada.
Entramos na boate após Robert apenas dizer seu nome na entrada, estava numa lista. A batida dentro é pior do que do lado de fora, demoro um tempo para me acostumar com a música excessivamente alta. A quantidade de pessoas à pista e a se debaterem dançando é enorme. É o tipo de ambiente que o meu pai consideraria impróprio para mim. Rob segura minha mão enquanto caminhamos por entre as pessoas, trilhando o caminho até o bar. Parando em frente ao balcão, Rob se dirige ao Barman:
– Dois Mussolinis. Obrigado. – Com o grave sensual, diz ao outro rapaz.
Me sento num dos banquinhos espalhados e fico olhando o ambiente. Uma canção propriamente eletrônica invade o lugar, as pessoas estão loucas.
– É engraçado. – Ponho as mãos no colo.
– Não ria, vai estar em meio à eles, talvez alto até demais. – Robert me ironiza e pega duas bebidas com o Barman. Ele me entrega uma e vejo suas três camadas. Uma em cor transparente, uma laranja e outra da cor de vinho. – Teddy, Mussolinni. Mussolinni, Teddy. É um drink. Beba, acredito que vai gostar.
Seguro o copo:
– Querendo me embebedar, Robert? – Arqueio as sobrancelhas.
– Não exatamente, apenas lhe apresentar o mundo. – Ele bebe o seu líquido num gole rápida e dá de ombros. – Beba!
Olho um pouco para a bebida e lentamente a elevo nos lábios, mas a incerteza se aguentaria ela é tão grande, que repito o gesto de Robert e dou um gole cheio. Ela desce pela garganta e amarga um pouco, todavia, seu resultado é doce e ácido.
– Uou, isso é ótimo. Posso beber outro? Ou melhor, irei beber outro. – Viro par ao Barman e faço o pedido. Noto o riso de Robert atrás de mim e me debruço de propósito no balcão, deixando que a calça modele meu corpo.
– Algum problema? – Viro o pescoço e ele está me olhando.
– Nenhum que eu não possa resolver. – Ele pisca para mim. O tempo para a entrega da bebida é curto, e quando dou por mim, já engoli o segundo drink.
O ritmo da balada muda completamente, e sai do puramente eletrônico para uma música dançante e engraçada em seu ritmo. As pessoas ainda estão animadas na balada, quando “Best song ever” do One Direction começa. A música da Phoebe, penso. Segurava ela e rodava pela casa a dançar como loucos. Avalio Robert, que também me avalia:
– Com licença, Senhor. – Dou um giro na ponta dos pés e aponto para ele. Me afasto e me jogo na pista de dança.
Tento não sorrir do quase tombo que levo num pequeno degrau e Rob corre par ame segurar, certamente achando que estou bêbado com apenas dois drinks, mal sabe ele que estou bem lúcido. Puxo-o pela camisa verde e começo a pular na pista de dança. Meu primeiro instinto de loucura é maravilhoso, a sensação de se soltar sem se importar. Ele parece mais me observar do que dançar, não sei exatamente o que está pensando, mas tento mover seus braços. Jogo meus ombros e canto junto com a música. Algumas pessoas batem em mim e Robert parece querer afastá-las, começo a rir disso.
– And we dance all night with the best song ever. – Canto e começo a girar ao redor de Conroy. Uma criança crescida. Começo a passar as mãos por suas costelas e tentar fazer cócegas, maldito, parece não ter. Inesperadamente ele me puxa para a frente e começa uma dança tão ridícula quanto a minha. Jogávamos estalos de dedos para ambos os lados. Eram pulos descompassados, coisas que Marianne Kendall arrancaria os cabelos por ver. Adoraria que ela visse.
– Você vai me deixar completamente insano, garoto. – Ele diz colocando as mãos a segurar meu rosto.
– Enlouqueça por amor. – Digo o dado um selinho roubado e sendo preso por seus lábios fortes. A música então altera-se e tudo que tocava até ali, passou a ser calmo. Robert mexe sua língua em minha boca e não me deixa libertar-me dele.
“Style” de Taylor Swift ecoa sua introdução pelo espaço. Como uma balada pop alternativa, ela parece embalar meu momento com Rob e mexo em seus cabelos ao dar continuidade ao beijo.
Lentamente ele cessa o beijo e me dá um giro lentamente, trazendo-me de volta para seus braços. Dançamos lentamente ao ritmo envolvente da música e ele começa a me movimentar pelo espaço, com várias luzes coloridas que rodopiam pelo lugar. Por um momento meus olhos estão nele, seus olhos em mim estão. É como letra e música, um não existe sem o outro para compor uma música. Meus lábios se contraem num meigo sorriso e mexo os lábios dublando a frase:
– We’re never go out of style. – Faço uma careta e dançamos o resto da música.
Robert encosta a testa na minha com as batidas lentas do fim da música. Nossos olhos estão tão próximos que tudo que faço é olhar para os dele fixamente. “Você tem os olhos de James Dean”, ele realmente os tem.
– Acho que devemos ir embora. – Digo, ele se surpreende.
– Já? – Não me solta.
– É, talvez eu possa passar no seu apartamento. – Alguns traços provocantes surgem em meus traços faciais.
Robert parece compreender a mensagem, ele corresponde as mesmas expressões provocantes.
O apartamento de Robert é a coisa mais legal que já pude te ro prazer de ver, é como um santuário da sétima arte. Cada pedaço do lugar tem possui um aspecto que termina-me por lembrar um filme, a produção, ou qualquer um dos processos envolvidos em sua criação. Há um sofá preto e outro branco, bastante espessos e alguns quadros com personalidades famosas, pelas paredes. Uma pequena mesa de centro fica próxima aos sofás, em cima delas algumas fotografias ficam espalhadas. Uma me chama atenção, mais do que as outras. O Big Ben, em Londres, ele e Marianne sorriem e estão abraçados. Parece que tinham uma história.
– Cinematográfica, para alguém que trabalha no teatro. – Cruzo os braços.
– Caminhos mudam, você sabe bem disso, estrela. – Ele diz se aproximando de mim. – E essa é a minha torre secreta, na qual torturo moças e rapazes indefesos. – Ele arqueia uma das sobrancelhas, a direita.
– Então irei fugir o quanto antes. – Viro de costas e ele me puxa.
Paro com minhas mãos a segurar seus braços e ele coloca seus braços ao redor da minha cintura, fazendo com que meu corpo não se solte do dele, de modo algum. Cuidadosamente ele vai guiando meus passos para trás, pouco a pouco, até que encosto na parede oposto onde eu estava. Os olhos fixam-se em mim como algo que deseja saber mais, eles aprofundam-se por além da visão, tocam a alma. Ele então me beija e coloca as mãos no cós da minha calça. Eu o correspondo e dentre o beijo quente que se forma, ele então vai para o meu pescoço e não me oponho a isso, deixo que ele explore a região. Paro minhas mãos espalmadas na parede e não tento afastá-lo. E o que me causa estranhamento é a forma com a qual se afasta:
– Estou exagerando, perdão. Tudo tem um limite, eu passei do meu, Grey. – Ele parece desnorteado.
– Eu não te disse para parar. – Falo.
– Não diga isso, Theodore. Se eu começar algo, eu não vou parar de jeito algum. – Ele me encara e ergue a cabeça ao alto, respira fundo.
– Ótimo, pois eu não quero que pare. – Caminho até ele e com as mãos nos bolsos da calça, completo. – Vai ser como nos seus sonhos mais pervertidos, sem nenhuma roupa. – Acabo rindo, mas a expressão séria retorna.
Robert fica a me avaliar por segundos, acho que vai me mandar embora, ou algo do gênero, mas tudo que faz é me puxar pela mão correndo à dentro. Paramos em frente à uma porta preta e ele a abre. Seu quarto fica logo atrás e ao entrar ele fecha a porta. O mesmo padrão da casa aplica-se ao quarto, exceto pela cama, que tem traços moldados em vermelho. Eu sempre gostei de vermelho, e aquilo me soou maravilhosamente bom.
– Sua cor favorita? – Viro e pergunto.
– Eu adoro cores vibrantes, mas vermelho sempre vai ser a minha favorita. – Seu tom é sexy e ele aproxima de mim por trás.
– Cor vibrante? Interessante. – Digo cruzar os braços. Ele me pega pela cintura e termina me virando e jogando na cama.
Robert acaba deitando-se por cima de mim e coloca seu corpo contra o meu. Minha camisa é retirada lentamente e Rob a joga para trás. De dorso nu, apenas sinto ele continuar os beijos que começaram em meu pescoço.
E o que acha de se livrar disso aqui? – Ele me provoca e segura no botão da minha calça, ao qual destaca e abaixa o zíper.
Não falo nada, só encaro suas ações. Meu corpo parece querer que ele arranque tudo de uma vez por todas, mas acho que estou vendo um outro lado do Robert apenas galanteador e sacana. Ele desce minha calça e me deixa apenas com a minha cueca boxer azul. Tento não pensar no quão sem graça estou, prefiro olhar para o seu rosto. Robert levanta da cama e passa retirar a sua roupa. Primeiramente a camisa. A visão do seu corpo é como uma estátua, moldada perfeitamente por Michelangelo. Sua barriga é definida, provavelmente pelos diversos exercícios, que jamais cessa em praticar. Os músculos fortes dos braços são exibidos também. Ele remove a calça rapidamente e revela sua cueca preta, também é uma boxer e ele faz uma cara de “Não tenho culpa, você me copiou.” – Tento não olhar, mas seria inevitável não o fazer, fico a olhar para sua cueca fixamente e para seu conteúdo, volumosamente guardado.
Tento parecer sexy, algo que não sou e o chamo com o dedinho indicador. Ele não demora para vir até mim e deitar-se por cima:
– Não precisa forçar sensualidade, Teddy. Você, por si só, já me deixa excitado por vida. – Ele diz em meu ouvido.
– Como isso? – Pergunto ao encostar meus lábios em seu ouvido direito. – Ohh, ohh. – Imito os tons inicias de Crazy in love, da mesma forma que o fiz na audição. Ele aperta minha cintura e suas mãos descem para dentro da minha cueca e apertam minha bunda.
– Jogo baixo. Não sabia que você jogava baixo. Não jogarei baixo, ainda, por ser a primeira. – Ele sussurra de volta. – Mas eu me vingarei de cada provocação, Sr. Grey. – E ele desce minha cueca até os joelhos. Inicia então uma trilha de beijos, que vai a descer meu pescoço.
Conroy para e com certa força, trinca os dentes em meu mamilo esquerdo, fazendo com que eu me contorça um pouco na cama. Ele olha para cima com aquele seu olhar de “desafio aceito”, repetindo o mesmo com o outro mamilo e eu seguro bruscamente no lençol. Seu caminho de beijos vai alastrando-se por meu abdome e minha barriga. Sua mão desce e segura meu sexo firmemente e ele faz alguns movimentos ousados no mesmo, o que me faz fechar os olhos, até que sinto sua língua tocar a ponta do meu membro e me contorço mais do que da última vez, emitindo um gemido abafado.
– Não vou jogar baixo, mas partes baixas podem ser provadas, ok? – Ele fala sério.
E ao invés de apenas a ponta, ele aprofundou-me por entre seus lábios e eu segurei o lençol com força ao sentir aquilo, coisa jamais sentida por mim. Ele coloca as mãos a apoiar-se em minhas coxas e as aperta ao movimentar sua boca por meu sexo e parece fazer movimentos com a língua por toda extensão, o que me faz começar a gemer baixo e jogar a cabeça para trás. Ele continua neste ritmo, até levantar o rosto e olhar para mim. Ele passa a subir pelo meu corpo e vai passando os lábios por todas as áreas em que distribuiu os beijos, chegando finalmente à minha boca e me beijando, ele morde meu lábio inferior e termina de descer minha cueca, posteriormente.
Robert livra-se então de sua cueca preta e o observo por inteiro, e tanto quanto eu, parece que somos bons em ter algumas coisas avantajadas.
– Eu vou ter de pedir que você vire-se ou prefere que eu use da força? – Ele diz sorrindo ao meu ouvido, no entanto, aquilo muda-se conforme sua voz, para algo tentador.
Me viro de costas na cama e ele percorre minhas costas com as mãos, como se explorasse o lugar e toca calmamente em cada parte. Ele desce a mão esquerda e surpreendentemente belisca a minha nádega esquerda, respiro fundo. Posso sentir uma risada. Olho enquanto ele abre uma pequena gaveta, no criado mudo ao lado da cama e pega duas coisas: Um pequeno frasquinho de um óleo e um pacotinho de preservativo. É a primeira vez que escuto o som do pacote laminado ser rasgado, e aquilo, tanto quanto a atmosfera, parece excitar ainda mais. Encosto a cabeça no travesseiro e o observo colocar o preservativo e espalhar em seu membro o óleo incolor, ele tem aquele risinho debochado, e eu mordo o lábio inferior involuntariamente, seguindo de uma piscadela com o olho direito.
Robert joga um pouco do tal óleo em dois dos seus dedos e imagino qual será seu próximo movimento, sendo cortado pela sensação gelado que aquilo me causa, quando ele começa a descer os dedos a deslizar por minha coluna vertebral. À medida que vai descendo, meu corpo estremece e ao chegar em cóccix, ele desliza mais lentamente até chegar onde realmente pretendia. Ele coloca um dos dois dedos dentro de mim e dou um gemido. Ela o deixa bem ali, sem movimento algum, mas eu sinto o corpo responder ao impulso e excitar-se ainda mais. Com movimentos lentos, Conroy insere o segundo dedo oleoso e sua perna cruza por cima de mim.
Com o corpo por cima do meu, ele retira os dedos e aproxima sua boca do meu ouvido:
– Foi exatamente isso que eu imaginei na sua audição, fazer você gemer de verdade. – Seu surro faz eu encolher os ombros e com uma mão ele dá um tapa numa das minhas nádegas. Segurando firmemente seu sexo, Rob começa a colocá-lo em mim, e como já havia ouvido, aquilo não seria indolor. Incomoda inicialmente, mas a forma com a qual ele faz aquilo, muda tudo. O que há de causar dor, simplesmente me causa a nova sensação descoberta por mim, o prazer. Quando está totalmente dentro de mim, ele coloca suas mãos nas minhas omoplatas e faz alguns movimentos primários, lentos. Meus gemidos são devagar, tal qual a velocidade inicial dele.
Robert vai aumentando a velocidade e segurando mais forte em minhas omoplatas, enquanto eu tento me contorcer, mas sou contido por seus braços. Seus gemidos são graves e acabam se juntando aos meus, é estranho, erótico, é a sensação mais perigosa e gostosa que eu havia provado. Ele levanta um pouco meu dorso e passa seu braço direita, puxando-me um pouco mais para cima, deixando meu corpo retorcido e giro meu pescoço, encontrando seus lábios e o beijando. Envolto no desejo inédito, me perco nele e sinto quando ele solta meu dorso e desce a mão, tomando meu pênis e levemente fazendo movimentos nele.
Seus gemidos ao meu ouvido são provocantes e estou totalmente entregue. Sua penetração atinge uma velocidade totalmente mais forte do que as anteriores e ele não cessa os movimentos rápidos, meu peito arfa e meus gemidos combinam-se com os dele num ritmo semelhante. Após toda força investida contra meu corpo, percebo Robert chegar ao seu ápice num gemido mais alto que os outros e o corpo tombar um pouco em cima do meu, que graças aos músculos bem desenvolvidos, o aguentam bem. Conroy, então, retira o seu preservativo e dá um nó o jogando num pequeno cesto ao lado da cama. Ele não havia terminado ainda, visto que, vira-me rapidamente na cama e continua os movimentos em meu sexo, fazendo com que apenas os meus gemidos tomem conta do local:
– Agora, Teddy, você vai gozar para mim. – E ele usava sua mão habilidosamente em mim.
Assim como todas as sensações eu aprendi, uma outra instala-se diferente das outras, fazendo minhas pernas estremecerem, quando termino gozando e jogando a cabeça para trás. Alguns jatos quentes espalham-se por meu abdome e afundo no travesseiro.
– Exatamente. – Diz ele satisfeito. – Ele estica-se até o outro criado mudo e retira um lenço de dentro de uma caixinha, passando-o posteriormente pelo abdome e me deixando intacto.
Não acredito no que fiz, ainda me mantenho de olhos fechados e a sua boca alcança a minha, com o corpo totalmente cobrindo o meu:
– Agora você é meu, Theodore. Eu não quero que vá a lugar nenhum, senão ao meu lado ou nesta cama. – Ele diz me olhando após o gesto.
– Eu não vou a lugar nenhum, Rob. – Deslizo minhas mãos por suas costas fortes e momentaneamente aperto sua bunda, ele parece sorrir. Me beija o queixo e deixa uma breve mordida nesta região. – Pode entender o que eu digo sobre os garotos agora?
– Sim.
– Agora venha cá. – Ele me gira na cama e me deixa por cima dele, trazendo minha cabeça a encosta em seu peitoral. Ele passa a me afagar os cabelos. – Eu quero proteger você do mundo, e ai de quem se meter nisso.
Encaro Robert por um instante e há doçura em meu olhar, nos pegamos encarando um ao outro posteriormente. Estou devidamente perdido em seu olhar, estou perdido nele.
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