50 Tons de Uma Cor Vibrante

7 Capítulo 7 - Um desafio


Notas iniciais
Depois dessa longa pausa, eis que eu retorno para vocês, queridos e queridas. Esse tempo foi de reflexão pessoal e de mudanças em minha vida. Demorei, porém trago um capítulo que espero que gostem tanto quanto gostei de escrever. E falta pouco para ver a verdadeira inspiração da fic ganhar as telas. Fiquem agora com mais um pedaço de Teddy Grey. Love me Harder - Ariana Grande Ft. The Weeknd

A água quente do chuveiro corre pelo meu corpo, de modo que, encolho-me algumas vezes devido à quentura da mesma. Havia parado para tomar um Mocca no Starbucks, no momento em que voltei do ensaio. Após toda aquela confluência de sentimentos e sensações, restava-me apenas o chocolate e a cafeína. O assunto sobre Conrad ainda ronda minha mente, meu peito rasgado. Sei que o joguei fora, mas sei que será difícil jogá-lo para sempre. E dentre todos os pensamentos que passam por meu ser, apenas um sobrepõe o primeiro. Aquele diálogo com Robert e suas palavras tão diferentes, todavia, fortes. Mesmo todos aqueles flertes, que em sua grande parte eu gostaria de responder com o gesto do dedo médio. Acho que sou educado demais para fazer isso.

É como uma tristeza de verão, sei que Conrad irá passar como tempestade, mas o tempo me preocupa. Parece haver várias preocupações agora, e por um motivo desconhecido e inconveniente, Robert tornara-se uma delas. Após seu discurso encorajador acerca de mim mesmo e do estrelato, parece que algo ainda bom ficou sobre mim mesmo. Liguei para Penny e ela estava bem, o que me confortava mais do que qualquer coisa. Até mesmo sua alimentação estava melhor. Segundo a doutora Rose, Penny se juntava com as crianças e pareciam sempre rir ou passar por tudo em conjuntos. Tudo que uma boa garota como ela precisa, é certeza de que não está sozinha. É isso que quero que ela veja.

Enrolo a toalha em minha cintura e saio par ao interior do meu quarto. O roteiro estava pronto para ser lido na mesa e observo com certa preguiça, estava tão cansado do dia. Me dispus a ser bom o suficiente e não ser trocado por outro ator, isso incluía te rum domínio total das falas. Visto qualquer coisa do armário, e como de costume, pego meu perfume o pondo em algumas áreas do corpo. Perfume era algo que até para ficar em casa eu utilizava. Rapidamente checado o telefone, reparo nas mensagens e se há alguma chamada importante. Nenhuma, exceto pela chamada da operadora do número. Jogo-me na cama e pego em mãos os tantos papéis.

– Não podem me deixar aqui, vocês são minha família. Você minha mamãe. – Li no tom requerido por Julian. – Não podem me deixar aqui, são minha família. Você é minha mamãe... – Paro bruscamente.

“Eu ainda sou o mesmo. Por favor, não me faça subir nesse avião(...)” – A mala vermelha de rodinhas, o avião pequeno, as expressões dos meus pais percorrem em minha frente. Quase posso dizer que estou revivendo tudo, só que através do texto de Julian. Temo por mim quanto à esta cena, porque ela começa a me despertar coisas com as quais não sei lidar. Sinto o coração apertar furtivamente e ponho o rosto apoiado nas mãos cansadas.

– And if you come, i’ll run, run run... – Como na música seguinte ao texto, tentei manter o tom melancólico para o movimento seguinte, por mais que o coração não quisesse deixar.

Um bip soa do meu celular e me mantenho na posição anterior. O rosto poderia estar desolado em lágrimas perdidas, porém mantem-se apenas com a expressão triste. Após três bipes, sou obrigado a atender:

– Alô?!

– Estrela do meu show. – Robert!

– Achei ao menos que eu poderia descansar o resto da noite, Sr. Conroy. – Falo num tom seco.

– Opa, calma, Sr. Grey. Por que essa sequidão?

– Estava estudando o roteiro, acabou de atrapalhar. – Apesar de não estar necessariamente fazendo o que disse, eu pretendo que ele se toque.

– Compromissado ao máximo com o papel, é assim que eu gosto. Isso faz eu querer você ainda mais. – Paro com olhos esbugalhados. – No show, claro. – Ele gargalha após a gracinha.

– Ainda não me disse o motivo de estar me ligado a essa hora, Sr. Conroy.

– Quando vai me chamar de Robert? Não percebe que somos como família agora?

– Família? Sério? É tão prepotente assim? – Digo encostando na encosta da cama.

– Ai ai, Theodore. Vou me lembrar de ser tão ríspido quanto sua língua devidamente afiada para comigo. Tenho um compromisso para nós amanhã. – Ele diz.

Compromisso para nós? O que? Eu juro que se ele falar sobre sair novamente, serei realmente afiado com a língua. Estou prestes a concluir que Robert é um novo modelo de Conrad, o sexo interessa mais do que qualquer coisa. E bem, isso e algo meu que ninguém nunca teve. Já não permito que isto me frustre tanto quanto outrora permiti.

– Que compromisso? – Pergunto.

– Como presumi, realmente não sabe mesmo sobre a minha ida pela mídia, então te liguei para falar que amanhã estarei presente para uma entrevista na qual revelarei todo o projeto de Spotlight, e eu devo apresentar a minha estrela, ou seja, você. – Ele diz a explicar.

– Entrevista? Interessante. Mas onde?

– Programa de TV. Isso, um afiliado da Broadway.

Sinto meu queixo ir ao chão e voltar ao lugar de sua partida. Não tenho certeza se estou preparado para a Tv, embora saiba que deveria. Para salvar Penny ainda haveria muito mais sacrifícios do que aparecer num programa televisivo. Desde que aceitara aquela empreitada desafiadora, não usara o termômetro para medir até onde a temperatura daquilo podia me atingir. Em meu pensamento eu tenho a certeza de que não há uma saída satisfatória para mim, e isto comprova o motivo pelo qual eu devoto meu carinho para aquele pequeno projeto de gente. Fico um tempo a deliberar comigo mesmo e esqueço a linha telefônica. Vejo minha família surgindo como assunto, vejo as coisas precisando vir à tona. Droga, não quero isso.

– Theodore? Alô?! – A voz de Robert me puxa do limbo.

– Tá, Sr. Conroy. Eu vou sim. O que vou precisar fazer? – Pergunto a passar as mãos pelo cabelo nervosamente.

– Preciso que escolha um dos números musicais e trabalhe em seus vocais hoje a noite e amanhã encontre-se com Ashley e Paul. Eles já estão avisados e ambos estarão integrados na montagem apenas de uma canção. Pode entender?

– Sim, perfeitamente. – Digo polidamente.

Robert poderia prontamente desligado a ligação, visto que, já havia dado o recado. Outrora, também podia eu ter finalizado o momento, no entanto, ficou um grande silêncio. Eu estou perdido em meus pensamentos, já ele, francamente não sei. Ouço a respiração pesada do outro lado, quebro o silêncio:

– Sr. Conroy?

– Sr. Grey. – Ele responde prontamente.

– Mais alguma coisa a dizer?

– Era apenas isso. – Robert parece relutante.

– Então te vejo amanhã, Sr. Conroy. – Falo.

– E pelo resto dos ensaios e produção, creio. – Que droga! Pare de me fazer sentir em volta de você.

– É, isso aí. Tchau. – Desligo o telefone sem pestanejar.

(...)

Para mim parece que o tempo vai embora tão rápido quanto a paciência de ensaiar mais de mil vezes. Tendo me encontrado com Ashley e Paul logo pela manhã, suas caras de sono eram cômicas. Acredito que pela minha tendência a estudar no horário da madrugada, já adquiri as técnicas para não parecer tão cadáver na manhã seguinte. O meu encontro com os meus novos dois escudeiros foi a coisa mais engraçada e trabalhosa de toda a minha vida. Primeiro, havia uma verdadeira teia de divergências entre o que deveríamos apresentar para o talk show. Segundo, era a primeira vez para ambos.

Os outros dois já haviam estado na Broadway, mas nunca com algo tão importante. Estavam parcialmente irritados pelo fato de terem de fazer algo tão às pressas, para eles sairia como uma lástima. Tentei os convencer do contrário, mesmo sabendo que eles tinham uma grande parte certos em suas afirmativas negativas. Em meio a tantos atritos e discussões, o que pude propor foi que cantassem algo no qual não precisassem se destacar ao máximo, ou seja, vendi a alma. Me fiz de um herói sem condições alguma. Tem medos na vida que a gente não enfrente, mas sim, suporta. Preciso aprender a suportar.

– Sobe um pouquinho o tom, você apenas está com medo do exagero. Permita-se. – Era a reclamação mais frequente de Ashley, que apesar do seu espírito Hippie, era de intervir e até alterar-se quando necessário.

De fato, Ashley só possuiu sossego quando eu atingi a minha nota máxima na harmonia armada para Shake it off, uma das músicas dos atos finais de Spotlight. Interpretada por Taylor Swift, eu ainda não entendia o motivo pelo qual a canção estava ali, até mesmo por ser tão recente. Armanda Weiz deveria saber o que fazia. A cena na qual a música era interpretada, muito me fazia dar alguns bons sorrisos. Uma fuga atrapalhada de um hospício de segurança máxima, nada mais insano do que a insanidade de um grupo grande de loucos. A forma com a qual nós três tentamos fazer magia num ensaio reservado, foi até considerável. Foi sorte Robert não nos mandar trabalhar de última hora com a Marianne, que a propósito, dera uma coletiva para uma das rádios de Nova York. Uma coisa eu percebi, nada que ela é dentro do teatro é o que ela aparenta na frente das pessoas. Vai-se a pessoa prepotente e fica uma moça fina e educada.

Finalizamos o trabalho por volta das seis da tarde, momento ao qual duvido que algum de nós possa levantar e fazer algo. No entanto, eu sou o primeiro a dar exemplo e junto minha pequena bolsa com alguns materiais. Depois da dura tentativa em fazer com que Paul e Ashley fossem se preparar, estava eu indo para casa. Esperei que Robert fosse ligar para dizer o que deveríamos vestir, porém esqueci que esta coordenada ele passar apara Ashley. As roupas foram selecionadas e estariam a nossa disposição nos camarins do Talk Show. Menos um problema. Acho que Robert deve ter entendido, ou pelo menos, agora sabia que eu não queria ouvir tudo que ele achava que podia dizer.

Ao menos Robert havia mandado um motorista buscar-me no St. Church. Seria difícil desbravar as áres de Nova York que não conhecia. Vestia uma calça jeans e uma camisa inteiramente preta, coberta acima por uma jaqueta de couro azul. Já vamos ter a roupa lá, não deveria tentar parecer um Ken logo. Durante a viagem, ponho minha playlist do celular para tocar. Os vocais de The Weeknd e Ariana Grande preenchem meus ouvidos ao som de Love me Harder. Já não mais ouço canções de amor, no entanto, não posso deletar esta. O amor representa a dor em formato brando, acho que a dor me impede de deletar. Chego a adormecer um pouco.

– Senhor? Já chegamos. – Sinto a mão do motorista grisalho tocar minha perna. Desperto assustado. – Perdão pelo susto.

– Tudo bem. – Digo respirando ainda um pouco ofegante. – Já estamos nos estúdios?

– Sim, já estamos. – Ele diz e sai do seu assento ao volante. Logo, tenho minha porta aberta.

– Ah, obrigado, Senhor. – Digo saindo do veículo e ajeitando minhas roupas.

– Estão naquele estúdio maior, ali. – Ele aponta para uma grande construção em linha reta. O agradeço com a cabeça e com as mãos nos bolsos, caminho.

O local me lembra os grandes galpões utilizados nas montagens cinematográficas de Hollywood, diferenciam-se em alguns aspectos poucos. Ao adentrar pela porta do lugar, encontro dois corredores. Um situava-se à minha direita, o outro à esquerda. Planejava ligar para Ashley, quando senti algo vir do corredor esquerdo:

–Ele é maravilhoso, Hunt. Eu estou no ramo há tempos, nunca vi algo assim. Você verá. – Conheço a voz de Robert, e a segunda coisa que sei é que ele fala de mim, pois quando me vê parado, seus olhos parecem uma fogueira de Salém.

– Eu realmente estou ansioso para ver esta estrela. – Dizia o rapaz formalmente se portando.

– Ele está bem à sua frente. – Robert diz apontando para mim.

O olhar do homem me avalia por completo, desde os pés até a cabeça. Deve estar analisando meu perfil externo. Ele me olha por fim, Robert faz as apresentações:

– David Hunt, este é Theodore Grey. Theodore, este é o David Hunt. Ele é um dos melhores nos Talk Shows Americanos atualmente.

– Theodore Grey? Espera aí, é o filho de Christian Grey, não é? Tenho visto algumas materias anos atrás contigo. – Ele me estende a mão.

Aperto-a automaticamente e confirmo sua questão. Acostumar com a citação dele vai ser algo a trabalhar:

– Prazer, Sr. Hunt. Sim, sou eu mesmo. – Esboço uma face agradável. Preciso impressionar, ou assim imagino.

– Nunca foi do meu conhecimento que o filho de Christian estava em Nova York para algo, principalmente musicais. Achei que fosse herdar todas as coisas, seguindo seus passos antes, claro. – Ele aperta minha mão calorosamente.

– Vim para Nova York finalizar o ensino médio, terminei caindo de paraquedas num teatro. – Blefei a situação, erguendo um sorriso ao final da piada mentirosa. Preciso praticar.

– E parece que caiu nas graças de um dos melhores, senão, o melhor. Este está dando grandes sorrisos por você. – Ele aponta para Robert, a quem dirijo um sorriso tão grande quanto. Ele me olha com feições estranhas, meu sorriso deveria estranhá-lo, até porque eu geralmente era mais reservado em sua presença.

– Eu te digo, Hunt. Conroy é o melhor no que faz, e Teddy vai ser a nova estrela de tudo. – Ele aponta para Hunt. – Guarde o que digo.

Após uma piscadinha de cumplicidade, Hunt segue seu caminho afirmando precisar revisar algo acerca do programa.

– Bom te ver sorrindo. – Diz Robert.

– Marketing, Sr. Conroy. – Digo sério.

– E como aprendeu o Marketing tão rápido? – Pergunta inquieto.

– Simples, quero manter meu emprego. – Ponho as mãos nos bolsos da jaqueta.

– Não vai perde-lo enquanto eu dirigir essa companhia. Você é o sonho erótico que as pessoas querem. Não direi que eu também, isso pode incomodar.

Fico calado ao ouvir aquilo. Ele tem algum problema? Sempre está fazendo alusões sexuais, acredito até que seja Lars Von Trier em forma Britânica.

– Pode me dizer onde ficam os camarins e onde achar os meninos? – Ignoro.

– Siga na direção em que vim. Última porta a direita, Sr. Grey. – Ele diz com seu olhar penetrante nos meus. Ele sabe que eu mudei o assunto. Dane-se.

– Irei me preparar, Sr. Conroy. – Dou as costas para onde ele me indicara e minhas costas queimam, não sei como, mas tenho a impressão de que ele está olhando.

Saio o mais rápido que posso daquele lugar e ao deparar-me com a porta do camarim, empurro-a. Me vejo diante de uma Ashley lindamente produzida com um vestido de cor salmão e alguns adereços de época. Paul, por sua vez, trajava-se com um elegante terno cinza. Uma gravata borboleta havia sido posta no colarinho e o cabelo moldava-se em gel. Era um retrato da época que esperavam-nos retratar.

– Finalmente, Teddy. Sem você não tinha show e já estávamos aflitos, cara. – Paul se adianta e dá um tapinha em minhas costas.

– Ainda bem que chegou, vai logo se arrumar. Estou morrendo de nervosismo, mesmo tendo passado tudo com vocês hoje. – A moça loira mexia as mãos e tocava a pequena tiara no cabelo. – Ainda bem que não é o script original hoje, eu teria mais vocais. Hoje eu não aguentaria.

Vou tirando a jaqueta de couro:

– Onde está a minha roupa?

– Atrás da porta do closet. Eu dei uma olhada, tenho certeza que chorarei de indignação por você ser gay dentro dela. – Ash dá uma risada para mim.

– Palhaça, acostume-se. – Faço a piada e corro par ao closet.

Minha roupa consistia num terno em negro e uma grava borboleta de cor azul celeste. Um par de sapatos muito bem lustrado estava ao chão. Sem pestanejar, vou tirando toda a roupa e jogando num pequeno cabide ao meu lado. Praticidade, eu sou bom nisso. Permaneço apenas com a Calvin Klein azul quando olho-me num espelho. Há algum tempo atrás era comum eu me olhar assim no espelho, outras vezes até mesmo nu. Era comum tentar achar defeitos que ninguém podia achar, já que seu corpo era a cosia amis escondida do mundo. Pela primeira vez em tempos, não havia tempo para isso. Vou vestindo rapidamente cada parte do meu figurino e afastando qualquer coisa que pudesse me atrapalhar a ideia central de me deixar o suficiente para me apresentar.

Tendo post toda a roupa, olhei outra vez no espelho. Agora via mais externo do que internamente, e por fora, bem, eu estou ótimo. Deixo as roupas anteriores penduradas e rumo par ao encontro de Ash e Paul. Ainda estavam nos mesmos ugares. Paul rodava em círculos e Ashley mexia no cabelo. Os olhos de Ash batem em mim:

– Eu disse. Teddy me beija. – Ela vem até mim e passa os braços em minha cintura, sei que está brincando.

– Para com isso, boba. – Ainda a olho sem afastá-la.

– Acho que vou te dar um beijinho também, Teddy. – Paul faz biquinho da cadeira.

Caio na gargalhada, ela é alta e descontrolada:

– Sai fora, Paul. O negócio que você gosta não é Paul. – Satirizo, percebendo que nunca fiz aquilo na vida. Repreendo-me automaticamente. Todos nós rimos posteriormente.

– Teddy, seu cabelo fica tão lindo assim. Acho que não devia passar o gel, deveria deixar mais livre. Fazer a diferença chamaria a atenção. – Ash passa delicadamente as mãos por meus cabelos. – Seus pais fizeram você com muita inspiração. – Agora era o antro da satirização.

– E como. – Digo a rir e ir até uma grande penteadeira iluminada. – Prefere mesmo que eu não ponha o gel? Aliás, cadê a maquiadora e afins?

– Saíram para tratar de um outro convidado, já que você demorou. Disse que voltava logo, porém... – Ela corta a fala.

– Já entendi. Tem certeza mesmo que meu cabelo deve ficar assim?

– Vai por mim, man, essa daí sabe o que fala. – Ele pegava uma garrafa de Sprite de um pequeno frigobar ao lado da cadeira.

– Resultado unânime. – Giro e me viro para eles de frente. Com os braços encosto-me de costas na penteadeira. – Ash, Paul?

– Hum?! – Fala Paul

– Sim? – Ash o segue.

– Confiam mesmo num cara que nunca esteve num palco, para fazer isso que estamos perto de fazer? – Pergunto com certo receio.

– Antes de tudo confiamos no Conroy, parece que você não sabe mesmo metade do que esse homem tem de inteligência. – Ashley argumenta. – E além do mais, temos suficiente certeza de que você é mais do que ótimo. Hoje é uma primeira vez para nos três. – Ela pega em minha mão e diz em seu tom doce e brando, guiando-me até ela pegar também a mão de Paul.

– Ei, comigo tem isso de primeira vez não. Já estou na quinquagésima. – Paul resmunga ao apertar a mão da loira.

– Tô pouco me lixando para o número de vezes e garotas com as quais faz sexo, paul Jordan. Pode entrar na atmosfera de compartilhamento dos fluídos nervosos? – Ela faz uma careta. – Como eu disse, Teddy, é uma primeira vez para os três. O que quer que façamos naquelas câmeras, será atribuído à nós. –Ela aperta meus dedos mais forte.

– Vamos juntos. – Digo com uma expressão encorajadora.

– Mas tu é a estrela, ainda te culparei por qualquer erro. – Paul diz ficando de pé e me dando uma batida no ombro.

Dou um risinho contido pelo que ele diz, sei que tudo não passa de uma das muitas piadas que faz. Uma sineta parece tocar de algum lugar. Não sei o que ela significa, mas isso é explicado quando uma moça toda equipada com instrumentos de comunicação entra na sala:

– Garotos? Vocês precisam se posicionar atrás da cortina. Devem começar em no máximo dez minutos, logo após o Conroy.

– Tudo bem, Senhorita. – Sou o primeiro a expressar algo, mesmo tendo o corpo a tremer.

Já que a degola é inevitável, eis que me dirijo para acompanhar a contra regra quando esta se retira e vai na direção do corredor oposto ao que caminhei antes. Paul e Ashley me seguem e vem cochichando algo, uma coisa que não me atrevo a tentar descobrir. Minhas mãos brincam com os nós dos dedos umas das outras e então ouço algo ao me aproximar mais do cenário do Talk Show:

– Spotlight é um musical sobre a quebra da perfeição idealizada. Diferente de tudo que programei na vida, ele toca em várias chagas sociais ao mesmo tempo em que é glamoroso e brilhante. Pode entender, Hunt? – Era a voz de Robert.

– Isso é interessante, Sr. Conroy. Mas me diga, ouvi dizer que sua estrela não é um bebê da Broadway, não literalmente. É verdade?

– Sim, eu achei a minha estrela. – Reparo como ele enfatiza a palavra minha. – Digamos que de um jeito inusitado, acredita que ele chegou no meu teatro sem um programa e nem sabendo o que era? Eu pensei, vou socar esse menino por me tirar a paciência. No final, ele terminou me surpreendendo com uma canção não da Broadway mas, ainda assim, me surpreendeu.

– Gostaria de ter a oportunidade de falar com ele, deve haver magia nesse garoto. – O apresentador diz.

– Posso chamar ele aqui.

Não termino de ouvir a sentença de Robert, ou talvez nem entenda mais anda que dizem ao meu redor. Achei que apenas cantaria, porém aquilo me faz ficar nervoso, pior, mais nervoso do que já estava. Quem ele pensa que é? Ele é o diretor, Teddy. Dane-se, ainda estou sem acreditar, quando de repente uma mão puxa meu braço e me guia por uma pequena entrada. Era a contra regra:

– Vá por ali, sorria mesmo que seus dentes caiam. Está ouvindo?

– Sim... – E me vejo diante de uma recepção enorme. Podia ver as pessoas. Notando que nada mais posso fazer, endireito-me e vou a cruzar o portal. É a primeira vez em minha vida que escuto um som tão ensurdecedor vindouro duma plateia. Gritos ecoam pelo lugar. Trato de por um sorriso em minha face e exibir toda alegria necessária para eles. Vejo Robert sentado junto à mesa do apresentador, o que vi logo menos. Com uma expressão animada sou saudado por ambos e Hunt aperta minha mão:

– Senhoras e Senhores, Theodore Grey. – Robert se passa por David e termina me anunciando.

Aceno para as pessoas e sento num lugar da poltrona. David me indica um ao lado de Robert.

– Theodore, a primeira coisa. Está preparado para estes gritos na Broadway? – Questiona-me David.

– Sinceramente? Não. – Falo prontamente.

Vai precisar estar, meu caro. Acaba de se meter numa grande encrenca com este daqui. – Ele bate no ombro de Robert.

Por que eu não tenho dúvidas quanto à isso? Meu eu interior concorda com David e permaneço rindo:

– É, tenho esta certeza.

Por um momento ao olhar para o lado, meu olhar se cruza com o de Robert. A forma com a qual seu olhar me oferece uma expressão de que eu estava certo em saber da encrenca, aquilo me faz desviar rapidamente e voltar ao público.

– Em segundo, claro que não podia deixar isso de lado. Não sei se todos sabem, mas o nosso garoto aqui é filho de ninguém menos que o maior empresário desse país, o Sr. Christian Grey. Deve o futuro sucesso à isso, Theodore? – David dá a cartada que eu por algum motivo esperava.

Tentando não transparecer o desconforto que apenas o nome me causa, dirijo meu olhar sério para David e ainda com um meio sorriso, respiro fundo e digo:

– Não! Eu acredito num sucesso buscado, sem toda intervenção de terceiros. Como o Sr. Conroy mesmo disse, cai por acaso lá. Tudo foi um acaso, muito estranho. Meu pai não tem nada com isso. Sempre fui muito independente, Sr. Hunt.

– Não sei por que, mas eu gosto desse garoto. Tem atitude forte. Coisa de família?

– É, coisa de família. – Digo conformado e com uma certa pontada dolorosa no coração.

– Acho que deveria deixar ele mostrar o que todos querem ver. – Robert intervém o questionário. Pela primeira vez eu o agradeceria. – Digo, o show. O corpo vai ser apenas na peça.

Maldito! Retiraria prontamente o agradecimento. Olho para David e Robert, depois para a plateia e ensaio um sorriso curioso.

– Isso mesmo, Conroy. É hora destes rapazes, e moça, mostrarem a que vieram. – Ele convoca a plateia. – Vocês querem, pessoal?

O grito positivo é enorme. Sei que é a minha hora de ir ao encontro dos meus escudeiros. Levanto da cadeira e me direciono par ao lado oposto do palco, lugar no qual uma cortina cai do teto ao chão. Encontro Ashley e Paul posicionados atrás de dois microfones. Alguns tons de época foram erguidos ali, inclusive um jukebox. Um pequeno sofá cenográfico havia sido posto no centro do mini palco. Na falta de orientação, era nele mesmo que eu devia permanecer. Sentei-me e olhei para eles. Paul passa a mão no pescoço, como se disse que estávamos mortos. O som da banda e da orquestra de sopro surgiu com uma intro rápido e logo parou. Era o meu vocal:

– I stay out too late. Got nothing in my brain. That’s what people say. – Espantando o nervosismo, minha voz ainda soa mansa no início, porém com afinação e continuidade na entoação.

Os olhos das pessoas são fixos em nós, não apenas no começo, mas no decorrer de como a apresentação se sucede. Eu inicio a música com a cabeça baixa em perfil. Meus braços seguram dos lados do sofá preto e continuo assim por um bom tempo. À medida que a música vai mudando o ritmo da ponta para o refrão, mudo a posição. Cantava agora olhando para a frente e Ash e Paul começaram a fazer os backs da música. Eu olho para a frente e encaro todos. Quando o refrão explode, Ashley e Paul não só cantam, como passam a bater palmas. Eu, por minha vez, levanto de onde estava e começo a caminhar para a frente do lugar e estalo os dedos como tudo que ambientamos, aqueles cantores de Jazz de época. Paro num microfone em frente e passo a fazer tudo dele. Á medida que a canção vai evoluindo, seguro algumas vezes no pedestal e fecho os olhos quando a incerteza bate. Poderia ter errado alguma entoação, porém pela forma com a qual a plateia parece interessada e espantada, sigo o meu ritmo.

Chega a ser cômica a forma como a minha cabeça vai associando coisas com a letra da música. “Destruidores de coração vão partir.” – Olá, Conrad. “E os falsos vão fingir.” – Esta soa mais recente. A voz resignada de Kendall no rádio me faz associar automaticamente. “Baby, eu só vou deixar para lá.” – Me enxergo num verso, e tudo isto se passa enquanto eu alterno os versos e muitas vezes sigo Ash e Paul nos estalos e batidas de palmas. Ergo as mãos num convite à plateia. Todos levantam prontamente e passo a pronunciar o monólogo da canção:

– Ei, ei, ei. Agora pense em quando esteve chateado pelos mentirosos e os trapaceiros do mundo. – Aponto para a cabeça e passo a mão direita pelos cabelos ao mover o corpo num ritmo em jazz sexy. Meus quadris seguiram e as moças da plateia gritavam. – Você pode estar se acabando nessa batida incrível.

Olho rapidamente para Ashley e Paul, estes aprecem entusiasmados e ensaiavam os passos idênticos. Haviam sorrisos largos e não pude deixar de envolver-me por aquilo. Sigo seus passos e vou desenrolando a mesma coreografia e subindo o tom. Próximo da nota que tanto me causou problemas, comprimo o diafragma e respiro forte. O resultado final é a nota em seu nível mais alto, apesar de todo medo que exista. Encaro as câmeras e desejo que por algum instante Christian Grey pudesse ver que as pessoas não me achavam o que ele achava. As pessoas do público se erguem e pulam a gritar com a nota extensa. Seguro em meu microfone e vou seguindo os trompetes e arrastando o microfone num passinho engraçado. Paro ao fim da música com a cabeça baixa e o microfone próximo aos lábios e inclinado.

Palmas, palmas, palmas. Elas se propagam pelo espaço e me fazem voltar à mim trêmulo.

– Obrigado. – Digo ao microfone. – Paul Jordan, Ashley Smith. – Os mostro com as mãos. Eles recebem o mesmo aplaudir que eu.

– Uou, o que foi isso, Theodore? – David ligava um ventilador pequeno e de pilhas. Ri um pouco ao olhá-lo.

– Com licença, Hunt. – Percebo Robert levantar e correr até mim. Suas mãos tomam meu rosto e ele estala um beijo em minha bochecha. Depois corre para o seu lugar novamente.

Aquele beijo me faz sentir algo estranho em mim. É algo tão puro, porém tão carregado de algumas sensações novas. Mantenho um sorriso na face, e esse não era mais algo prontamente fingido. Eu sinto que não:

– Falei para você, David. Sou o melhor no que faço. Estou descartando a modéstia. – Robert diz no seu tom convencido.

– Você está pedindo para ser desafiado, Conroy. – David diz.

– Gosto de desafios, normalmente eu os venço. – Robert dá a viradinha de cabeça a qual eu reparo pela primeira vez e noto como algo sexy.

– Se o seu astro ali não se importar, quero algo para agora. Não quero ensaios. Ah, ouvi que você toca piano. Por que não toca para ele?

Minha feição muda totalmente, e mesmo sabendo que estou em câmera nacional, não posso deixar de expressar o que meu organismo sentiu. Meu olhar foi até Conroy e ele dirigiu o seu a mim. Seu olhar era como: “Você se ferrou, mas você está comigo.” – Olho posteriormente para Paul e Ashley. A expressão também não era boa.

– Fácil, fácil. – Com as mãos nos bolsos, Conroy levantasse e vai até um piano onde eu cantara há poucos minutos.

Observo-o dirigir-se para lá e as pessoas que esperavam algo. Se até que fiz tudo certo, não posso errar no último. Vou até o banquinho do piano e me sento. Diferentemente de anos atrás, minhas pernas eram firmes ao chão, não mais balançavam suspensas. E diferentemente do meu pai ao piano, ali estava um homem totalmente diferente, este que começava a me fazer querer sair de uma bolha, de resistência, apesar de qualquer coisa:

– Prefere que eu escolha, Sr. Grey? – Ele sussurra para mim.

– Conhece Love me Harder da Ariana? – Pergunto num sussurro tão baixo quanto o dele.

– Minha segunda música favorita do Ipod. = Ele corre os dedos pelas teclas e emite um som inicial.

Segunda música? É, eu estou curioso para saber agora qual é a primeira. Na verdade, eu estou curioso para saber quem é Robert Conroy pela primeira vez.

Notas finais
Ansiosos para saber a segunda música? prometo pensar com carinho se revelo logo. HAHA. Deixem reviews, eu irei me motivar mais a voltar com tudo, pessoas. Até logo.