50 Tons de Uma Cor Vibrante

4 Capítulo 4 - Nasce uma estrela


Notas iniciais
State of Grace - Taylor Swift

– Sim, eu tenho certeza. Venda. – Digo ao telefone.

A decisão de vender o jatinho veio pouco depois da minha crise de choro, noite passada. Consegui um dos muitos contatos de advogados que trabalhavam para papai, entrando em contato com o menos requisitado deles. Não queria exposição, mas também, não quero correr o risco de vender algo caro e não obter retorno. Com pouco mais de uma hora ao celular, negociações e burocracias, consigo fechar um preço relativamente digno e generoso, por aquele presente que eu jamais usaria,

– O depósito deve ser feito na conta do Hospital que eu indiquei, Senhor. Entendeu? – Digo sério.

– Perfeitamente, Sr. Grey. – O advogado desliga o telefone.

A janela grande do meu quarto é grande e oferece-me uma boa visão da cidade de Nova York, e talvez seja um dos motivos pelos quais eu ainda insisto em estar nessa cidade, sem que nenhuma vontade exista espontaneamente. É manhã de sábado, nunca fazemos nadas aos fins de semanas, exceto aqueles que gostam de praticar esportes ou coisas do gênero. Uso uma camisa azul com estampa do Capitão América, uma calça jeans e um gorro cinza na cabeça. Já não sou do tipo de pessoa que precisa ser um Ken todas as horas.

Uma hora se passa, até que eu possa estar novamente no hospital. Descubro que o nome da recepcionista é Flávia. Ela já me reconhece do dia anterior, olhando-me com uma expressão contente no rosto.

– Bom dia, Senhora. A Doutora Reinolds está? – Pergunto.

– Ela chegou bem mais cedo, está a fazer a vistoria das alas. Sempre gosta de fazer visita aos pacientes diariamente. – Flávia me aponta a direção das alas, que eu sabia onde encontrar.

As persianas das alas estão abertas desta vez, e olho para todas. Vejo um número ainda maior de crianças atingidas pelo câncer. Eram ela de todas as idades. A ala localizada na metade do corredor é a minha. Giro a maçaneta e coloco a cabeça por entre o espaço liberado:

– Bom dia, terra. – Digo com uma voz grossa e engraçada.

– Tio! – George corre, abrindo a porta e jogando-se contra meu corpo num abraço.

– Olá, campeão. – O pego no braço e devolvo o abraço. – Como estão todos?

Forma-se um barulho de várias crianças falando ao mesmo tempo. Mesmo em meio a uma risada, minha mente se atormenta. O falatório me deixa atormentado, e com um bater de perna no chão, chamo a atenção.

– De um por um, galerinha. – Ponho George no chão.

Em meio as diversas crianças que contavam sobre seu estado de espírito atual, sentei numa cadeira próxima à uma mesinha de chá, daquelas que as meninas se reuniam para brincar. É uma cena deveras engraçada, principalmente pelo fato dos garotos começarem a puxarem suas cadeiras e me acompanharem no chazinho fictício. Penny está sentada em seu lugar habitual, olha-me fixamente e até sorri.

– Vem, Penny. Vamos tomar chá e ser franceses? – Digo com uma xícara de plástico na mão.

Ela nega com a cabeça.

– Se não vier, vou te pôr no braço e trazer até aqui. Está me ouvindo? – Ameaço.

Derrotado, solto minha xícara na mesinha e levanto. Caminho na direção da menina e ela se encolhe na cama:

– Qual o problema num pouquinho de divertimento? – Digo calmo, mas com ar de riso.

– Theodore, não. Eles não gostam de mim. – Penny diz apreensiva.

–Agora o papo é sério, pessoal. Me ajudem a mostrar para esta linda garotinha, que ela pode brincar conosco. – Abro os braços e falo para todos.

– Vem brincar com a gente, Penny. – Várias das crianças gritam em uníssono.

Torno a me dirigir à Penny:

– Viu? – Faço cara de vitorioso e estendo a mão. Ela segura.

Apenas pelo fato de ter convencido Penny a levantar-se da cama, senti meu dia valer à pena. Era estranho de ambas as partes, tanto de Penny quanto do grupo. Era como uma ressocialização. Apesar desse por menor, olho para a cara da garota, e posso perceber que por de trás da expressão serena, há certa felicidade em não estar isolada num canto do quarto.

– Conseguiu tirá-la da cama? Isso é um milagre, Sr. Grey. – A Doutora Rose me encarava.

– Acho que não foi difícil, só fazê-la lembrar que é igual a todos. – Observo Penny mostrando sua boneca para uma outra garota, que diferentemente dela ainda possuía seus cabelos.

– Theodore, não entende, ela não levantava dali tem meses. – A Doutora segurava uns prontuários e ainda encarava perplexa.

De braços cruzados, observo Penny sentada na mesinha de chá ao lado de George e Olive, uma das garotas. Como um sorriso mudava a realidade de uma pessoa.

– Mas não vim aqui para vê-los agora, preciso falar convosco, Sr. Grey. Pode me seguir? – Ela diz já saindo da sala.

Descruzando os braços, sigo-a para fora da sala. Ao sair da sala, fecho a porta atrás de mim e digo:

– Pode falar, Doutora Rose.

– Foi você, não é? – Ela me pergunta com sorriso calmo entre os lábios. Percebo que está a referir-se ao dinheiro.

– Sim, foi. Eu te falei que ajudaria, Doutora. – Digo com a mão nos bolsos do jeans.

Rose me avalia por alguns momentos, parecendo manter uma expressão de ternura, porém de incredulidade ao mesmo tempo. Ela parecia até mesmo jovem demais para o cargo ao qual ocupava ali.

– Theodore, é uma quantia muito alto. Você tem noção do que está fazendo?

– Absoluta, Doutora. Sabe, eu acho que se eu posso fazer a vida destas crianças puderem ter esperança, vai ser como se o mundo fizesse sentido para mim depois de meses. – Digo afagando seu braço com minha mão direita. – Mas me diga, o que deu para fazer?

–Quitamos grande parte da dívida. Isso ajudou muito mesmo. Já não seremos despejados pelos próximos seis meses, e também resolvemos parte das reformas e equipamentos necessários para a continuidade do tratamento de grande parte das crianças. – E então ela para bruscamente e me olhar preocupada.

– O que foi, Doutora? – Pergunto preocupado.

– Como todo conto ruim, temos nosso feitiço ruim. O Dinheiro quitou muita coisa, era muito, porém ele dará apenas por um determinado tempo. Depois disso, as coisas voltam ao ponto inicial, Theodore. É como o câncer, estamos apenas aumentando a longevidade de tudo, mas não curando diretamente. – Após olhar um momento para o chão, ela torna a encarar meus olhos. – Você é um ser inexistente, Theodore. Ajudou a gente de uma forma enorme, obrigado.

– Mas não foi o suficiente, Doutora. – Olhei para baixo inconformado.

Eu poderia voltar ao meu pai, talvez até ajoelhar diante dele. Eu poderia fazer todo tipo de coisa que mostrasse um lado mentiroso meu, para que ele desse o dinheiro que eles iriam pedir, mas eu simplesmente não conseguia fazer isso. Era a única coisa que eu não podia fazer. Estou indignado comigo mesmo, assim como em todos os momentos que se desencadearam desde minha vinda para Nova York. Eu não trabalho, e nem sei o que conseguiria se tentasse, porém estava decidido.

– Doutora, eu sinto muito não ser o bastante. Darei um jeito de conseguir o que precisam. – Afirma erguendo a cabeça de maneira séria. Não demonstrava qualquer traço de fragilidade. – Pode se despedir da Penny por mim?

– Theodore, não precisa...

Cubro seus lábios com o dedinho indicador.

– Eu farei. Agora, pode despedir-se dela e dos demais, por mim? – Digo a me virar e andar na direção do corredor principal que levava à saída.

Meus passos são rápidos pelo solo Nova-iorquino, pessoas me empurram em sua pressa matinal, carros buzinam à minha direita, lugar no qual localizava-se as vias de transporte da Times Square. Os meus fones reproduziam uma canção de Taylor Swift, e até mesmo eu poderia sentir meu corpo querer dançar no ritmo. Todavia eu sabia meu foco, por mais que não soubesse onde procurar trabalho. Eu apenas sabia que precisava de um, acho que até mesmo para ajudar sendo garçom num dos muitos cafés distribuídos pelos arredores.

– Olá, bom dia. Estão precisando de garçons? – Essa era a pergunta que eu estava a fazer em cada estabelecimento em que entrava.

Não tenho nenhuma resposta positiva, todo os lugares aos quais me ofereço como ajudante é recusado, ou não possuem vagas disponíveis ainda. Tento apelar com o fato de falar mais quatro idiomas, além do inglês. Nada. Paro numa esquina entre um café visitado anteriormente, e uma pequena sorveteria. Minhas mãos encontram-se com meus cabelos e faz um movimento até cobrir minha face. Respiro pesarosamente.

– Está tudo bem, Garoto? – A voz soa grave.

– Oh, sim. Apenas mosaicos de infortúnios do dia de hoje. – Digo.

Ele é mais alto que eu, com cabelos escuros e olhos tão azuis quanto os meus. Seu rosto exibe expressões um tanto enigmáticas. O homem veste roupas que eu conheceria de longe, Armani e D&G. Deve ser da alta classe, provavelmente é. Engraçado eu referir-me a alta classe como se fosse algo longe de mim, ou talvez seja agora. Ele me avalia, não dizendo nada logo. Ele apenas olha e diz um tempo depois:

– Então, tudo bem. Já que não precisa de nada, um bom dia. – E ele contrai os lábios num sorriso de lado. Posso dizer que percebi até mesmo ironia ali.

– Obrigado. – É tudo que digo. Dou as costas e sigo meu caminho na avenida seguinte.

Com as mãos nos bolsos, noto que já fui em quase todos os cafés nos arredores próximos. O nada se torna uma palavra excelente para generalizar a situação destas poucas horas a procurar um ofício. Nunca desisto de nada, entretanto eu cansei quando ouvi o “Não” vindo do dono de uma franquia de boliches. Caminhava agora pelos grandes teatros da Broadway, ou melhor, pelo grande distrito de teatros. As luzes ainda estão apagadas, só devem acender por volta das seis da tarde. Mesmo estando ali há tanto tempo, e já tendo assistido alguns daqueles musicais em seus respectivos teatros, meus olhares correm maravilhados por suas fachadas.

Isso é uma daquelas coisas na vida que te fazem sentir algo diferente, como quando você come algodão – doce, logo dissolvendo todo o sabor adocicado na boca. Sem que precise utilizar os dentes. São bonitos e trazem magia. Não percebendo o que está à minha gente, dou de cara com um pequeno ferro e uma placa na frente de um dos teatros. “Conroy Productions, convoca: Audições para pessoa entre dezoito e vinte e três anos.” – Observo atentamente o anúncio. Não faço ideia de quem seja a Conroy Productions, mas pelo barulho que vem de dentro do teatro, não posso deixar de dar vazão para minha curiosidade uma vez. E bem, eu tenho dezoito. Posso alegar isso, caso seja necessário.

– Seasons of love... – Uma garota ecoa uma nota tranquila pelo teatro e para.

Observo que há três cadeiras numa mesa abaixo do palco, mas apenas uma das cadeiras encontra-se ocupada. Uma sombra de costas está imponente e parece olhar a garota moreno. Faz um gesto apontando, no entanto não consigo ouvir o que diz, da mesma forma que não posso ainda ver seu rosto.

– Próximo! – A voz grita. O Portador da voz é homem, fica claro após o grito grave.

A voz parecia zangada e de mal humor. Apenas um garoto levanta de um dos assentos na metade do teatro e caminha para além da visão do homem. Este entrega uma fotografia com algo escrito, na mesa do misterioso à frente. Um questionário segue-se ali, e por mais que eu não ouça claramente tudo, ainda posso perceber a forma inquiridora com a qual o homem sentado faz gestos e o do palco acena com a cabeça. Não demora até que uma música surja no ar, um pianista estava ao lado. Um pouco mais próximo da entrada das coxias. Eu conheço a música, ele toca All That Jazz. Arrisco a cantar umas frases. And all that jazz... E minha mente viaja no tempo, exatamente no momento em que lembro de quando meu pai tocava aquelas músicas durante a noite.

Nunca eram de manhã, ou a tarde, mas sempre à noite. Eram melodias tão bonitas, apesar de naquele tempo eu não entender o que vinha a ser Melancolia. E isso foi algo que distingui naquelas músicas, quando compreendi coisas mais tarde. O fato é que, ouvir o garoto cantar esta música, me lembra mais uma vez o que deixei para trás.

– Toca mais uma vez, papai. – Eu apontava para as teclas. Até me arriscava a a tocar numa delas.

– Vejamos só este garoto, ele deseja uma outra música. Devemos fazer isso, mamãe? – Ele olhava para minha mãe, que equilibrava-se sempre no tampo do piano.

– Ele é um bom menino, acho que podemos tocar a música de novo, papai CEO. – Eu não entendia o que era CEO, mas pela forma como se olhavam, o olhar de ambos era mais chamativo. Havia paixão, não, havia algo maior.

E ele começara a música de novo, e diferentemente de todas as outras vezes, eu abri a boca e deixei fluir pela primeira vez, por mais que cantasse toda a música com a letra errada. E depois daquela noite, eu me interessei a aprender músicas diferentes. Meu pai sempre tocava, eu sempre cantava. E era nosso laço, o que tínhamos a nos ligar. Foi assim por muitos anos, até que da mesma forma que surgiu, findou-se. A música foi se tornando apenas algo de momentos, até não sobrar mais como algo particularmente relevante.

Despertando do lapso, puxo meu celular do bolso e abro a aba de pesquisa. Mesmo triste pela lembrança, jogo num site: Conroy Productions. Vários e vários sites abrem-se diante dos meus olhos. Clico na Wikipedia. A Conroy Productions é uma companhia de artes teatrais em Nova York, de propriedade de Robert Conroy.(...) O mesmo tem dois musicais de sucesso no grande pódio dos novos musicais da Broadway. Apple e Bright Lights foram sucessos estrondosos de Bilheteria. Atualmente ele prepara um novo musical, que até então soa desconhecido. As audições estão abertas. – Paro de ler e focalizo minha visão numa foto ao lado do texto. O homem que falava ao celular na foto, possuía cabelos pretos e olhos azuis profundos. Trajava-se como um executivo na imagem. “Robert Conroy – Jovem Diretor” – Assim dizia a legenda, a qual não consegui terminei de ler. Era o homem da avenida. E revi segundos do momento em que ele me abordara na esquina do café. E provavelmente o homem que estava sentado naquela cadeira de costas para mim. Tudo agora se encaixa, tudo faz sentido. O menino finaliza a música e ergue os braços ao alto. Estou parado e olhando. Robert diz algumas coisas e o garoto sai correndo do palco. O homem passa um tempo com a cabeça baixa e levanta:

– Mais Alguém? Próximo. – A voz grave parece mais chateada que anteriormente.

Fico onde estou e tenho o insight mais louco de toda minha vida, o de que eu poderia cantar. Como se fosse no tempo do piano. Mesmo desnorteado, meus pés passam a me guiar para frente. Não deixo que o nervosismo apareça. Passo direto pela mesa, possuo as mãos colocadas nos bolsos. Subindo as escadas do palco, dou um último passo e me viro de frente. Cruzo os braços em frente ao peito e nossos olhos se encontram. Os olhos de tons claros, porém de profundezas diferentes.

– O garoto da esquina? Que surpresa. Agora entendo o motivo de estar parecendo mal lá fora. – Robert me encara com um sorriso debochado. – Estava com tanto medo assim do teste?

– Eu não estava vindo fazer o teste, resolvi agora. — Disse brevemente.

– Isso é alguma piada, garoto? – Ele parece irritado.

– Não é uma piada.

– Pois bem, então me passe seu programa.

– Programa? O que é isso? Achei que fosse apenas para cantar. – Fico aterrorizado e tentando entender o que viria a ser o programa. A foto. A foto que o rapaz dera para Robert antes.

– É, você está me tirando. Sorte a sua eu ter uma reunião de negócios em trinta minutos. E agradeça por eu não pedir aos seguranças para te removerem do teatro. Não se brinca com pessoas sérias e com trabalhos sérios. – Ele fecha a pasta furioso e aponta para mim enquanto fala, levantando-se da mesa.

Olho para o lado e vejo o pianista sentado em sua cadeira ao piano. Ele observa a cena e fica calado. Parecia se levantar de seu lugar, do mesmo jeito que Robert me deu as costas e começou a caminhar par a saída. “Você não pode desistir, Teddy.” – E foi como no piano, apenas cantei:

– I look and stare so deep in your eyes. – Estalo meus dedos num introdutório acústico. – I touch in you more and more every time. – As notas saem como algo suave e melódico, mantido num plano oculto de sensualidade a princípio.

Robert para de caminhar na metade do teatro e fica de costas. De esguelha olho para o pianista, que me encarava interessado. Um pedestal com um microfone encontra-se na lateral do palco, talvez usado por outro candidato. Corro até ele e puxo o microfone do acoplado. Passo a desenvolver a música em seu ritmo melódico e na balada envolvente que seus versos exigem. Há mais sobre atuar, sei bem, porém quando vejo Robert virar-se e me encarar, sei que por menor que seja, ainda existe uma chance para mim. Seus olhos são enigmáticos, fixos, não se descuidam de nenhum passo meu.

Na explosão do refrão, um jogo de teclas inicia e olho mais uma vez para meu lado. O homem do piano corre os dedos pelas superfícies das teclas, me acompanha. Agora além dos estalos e palmas, a melodia do piano define o contraste dando a minha voz o que ela precisava para soar como realmente devia. Sinto uma outra pessoa tomar conta de todo meu corpo naquele momento, como se algo nascesse e pedisse para sair. Alguém que queria mostrar-se. Eu desenvolvo a canção a encarar fixamente Robert, de uma forma como nunca encarei ninguém, nem mesmo Conrad. O tom da minha voz é uma melodia envolta a tons de um rouco e profundamente envolvente durante alguns agudos nos versos, principalmente no refrão.

Vou me movendo em parte do palco e com certa habilidade, puxo minha camisa pela cabeça. Jogo a camisa do Capitão América no chão e meu peito nu fica exposto. A forma como Robert passa a olhar é mais intensa, ele parece estar em estado de torpor. Vou envergando meu corpo até estar de joelhos no palco e fazendo movimentos de vai e vem com o corpo. Fecho os olhos nas elevações de notas que trabalho um pouco mais ao final. Era como se uma sinfonia soasse, apesar da simplicidade de cada nota para compor aquele simples arranjo. Passando a mão por meus cabelos, finalizo a música e olho para um holofote pregado no alto do palco. Aquela luz invade meu corpo e respiro ofegante ao soar da última nota do piano.

Ouço um conjunto de palmas e o pianista levanta de seu assento. Ele batia palmas de pé, e olhava de esguelha para o diretor. Levantei-me do chão e o homem fronte à mim encarava-me sem dizer nada.

– Quantas vezes na vida esteve num palco? – Ele se dirige à mim brevemente.

– Bem... Hum, essa é a primeira vez. – O rosto dele paralisa ao me encarar, e seus olhos se voltam para o homem mais velho ao piano.

– Tem noção do que acabou de fazer? – Ele ainda mantém o tom breve.

– Olha, não quero ser nada grande. Mas preciso arranjar um emprego, nem que seja para trabalhar nos bastidores. É muito importante para mim. – Falo respirando ofegante.

Robert se levanta de sua cadeira e caminha até a frente da mesa, ficando na distância entre a ponta do palco:

– Qual o seu nome?

– Theodore grey.

– Quantos anos você tem?

– Dezoito.

– Você foi o candidato mais novo a tentar o teste. Sabe, Senhor Grey, estive nesse teatro há dois dias. Tenho sido obrigado a ouvir coisas que frustram meus ouvidos, e eu estava muito zangado. Profundamente zangado. Confesso que eu pessoalmente quis socar você, por julgar que queria fazer uma piada minutos atrás. – Ele faz uma pausa, me encara. – Você tem um talento nato, no entanto nunca esteve num palco. Seria você um milagre? Porque temos uma coisa sobrenatural aqui. Apesar do esforço sexy, tem uma pureza dentro de você. Eu vejo isso, sinto isso. Mas você tornou a pureza algo excitante diante da música. Eu tenho a sensação de que todas as divindades do mundo estão ajoelhando-se diante de você agora. Parabéns. – Ele finaliza seu discurso e fico sem palavras.- Não ficará nos bastidores, garoto. O papel principal do show é seu, Theodore Grey. Achamos o nosso Julian Maddox. E espero que esteja pronto para mostrar seu corpo de forma literal, porquê não faço musicais muito comportados.

Pego minha camisa do chão e passo-a por meus braços, ficando devidamente vestido. O cabelo permanece assanhado e cruzo os braços ainda o vendo me observar. Sobre a nudez, eu lidaria e arranjaria um jeito de encarar. Era tudo pelo hospital, e além do mais, não seria o primeiro ou último a fazer isso. Caminho para a escada lateral para descer do palco e o pianista me para e aperta minha mão calorosamente:

– Você vai ser maior que esta cidade, Grey. Parabéns.

– Obrigado, e me desculpe não saber bem o que dizer. – Falo nervoso.

Saindo do palco me dirijo à Robert, e chegando próximo a ele, o homem me estende a mão. Firmemente a aperto e seus olhos encontram os meus de maneira fixa. Teria sido um aperto de mãos normal, porém ele não solta e diz:

– Eu sei que fiz um bom negócio hoje, Senhor Grey. – E seu olhar passa por mim inteiro.

– Não irá se arrepender disso, Diretor. – Digo polidamente.

– Robert, para você pode ser Robert. – Ele diz numa voz envolvente e sexy. – O público vai se encantar com esse rosto diferente. Um anjo com atitudes de um demônio. – E ele solta minha mão. – Anote seu telefone e E-mail nesta folha, para que possamos avisar o início dos ensaios. E antes que pergunte, já temos a data do Workshop, e se ainda não souber, trata-se de uma apresentação privada para alguns poucos privilegiados. Lê-se, patrocinadores e pessoas próximas. Então terá de aprender muita coisa logo.

Seguro a prancheta e me equilibro na mesa para anotar os dados no papel, enquanto escrevo sinto que alguma mais forte havia se instalado ali. Uma sensação diferente, envolvente e nova aos meus olhos. Dei uma breve olhada para trás e Robert encarava-me ainda, e eu poderia perguntar seu problema. Todavia não queria arrumar problemas e ser demitido antes de aprender a primeira música.

– Pronto. Tudo aqui. – Digo ao entregar o material a ele.

– Liberado, Por hoje. – Ele frisa a última partícula da frase. – Até breve, Sr. Grey. – Ele parece ensaiar um sorriso de lado, porém de um jeito ainda debochado como se quisesse sugerir outra coisa.

– Até, Sr. Conroy.

Saio do teatro e percebo que a minha vida acabara de mudar totalmente o rumo. Eu não seria mais o garoto preso no colégio interno e que voltaria para casa em um mês. O laço havia se rompido de vez, porque agora eu achei o futuro. Theodore Grey pertenceria a Nova York. Seattle era a maior página virada em minha vida.

Notas finais
Bem gente, hoje veio trazer uma novidade para vocês, algo bem diferente de tudo que talvez tenham visto. Assim como o site das empresas Grey, desenvolvi o site do musical ao qual o Teddy protagonizará. Este consiste em dar ao leitor a maior possibilidade de vivenciar mais perto a história da fanfiction. O site é repleto de conteúdos sobre spotlight e seu universo, ao qual exploraremos nos próximos caps da fic. Diversos conteúdos vão sendo desbloqueados ao tempo, como os personagens, as canções componentes da trilha do musical. Então, você que está acompanhando 50 Tons de uma Cor Vibrante, tem a possibilidade de fazer uma relação entre o que lê e visualiza. Dá uma passadinha lá, e qualquer coisa deixa uma mensagem para mim. respondo rapidamente. Beijos, até o próximo capítulo. http://edfieldsplb.wix.com/spotlightmusical