50 Tons de Uma Cor Vibrante

30 Capítulo 30 - A mais jovem estrela


Notas iniciais
Glitter in the air - P!nk

– Por isso eu odeio trabalhar com novatos, o cara some e não diz nada? Chame outro contra, Armand. – Robert reclama no telefone. Está à alguns metros de mim e meus pais.

– Tem certeza de que ficará bem? Poderia ficar em Seattle por uns dias, Teddy. – Mamãe segura minha mãe no sofá.

– Eu tenho sim, mamãe. Só me preocupo de ir ao memorial da Penny, não sei se estou preparado. – Digo um pouco distante.

– Se quiser, posso ir com você. – Com a mão sobre a minha, ela me dirige um olhar afetuoso.

– Não, será algo que terei de fazer só. Antes eu tenho de ganhar algo para ela.

Papai também me olha de seu lugar e mantém olhares para Robert ao telefone. Não sei se o faz por conta do primeiro embate, ou por saber que ele é meu namorado. O mais importante é que não tenta arrumar algum tipo de briga, não além do hospital. Ele até desculpou-se pela grosseria. Na vida não se vê Christian Grey fazer coisas assim. Meus pais adoraram o apartamento, apesar de por afronta, papai querer me dar uma outra cobertura, segundo ele, mais luxuosa.

No final das contas, o convenci a doar todo o dinheiro para causa das crianças. O hospital, já não sei quando vou ter a coragem de ir lá novamente. Eu a vejo em todos os lugares, principalmente no quarto intacto ao qual passei a última noite. As borboletas na parede, o nebulizador, as bonecas, Katy. Eu não consegui, e jamais conseguirei retirar todas estas coisas do lugar. Pode parecer idiota, infantil, mas é como se ela fosse voltar. Papai e mamãe preferiram dormir numa propriedade deles nos arredores, me deixar na minha privacidade com Robert.

Mesmo com tantos acontecimentos, nada pode soar tão estranho como a forma desconfiada com a qual papai está agindo. As saídas demasiadas ao atender telefonemas. Fico dividido entre perder-me nas infindas ligações de Robert ou de Christian. Mamãe é a única que não sai do meu lado. Apesar de ter levantado da cama, podido sair do hospital, minha face ainda encontra-se abatida.

– Eu quero esse idiota fora, ele não pense em voltar. – Robert disse e desligou. Após respirar e endireitar os ombros. – Perdão, Senhora Grey – Achega-se à minha mãe e à mim – Kendall sumiu, acabei de dar o veredicto, ele não volta mais par ao show. Descompromissado irresponsável. – Ele diz para mim.

– Kendall? – Papai tira o celular do ouvido – Você disse Kendall?

– Sim. – A resposta de Robert é seca, prática.

– O que há com Kendall? – Ele aproxima-se.

– Dos meus funcionários, cuido eu, Grey.

– Você não sabe metade do que está em jogo aqui, rapazote diretor – O gênio raivoso de papai entra em cena e ele segura o celular na mão.

– Eu não vejo jogo algum aqui, apenas alguém curioso demais para meter-se nos negócios alheios. – Conroy é tão seco quanto jamais fora.

– Robert! – Sou eu quem intervenho – O que está acontecendo, pai? Qual é o problema?

– Eu resolvo isso, Teddy. E você não me sai deste apartamento, não sem ninguém. – Ele disca um número – Sawyer, ligue para a companhia, indique um outro segurança para nós em Seattle. Você ficará por um tempo com o Theodore aqui.

Ele desliga.

– É para seu bem, filho. – Minha mãe toca a minha perna.

– O que é isso? Estou sendo mantido em cativeiro, depois de ter sido isolado? Qual foi? – Me alarmo e levanto da cadeira, o corpo ainda pesa.

– Como eu disse, Theodore, existe algo pior acontecendo – Ele encara Robert, que também o faz. Um olha para o outro com fagulhas nos olhos – O seu funcionário possui alguma ligação com alguém chamado Marianne Kendall?

Eu sou o primeiro a olhar para Conroy, que também não entende o motivo da pergunta.

– Sim, Jackson Kendall é primo da Marianne, minha ex – sócia. Acabei de o demitir pela irresponsabilidade de sumir, quando teríamos um show para fazer.

– Jackson? Jack? – Mamãe põe a mão na cabeça – Não me diga que esteve junto desta pessoa por tanto tempo, Teddy!

– Sim, ele era ajudante e ele tornou-se contra – regra do show, logo depois que a prima foi para uma clínica. Jackson nunca me pareceu uma pessoa ruim. – Falo.

– Droga! – Meu pai acerta um soco na parede – O desgraçado fez a linha amigo, ele poderia ter tentado algo.

– Espera, agora eu quero saber o motivo de toda essa revolta com o cara, que realmente não presta, mas não passa de um irresponsável. – Robert sai do meu lado e fica de frente para meu pai.

– Esse é o tipo de coisa que um empreendedor profissional sabe fazer, conhecer os seus trabalhadores e vossas respectivas índoles. – Papai é petulante para com Robert, está muito bravo.

– Empreendedores lidam com pessoas, e um empreendedor que não sabe o significado de tolerância de orientação sexual ou qualquer uma, também é deveras atrasado mentalmente. – Robert o peita à altura.

– Já chega, acabou. – Me meto entre ambos e os peitos estofados são separados – Agora fala, pai. O que está havendo?

Ele não me diz nada, a expressão séria vai para a minha mãe, como se a dissesse algo mentalmente. Ela certamente entende o que ele diz, tanto que fecha os olhos em negativa. Eu não sei o que a aflige, porém tenho certeza de que realmente está tudo bem errado.

– Teddy, pode me acompanhar até a varanda, por favor? – Mamãe levanta do sofá e toma meu braço.

Passo um olhar para papai e Robert antes de sair, ele é mais ameaçador do que peitos estofados. A coisa ficaria bem séria se eu visse qualquer resquício de briga. Acompanho mamãe. Me posiciono ao seu lado, tendo a vista de Nova York:

– Lembra-se de algo que eu te falei no telefone, algo sobre decisões que afetam outras pessoas? – Ela pergunta.

– Sim, eu te pedi um conselho sobre isso. – Olho para ela.

– Quando eu e seu pai casamos, começamos a enfrentar alguns tipos de ameaça de um alguém. Diversos tipos de atentado ocorreram com nossa família. Não pense que apenas por ser ricos, mas porque por trás disso havia toda uma história. Havia uma mente por trás de tudo o que aconteceu, Teddy. – Ela para e o vento rodopia por seus cabelos. Está bonita até preocupada. – O ponto alto que este alguém poderia fazer, foi simplesmente sequestrar a sua tia Mia, requerendo em troca uma quantia exorbitante.

Vendo-a parar depois disso, a expressão de desconforto atenua-se, passo meu braço por sua cintura. Dou força à ela:

– Pode continuar.

– Só que havia uma exigência sobre este dinheiro, primeiramente porque a ligação foi para mim. Exigiram que eu levasse a quantia num determinado lugar, para que assim fizéssemos a troca. Seu pai não podia saber, foi outra regra. Eu estava apavorada de acontecer algo com a sua tia, que eu fui. Havia um porém nisso tudo, eu estava grávida de você. Então, o que eu fizesse, afetaria sobretudo você, ainda nem nascido. Eu fiz o que deveria, como ele queria, e quando fomos trocar as partes, ele mostrou o quão covarde era. Libertou sua tia, e mesmo pegando o dinheiro, ele me agrediu terrivelmente.

Meus olhos expressam o choque, minha boca se abre um pouco.

– Lembro de colocar a mão em volta da barriga, tentava de proteger – Ela está quase chorando, quando a abraço – Ele jamais contou com a arma que eu tinha escondida na calça, jamais. E quando ele achava que venceu, atirei nele.

– Você matou ele? – Pergunto.

– Não, foi um tiro na perna. E então a policial fez o resto. Ele foi preso, teve sua sentença. Mas nunca imaginamos que ele um dia conseguiria sair, não da maneira como conseguiu. O pior de tudo é saber que ele podia te fazer mal.

– Mãe, seja clara, pare de rodear a história. – Peço.

– Essa pessoa do teatro, esse homem que o seu namorado falou ter demitido. Ele se chama Jack Hyde, era assim que o chamavam. Era meu ex chefe na SIP, quando seu pai comprou a empresa para mim. Ele era um homem nojento, sem escrúpulos. Fez muitas coisas contra nós para atingir ao seu pai, isso por uma longa história entre os mesmos. E para atingir seu pai a saída dele seria me machucar, como o fez, e acabou sendo preso. E agora, dezoito anos depois a situação virou. Você conviveu por muito tempo com um criminoso da pior espécie. A família o rejeitou em suas casa, apenas uma pessoa o recebeu, a velha prima.

Finalmente está claro. A sensação estranha que Jackson emanava onde chegava, o clima forçado. A maneira com a qual tentava disfarçar-se como alguém legal, normal. “Eu ainda sei o que você fez. A prisão é o seu lugar, não o meu...” – Os gritos de Marianne tomam conta da minha mente. Tudo está claro, tudo faz sentido. O medo cresce em mim, por pensar no que poderia ter acontecido.

– Mãe... – Estou sem palavras.

– E eu seu pai temos quase certeza de que ele planejava algo contra você, logo quando ele soube que ele havia deixado a prisão. Primeiramente ele quis me atingir, foi falho, no entanto, ele achou alguém que estava frágil, longe, e que seu pai amava muito. – Ela mexe em meus cabelos.

– Eu.

– Sim. Não julgue os métodos do Christian, ele está muito preocupado. – Ela beija meu rosto ao desfazer o abraço.

Olho para a sala e vejo Robert e meu pai se olhando do sofá. Retorno à mamãe:

– Posso te dizer algo?

– Pode, filho.

– Obrigado por me proteger quando eu nem existia. – Tomo suas mãos nas minhas e dou um beijo casto nas costas de ambas.

– Mãe significa muito, vai entender quando for um pai. Aliás, vai ser um pai excelente.

– E um médico excelente também. – A revelo inesperadamente – É, eu decidi não largar o teatro, mas escolhi um outro caminho para trazer. Eu estarei indo para a universidade no próximo semestre, mamãe.

Os olhos dela modificam-se, deixando de lado a preocupação. Uma felicidade se ocupada de seus traços e ela me abraça novamente:

– Obrigado por nunca me fazer cansar de me orgulhar de ti.

Sawyer ficaria de fato, eles teriam de voltar para Seattle. Eu os acompanho até a saída do prédio, Robert também vem. Ao chegarmos na avenida, meu pai olha para todos os lados. Enquanto o homem de preto se posiciona em nosso lado, papai vem até mim:

– Se ver algo estranho, qualquer coisa, vai chamar o Sawyer. Teddy, eu estou avisando, eu preciso saber. Entendeu? – Ele olha nos meus olhos.

– Está bem, papai. Mas não estou com medo, fiquei com ele durante meses. – Digo corajosamente.

– Esse é meu garoto, mas não se brinca com segurança. – Ele sobe a mão e a coloca no meu ombro – Eu venho ver assistir aos Tonys, sua mãe e Phoebe virão também. E depois, temos mais algo – Papai olha para Conroy. Ambos agora se tornaram cúmplices?

– Seu pai e eu tivemos a ideia de levar Spotlight, para uma noite especial na TV. Nada é difícil para nós. E você irá ser visto em toda América, estrela. – Robert se aproxima mais de mim.

– Não vou consertar nada te dando as cosias, mas posso fazer as pessoas verem o quanto é bom. – Ele põe as mãos no meu rosto – Eu estou orgulhoso do homem que eu fiz de você – Ele me beija a testa.

Ao fazer isso ele olha para Robert, agora se encaram como rivais de novo. Ele estende a mão para o meu namorado:

– Conroy.

– Grey. – Ele responde e aperta a mão de Christian.

– Cuide bem do meu filho, eu ainda posso destruir tudo que é seu, rapazote.

– Quer mesmo começar isso, Grey? – Robert responde.

– Não, não mais. – Minha mãe puxa papai para dentro do carro. Depois de um beijo estalado em meu rosto, ela se adianta e junta-se ao meu pai. Ambos partem.

– Independente novamente, estrela. – Rob diz ao meu ouvido.

– É, independente. E tem o Sawyer. – Dou um tchauzinho para o homem de preto. Ele, mesmo com a carranca, retribui o gesto.

– Qualquer um dos meus é melhor. – Rob me cochicha ao ouvido.

– Calado, Conroy. – Ordeno desta vez.

– Pai que contamina filho. – Ele ironiza.

– Você não tem ideia. – Finalizo e o abraço.

(...)

Rolo os olhos quando Robert mexe em minha gravata e a ajeita. Eu sei por uma gravata, sei ajeitá-la, mas segundo ele não está no padrão britânico. Por que cargas d’água eu gostaria de estar num padrão britânico? Ela a deixa do modo como acredita que deve ficar, cruzo os braços. A marquise iluminada do grande teatro é incandescente, fazendo-me cobrir os olhos as vezes. Robert cumprimenta muitas pessoas, e o mesmo vale para mim ao ser apresentado.

Quando vejo Ashley sair do Audi de Paul, ela está graciosa. O vestido de tecido fino e cor oliva que usa, dá um bom contraste com seus olhos. Minha amiga utiliza uma maquiagem leve, porém bela. Os sapatos de salto são realmente grandes, deixando-a quase do meu tamanho:

– Realizando o sonho de deixar a produção de Branca de neve? – Pergunto.

– Está me chamando de anã? Quer apanhar, Teddy? – Ela levanta a bolsa discreta, faz menção que irá me bater.

– Você está maravilhosa, Ash. – A abraço forte.

– Como está se sentindo? Parece menos abatido do que nos ensaios? – Ela toca meu braço.

– O que um pouco de maquiagem não faz, né? – Fico um tanto cabisbaixo, mas consigo sorrir – Estou acostumando-me com a ideia da mudança sem ela.

– Você sabe que se não quiser fazer o número, eu e Paul podemos segurar isso.

– Ela estaria triste se eu não fizesse a performance. De triste já basta eu no mundo. – Digo mexendo num pequeno fio de cabelo dela.

Precisei muito da força de Ashley e Paul para conseguir voltar ao musical, para minha vida normal. O musical fora suspenso por uma semana, mas depois disso eu tinha de voltar. E não era por somente um contrato coma Conroy productions, mas sim, por ser um compromisso comigo mesmo e com o hospital. Penny sempre foi a primeira razão de tudo, no entanto, existiam muitos como ela ainda. Não digo que as crises de choro passaram ou aqueles momentos de lapsos momentâneos de memórias que não me deixavam a mente, todavia o show deve continuar. Serviu para me estreitar ainda mais com Paul, que demonstrou ser mais sensível do que realmente aparentava.

– Hey, man. – Ele me abraça após Ashley. Está tão elegante quanto – Pronto para levar todos os troféus para casa?

– Está mais fácil eu levar o rodo que limpou ou palco do Tony. – Ironizo.

– Sai dessa, pastel. – Ele me acerta um cascudo na cabeça. Devolvo o cascudo.

– Parem, não me envergonhem. Hoje quero ser linda.

– Segundo a pensadora contemporânea, Marianne Kendall, a ambição da Broadway está demais. – É mais forte que eu.

Ambos dão uma gargalhada.

– O que está demais é a quantidade de dopamina que estão dando para ela no hospício. – Ash dá uma risadinha maldosa.

– Uma foto par ao Time’s, rapazes? – Uma fotógrafa morena aparece cobrindo o evento e junto com Ashley e Paul. Segurando os mesmos pela cintura, saímos juntos na fotografia.

É tudo tão rápido, que logo estamos sendo fotografados por vários tabloides. É complicado sorrir de verdade, porém tenho que o fazer.

– Eu acho melhor nos entrarmos, já vai começar. – Rob aproxima-se de nós e descobrimos estar todos nervosos.

– Vai, Spotlight. – E sou eu quem puxo a mensagem de força do grupo. Talvez eu precise ser.

Como abriríamos o show, eu, Ash e Paul vamos par a ala dos camarins, enquanto Robert já dirigiu-se ao anfiteatro. A adaptação de Bang Bang para a premiação havia sido bem simples, apenas precisávamos por nossas roupas simbólicas de espiões e nos munir de nossas armas. A malha da roupa estilo super herói, acaba me incomodando um pouco, porém aguento.

– Você viu o que a Jessie J twittou ontem? – Ashley pergunta-me.

– Não tenho entrado na internet estes dias.

– Está ansiosa para ver a nova montagem, e disse que gostaria de poder estar presente. Ela está em tour pela Ásia.

– Queria pegar a Jessie J. – Diz Paul largado numa cadeira. Os cabelos de Ash fazem uma coreografia no vento, quando bruscamente ela o encara.

Olho para Paul e ele ri.

– Acalmem os nervos ou vou ligar para pedir gardenal à Marianne. – Digo.

Em meio as piadinhas sem graça, aos surtos de Ash de nervosismo, chegou nossa hora de performar. Foi algo bastante coreografado pro Frida, porém sem tanta extravagância. Fizemos tudo como mandava o figurino e aquela plateia cheia de personalidades famosas me assustou. A vantagem de ser a abertura era acabar logo e ir para o seu lugar, não era como minha maior vontade esta performance. O fiz por Penny. Passamos um certo tempo na pose final, como espiões com as armas prontas para um tiro. Aplausos correm pelo teatro.

De pernas cruzadas em minha cadeira, assisto algumas categorias que vão sendo anunciadas inicialmente. Nenhuma que Spotlight esteja concorrendo, ou melhor, uma das poucas. Em alguns momentos olho para Robert, está tão sério a olhar para a frente. Olhá-lo é algo que não me cansa, ele é como uma paisagem impressionista. Precisa vê-lo, e com sorte, talvez entenda o seu interior. Sinto meu corpo incomodar um pouco ao ouvir os indicados para melhor diretor, sobretudo pela expressão tensa de Rob.

– Calma. – Digo baixinho.

– E o Tony de melhor diretor vai para... – Ela para por um momento. – Robert Conroy.

Olho para ele espantado e Ashley e Paul também. Todos nos levantamos e começamos a pular. Eu sou o primeiro a abraçar Robert. A alegria toma conta de todos nós e palmas completam o barulho da comemoração. Rob caminha até o palco, ajeita o terno. Ao pegar o prêmio, ele aperta a mão do apresentador e da apresentadora. Ao olhar para o microfone, posso notar que seu olhar percorre todo o recinto. Nos sentamos para ver o seu discurso:

– Obrigado por isso, academia. Nunca vou me acostumar com essa sensação. O que posso dizer? Mais uma par aa prateleira. – Ele dá uma risada. – Brincadeira. Isso é o reflexo de muito trabalho, de anos num projeto escondido e que deu certo. Criar é difícil, mas recriar é mais ainda. Quando imaginava todos estes números eu não imaginava o trabalho que acabaria tendo, e no final, mesmo depois de uma enorme turbulência, conseguimos. Foi um ano intenso. Quando você já tem um nome, é fácil as pessoas te olharem e dizerem que vai dar tudo certo, e na verdade, elas não sabem o quanto você já pensou em desistir de tudo. Existe um fator acima de todos os outros que me motivou nessa empreitada. Esse motivo apareceu nas minhas audições e não sabia nem mesmo o que era um programa. – Ouço algumas risadas. Ele está falando de mim – Theodore Grey foi a melhor coisa que aconteceu em Spotlight. Ele me motivou com seu talento, mas mais ainda com a capacidade ser humano o suficiente para dizer, esse não é o meu mundo, mas eu vou tentar. – E então ele olha para mim – Teddy, você é a melhor pessoa do mundo, você não merece um holofote, merece todo um teatro. E eu te amo, e eu quero que todas essas pessoas saibam disso, porque é a coisa mais certa que eu já fiz na vida, amar você.

Mordo o lábio inferior numa expressão surpresa e emocionada, e mando um aceno para ele de onde estou. Algumas ovações ocorrem quando ele faz tal declaração ao microfone. Rob desce cercado por palmas e volta ao seu lugar. Sem medo ou preocupação alguma, dá-me um beijo simples.

– Obrigado. – Digo.

– É a verdade.

Nas categorias que se seguem, vejo apenas surpresas que vão revelando-se. Ashley ganha como melhor atriz coadjuvante. Marianne acaba perdendo como melhor coreografia, para a Tribecca. Acredito que seu escândalo tenha influenciado a decisão. E depois de algumas perdas e ganhos, o apresentador anuncia ao microfone a categoria de melhor ator numa produção. A primeira coisa que sinto é a mão de Robert tocar-me o ombro. Respiro fundo ao ouvir as nominações. Esperei que meus pais viessem, papai disse que viriam, mas bem, não deram notícias. Acredito que estejam ocupados. Sinto um vibrar no meu telefone ao bolso e o pego. Seguro o aparelho e vejo uma mensagem: “Estámos vendo você.”, está assinada com o nome da mamãe. Passo a procurar por eles dentro do teatro e em meio à esta procura, escuto alguém dizer meu nome:

– Theodore Grey. – A mulher anuncia meu nome. Não, não é uma nominação. É uma vitória.

– Você ganhou, você ganhou. – Robert diz ao colocar as mãos no meu rosto ao me ver de pé.

É como um filme em câmera lenta na minha cabeça. Não há apenas um cenário, há todos os que passei até esta noite. Vejo mil pessoas me aplaudindo, porém me lembro das poucas que tinha. Fico em choque por alguns segundos, até perceber que preciso ir até o palco. Com as pernas a tremer desmedidamente, consigo ainda chegar ao palco. A apresentadora me dá um beijo no rosto e estendo a mão para apertar. Quando o faço, é passado para mim a estatueta. É claramente notável que estou nervoso. Viro-me para o púlpito. Aqueles milhares de olhos que me visam, sãos os mesmos que me deixam prestes a desmaiar. Ponho a estatueta apoiada no objeto à minha frente e puxo algo do bolso. Não escrevi um discurso, porém havia algo a dizer. Olho entre o papel e a minha mente e acabo dobrando a folha de volta:

– Obrigado. – Digo inicialmente e com o coração acelerado – Obrigado por isso. Eu não sei como começar a falar isso, sei que tenho tanto a dizer, mas as palavras parecem fugir. Eu não sabia o que era um programa, como ele disse, eu não sabia. Eu não sabia nada sobre estar na frente das pessoas, ou como ser bom. Haviam melhores que eu, há melhores que eu. Mas eu penso que o que mais importa sobre você, é a motivação que você tem para fazer cada coisa na vida. Existia uma garota, eu a conheci num hospital próximo da minha escola. Ela se chamava Penny Summers. – E sinto a pontada doer no coração e as lágrimas chegarem nos olhos – Penny tinha um câncer raro no cérebro. Ela foi abandonada pela sua família, que não podia continuar um tratamento que os faziam sempre viajar do Colorado até Nova York. Essa garotinha fechou-se para o mundo por acreditar que ninguém a queria mais, e no momento em que eu a conheci, eu tinha a mesma certeza sobre mim mesmo. – E ao olhar para aquelas pessoas, localizo meus ais um pouco mais atrás. Ambos me olham e mamãe chora, meu pai tem uma expressão indecifrável ainda – Eu havia saído de casa, eu tinha aceitado a mim como um rapaz gay, e isso é algo difícil para muitas pessoas, como foi para o meu pai. Houve um tempo que a fé era algo tão distante quanto uma chuva no deserto. Eu me trancava no quarto por horas, usava a desculpa de estar estudando, quando na verdade eu queria era desaparecer. Essa menina me fez ver que nada é tão difícil que não possa ser resolvido. Ela tinha um câncer que podia matá-la a qualquer hora, porém Penny Summers estava feliz por viver, ela estava sozinha, mas rodeada da certeza que primeiro você precisa olhar para si mesmo. E foi por ela que eu me lembrei daquilo que mais me doía, a maior ligação que eu tinha com o meu pai. Eu não sabia tocar o piano, mas eu sabia cantar. E segundo ela, eu era o melhor no que fazia. E Penny Summers me fez acreditar em mim mesmo, quando o mundo inteiro parecia uma sequência de portas que se fechavam uma após a outra. – Pego cuidadosamente a estatueta – Eu queria tanto dar isso para ela, na verdade, eu queria da ro mundo para ela, como ela me deu a possibilidade de viver. Ela me deixou faz um mês amanhã, e é como se precisasse fazer as coisas apenas para sobreviver ou como ela dizia, para ser mais um vencedor. – Observo algumas pessoas na plateia, e algumas choram e enxugam lágrimas – Penny me mostrou o amor, na verdade, ela terminou me mandando para ele. – Olho para Robert, está emocionado, apesar de não chorar. – Penny me deu amigos verdadeiros. – Olho para Ashley e Paul, que estão abraçados, enquanto ela chora. Paul pisca para mim – Penny me deu tudo, inclusive a certeza de que vai ser horrível aprender dia após dia como conviver sem ela. Isso é a realização de um sonho, como seria para muitos. Para mim, este prêmio é a conclusão de que ainda há algumas coisas que posso fazer. Não depende de como eu sou, ou de como amo, mas sim, de quem eu realmente sou. E eu sou apenas um ser humano. Eu sou você, ou aquela pessoa que passei pela rua de Nova York procurando empregos em cafés. Meu conselho par ao mundo hoje, é que provavelmente você vai perder tudo um dia. E vai doer muito, porém, se puder fazer algo para ser melhor, vai valer mais do que tudo que você já teve na vida. Eu perdi tudo um dia, e agora tudo que eu quero é aprender como viver novamente. É a melhor coisa a fazer. Você pode ficar tristes, mas lembre-se que por mais longa que seja uma noite, o sol volta no dia seguinte para nossa dar mais uma chance. Obrigado. – Seguro a estatueta e o som das palmas e a figura de todos de pé para mim, me faz levantar ao alto o prêmio. Eu espero que Penny veja isso, porque é tudo para ela. Ela é a grande mulher atrás de mim.

Notas finais
Espero seus reviews, lembrando que faltam apenas dois capítulos para o final. O que acham de ir ao meu grupo e dizer tudo que a história causou em você: https://www.facebook.com/groups/1564862253793150/?fref=ts Até o 31.