50 Tons Nova Geração
23 Capitulo 23: O monstro de duas caras.
Notas iniciais
A rua do prédio de Lucas estava vazia onde só tinha um poste de luz que mal iluminava. Estacionei em um lugar escondido e caminhei até um prédio com três andares cinza onde um porteiro gordo dormia depois que comeu metade de um sanduiche.
— Com licença – Chamei o cutucando – SENHOR – Gritei o acordando fazendo derruba o que tinha sobrado do sanduiche.
— A senhorita quer me matar do coração? – Perguntou ele assustado.
— Desculpa, não queria tê-lo assustado – Já tinha passado muito naquela noite precisava ser rápida – Vim ver uma pessoa que mora nesse prédio.
— Imagina se não morasse senhorita.
— O nome dele é Lucas, ele mora mesmo aqui?
— O garoto Lucas, o estranho? Mora sim.
— Como assim o estranho?
— Ele sempre estar calado deste tudo que aconteceu.
— Tudo que aconteceu? O que o senhor estar falando?
— Você não sabe? Esse menino causou um acidente horrível com a irmã mais nova dois anos atrás. Seus pais o deixa morando aqui com uma senhora mal humorada que tenho quase certeza que o agride varias vezes.
— O que ele fez com a irmã? – Perguntei interessada.
— Parece que ele tentou se vingar de um garoto na escola que estava chateando ele. Então ele preparou uma armadilha no banheiro masculino onde jogaria água quente na cabeça do menino. Mas a irmã dele achou que era uma brincadeira, acabou ouvindo tudo escondida e entrou no Box e tudo aconteceu com ela.
— O Lucas fez isso?
— Sim, no jornal dizia que ele estava cansado de todas as provocações e não parou de dizer que a culpa foi do garoto que o irritava.
— O senhor sabe o nome do garoto que o provocava tanto?
— Não, na época nunca foi anunciado. Deve que o garoto era de boa família, alias quem dessa cidade não é de boa família? Mas o apartamento dele é o 21 primeiro andar. Quer que eu anuncie à senhorita?
— Na verdade eu queria lhe fazer uma surpresa. Somos amigos e não nos víamos há muito tempo.
— Esse garoto começou a aparecer com amigos agora, hoje ele veio com um garoto. A sorte é que a senhora não estar aqui já que viajou para resolver problemas com a família dela.
— Sei o senhor vai me deixar fazer essa surpresa? – Perguntei tanto o meu melhor sorriso inocente.
— Claro que vou. Pode subir, aqui não tem elevador.
— Obrigada – Subi uma escada de cimento e procurei um numero 21 onde acabei encontrando no fim do corredor com um lembrete que dizia /Garoto maluco cuidado/.
Então a historia da irmã era mesmo verdade. E o garoto só podia ser o Josh por isso ele o odiava tanto. Bati na porta, não podia voltar atrás agora que eu tinha chegado tão longe para isso.
— Nora? – Falou Lucas surpreso pela minha presença.
— Oi Luquinha – Antes que ele pudesse fechar a porta entrei onde me deparei com uma sala cheia de papeis e garrafas de bebidas por todos os lados, onde só tinha um sofá velho e rasgado e uma mini televisão no chão preto e branco.
— Estar vendo? – Disse ele apontando para o lugar – O que aquele imbecil fez comigo?
— Eu não vim para cá por isso – E sem demora segui até um pequeno corredor onde tinha três portas e sem demora abri a primeira onde encontrei um Scort bêbado deitado em um colchão inflável – Eu sabia – Falei pegando um jarro com agua e jogando em Scort que pulou assim que sentiu a agua gelada.
— O que aconteceu? É hora de acordar? – Perguntou levantando nervoso e ficando branco assim que me viu.
— Você não pode entrar aqui Nora – Avisou Lucas entrando no quarto.
— Não posso? – Gritei – Então foi um plano esse tempo tudo? Você colocou esse imbecil na festa e armou tudo aquilo para que o Josh brigasse comigo?
— No começo não foi um plano – Começou Lucas – Eu queria lhe contar tudo sobre a historia da minha irmã, mas eu sabia que você não iria ligar, iria fazer como todos tinham feito me culpar pelo que aconteceu. Então encontrei seu ex na lanchonete e foi perfeito. Ele acertou já que estava doido por você e eu pensei no resto.
— Você é maluco Lucas. Os dois são malucos – Comentei pasma.
— E isso importa? – Continuou Lucas – O Josh não acreditou em você e ainda de chamou de interesseira na frente de todas aquelas pessoas.
— Você ainda foi lá?
— Nora meu amor – Disse Scort recuperando do choque – Lucas tem razão, aquele garoto não acreditou em você, ele de humilhou na frente de todos. Se os sentimentos dele fossem verdadeiros ele teria acreditado, não acha?
O que me dava mais raiva era que eles tinham razão. Se Josh gostasse mesmo de mim, ele não teria duvidado, ele ficaria do meu lado e não cairia nessa armação.
— Eu tentei de avisar antes Nora – Comentou Lucas – O Josh faz isso com as pessoas, não liga para o sentimento delas, apenas as magoa como se não fossem meros objetos para a diversão dele. E você foi apenas uma diversão que ele estava tentando achar um motivo para se livrar.
— Cala a boca – Falei chorando.
— Ele fez isso comigo também, ok? – Gritou Lucas irritado – Ele sabia que minha irmã entrou naquele banheiro e não fez nada para me impedir.
— Como é? – Perguntei.
— Ele sabia que eu iria armar contra ele. Ele deixou que minha irmãzinha ficasse no lugar dele e hoje meus pais não conversam comigo, estou sendo vigiado por uma gorda que é alcoólica e me bate quando estar bêbada. Olha isso – Disse levantando a camisa e mostrando uma cicatriz enorme da barriga – Ela me jogou uma garrafa e meus pais acreditaram nela e não em mim. Minha irmã precisa de ajuda porque estar cega e com metade do rosto queimado.
— Eu disse para calar essa boca, eu não quero ouvir mais nada – Falei tampando meus ouvidos.
— Não importa o quando Josh diga que mudou ele apenas menti Nora. E nem tem coragem de pedir desculpas depois.
Não aguentava mais ouvir tudo aquilo, sair correndo e fui embora daquele prédio e só parei quando entrei no meu carro, onde comecei a chorar sem parar ignorando a chamadas perdidas que meu pai não parava de ligar. Maldita hora que vim para cá, maldita hora que conheci Josh, maldita hora que entrei em seu caminho e maldita hora que me apaixonei por ele.
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Cheguei em casa e fui direto por meu quarto ignorando as broncas de minha tia e do meu pai. A única coisa que precisava agora era do abraço de minha mãe que estava a quilômetros longe de mim. Eu sentia raiva dela e do meu pai, sentia raiva dos Greys, sentia raiva do Lucas e do Scort, sentia raiva do Josh e principalmente de mim mesma.
Acabei pegando no sono de tanto chorar e tendo muitos pesadelos sobre uma menininha e um monstro pelo qual eu estava apaixonada. Acordei no outro dia e me vesti para ir à escola, mesmo tendo uma vontade louca de ficar em casa, eu precisava ir já que teria uma prova de matemática valendo metade da nota semestral.
Meu pai estava na cozinha fazendo panquecas que por incrível que pareça ficaram ótima.
— Bom dia – Cumprimentei deprimida sentando e já bebendo café forte.
— Bom dia filha – Falou ele sentando na minha frente – Me escuta não vou querer saber mais nada sobre o que aconteceu, porque acho que você não quer dizer. Mas você tem o direito de saber isso, eu pedir demissão hoje.
— Por quê? – Perguntei surpresa.
— Na verdade o senhor Grey mandou uma mensagem para meus superiores e eles acharam melhor eu sair.
— Como eu odeio aquela família – Gritei indignada – Fizeram isso de proposito.
— Calma filha, eu não gostaria mesmo de proteger aquele garoto problemático que fez mal a você.
— Me desculpe pai – Chorei – A culpa foi toda minha você acabou perdendo a coisa mais importante para você.
— Ei – Disse me abraçando – A coisa mais importante para mim é você, sempre foi. Eu é que não via isso antes, meu amor. A culpa não foi sua, não quero ouvi-la falar assim de novo.
— O que vai fazer agora pai?
— Eu não sei. Vou procurar algum emprego em outro lugar. Não se preocupe com isso, agora vá para escola você não tem prova hoje?
— Se o senhor quiser eu falto. Não estou a fim de ir mesmo.
— Nem pense nisso. Você vai e ainda de cabeça erguida, não fez nada de errado. Pelo o menos isso serviu para nos aproximar.
— Eu te amo pai.
— Também de amo filha.
Sai para um dia nublado e triste rumo para um furacão. Não importava mais nada, eu iria aguentar tudo pelo meu pai que querendo ou não, se tornou a única coisa boa que esta cidade fez por mim, me deu um pai para me proteger.
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