50 Tons Diferentes 2º temporada
8 Capítulo 8
Notas iniciais
POV Amy
Acordo ouvindo o despertador do meu celular, me levanto meio dormindo ainda e vou até a cômoda do quarto pego e desligo. São 5 da manhã, entramos a 7 hoje.
Olho em volta e vejo que Derek já não está no quarto. Caminho até o closet dele e me visto com uma camisa branca dele, então saio do quarto o procurando. Que está na cozinha fazendo algo no fogão e está cheirando muito bem, sorrio e chego devagar e me sento no balcão e apoio o rosto sobre as mãos. Ele colocou duas canecas e está terminando de passa um café na cafeteira que cheira muito bem.
—Humm esse café está muito cheiroso – falo e ele se vira e sorri para mim. Está com uma calça de pijama e uma camisa cinza, o cabelo todo bagunçado.
—Bom dia baby, uma pena termos que acordar tão cedo. Estava um paraíso do seu lado, fiquei com pena de te acordar, você estava tão linda dormindo – diz e se vira e serve nossos pratos com ovos mexidos e bacon, ele arrumou tudo.
—Caramba que café da manhã reforçado. – falo e ele coloca a frigideira na pia e caminha até, dando a volta no balcão. Me viro e abro as pernas para aconchega-lo, ele se encaixa em mim e me beija de leve, depois me olha com um que de preocupação.
—Dormiu melhor? Ao menos não acordou de novo – diz e eu sorri e passo as mãos ao redor do pescoço dele e fico fazendo carinho ali.
—Como não dormia a anos, obrigado – Falo e o abraço, ele tem o cheiro tão bom.
—Que bom não sabe como isso me deixa aliviado, além do mais quero te alimentar bem já que esgotei suas energias ontem. Não quero você desmaiando no plantão – fala com um sorriso safado.
—Seu tarado, você está é querendo foder no intervalo – falo fingindo indignação e bato de leve no peito dele. Ele sorri e se aproxima do meu ouvido.
—Qual é você sabe que é uma ótima ideia, nós passamos a maior parte do tempo lá. Se eu não puder disfrutar dos meus intervalos com você eu largo de trabalhar, e não fodo com você Amelia. Nós fazemos amor, foder é uma palavra muita fraca para o que fazemos – fala e eu o abraço. Depois me afasto e o olho.
—Ok acho que tem razão, é até bom ficar com você nos intervalos. Eu aceito isso – falo e sorrio. Ele franze um pouco a sobrancelha, percebeu que eu sempre desvio da palavra amor. Eu acho isso algo muito forte para se dizer a uma pessoa, e sinceramente não sei se alguém pode de verdade sentir isso. Me lembro que meus pais me diziam que me amavam todas as noites e depois eles me deixaram, se o amor é isso é uma verdadeira merda. Por isso prefiro acreditar que ele não existe.
Ele se senta ao meu lado e comemos tranquilamente. Olho para ele que está mexendo no celular.
—Está uma delícia, você cozinha muito bem – falo sincera e ele me olha e sorri. Isso mexe comigo.
—Obrigado baby, também gostaria de experimentar a sua comida qualquer dia desses – fala e o olho.
—Posso fazer algo para você, trabalhei na cozinha de um restaurante quando era mais nova. Aprendo algumas coisas – falo e continuo comendo meu lanche. Ele olha para o celular e fica mais preocupado.
—Você viu que prenderam o assassino da filha mais velho de Christian Grey? – fala e eu o olho. Não sei por que mas esse nome me soa familiar, só não sei de onde.
—Eu sei lá, não fico curiando a vida dos outros. Tenho muito trabalho e coisas para estudar – falo, naturalmente.
—Deveria saber, eles são os donos do hospital. Não acha deveria saber algo? – pergunta enquanto mexe no celular.
—Não. Eu acho que eu devo saber fazer o meu trabalho e estudar para melhorar, isso é muito mais útil que fofoca – Falo e ele me olha de lado, encaro ele e me lembro de uma coisa que queria saber – Quantos anos você tem?
—38 – diz e sorri para mim, lindamente – com desempenho de 20, não acha?
—Com certeza – falo entre um garfada e outra, ele continua me olhando e coloca o celular em cima do balcão e se concentra totalmente em mim.
—O que mais quer saber? – pergunta me avaliando com seus olhos azuis.
— Como sabe que quero saber mais coisas? – falo juntando as sobrancelhas. Ele levanta a mão e pressiona o polegar no lugar onde estou franzindo a testa.
—Você fica com esses olhos cinzas curiosos. É lindo – diz e acaricia meu rosto e depois meu lábio. Desvio um pouco de sua mão antes que perca o objetivo da conversa.
—E sua família? Por que não vive com eles? Vi que tem bastante coisa, você já foi casado? Tem filhos? – atiro um monte de perguntas e ele só fica me olhando.
—Uau, muitas perguntas. Bem, por onde começar – fala e finge estar pensando – Sim, minha família é grande, tenho 4 irmãs. Todas são médicas, e não vivo com eles por que eu queria algo diferente. O patrimônio da família é bem grande sim e isso as vezes causa intrigas, resolvi pegar minha herança do meu pai e investir no meu próprio patrimônio sem depender dos outros. Além disso conheci você aqui. Nunca fui casado e não tenho filhos, embora deseje muito isso um dia. Quem sabe com você, aposto que ficaria a mulher mais linda do mundo grávida, com meu filho no seu ventre.
Olho para ele, esse homem me olha tão intensamente. Parece estar fazendo vários planos, isso é informação demais. Bebo um gole de café para empurrar a comida e fico olhando para frente. Sinto sua mão no meu queixo e ele me faz olha-lo, está visivelmente preocupado.
—Ok talvez eu tenho falado demais muito cedo. Amelia isso não é algo para agora, nem para o mês que vem. Podemos esperar uns anos – fala certo. Olho para e decido dizer meu lado.
—É que eu não quero ter filhos, nunca quis isso. Não vou passar meu DNA de merda para uma criança, e muito menos cuidar de uma. Elas choram o tempo todo, e não eu não quero filhos – falo e respiro fundo. Ele parece chateado, realmente chateado.
—Não vamos pensar nisso agora, temos muito tempo — Então se levanta e me olha.
—Terminou? – pergunta quando vê que já parei de comer.
—Sim – falo sem entender onde ele quer chegar. Seus olhos escurecem enquanto ele me olha de cima a baixo.
—Vem vamos tomar um banho – diz me estendendo a mão. Seguro a sua e deixo que ele me guie pelo apartamento.
—Hoje a noite tem o baile beneficente do hospital, quero que vá comigo. Tem uns amigos que quero te apresentar – diz enquanto entramos no quarto. Paro no meio do quarto e ele se vira e me olha.
—Eu não tenho um vestido, sinto muito Derek. Adoraria acompanhar você – falo, avalio mais sua expressão – Tem haver com o que está comprando, não tem?
—Sim, tem sim. Mas ainda não posso contar a você, e quanto ao vestido não se preocupe eu providenciei isso. Vem comigo – diz e me puxa até o closet, no meio dos ternos e roupas dele tem um saco grande. Ele pega e o abre revelando um incrível vestido cinza, é lindo.
—Uau, isso deve ter custado uma fortuna – digo baixinho e passo a mão pelo tecido sentindo a textura. Ele sorri.
—Considere um presente, ou um empréstimo si se sentir melhor – diz e eu sorri, como ele está pegando rápido as minhas manias. Pego o vestido da mão dele e coloco de volta no lugar, me viro e o olho.
—Ok Dr Shepherd eu saio as 17:00 hoje, venho para cá e me arrumo aqui se não se importar – digo e passo as mãos ao redor do pescoço dele. Ele enlaça minha cintura.
—Ok, mas agora estamos atrasados para o trabalho. Se quiser sair na hora é melhor não provocar a Dra Bailey chegando tarde – diz e me beija.
Tomamos um banho rápido e eu seco meu cabelo e prendo um lado com um grampo. Derek está do meu lado arramando o nó da gravata. Vou até o quarto e pego minha bolsa.
—Vamos ? – pergunta naturalmente e eu penso em como poderia facilmente me acostumar a isso.
—Sim, por favor – digo.
...
Estou atendendo outro paciente na emergência, parece que aconteceu um tiroteio no centro e a emergência está um caos.
—Como está ai Dra Whiters? – pergunta Bailey enquanto passa com outro policial baleado. O dela parece grave, tem um sangramento ativo na coxa. Provavelmente atingiu uma artéria.
—Ele está com Hemotórax, vou levando para a tomografia para saber as extenções da lesão. Como quer que proceda depois? – pergunto enquanto ela passa, ela me olha quando está chegando no elevador.
—Leve-o para o centro cirúrgico e tire essa bala dele, você já é boa o suficiente para fazer isso sozinha. Isso está um caos e se for urgente não poderei estar em dois lugares ao mesmo tempo, então se vire Whiters – fala e se vira de costas.
—Droga – digo baixinho, uma enfermeira me olha e sorri ela está fazendo um curativo na cabeça dele que me olha preocupado. Está respirando com dificuldade e abaixa a máscara.
—Ei linda, você sabe fazer isso né? – diz com dificuldade, tem o perfil bem militar cabelo curto olhos castanhos.
—Sim Sr Troy sei muito bem fazer isso. Vamos preciso saber onde essa bala foi parar. E fique com isso no rosto ok? – falo e arrumo a máscara. Ele concorda e encosta a cabeça na maca.
Saio com a enfermeira em direção a tomografia e pego meu celular. Droga já é 18:45, não poderei ir a festa, Não posso sair desse jeito e deixar o paciente e o pior é que o Derek já saiu para ir a uma reunião do negócio que esta fazendo para acertar os últimos detalhes antes da tal festa. Mando uma mensagem mas não tenho tempo de ver se chegou, chego ao tomógrafo e tem uma baita fila. Ficamos esperando uma hora mais ou menos até conseguir, deixo a enfermeira com Troy e resolvo ir ao banheiro. Quando estou passando por um corredor dou de cara com Derek, ele parece bastante preocupado. Está deslumbrante vestido em um Smoking.
—Oi o que está fazendo aqui? Achei que tinha uma festa – falo e ele fica me olhando.
—É estávamos nos preparando para ir, mas ai os Grey receberam uma notícia do depoimento do assassino da filha mais velha. Então a Dra Grace passou mal, provavelmente é um AVC – Diz e passa as mãos pelos cabelos como eu costumo fazer, seguro ele pelos braços e o faço olhar para mim.
—Relaxa vai ficar tudo bem, você vai dar um jeito não vai? – falo e ele suspira.
—Espero que sim, terei que fazer uma craniotomia de emergência para parar a hemorragia. Pobre família estão todos arrasados, sofreram durante anos para chegar no depoimento e o maldito dizer que não matou a menina. Imagina como eles estão se sentindo? Ela pode estar viva por ai em algum lugar e ninguém sabe onde – diz e me abraça. Tento reconforta-lo.
—Acho que a festa foi por água abaixo – falo e ele se afasta e me olha.
—É, afinal os anfitriões estão todos aqui. Todos os donos do hospital – fala e eu levanto a sobrancelha.
—Você está comprando o hospital Derek? – sussurro e ele levanta uma sobrancelha.
—Você não poderia saber disso, mas já que não terá festa mesmo. Eu comprei a metade – diz e eu arregalo os olhos. Não achei que fosse verdade.
—Porra, as pessoas já me olham torto por que namoro o chefe da neuro. Sabe como vão me olhar quando souber que você é dono da metade do hospital? – falo indignada. Ele me segura pelos ombros.
—Relaxa, ninguém te tratará mal ou se verão comigo. Agora tenho que ir – diz e me beija, quando vou entrar no banheiro ele me chama – Ah depois se quiser gostaria de te apresentar a eles. E boa sorte na sua cirurgia.
—Obrigado – falo e entro. Uso o banheiro, me levanto e arrumo meu unissex. Saio e vou lavar as mãos, de repente sai a mesma garota do Shopping do box, ela tem os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela limpa um pouco as lágrimas e olha para cima e me vê no reflexo do banheiro, seus olhos azuis se arregalam.
—Quem é você ? – pergunta parecendo estar com raiva, fico sem entender o motivo.
—Eu não entendo – falo observando nossas semelhanças – Quem é você?
—Sou Phoebe Grey, por que diabos você parece tanto o papai? – pergunta e parece se dar conta de algo. Ela coloca as pequenas mãos na boca e arregala os olhos azuis – Ah meu Deus, não pode ser. Quero dizer, sim acho que é sim.
— O que é? – falo ainda sem entender mas meu pager apita. Olho e vejo que é a enfermeira avisando que Troy já saiu da tomografia – Desculpe tenho que ir.
Me viro e vou rápido, chego e entro na sala da emergência. Troy mal respira, e a saturação está cada vez mais baixa.
— O que houve? Por que não me chamou antes?– pergunto e ela me olha apavorada.
—Dra ele acabou de ficar assim, a um segundo atrás conversava comigo. Eu juro – diz e eu pego meu estetoscópio e ausculto os pulmões dele.
—Está cheio de sangue pegue um tubo e lidocaína (anestesia loca) – ordeno e ela faz os que mando. Depois de colocar um tubo no peito dele para drenar o sangue o que sai bastante eu resolvo intuba-lo. Olho o exame e quase tenho um troço – Chame o chefe da cardio, a Bailey. Qualquer pessoa, diz que tem uma perfuração no coração, e diz que estamos subindo pro centro cirúrgico falo e ela sai desesperada.
Alex escuta e vem para o meu lado como um raio.
—Eu te ajudo – fala e sei que é só por causa da cirurgia de peito aberto que terá que ser feita.
—Como quiser – digo e entramos no elevador. Droga que demorado, derepente o maldito para e a luz apaga e acende de novo – porra que diabos aconteceu? Ei, temos um paciente morrendo aqui.
Bato nas portas mas elas não abrem, Alex tenta abrir mas consegue só um pouco. Pego meu celular e ligo para Derek que é o primeiro numero que aparece.
—Amy? – diz do outro lado.
—Preciso de ajuda, estou presa no elevador sul. Estava subindo para o centro cirúrgico com um paciente com perfuração no coração e essa merda travou Derek, e ele precisa de cirurgia agora – falo desesperada. Olho no monitor portátil e vejo que o pulso está acelerado. Aposto que não mais que o meu, mas ok.
—Olha se acalme estou indo ai agora. Burke – ouço ele chamar, ah graças a Deus chamou o chefe da cardio que é amigo dele. Desligo e olho o paciente, confiro o dreno. Está permeável isso é bom.
—Você é muito azarada puta que o pariu – alex fala e me olha – se tivermos que abrir ele aqui eu faço isso ok?
—Como quiser Dr Karev – digo e continuo aqui. Uns bons minutos depois a porta é forçada a abrir mais. Estamos no meio do andar entre o 3 e o quarto piso, Burke se deita no chão do 4 piso e me olha.
—Ok o que temos? – pergunta e eu passo todo o caso. Ele parece cada vez mais preocupado, posso ver pela sua expressão. – Ok olha os bombeiros com o equipamento para tirar vocês dai ainda não chegaram, vai demorar uns 30 minutos até tirarem vocês dai então preciso que mantenham a calma.
—Manter a calma?? COMO DIABOS VAMOS MANTER A CALMA – grito e olho de um lado para o outro.
—Ei querida eu estou aqui, olhe para mim – ouço e vejo Derek. Ele estende uma mão e me pede para segura-la. Vou até lá e o faço.
—Vou buscar o equipamento – Dr Burke fala e sai. Alex está uma estátua do meu lado.
—Estou aqui ok? Você não está sozinha, vamos tirar você dai e o policial vai sobreviver – diz certo disso.
—Você não deveria estar em uma cirurgia? – pergunto e ele me encara.
—Sim estão preparando a paciente. Mas agora concentre-se em você – fala e eu tento fazer o que ele diz.
Minutos depois o Dr Burke volta e está com um monte de coisas nas mãos ele se deita e Derek solta minha mão e se afasta. Não o vejo mais, me concentro no medico.
—Olha eu preciso que abra o peito dele e tente estancar a hemorragia – diz calmamente e eu só olho. Me viro para Alex e aponto quando Burke estende um avental cirúrgico, ele fica parado olhando para mim e para o Dr Burke.
—Covarde – falo e pego o avental, visto depressa e aguardo instruções. Ele me entrega luvas estéreis e vai me passando um monte de instruções. Ele me entrega uma seringa com anestesia geral e injeto no soro do paciente. Depois de garantir que ele apagou para valer, eu olho para Burke. Já arrumei o campo e tudo. Ele me estende um bisturi.
—Aqui Dra whiters, esteja ciente de que vai sangrar pra valer. Faça um corte entra a 4 e 5 costela, do lado esquerdo, mais ou menos 10 centímetros – diz e eu olho para o lugar onde devo cortar, apoio o bisturi mas travo. Tento de novo mas to apavorada.
—Não consigo. Ele vai morrer – falo e o olho.
—Vai se você não fizer nada, vamos lá você pode. Estou aqui, os bombeiros estão aqui na porta. Mas até abrirem o elevador ele já terá morrido, tem que ser feito agora – fala e eu olho para o paciente de novo que está respirando pelo respirador portátil. Respiro fundo soltando o ar pela boca, o que esquenta a máscara que estou usando mas só me concentro no que estou fazendo.
Minutos depois estou com o peito do paciente aberto. Sangue escorre da abertura.
—Ok agora coloca sua mão ai dentro e papel do o indicador até achar a aorta – diz e eu o faço. Palpo toda a superfície e sinto o pulsar do coração que está fraco.
—A Aorta está intacta – falo com certeza e ele balança a cabeça.
—Ok agora a parede do coração – pede e eu o faço. Busco até que sinto um pequeno buraco na parede lateral.
—Achei está aqui, mais ou menos 1 cm – falo e ele parece calmo. Alex é uma sombra no elevador.
—Ok agora coloque o dedo ai Dra Whiters – fala e eu o faço.
—Certo, uau já pulsa um pouco mais forte – falo, meu corpo está anestesiado – e agora?
—Agora fique exatamente assim, não se mexa – diz e sai dando espaço para os bombeiros trabalharem. Fico cerca de 20 minutos na mesma posição esperando até que finalmente a merda destrava e o elevador para no 4 andar.
Quando as portas vão abrir eu subo na base da cama já sabendo que não serei capaz de andar. Fico olhando para o paciente, totalmente concentrada.
—Ok estou aqui – ouço do meu lado, e sinto Derek afagar meu ombro de leve mas tudo parece um borrão. Eles começam a andar para fora do elevador e eu fico olhando a poça de sangue que ficou la dentro. Merda eu matei esse cara, mas o coração dele luta em bater e eu sinto isso na minha mão. Tenho um coração na minha mão literalmente.
—Espere – digo baixo e ninguém parece me ouvir. Então praticamente grito – EU DISSE PARA ESPERAREM UM SEGUNDO.
—O que houve – Dr burke pergunta preocupado, estamos quase chegando ao centro cirúrgico.
—Eu não sinto o meu braço. Está dormente, eu não sinto nada. E se meu dedo sair do lugar – falo e abaixo a cabeça, tento sentir alguma coisa, mas sinceramente está tudo dormente de tanto ficar nessa posição torta.
—Ei olha para o monitor, ele está vivo mas precisamos seguir. Estou aqui com você – Derek fala e eu me viro e finalmente o vejo. Ele ainda está de smoking, e lindo.
—Ok – falo e voltamos a nos mover, quando chegamos perto da porta eu levanto a cabeça pela primeira vez e dou uma bela olhada em volta. Tem várias pessoas olhando embora por algum motivo as pessoas continuam fazendo seu trabalho. Então meu olhar vai para um lugar onde tem várias pessoas vestidas com roupas de festa e eu perco o ar quando meu olhar encara outro igualzinho ao meu, uma imensidão cinza. É ele, eu sei que é. Olho para o lado e ela também está lá me olhando com os olhos brilhando agarrada ao braço dele. Não consigo olhar o restante deles mas aposto que estão todos aqui, me lembro que eles não se desgrudavam. Um turbilhão de memórias que eu nem sequer me lembrava invadem meus pensamentos. Me lembro das últimas palavras dele antes de me deixar. Eles me odiavam. Fico com isso na cabeça enquanto eles somem de vista. Entramos no centro cirúrgico mas a única coisa que consigo fazer é ouvir a voz dele na minha cabeça.
“ONDE SE METEU PORRA? SERÁ QUE NUNCA SABERÁ CUMPRIR REGRAS?”
“OLHA PARA MIM ENQUANTO FALO COM VOCÊ CARALHO”
Sinto meu mundo desabar de novo. Só não sei se dessa vez sobrará algum caco para colar depois.

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