Notas iniciais
Oi meninas voltei ... desfrutem

Pov Amy

Sinto alguém fazer cafuné no meu cabelo, caramba isso é muito bom. Me lembro de tudo o que aconteceu, as lembranças vindo em flash.

Abro os olhos e dou de cara com olhos azuis me encarando preocupados. Vejo que um dos meus braços está ao redor da cintura dela, tiro o braço devagar e me sento na cama completamente sem graça, olho de novo para ela que também se sentou. Ela abre a boca para falar algo mas eu falo primeiro.

—Obrigado — digo sincera. Ela franze a testa sem entender, é bonita até assim — Por me fazer companhia.

—Não precisa agradecer, foi um prazer — diz e fica me olhando, então morde o lábio. Acho que está pensando no que dizer — me desculpe por tocar em você.

—Não precisa se preocupar, eu gostei — digo e mordo o lábio, olho para ela. Cristian não está aqui no quarto — Não entendo como podem querer me amar tanto assim. Eu sumi por 22 anos, você deveria estar com raiva de mim. Deveriam me odiar.

—Eu amo você Amélia. Você é minha filha amada e tiraram você de mim, eu pensei por anos que tinha te perdido para sempre — diz emocionada e levanta a mão direita, se aproxima devagar e toca meu rosto com cuidado. Ela me olha triste e parece culpada — Desculpa, por não cuidar de você. Eu deveria ter te protegido e não fiz isso. Nós queremos muito uma segunda chance com você, para te mostrar que te amamos, não deixamos você. Seu pai, ele sofreu por anos se culpando pelo seu sequestro.

—A culpa não foi sua, não foi de vocês. Não quero que se culpem por isso, foi aquele louco que me levou de vocês. E eu menti para mim mesma por anos tentando culpar vocês por isso — falo e levanto minha mão e seguro a dela. Ela abaixa a mão e eu seguro a sua e encaro olhos azuis que agora estão brilhando — eu sinto muito por ter pensado isso de vocês. Eu agia segundo o que eu conhecia, e agora está tudo tão confuso. Não sei mais nem quem eu sou. Mas acho que minha única certeza no momento é que talvez eu possa tentar conhecer vocês — ela sorri mas eu fico seria — Eu não sou mais a menina que você conhecia Anastasia. Não quero iludir ninguém, talvez vocês se decepcionem com quem me tornei. Mas acho justo que saibam isso desde agora.

—Eu sei que você é diferente. E eu já amo você assim, obrigado por nos dar a oportunidade. É tão bom te ter em casa, e estou ansiosa para te conhecer e estarei aqui quando decidir conversar sobre o passado- fala e eu sorrio, vejo que ela se remexe e sei o que quer fazer, me jogo nos braços dela e sinto ela me abraçar. Fecho os olhos, é tão bom estar aqui nos braços dela de novo, só não sei até quando vai durar. Até eles descobrirem toda a escuridão que me ronda, meu passado. Vão fazer o mesmo que o Derek, ela definitivamente não precisa saber disso.

Uma batida na porta interrompe nosso momento. Ela me solta e olho para porta vendo Christian entrar e nos olhar, ele sorri.

—Oi — diz e se aproxima, me olha meio culpado- desculpa tive que sair para atender um telefonema. Era do hospital, minha mãe recebe alta amanhã.

—Não se preocupe, tive uma boa companhia- digo e seguro a mão de Ana, ela sorrio amplamente — Que bom que ela vai receber alta. O Dr Shepherd é realmente bom no trabalho dele.

—sim, ele é — diz ele e vê que fiquei sem graça em tocar no assunto, olho para baixo e mordo o lábio. Sinto um aperto reconfortante na minha mão. É Ana, e pela primeira vez na minha vida não me sinto sozinha — Ele ligou, quer muito falar com você. Eu disse que você entraria em contato assim que se sentisse pronta.

—Contou a ele que estou aqui? — pergunto indignada e me arrependo no mesmo instante pelo tom que usei. Ele franze a testa sem saber o que fazer, solto a mão de Ana e levo as duas mãos à cabeça e puxo os fios com força — Desculpe não queria falar assim.

—Não se preocupe. Eu sinto muito não deveria ter dito, só que ele estava desesperado e eu sei exatamente como ele estava se sentindo. Não precisa falar com ele se não quiser- fala e olha para Ana.

—Obrigado, por se preocupar — falo e me levanto, vou até a bolsa e busco o celular que está na mochila. Aperto o botão de ligar e os dois ficam me olhando- Uma hora terei que enfrentar as feras né?

—Vai ficar tudo bem — diz Ana se levantando. Christian se aproxima e passa um braço ao redor da cintura dela. Um movimento tão natural, esses dois realmente foram feitos um para o outro. Olho a tela e vejo que pisca chegando infinitas mensagens, muitas de Derek e Cristina.

—Ah o jantar está pronto, vocês querem comer? — Christian fala e olho a hora, porra dormi o dia todo.

—Sim eu estou faminta — a esposa responde sorrindo. Depois me olha — vamos? Você precisa comer alguma coisa querida.

—claro — digo meio sem graça, de novo me sentarei com eles. Como uma família ou seja lá o que for isso.

Sigo eles até o andar de baixo e vejo que os dois filhos deles estão sentados a mesa. A menina animada conversando com o irmão.

—Teddy a vovó vai embora amanhã — diz e toma um gole do suco.

Eles notam nossa presença e nos olha. Christian vai na frente e aponta uma cadeira ao lado de Theodore, vou até lá e me sento. Olho a menina que fica sem graça. Acho que dessa vez tenta não falar nada com medo de estragar tudo.

—Me desculpe — digo chamando a atenção de todos. Ela me olha com seus olhos azuis iguais aos da mãe, os cabelos cor de cobre estão presos em um rabo de cavalo e ela franze a testa sem entender o que quero dizer. Resolvo esclarecer — por hoje cedo, por ter sido tão rude.

—Não tem problema — diz tímida e se concentra no seu prato.

Meu celular começa a tocar, pego sem graça e vejo uma foto minha e de Derek pisca na tela junto ao seu nome. Uma em que ele mesmo tirou num intervalo no hospital, no corredor dos internos comigo. Ele disse que queria que eu visse a gente sempre que ele me ligasse, eu entrei na brincadeira e dei um beijo na bochecha dele bem no momento em que ele tirou a foto. Ele sorri amplamente.

Aperto o botão de rejeitar e coloco o celular em cima da mesa. Quase no mesmo instante começa a tocar de novo, quando vou rejeitar ouço alguém falar.

—Você deveria atender — olho para cima e Phoebe me encara e então murcha — Desculpe, não quero ser intrometida. Mas ele está a ponto de ter um surto, realmente está preocupado.

—E daí? Ele me deixou lá sozinha quando precisei dele caralho — solto com raiva e me lembro que eles não sabem disso. Christian me olha preocupado.

—Por que ele te deixou sozinha? — diz sério com um olhar de quem sabe alguma coisa.

—Eu não quero falar disso — falo e mordo o lábio. Olho para o celular e depois para eles de novo, não é justo. Droga me sinto mal por sentir que devo explicações a eles sendo que não devo — Conversamos ontem, e depois ele virou e foi embora.

—Ele disse que saiu por alguns minutos e que quando voltou você já não estava lá -Christian fala calmo. Mordo o lábio, eu não sabia disso. Será que ele voltou mesmo? Meu celular para de tocar e então começa de novo. Me levanto e pego o objeto, olho para eles. Phoebe sorri me encorajando, desvio o olhar e caminho em direção a sala. Aperto o botão atender e coloco no ouvido.

—Amélia? Ah Graças a Deus atendeu, estou tão preocupado. Me desculpe, você entendeu errado, mas eu sinto tanto. Eu só fui no bar da esquina tomar uma bebida, voltei 5 minutos depois. Sei que está pensando que te deixei lá, mas não foi assim. Não foi!! — diz convicto e então pausa e solta um suspiro. Sei que está exausto- está aí? Amy? Por favor fala comigo baby.

—Eu estou bem. Por favor pare de me ligar — falo simplesmente.

—Do que você está falando? Nós precisamos conversar — fala chateado.

—Não precisamos. Acredite eu estou te livrando de problemas, pare de me ligar — término e desligo o celular. Espero que ele pare de ser insistente, tento me convencer de que nunca daria certo. E também eu decidi que não o machucaria mais do que já o fiz.

Volto para a mesa e todos me olham, me sento e tomo um gole de suco. Olho para eles que me encaram.

—Está tudo bem — digo e sorrio. Eles voltam a comer, pego um pedaço de carne e provo — hummm isso está bom.

—Foi a tia Gail que fez — diz Phoebe e eu troco um olhar com ela e depois olho para Ana, ela sorri.

—Ela está ansiosa para ver você. Mas falamos para ela que perguntaríamos a você primeiro — diz. Ela é simpática e se preocupa comigo.

—Eu acho que não tem problema — falo mas a verdade é que estou confusa.

—Não precisa se apressar — Christian fala e me olha enquanto toma seu café, seus olhos cinzas me perfuram — eu posso te perguntar uma coisa?

—Já perguntou — falo e percebo que fui rude. Phoebe segura uma risada assim como Theodore. Olho para ele — desculpa não quis ser rude. Pode perguntar.

—Ontem no hospital, ouvimos uma interna entregar umas cartas do banco a você.Eu gostaria de poder ajudar, é por causa do crédito estudantil? — pergunta e sinto meu rosto esquentar. Droga não acredito que ouviram.

—É sim, é o que acontece quando se pega um empréstimo para pagar a faculdade. Eu ainda estou tentando me estabilizar, mas depois da faculdade foi difícil, aí as parcelas se acumularam — falo e suspiro — estou tentando regularizar a algum tempo, mas cada vez que vou lá eles me pedem mais do que tenho. Irei dar um jeito, sempre dou.

—Bem, nos deixe ajudar então. É algo simples de resolver, só tenho que fazer uma ligação — diz como se fosse simples. Olho para eles indignada.

—Querem pagar a minha faculdade? Por que diabos fariam isso? — pergunto realmente sem entender. Anastasia me olha confusa.

—Por que você é nossa filha. E essa é uma coisa que deveria ser nosso papel fazer — fala e penso em algo para dizer contra e fazê-los mudar de ideia.

—Se eu fosse você não tentaria contestar. Eles não irão desistir — Theodore fala certo e sorri apaziguador. Olho para os dois e vejo determinação no olhar deles, merda.

—Vou pensar ok? — falo e eles se entreolham. Chistian vai falar algo mas Ana aperta a mão dele?

—Certo, tudo bem. Mas espero que aceite, nos sentiríamos muito melhor — diz ele e continua comendo.

Depois do jantar eles me dão privacidade para tomar banho. Faço isso e depois de pronta me sento na cama e olho o celular, resolvo ligar para Cristina para dizer que estou bem.

—Meu Deus, onde se meteu sua louca. Sabe o quanto estou preocupada? O Shepherd quase está me deixando doida. O que aquele idiota fez ? E por que faltou ao trabalho ? — diz tudo de uma vez e eu rio dela é engraçado a maneira como ela se preocupa.

—Eu estou bem não se preocupe. Quanto ao Derek nos só tivemos uma discussão — falo.

—E por isso você desapareceu? — diz preocupada.

—É uma longa história. Amanhã no intervalo do almoço eu explico ok ? — falo tentando tranquiliza-la.

—Tem certeza? E onde você está? Quer que eu vá te buscar ? — ouço uma batida na porta e olho na direção e vejo Ana entrando, ela pede desculpa baixinho quando vê que estou ao telefone e eu faço sinal com a mão para que ela sente ao meu lado, ela faz isso devagar e senta.

—Eu estou bem ok. Vejo você amanhã, tenho que desligar — falo.

—Ok, mas vê se aparece amanhã se não eu irei te dar umas palmadas- fala seria e eu rio.

—Tá bom Cris até amanhã — desligo a olho para ela.

—Vim dar boa noite- diz e segura minha mão. Parece não querer sair daqui, logo vejo Christian também entrar de banho tomado.

—Eu não me importaria se quisessem ficar aqui comigo, claro se quiserem — falo baixo com vergonha de dizer isso, ela parece quase pular de felicidade.

—Seria uma prazer querida, já fiquei tempo demais longe de você — diz e se posiciona na cama, olho para Christian que está de pé sorrindo.

—O que está esperando? — falo rindo e me deito, passo o braço ao redor da cintura dela. Caramba tenho minha mãe de volta, não acredito.

Logo ele se junta a nos deitando ao lado da esposa. Ela me faz carinho nos cabelos e vou pegando no sono aos poucos, encarando olhos azuis.

—Espero que isso seja mesmo verdade — falo ainda sem acreditar.

—É sim amor, você está com a gente de novo. Sua família que tanto te ama — diz carinhosa.

—Acho que se eu amasse alguém, eu amaria vocês — falo e Caio no sono.

Notas finais
E aí o que acharam??? Próximo cap tem encontro dela com o Derek, o que será que vai rolar? Comentem Recomendem